Perguntas do paciente (91)
-
Uma pessoa com transtorno de personalidade borderline pode apresentar todos sintomas exceto o medo d
Uma pessoa com transtorno de personalidade borderline pode apresentar todos sintomas exceto o medo de abando e delírios e alucinações psicóticas como na esquizofrenia?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Não exatamente —
Sobre o medo de abandono: ele NÃO é uma exceção. Pelo contrário, o medo de abandono (real ou imaginado) é um dos critérios centrais do transtorno de personalidade borderline (TPB). É um dos sintomas mais característicos do quadro, junto com instabilidade nos relacionamentos, na autoimagem e nas emoções, impulsividade e dificuldade para controlar a raiva.
Sobre delírios e alucinações: aqui sim, a observação está correta. TPB não costuma cursar com delírios ou alucinações persistentes como na esquizofrenia. O que pode acontecer, principalmente em momentos de estresse intenso, são sintomas psicóticos transitórios e relacionados ao estresse — como ideação paranoide passageira ("acho que todo mundo está contra mim") ou sintomas dissociativos (sensação de estar fora do corpo, de que nada é real). Mas isso é diferente de um delírio fixo e estruturado ou de alucinações persistentes, que são mais típicos de transtornos psicóticos como a esquizofrenia.
Resumindo: dos itens citados, o medo de abandono faz parte do quadro (não é exceção); já delírios e alucinações psicóticas persistentes, de fato, não são típicos do TPB.
-
Porque os antipsicoticos atipicos são usados para tratar transtornos como bipolaridade e transtorno
Porque os antipsicoticos atipicos são usados para tratar transtornos como bipolaridade e transtorno esquizoafetivo se são feitos para esquizofrenia? Qual a atuação deles ssobre a estabilização do humor nesses transtornos?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Boa pergunta! Vou explicar de forma simples.
**Por que "antipsicóticos" servem para outras coisas além de psicose?**
O nome "antipsicótico" é meio enganoso, porque sugere que eles só funcionam pra sintomas psicóticos (delírios, alucinações). Na verdade, esses remédios agem em vários receptores do cérebro — principalmente os de dopamina e serotonina — que não influenciam só o "estar ou não em contato com a realidade", mas também regulam humor, ansiedade, impulsividade e sono. Por isso o efeito deles é bem mais amplo do que o nome sugere.
**Como eles ajudam a estabilizar o humor?**
Nos transtornos bipolar e esquizoafetivo, o problema não é só "ter psicose" — é o cérebro oscilar entre estados de muita ativação (mania/hipomania) e estados de muito desânimo (depressão). Os antipsicóticos atípicos (como quetiapina, olanzapina, risperidona, aripiprazol, entre outros):
- **Na mania:** ajudam a "frear" a superativação — reduzem agitação, aceleração do pensamento, impulsividade e insônia, porque diminuem a atividade excessiva de dopamina.
- **Na depressão bipolar:** alguns deles (quetiapina é o exemplo clássico) também têm efeito antidepressivo, atuando em receptores de serotonina e noradrenalina.
- **No transtorno esquizoafetivo:** como esse transtorno mistura sintomas psicóticos com sintomas de humor (depressão ou mania), o antipsicótico ataca as duas frentes ao mesmo tempo.
**Resumindo:** eles não são "só para esquizofrenia" — são remédios que mexem em vários sistemas do cérebro ligados ao equilíbrio emocional, e por isso funcionam tanto para controlar psicose quanto para estabilizar oscilações de humor.
-
Uma pessoa pode ter tido uma depressão grave e ser diagnosticada com ciclotimia?
Uma pessoa pode ter tido uma depressão grave e ser diagnosticada com ciclotimia?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim, pode acontecer — mas com uma ressalva importante no critério diagnóstico.
**O que é ciclotimia:**
É um transtorno de humor mais "leve" que a bipolaridade, caracterizado por oscilações crônicas entre sintomas hipomaníacos (leves) e sintomas depressivos (leves), por pelo menos 2 anos (1 ano em crianças/adolescentes), sem nunca preencher critérios completos para um episódio de mania, hipomania completa ou depressão maior.
**Aqui está o ponto-chave:** pela definição formal (DSM-5), se a pessoa já teve um episódio de **depressão maior completo** (grave, preenchendo todos os critérios), tecnicamente isso **descarta** o diagnóstico de ciclotimia "pura" — porque um dos requisitos da ciclotimia é justamente nunca ter tido um episódio depressivo maior completo.
**Então como isso acontece na prática clínica?**
1. **Diagnóstico evolui com o tempo:** a pessoa pode ter sido diagnosticada com ciclotimia numa fase da vida (com sintomas leves e oscilantes) e, anos depois, desenvolver um episódio depressivo grave. Nesse caso, o diagnóstico é reavaliado — geralmente passa a ser transtorno bipolar tipo II (se também já teve hipomania completa) ou outro transtorno de humor, e não mais ciclotimia isolada.
2. **Erro ou imprecisão diagnóstica anterior:** às vezes a "depressão grave" foi diagnosticada num momento sem uma avaliação completa da história de humor da pessoa, e depois, com mais informação, o quadro é reclassificado como ciclotimia (se aquele episódio não preenchia todos os critérios de depressão maior).
3. **Comorbidade:** ciclotimia pode coexistir com outros transtornos (ansiedade, uso de substâncias, transtornos de personalidade), mas não com depressão maior "dentro" do mesmo diagnóstico — nesse caso, o quadro muda de nome.
**Resumindo:** não dá pra ter os dois diagnósticos "puros" ao mesmo tempo pela definição formal, mas é comum a pessoa transitar de um diagnóstico para outro conforme a história clínica se revela mais completa ao longo do tempo.
-
Olá, sou mãe de uma criança autista de 7 anos com Tod e Tdha, nessas últimas semanas infelizmente o
Olá, sou mãe de uma criança autista de 7 anos com Tod e Tdha, nessas últimas semanas infelizmente o tod dele tem ficado bastante dificil de lhe dar, e a psiquiatra receitou quetiapina 25 mg (meio comprimido), isso claro após tentativas de outros medicamentos que nao deram certo, esse quetiapina é bom?, pode ser usado mesmo em crianças nessas condições e faixa etária?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá! Entendo a preocupação — é bem comum passar por essa fase de ajuste de medicação quando o TOD (transtorno opositor desafiador) está mais intenso, especialmente associado a autismo e TDAH.
**Sobre a quetiapina em dose baixa:**
Em dose baixa como 12,5 mg (meio comprimido de 25 mg), ela costuma ser usada não pelo efeito antipsicótico "forte", mas pelo efeito sedativo leve, que ajuda a reduzir:
- Irritabilidade intensa
- Explosões de raiva
- Agitação
- Dificuldade para dormir (efeito colateral que, nesse caso, pode ser usado a favor, se a criança tiver insônia associada)
**É usada em crianças?**
Sim, é uma prática comum na psiquiatria infantil, mesmo sem ser a primeira escolha "oficial" para TOD isoladamente. Ela costuma entrar quando:
- Outras estratégias (comportamentais, outros medicamentos como estabilizadores de humor ou alfa-agonistas) não funcionaram bem o suficiente, como parece ser o caso do seu filho
- A irritabilidade e a agressividade estão prejudicando muito o funcionamento da criança e da família
Vale lembrar que não existe uma bula formal específica para "TOD em criança de 7 anos" — o uso é o que chamamos de **uso off-label**, muito comum em psiquiatria infantil, baseado em evidência clínica e experiência do médico, não porque seja experimental ou arriscado sem fundamento.
**Cuidados importantes que a psiquiatra provavelmente já está monitorando:**
- Ganho de peso (efeito colateral bem descrito, mesmo em doses baixas)
- Sonolência durante o dia
- Acompanhamento periódico (às vezes com exames de sangue, glicemia, perfil lipídico)
**Resumindo:** é uma medicação bem estabelecida no uso pediátrico para esse tipo de sintoma, especialmente após tentativas anteriores sem sucesso, como no caso do seu filho. O fato da psiquiatra ter começado com dose bem baixa (meio comprimido) mostra uma abordagem cautelosa, típica para avaliar resposta e tolerância antes de ajustar.
Se surgir sonolência excessiva, mudança de apetite fora do esperado ou qualquer sintoma que te preocupe, vale contatar a psiquiatra para reavaliar a dose.
-
Olá! Estou tomando Bupropiona 150 mg há 7 dias. O efeito colateral que tenho sentido é a boca seca,
Olá! Estou tomando Bupropiona 150 mg há 7 dias. O efeito colateral que tenho sentido é a boca seca, e, apesar da atividade mental normal, parece que estou falando mais devagar. Será que isso passa? Tem como minimizar? Obrigada.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá! Boca seca é um efeito colateral bem comum da bupropiona, especialmente nas primeiras semanas de uso, e costuma diminuir conforme o organismo se adapta à medicação. Algumas medidas ajudam a minimizar: beber água com mais frequência, evitar excesso de cafeína e álcool, usar balas ou gomas de mascar sem açúcar, e manter boa higiene bucal.
Já a sensação de "falar mais devagar" merece atenção — pode estar relacionada à dose, ao horário de administração ou à fase de adaptação inicial, mas não é um efeito tão típico quanto a boca seca. O ideal é relatar esse sintoma ao seu psiquiatra assistente, para que ele avalie se é esperado no seu caso ou se algum ajuste de dose ou horário é necessário.
Sete dias de uso é um bom momento para esse retorno de avaliação, principalmente por conta da alteração na fala. Não deixe de comunicar ao médico que acompanha seu tratamento.
-
Boa noite ! Após uma crise de pânico, existe a possibilidade de mts sintomas terem melhorado como s
Boa noite !
Após uma crise de pânico, existe a possibilidade de mts sintomas terem melhorado como sono, apetite, funcionalidade etc, e outros terem “piorado”, como sintomas dissociativos?
Ou é apenas a percepção q se volta mais para esses sintomas residuais após a melhora de outros, portanto se tornam mais evidentes ou dao a sensação de terem se intensificado ?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Boa noite! Sim, as duas possibilidades que você descreveu podem estar acontecendo ao mesmo tempo, e isso é bem coerente com o que se observa clinicamente.
**Sobre a melhora de sono, apetite e funcionalidade:** quando esses domínios melhoram, isso costuma indicar resposta ao tratamento (farmacológico, terapêutico ou ambos) e redução do estado geral de hiperativação do sistema nervoso autônomo que geralmente acompanha quadros de pânico.
**Sobre os sintomas dissociativos:** aqui realmente podem coexistir dois mecanismos, e não são mutuamente excludentes:
1. **Efeito de "figura-fundo" / viés de atenção**: quando os sintomas mais ruidosos (insônia, falta de apetite, prejuízo funcional) melhoram, a atenção — tanto do paciente quanto, às vezes, até a percepção subjetiva geral — se volta mais para os sintomas que restaram. Isso pode dar a sensação de que a dissociação "aumentou", quando na verdade ela pode estar estatisticamente estável, apenas mais evidente por contraste.
2. **Intensificação real**: é descrito na literatura que sintomas dissociativos (despersonalização, desrealização, sensação de distanciamento de si mesmo ou do ambiente) podem, em alguns casos, se tornar mais proeminentes à medida que a ansiedade aguda diminui — especialmente se a dissociação funcionava, em algum grau, como mecanismo de proteção frente à sobrecarga do sistema. Quando a "urgência" do pânico diminui, o sistema nervoso pode processar de forma diferente o que sobrou.
Na prática clínica, distinguir entre esses dois cenários (percepção alterada vs. sintoma real que se intensificou) exige avaliação longitudinal — ou seja, acompanhar a intensidade e frequência da dissociação ao longo de várias consultas, não só comparar "antes e depois" de forma isolada.
Se você está vivenciando isso agora, vale relatar com detalhes ao seu psiquiatra ou terapeuta: quando os sintomas dissociativos aparecem, quanto tempo duram, se têm gatilhos específicos, e se interferem na sua rotina. Isso ajuda a definir se é algo a ser monitorado, ou se demanda alguma intervenção mais direcionada.
-
Tomei fluoxetina 20mg por 3 dias e não quero continuar. Posso parar sem problemas?
Tomei fluoxetina 20mg por 3 dias e não quero continuar.
Posso parar sem problemas?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Boa notícia: com apenas 3 dias de uso, o risco de qualquer problema ao interromper é baixo. Alguns pontos que ajudam a entender por quê:
**Meia-vida longa da fluoxetina**
A fluoxetina tem uma meia-vida bem mais longa que a maioria dos outros antidepressivos (cerca de 1 a 3 dias, e o metabólito ativo, norfluoxetina, chega a 7-15 dias). Isso significa que ela "sai do corpo" de forma bem mais gradual e naturalmente reduz o risco da síndrome de descontinuação que costuma acontecer com outros ISRS (como paroxetina ou venlafaxina) quando parados abruptamente.
**Tempo de uso curto**
Síndromes de descontinuação e dependência fisiológica costumam estar associadas a uso prolongado (geralmente semanas a meses). Com apenas 3 dias, o corpo não teve tempo de se adaptar de forma significativa à presença do medicamento.
**O que observar**
Ainda assim, vale ficar atenta nos próximos dias a sintomas como tontura, irritabilidade, ou alterações de sono — embora improváveis nesse contexto, é sempre bom monitorar.
**Uma recomendação importante**
Mesmo sendo um caso de baixo risco, é sempre válido informar ao médico que prescreveu a medicação sobre a decisão de interromper — não necessariamente porque haverá problema, mas porque ele pode reavaliar a indicação original do tratamento e discutir alternativas, caso o motivo de ter iniciado a fluoxetina ainda precise de algum manejo.
-
Olá, meu filho de 7 anos (autista nível 2, com tod e tdha), passou com a psiquiatra há pouco tempo o
Olá, meu filho de 7 anos (autista nível 2, com tod e tdha), passou com a psiquiatra há pouco tempo onde foi receitado quetiapina 25mg (meio comprimido), a noite, pois meu filho infelizmente já tomou vários outros e nenhum ajudou, como risperidona e aripiprazol, esse remedio quetiapina é bom?, ajuda na ansiedade, agressividade, tod?
Obs: ele toma tb canabidiol e atensinaRESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Oi! Vou te dar uma visão geral sobre a quetiapina nesse contexto, mas é importante lembrar que quem está acompanhando seu filho de perto — com todo o histórico de resposta às medicações anteriores — é a psiquiatra que fez a prescrição, então qualquer dúvida sobre ajuste também deve voltar para ela.
**Sobre a quetiapina em dose baixa (25mg, meio comprimido)**
Nessa dose, o efeito predominante é sedativo/anti-histamínico e um pouco antagonista alfa-adrenérgico — ou seja, em doses tão baixas como essa, a quetiapina costuma ser usada mais para ajudar no sono, na irritabilidade e na agitação noturna do que propriamente como antipsicótico "pleno" (que exigiria doses bem mais altas, agindo em D2).
**Ela pode ajudar em:**
- Agitação/agressividade, especialmente à noite
- Irritabilidade associada ao TOD
- Dificuldade para iniciar o sono (efeito colateral sedativo aproveitado terapeuticamente)
**Sobre ansiedade especificamente:**
O efeito ansiolítico da quetiapina em dose baixa é mais indireto (via sedação e redução da hiperativação geral) do que um mecanismo ansiolítico específico. Não é a primeira escolha clássica para ansiedade isolada, mas pode contribuir indiretamente ao reduzir o estado geral de alerta/agitação.
**Por que ela foi escolhida após risperidona e aripiprazol não funcionarem:**
Isso é uma decisão terapêutica comum — trocar a classe de antipsicótico atípico quando não há resposta, já que cada molécula tem um perfil de receptores um pouco diferente (a quetiapina tem menos afinidade por D2 e mais efeito anti-histamínico/sedativo comparada à risperidona e ao aripiprazol), então pode responder de forma diferente em crianças que não tiveram sucesso com as outras.
**Sobre a associação com canabidiol e atensina (clonidina):**
Vale ficar atenta a **potencialização do efeito sedativo**, já que tanto CBD quanto clonidina (atensina) e quetiapina têm efeito sedativo/hipotensor somado. É importante que a psiquiatra que prescreveu esteja ciente de todas as medicações em uso (CBD e clonidina) para calibrar doses e horários, minimizando sonolência excessiva durante o dia ou hipotensão.
**O que observar nas próximas semanas:**
- Sonolência diurna excessiva
- Alterações de apetite (a quetiapina pode aumentar apetite mesmo em doses baixas)
- Resposta real na agressividade e no sono — geralmente leva algumas semanas para avaliar efeito pleno
- Qualquer sinal de hipotensão (tontura, sonolência muito intensa) pela soma com a clonidina
Se surgir alguma dúvida sobre a resposta ao tratamento nas próximas semanas, o retorno com a psiquiatra assistente é o caminho certo para ajuste fino, considerando toda a combinação medicamentosa que ele já usa.
-
Comecei a tomar duloxetina, bupropiona e trazodona há 3 dias. Tive relação sexual com meu parceiro h
Comecei a tomar duloxetina, bupropiona e trazodona há 3 dias. Tive relação sexual com meu parceiro hoje e não consegui atingir o orgasmo. Há chance de ser um efeito apenas na adaptação às medicações?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Boa pergunta, e faz bastante sentido pensar nessa hipótese. Vou detalhar:
**Sobre o tempo de uso (3 dias)**
É um pouco cedo para atribuir com certeza a dificuldade de orgasmo unicamente ao efeito farmacológico "estabilizado" das medicações, mas já é plausível, sim — o corpo começa a sentir efeitos de algumas dessas substâncias rapidamente, mesmo antes do efeito terapêutico pleno (que costuma levar semanas).
**Perfil de cada medicação nesse contexto:**
- **Duloxetina** (IRSN — inibidor de recaptação de serotonina e noradrenalina): assim como outros antidepressivos serotoninérgicos, tem associação conhecida com disfunção sexual, incluindo dificuldade para atingir o orgasmo (anorgasmia) tanto em homens quanto em mulheres. É um efeito colateral relativamente comum dessa classe.
- **Trazodona**: em doses baixas (geralmente usada à noite para sono), o efeito sexual costuma ser neutro ou até favorável em alguns casos — na verdade a trazodona é uma das poucas medicações associadas a *priapismo* (raro, mas describes em homens) e não costuma ser a principal responsável por anorgasmia.
- **Bupropiona**: essa é a "exceção" nesse grupo — diferente da maioria dos antidepressivos, a bupropiona tem baixíssimo (ou nenhum) impacto negativo na função sexual, e às vezes é inclusive usada como estratégia para *contrabalançar* a disfunção sexual causada por ISRS/IRSN em associações terapêuticas.
**Conclusão prática**
A duloxetina é a candidata mais provável para explicar essa dificuldade, mesmo em uso tão recente — alguns efeitos sexuais podem aparecer já nos primeiros dias, antes mesmo do efeito antidepressivo pleno. Não dá para descartar também fatores situacionais (ansiedade sobre o próprio tratamento, adaptação aos efeitos colaterais gerais como sonolência/tontura, etc.), que podem interferir indiretamente.
**O que fazer:**
- Vale observar se o padrão se repete nas próximas semanas — às vezes esse efeito melhora com o tempo, à medida que o corpo se adapta.
- Se persistir ou incomodar, é importante relatar ao psiquiatra que acompanha seu tratamento: existem estratégias (ajuste de dose, horário de tomada, ou mesmo troca de medicação) para minimizar esse efeito sem comprometer o tratamento principal.
Se estiver gerando desconforto significativo desde já, não hesite em levar isso para a próxima consulta ou contato com quem prescreveu.
-
Olá. Estou em uso de Sertralina de 50mg há 29 dias. Os pensamentos acelerados parece que diminuíram,
Olá.
Estou em uso de Sertralina de 50mg há 29 dias.
Os pensamentos acelerados parece que diminuíram, porém, enfrento outro problema. O estranhamento dentro do próprio corpo. É como se houvesse algo estranho acontecendo comigo, mas sem estar ou enxergar o que. Como se eu estivesse no corpo errado. Essa sensação começou após este período da Sertralina. Tenho consulta de retorno com a psiquiatra. Gostaria de saber se isso pode acontecer e há melhora ou é um sinal de necessidade de aumento de dose?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá! O que você está descrevendo tem nome na psiquiatria: **despersonalização** — uma sensação de estranhamento em relação ao próprio corpo, aos pensamentos ou a si mesmo, como se estivesse observando a si próprio de fora ou "não se reconhecendo" totalmente. É diferente de alteração de pensamento acelerado, e pode sim estar relacionada ao uso de ISRS como a sertralina, embora também apareça associada a quadros de ansiedade em si, independente da medicação.
**Isso pode acontecer com sertralina?**
Sim, é um efeito relatado, embora não seja um dos mais comuns. Pode surgir tanto como efeito colateral direto da medicação quanto como sintoma residual de ansiedade que fica mais "visível" à medida que outros sintomas (como os pensamentos acelerados que você mencionou) melhoram — ou seja, às vezes não é que o sintoma surgiu do nada, mas que ele fica mais evidente quando o "ruído" de outros sintomas diminui.
**É sinal de necessidade de aumento de dose?**
Não necessariamente — isso não dá para definir sem avaliação clínica direta. Pode ser:
- Efeito colateral que tende a melhorar com o tempo, à medida que o corpo se adapta
- Sinal de que a dose atual não está sendo suficiente para o quadro de base
- Sintoma dissociativo relacionado à ansiedade em si, que pode precisar de abordagem além do simples ajuste de dose (dose diferente, medicação diferente, ou associação com psicoterapia)
**O que é importante levar para a consulta de retorno**
Vale detalhar bem para a psiquiatra:
- Quando exatamente essa sensação começou em relação ao início da sertralina
- Se ela é constante ou tem episódios/gatilhos específicos
- Se interfere na sua rotina, trabalho, relações
- Se veio acompanhada de outros sintomas (tontura, alterações de sono, alterações de humor)
Com esses detalhes, ela vai conseguir diferenciar entre as possibilidades acima e decidir o melhor caminho — que pode envolver observação, ajuste de dose, ou mudança de estratégia terapêutica.
Como você já tem consulta de retorno agendada, esse é o momento certo para relatar esse sintoma com detalhes — é uma informação clínica relevante que ela precisa saber.
-
Tenho insuficiência mitral discreta. Posso tomar antidepressivo?
Tenho insuficiência mitral discreta.
Posso tomar antidepressivo?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Boa pergunta — de forma geral, insuficiência mitral discreta (leve) não é, por si só, uma contraindicação para uso de antidepressivos. Mas alguns pontos merecem atenção na escolha da medicação:
**Por que isso importa**
Alguns antidepressivos têm efeitos cardiovasculares que podem interagir com quadros cardíacos, mesmo leves:
- **Tricíclicos** (amitriptilina, clomipramina, imipramina): têm maior potencial de efeitos cardíacos — alteração de condução (prolongamento de QT, efeito quinidina-like), hipotensão ortostática, taquicardia. Costumam ser evitados ou usados com mais cautela em quem tem qualquer cardiopatia estrutural.
- **ISRS** (sertralina, escitalopram, fluoxetina): geralmente considerados mais seguros do ponto de vista cardiovascular. A sertralina, inclusive, tem bastante dado de segurança em pacientes cardiopatas (estudo SADHART, por exemplo, em pacientes pós-infarto). Ainda assim, alguns ISRS (principalmente citalopram/escitalopram em doses altas) têm alerta de prolongamento de QT dose-dependente.
- **IRSN** (venlafaxina, duloxetina): a venlafaxina, principalmente em doses mais altas, pode elevar a pressão arterial — algo a monitorar, embora não seja diretamente relacionado à insuficiência mitral.
- **Bupropiona**: geralmente bem tolerada do ponto de vista cardiovascular, mas costuma ser evitada em quem tem histórico de arritmias significativas (não costuma ser o caso de insuficiência mitral discreta isolada).
**No seu caso especificamente**
Insuficiência mitral discreta, sem repercussão hemodinâmica significativa (sem dilatação de câmaras, função ventricular preservada, sem sintomas), geralmente não muda muito a conduta — a maioria dos antidepressivos pode ser usada com segurança, com escolha baseada principalmente no quadro clínico psiquiátrico e não na valvopatia em si.
**O que é importante fazer**
- Informar ao psiquiatra sobre a insuficiência mitral e, se tiver, levar o laudo do ecocardiograma mais recente
- Se possível, também compartilhar com o cardiologista qual antidepressivo está sendo considerado, para alinhamento entre as especialidades, especialmente se houver uso de outras medicações cardíacas
- Fazer ECG basal se for iniciar uma medicação com maior potencial de efeito na condução cardíaca (principalmente tricíclicos ou doses mais altas de citalopram/escitalopram)
Essa é uma avaliação que combina o quadro psiquiátrico com o cardiológico, então o ideal é que a escolha final seja feita em consulta, levando em conta o ecocardiograma e o histórico cardíaco completo.
-
Olá estou tomando sertralina 200mg quase 40 dias não vi resultado ainda tenho crises de choro consta
Olá estou tomando sertralina 200mg quase 40 dias não vi resultado ainda tenho crises de choro constante sem apetite pode ser que o remédio não esteja fazendo efeito teria que diminuir aumentar ou trocar por outro ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá! Entendo a preocupação — 40 dias já é um prazo relevante para se esperar alguma resposta, então é uma dúvida totalmente válida. Alguns pontos para entender melhor a situação:
**Sobre o tempo de resposta**
Antidepressivos ISRS como a sertralina costumam levar de 4 a 6 semanas para mostrar efeito terapêutico pleno, então 40 dias já está dentro dessa janela, mas no limite — algumas pessoas ainda apresentam melhora entre a 6ª e 8ª semana, especialmente em doses mais altas como 200mg (dose máxima usual da sertralina).
**Os sintomas que você descreve**
Crises de choro constante e falta de apetite, sem melhora nesse período, são sinais importantes de que o quadro pode não estar respondendo adequadamente à dose/medicação atual — mas isso precisa ser avaliado com mais detalhes, como:
- Se houve alguma melhora parcial, mesmo pequena (em outros sintomas, como sono, energia, pensamentos)
- Se a dose de 200mg foi atingida gradualmente ou início direto
- Se há uso regular e sem falhas de doses
- Se há outros fatores associados (estressores atuais, sono, uso de álcool/substâncias, outras condições clínicas)
**Sobre aumentar, diminuir ou trocar**
Essa decisão não deve ser feita por conta própria — cada opção (aumentar mais, trocar de classe, associar outra medicação, ou considerar potencialização) depende de uma reavaliação clínica completa, incluindo:
- Confirmação se 200mg é realmente o teto terapêutico ideal pra você (200mg já é a dose máxima recomendada da sertralina, então se não houver resposta, a tendência é considerar troca ou associação, não aumento adicional)
- Investigação de causas de não resposta (adesão, diagnóstico correto, comorbidades)
- Histórico de tratamentos anteriores, se houver
**O que fazer agora**
Como você já está na dose máxima da sertralina sem resposta significativa após quase 6 semanas, isso é justamente o tipo de situação que pede uma consulta de reavaliação o quanto antes — não é algo para aguardar até o próximo retorno programado, se ele estiver distante. Vale entrar em contato com quem prescreveu para relatar a falta de resposta e os sintomas atuais (choro constante e falta de apetite), para que a conduta seja reavaliada com segurança.
-
Vou dormir e acordo com uma musica na cabeça, o que fazer? É normal?
Vou dormir e acordo com uma musica na cabeça, o que fazer? É normal?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim, é bem normal! Esse fenômeno tem até nome: **"earworm"** (ou, em português, "minhoca musical"/"música grudenta"). É a experiência de ter uma música tocando repetidamente na mente, muitas vezes sem controle consciente sobre isso — e é bastante comum acontecer justamente perto do sono ou ao acordar, momentos em que a mente está mais "solta", sem o filtro das atividades do dia.
**Por que acontece**
- O cérebro tende a repetir trechos musicais curtos e repetitivos (geralmente refrões) como parte de processos de memória automática
- Momentos de baixa atividade cognitiva direcionada (relaxamento, transição entre sono e vigília) favorecem esse tipo de "loop" mental
- Pode estar relacionado a ter ouvido a música recentemente, ter alguma associação emocional com ela, ou simplesmente ser um padrão espontâneo da atividade cerebral
**Quando é só uma curiosidade neurológica benigna**
Na grande maioria dos casos, é completamente inofensivo — não indica nenhum problema de saúde mental ou neurológico. Praticamente todo mundo já passou por isso em algum momento.
**O que costuma ajudar a "desligar"**
- Ouvir a música inteira (às vezes o cérebro "trava" no trecho porque não chegou ao fim)
- Trocar por outra música ou som diferente
- Focar em outra atividade mental (leitura, conversa, tarefa que exija atenção)
- Mascar chiclete ou fazer alguma atividade motora simples (hábitos que ajudam a "quebrar" o loop, segundo alguns estudos)
**Quando vale prestar atenção**
Se isso se tornar muito frequente, intrusivo, incontrolável a ponto de atrapalhar sono ou concentração, ou vier acompanhado de outros pensamentos repetitivos que geram sofrimento (ruminação, ansiedade), aí sim pode valer conversar com seu psiquiatra — mas pelo que você descreveu, soa como uma experiência bem comum e sem motivo de preocupação.
-
O psiquiatra está alterando minha medicação de escitalopram para fluvoxamina, porém, por enquanto, p
O psiquiatra está alterando minha medicação de escitalopram para fluvoxamina, porém, por enquanto, para que a suspensão seja gradual, ele prescreveu 15 mg de escitalopram pela manhã e 50 mg de fluvoxamina à noite. E também receitou alprazolam e lamotrigina. Estou com medo de síndrome serotoninérgica, será que o risco é grande nessa combinação?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Entendo a preocupação — é uma dúvida legítima quando se está trocando entre dois serotoninérgicos. Vou explicar o que está por trás dessa estratégia:
**Por que essa combinação é usada em transição (cross-taper)**
Trocar de um ISRS para outro raramente é feito com suspensão abrupta de um e início imediato do outro — o "cross-taper" (sobreposição gradual, diminuindo um enquanto sobe o outro) é uma estratégia padrão justamente para minimizar sintomas de descontinuação do escitalopram e evitar oscilações bruscas no quadro clínico. Seu psiquiatra está fazendo exatamente isso: reduzindo o escitalopram (de forma escalonada) enquanto introduz a fluvoxamina.
**Sobre o risco de síndrome serotoninérgica nessa combinação**
O risco existe, mas é geralmente considerado baixo a moderado nesse tipo de transição bem conduzida, por alguns motivos:
- A síndrome serotoninérgica é mais associada a combinações de alto risco (ex: IMAO + ISRS, ou múltiplos serotoninérgicos em doses altas simultâneas), não tanto a um cross-taper cuidadoso entre dois ISRS em doses moderadas
- O período de sobreposição costuma ser curto (dias a poucas semanas), com redução programada do escitalopram
- Doses de 15mg de escitalopram e 50mg de fluvoxamina não são doses extremas
**Um ponto técnico importante: interação farmacocinética**
A fluvoxamina é um **potente inibidor da CYP2C19** (e também de CYP1A2 e CYP3A4), enzima que participa do metabolismo do escitalopram. Isso significa que, durante a sobreposição, os níveis séricos de escitalopram podem ficar mais altos do que o esperado para a dose de 15mg — o que é um detalhe técnico que o próprio psiquiatra provavelmente já está considerando ao definir o tempo e a velocidade da redução.
**Sinais de síndrome serotoninérgica para ficar atenta**
Vale saber reconhecer, mesmo sendo baixo risco:
- Agitação, confusão mental
- Tremores, mioclonias (contrações musculares involuntárias)
- Sudorese, taquicardia, febre
- Diarreia
- Rigidez muscular (em casos mais graves)
Se algum desses sintomas surgir de forma significativa, é importante buscar avaliação médica com urgência.
**Sobre alprazolam e lamotrigina na combinação**
Nenhum dos dois altera de forma relevante o risco de síndrome serotoninérgica — o alprazolam não tem ação serotoninérgica significativa, e a lamotrigina também não. Vale apenas atenção à interação farmacocinética entre fluvoxamina e lamotrigina (já comentamos isso numa pergunta anterior sua) — a fluvoxamina pode elevar os níveis de lamotrigina, então isso é outro ponto que seu psiquiatra provavelmente está monitorando.
**Resumo**
O risco não é alto do jeito que essa transição foi planejada (dose moderada, tempo de sobreposição limitado, redução programada), mas não é zero — por isso vale ficar atenta aos sinais de alerta e manter comunicação direta com quem prescreveu caso perceba algo fora do esperado nos próximos dias.
-
Tomei quetiapina por dez.dias mais parei pq nao estava me fazendo bem tem algum problema?
Tomei quetiapina por dez.dias mais parei pq nao estava me fazendo bem tem algum problema?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Depende principalmente da dose e de como foi a interrupção, mas em geral, um uso de 10 dias tem risco relativamente baixo de problemas sérios — ainda assim, alguns pontos merecem atenção:
**Sobre a suspensão da quetiapina**
A quetiapina, mesmo em uso curto, pode causar sintomas de descontinuação (não é a mesma coisa que "abstinência" de substâncias, mas o corpo pode reagir à retirada), principalmente se a dose usada era mais alta ou se a suspensão foi abrupta. Isso acontece porque a quetiapina tem efeito sedativo e também age em receptores histamínicos e colinérgicos — parar de repente pode gerar um "efeito rebote" nesses sistemas.
**Sintomas possíveis de descontinuação (geralmente leves e transitórios)**
- Insônia ou dificuldade para dormir (rebote do efeito sedativo)
- Náusea
- Irritabilidade ou ansiedade
- Sudorese
- Em doses mais altas usadas por mais tempo, existe também risco teórico de sintomas mais parecidos com rebote colinérgico (mal-estar, sudorese, náusea mais intensa) — mas isso é mais associado a uso prolongado, não tanto a 10 dias
**Por que você parou importa também**
Você mencionou que "não estava fazendo bem" — vale detalhar o que sentiu (sedação excessiva, algum efeito colateral específico, piora de algum sintoma). Isso é uma informação importante para levar ao médico que prescreveu, porque pode indicar que a medicação/dose não era adequada para o seu caso, e não necessariamente que há algo "errado" com você.
**O que fazer agora**
- Observe se surgem sintomas como os que listei acima nos próximos dias
- É importante informar ao psiquiatra que prescreveu sobre a interrupção, tanto para reavaliar o motivo do desconforto quanto para decidir os próximos passos do tratamento (nenhuma medicação deve ficar "solta" sem essa comunicação)
Se o incômodo que você sentiu foi importante (ex: sedação incapacitante, reação alérgica, alteração significativa de humor), vale entrar em contato mais cedo, e não esperar até o próximo retorno já agendado.
-
É normal desmaiar no período de adaptação da bupropiona?(nesses 27 dias que estou usando o remédio a
É normal desmaiar no período de adaptação da bupropiona?(nesses 27 dias que estou usando o remédio aconteceu só uma vez)
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O mais importante é saber se foi um desmaio ou uma convulsão: Não é o mais comum, mas é um sintoma que merece atenção — não deve ser ignorado.
**Por que pode acontecer**
A bupropiona pode causar hipotensão ortostática (queda de pressão ao levantar) em alguns pacientes, o que pode levar a tontura ou até síncope (desmaio). Também vale lembrar que a bupropiona reduz o limiar convulsivo, e crises convulsivas podem, em casos raros, se manifestar de forma sutil (parecendo um "desmaio").
**O que é importante avaliar**
- Como foi o episódio: você estava em pé, sentiu tontura antes, houve queda de pressão, ou foi mais súbito e sem aviso?
- Aconteceu em jejum, calor, muito tempo em pé, desidratação?
- Teve algum abalo muscular, confusão após o episódio, ou "apagão" com perda de consciência real?
**O que fazer**
Esse é um sintoma que pede contato com quem prescreveu antes do próximo retorno programado — não é algo para observar e esperar. Vale relatar com o máximo de detalhes possível sobre as circunstâncias do episódio.
-
Como saber se preciso tomar Carbonato de LITIUM ? Minha mãe toma, desde sempre porque é diagnostica
Como saber se preciso tomar Carbonato de LITIUM ? Minha mãe toma, desde sempre porque é diagnosticada com Bipolaridade. Será que eu como filha preciso observar a quantidade Litium no organismo?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O lítio só deve ser dosado quando se toma o remédio Lítio. "Falta de lítio" não causa depressão, apesar dessa desinformação circular inclusive entre profissionais de Saúde. - Duas perguntas diferentes aqui — vou separar:
**Se você precisa de lítio**
Isso só é definido por avaliação psiquiátrica direta, com diagnóstico de transtorno bipolar (ou outra indicação específica) confirmado clinicamente. Ter mãe bipolar aumenta o risco genético, mas não significa que você precise da medicação — só um psiquiatra pode avaliar isso, baseado em sintomas seus (episódios de humor, sono, energia, impulsividade, etc.), não em histórico familiar isolado.
**Sobre monitorar o lítio da sua mãe**
Quem deve acompanhar a litemia (nível de lítio no sangue) dela é o psiquiatra que a acompanha, com exames periódicos de sangue — isso não é algo que se "observa" em casa. Você pode ajudar de forma prática, ficando atenta a sinais de toxicidade nela (tremor importante, confusão, náusea, diarreia, descoordenação), especialmente se ela ficar desidratada ou tiver alguma alteração de função renal — e avisando o médico dela se notar algo assim.
Se você tem preocupações sobre seu próprio risco de bipolaridade pela história familiar, vale conversar com um psiquiatra para avaliação própria.
-
tive uma nova crise de ansiedade após anos de estabilidade, atualmente estou com: venla 225mg (já de
tive uma nova crise de ansiedade após anos de estabilidade, atualmente estou com: venla 225mg (já de longa data, n modificada) + quetiapina 25mg (adc há 13 dias) + alprazolam 0,25mg duas vezes ao dia (em programação de desmame qnd estabilidade e período sem sintomas ansiosos) . Permaneço com sintomas q incomodam princ. desrealização / despersonalização, sensação de estar indo no piloto automático, ansiedade antecipatória, medo de “perder o controle” ou n dar conta etc. Apesar da melhora em mts fatores: apetite, sono, ausência de novas “crises” de fato ou angústia, to vindo trabalhar apesar do desconforto…
Minha psiq orientou esperar um pouco mais antes de pensar em ajustar a quetiapina. Vou ter q esperar mais ou menos 4 semanas novamente pra avaliar resposta? Até agr a quet me ajudou no sono q está continuo e na redução da ansiedade diurna. Mas durante o dia ainda tenho essas oscilações e sintomas q citei.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Boa pergunta, e faz sentido você querer entender o "porquê" da espera.
**Por que aguardar mais tempo faz sentido clinicamente**
13 dias de quetiapina ainda é cedo para avaliar resposta completa — o efeito pleno para sintomas mais "finos" (ansiedade residual, desrealização/despersonalização) costuma levar mais tempo que a melhora de sono, que geralmente aparece primeiro. Sua psiquiatra provavelmente está aguardando esse efeito se consolidar antes de mudar a estratégia, já que os sinais que você já tem (sono, apetite, ausência de crises) mostram que está no caminho certo.
**Sobre despersonalização/desrealização especificamente**
Esses sintomas costumam ser dos últimos a responder, mesmo quando o quadro geral está melhorando — muitas vezes porque representam uma camada mais "defensiva" da ansiedade, que leva mais tempo para se resolver que sintomas somáticos (sono, apetite).
**Sobre o prazo**
Sim, é razoável que ainda faltem cerca de 3-4 semanas para uma avaliação mais completa de resposta à quetiapina (totalizando 6-8 semanas de uso) — isso está dentro do esperado para antipsicóticos atípicos em dose baixa nesse contexto.
**O que vale levar para o acompanhamento**
Continue registrando a frequência/intensidade da desrealização e do medo de "perder controle" — esses detalhes ajudam sua psiquiatra a decidir, no prazo combinado, se é hora de ajustar dose, associar outra estratégia (ex: terapia focada em sintomas dissociativos), ou manter o curso atual.
Se algum desses sintomas piorar significativamente antes desse prazo, vale contato antecipado, sem esperar a data marcada.
-
O Aripiprazol é um bom estabilizador de humor quando junto com o lítio?
O Aripiprazol é um bom estabilizador de humor quando junto com o lítio?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim, essa é uma combinação bem estabelecida na prática, mas vale detalhar o papel de cada um:
**Perfil farmacológico**
O aripiprazol não é classicamente um "estabilizador de humor" no sentido clássico (como lítio, valproato, lamotrigina), mas é um antipsicótico atípico com ação parcial agonista em receptores D2/D3 e 5-HT1A, e antagonista em 5-HT2A. Tem evidência robusta como adjuvante no transtorno bipolar, tanto para mania aguda quanto para manutenção.
**Aripiprazol + Lítio**
- É uma das combinações mais estudadas e utilizadas no transtorno bipolar tipo I, especialmente quando há resposta parcial ao lítio isoladamente ou sintomas residuais (maníacos, mistos, ou mesmo como manutenção para prevenção de recaída).
- Estudos (ex.: trials de manutenção) mostram benefício da associação em reduzir recorrência de episódios de humor, principalmente polo maníaco.
- Do ponto de vista farmacocinético, não há interação relevante entre lítio e aripiprazol (o lítio não é metabolizado pelo citocromo P450, então a interação é mais farmacodinâmica que farmacocinética).
**Pontos de atenção clínica**
- Efeitos colaterais somados: acatisia, inquietação, insônia (mais ligados ao aripiprazol) vs. tremor, poliúria/polidipsia, hipotireoidismo (mais ligados ao lítio) — importante monitorar separadamente cada perfil.
- Ganho de peso e efeitos metabólicos são geralmente menores com aripiprazol comparado a outros antipsicóticos atípicos (ex.: olanzapina, quetiapina), o que é uma vantagem quando associado ao lítio.
- Ainda assim, requer os mesmos cuidados de monitorização do lítio isoladamente: litemia, função renal e tireoidiana.
**Resumo**
Sim, é uma combinação com bom respaldo de evidência, principalmente para bipolaridade tipo I com resposta parcial ao lítio ou como estratégia de manutenção — mas o termo "estabilizador de humor" tecnicamente cabe melhor ao lítio; o aripiprazol funciona aqui como potencializador/adjuvante eficaz dentro dessa combinação terapêutica.
-
Estou tendo taquicardia com o uso de lamotrigina e litio. Isso é normal?
Estou tendo taquicardia com o uso de lamotrigina e litio. Isso é normal?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Não é um efeito típico esperado dessa combinação — merece atenção e avaliação.
**Sobre lamotrigina**
Não costuma causar taquicardia diretamente; efeitos cardíacos são raros com essa medicação.
**Sobre lítio**
Também não é uma causa comum de taquicardia — pelo contrário, alterações de condução relacionadas ao lítio tendem mais para bradicardia ou alterações de repolarização (achados de ECG), embora sejam raras.
**O que pode estar por trás**
- Toxicidade por lítio (mesmo leve) — vale checar litemia, especialmente se houver outros sinais junto (tremor, náusea, diarreia, confusão)
- Função tireoidiana alterada — lítio pode causar hipotireoidismo, mas também, mais raramente, disfunção que afeta o ritmo cardíaco
- Causa não relacionada às medicações: ansiedade, desidratação, cafeína, febre, anemia, ou alguma condição cardíaca à parte
**O que fazer**
Isso não deve ser observado à distância — vale contato com quem prescreveu o quanto antes, especialmente para checar litemia e função tireoidiana, e descartar outras causas. Se a taquicardia vier acompanhada de falta de ar, dor no peito, tontura importante ou desmaio, procure atendimento de urgência.
Perguntas frequentes
-
Existe a possibilidade de contrair raiva ou seria uma exposição de risco após comer alimento que um
A situação descrita não é considerada uma exposição habitual de risco para…