Perguntas do paciente (91)

  • Começei a tomar paroxetina a um mês e estou estranhando que desde que comecei a tomar eu to tendo so

    Começei a tomar paroxetina a um mês e estou estranhando que desde que comecei a tomar eu to tendo sono muito cedo, tipo 20-21 horas já to com muito sono, e pra mim eu assustei porque não é comum já que eu tenho propensão a insonia e eu sempre durmo lá pras 23:00 ou 00:00, é o meu comum, então to estranhando esse sono todo, tem a ver com o medicamento ou pode ser alguma outra coisa? devo me preocupar, quando buscar um medico?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Márcio Candiani

    Sim, tem tudo a ver com a paroxetina — ela é um dos ISRS mais sedativos da classe, e sonolência mais cedo que o habitual é um efeito colateral bem comum, especialmente no primeiro mês de uso.

    Não precisa se preocupar de forma urgente só por causa disso — é um efeito esperado e geralmente não perigoso. Mas vale mencionar ao seu médico no próximo contato, especialmente se: atrapalhar sua rotina (compromissos à noite, trabalho), persistir sem melhora após mais algumas semanas, ou vier acompanhado de sonolência excessiva durante o dia todo. Se for só esse padrão de sono mais cedo sem prejuízo funcional, pode aguardar o retorno já programado.


  • Sertralina e duloxetina podem ser usados pela manhã e quetiapina a noite?

    Sertralina e duloxetina podem ser usados pela manhã e quetiapina a noite?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Márcio Candiani

    Sim, esse é um esquema comum de horários — embora sertralina e duloxetina juntas mereçam atenção (ambas serotoninérgicas, associação usada em alguns casos mas que exige acompanhamento pelo risco teórico de síndrome serotoninérgica), tomá-las pela manhã e a quetiapina à noite é uma distribuição de horário coerente e frequentemente usada.

    A lógica geralmente é: antidepressivos mais ativadores pela manhã (para não atrapalhar o sono) e quetiapina à noite pelo efeito sedativo (ajuda a dormir). Se essa é a prescrição do seu médico, o esquema de horários em si está dentro do padrão — qualquer dúvida sobre a associação sertralina+duloxetina especificamente vale confirmar com quem prescreveu.


  • O carbolitium em dose baixa engorda? Dose 300 mg? Pode ser tomado com monjaro?

    O carbolitium em dose baixa engorda? Dose 300 mg? Pode ser tomado com monjaro?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Márcio Candiani

    Em dose baixa (300mg), o carbolitium tem menor associação com ganho de peso comparado a doses mais altas usadas para tratamento pleno de transtorno bipolar, mas ainda existe algum potencial, variando bastante entre pessoas.

    Sobre associação com Mounjaro (tirzepatida): não há contraindicação direta descrita, mas vale atenção a um ponto prático — medicações que retardam o esvaziamento gástrico (como o Mounjaro) podem alterar a absorção de outros medicamentos orais, incluindo o lítio, então o monitoramento de litemia se torna ainda mais importante nesse contexto. Essa combinação deve ser acompanhada tanto pelo psiquiatra quanto pelo médico que prescreveu o Mounjaro, com exames de litemia regulares.


  • Bom dia a todos e desde ja agradeço a atenção. 1- Minha mãe (92 anos), começou a tomar Sertralina (

    Bom dia a todos e desde ja agradeço a atenção.
    1- Minha mãe (92 anos), começou a tomar Sertralina (100mg - 50 manhã e 50 noite), há alguns meses, apresentando melhora de humor, esquecimento e desorientação.
    2 - Há mais de 15 anos ela teve crise forte de fibromialgia e a Amitriptilina a ajudou muito. Ela toma 25mg à noite até o momento.
    Ela dormia mto bem. Mas, de uns tempos para cá, seu sono passou a ser agitado.
    Pode ser a interação desses dois remédios?
    Gratidão

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Márcio Candiani

    Bom dia! Sim, é possível — sertralina e amitriptilina juntas têm interação farmacocinética conhecida: a sertralina inibe parcialmente o metabolismo da amitriptilina (via CYP2D6), podendo elevar seus níveis séricos, o que às vezes causa efeitos diferentes do esperado, incluindo alterações do padrão de sono (tanto sedação excessiva quanto, paradoxalmente, sono mais agitado/fragmentado).

    Em uma paciente de 92 anos, essa interação merece atenção redobrada, já que idosos são mais sensíveis a efeitos colaterais e a ajustes de dose em geral. Vale relatar essa mudança no sono ao médico que acompanha sua mãe, para ele avaliar se é caso de ajustar horário, dose de algum dos dois medicamentos, ou investigar outra causa (já que agitação noturna em idosos também pode ter outras origens, incluindo início de quadro confusional que merece descartar).


  • Olá! O NAC 600 pode ser usado com ritalina e quetiapina, sendo usado a ritalina pela manhã, NAC no f

    Olá!
    O NAC 600 pode ser usado com ritalina e quetiapina, sendo usado a ritalina pela manhã, NAC no fim da tarde/início da noite, e quetiapina a noite, com intervalo de horas entre os medicamentos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Márcio Candiani

    Sim, não há interação farmacológica relevante descrita entre N-acetilcisteína (NAC), metilfenidato (Ritalina) e quetiapina — a distribuição de horários que você descreveu (ritalina de manhã, NAC no fim de tarde, quetiapina à noite) é uma forma razoável de organizar as tomadas, ainda que o espaçamento entre elas não seja estritamente necessário por motivo de interação.

    Se a NAC foi indicada pelo psiquiatra como parte do tratamento (é usada de forma adjuvante em alguns contextos, como sintomas negativos ou impulsividade), o esquema que você descreveu é compatível com uso seguro dos três juntos.


  • Atualmente faço tratamento psicológico há 3 anos com 3 psicólogos diferentes, e um deles me diagnost

    Atualmente faço tratamento psicológico há 3 anos com 3 psicólogos diferentes, e um deles me diagnosticou com borderline e TDAH, mas outro psicólogo acha que eu tenho depressão e ansiedade. Tenho muitos sintomas do borderline e ansiedade e alguns de TDAH também, como falta de memória, esquecimento, falta de foco, sensibilidade sensorial a algumas coisas, mudanças de humor muito rápidas e bruscas, dependência emocional, medo do abandono e impulsividades. Gostaria de saber se alguém saberia informar se talvez teria algum tratamento para este tipo de situação (seja com medicamento ou não), e como faço para conseguir um diagnóstico para estes transtornos (caso eu tenha)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Márcio Candiani

    Vale lembrar que psicólogos não fazem diagnóstico formal de transtornos que exigem avaliação médica (como TDAH) nem prescrevem medicação — diagnósticos como borderline, TDAH, depressão e ansiedade, quando há sobreposição de sintomas como a que você descreve, geralmente pedem avaliação psiquiátrica para fechar o quadro com mais precisão, já que esses transtornos têm sintomas que se confundem (impulsividade, instabilidade de humor, dificuldade de concentração aparecem tanto em TDAH quanto em borderline, por exemplo).

    O caminho mais indicado é buscar um psiquiatra (idealmente com experiência em TDAH e transtornos de personalidade) para uma avaliação clínica completa, que pode incluir entrevista estruturada e, se necessário, avaliação neuropsicológica complementar. O tratamento, uma vez definido o diagnóstico, costuma combinar psicoterapia (already em andamento) com possível medicação, dependendo do que for identificado — mas isso só se define com uma avaliação direta, não à distância.


  • Olá, tudo bem? Acabei uma cartela agora. Estou tomando apenas 1 comprimido por dia, conforme o médic

    Olá, tudo bem? Acabei uma cartela agora. Estou tomando apenas 1 comprimido por dia, conforme o médico orientou que, se eu me sentisse bem, não precisaria tomar 2. Porém, percebi que perdi bastante o apetite, emagreci e também estou sentindo um desconforto abdominal. Esses sintomas ainda podem melhorar com o tempo? Em quanto tempo a buspirona costuma fazer efeito completo? E, ao completar 1 mês de uso, posso interromper o medicamento ou o ideal é continuar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Márcio Candiani

    Olá! Perda de apetite e desconforto abdominal são efeitos colaterais possíveis da buspirona, geralmente mais presentes no início do tratamento — muitas vezes melhoram com a continuidade do uso, à medida que o corpo se adapta, mas variam de pessoa para pessoa.

    O efeito ansiolítico pleno da buspirona costuma levar de 2 a 4 semanas para se estabelecer (diferente de benzodiazepínicos, que agem rápido). Sobre interromper após 1 mês: essa decisão não deve ser feita por conta própria — depende de como está sua resposta ao tratamento e do plano geral definido pelo médico, então vale levar tanto os sintomas atuais quanto a dúvida sobre continuidade para o retorno com quem prescreveu.


  • Olá eu comecei tomar trazodona mas sinto muita dor de cabeça, dor nas costas pernas e joelhos, sensa

    Olá eu comecei tomar trazodona mas sinto muita dor de cabeça, dor nas costas pernas e joelhos, sensação de ressaca e muito sono e falta de apetite. Esses sintomas são normais?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Márcio Candiani

    Olá! Sim, esses sintomas podem estar relacionados ao início da trazodona — sonolência excessiva/sensação de "ressaca" matinal e dor de cabeça são efeitos colaterais relativamente comuns, especialmente nos primeiros dias. Dores no corpo (costas, pernas, joelhos) e falta de apetite são menos típicos, mas também podem ocorrer.

    Vale observar se isso melhora nas próximas 1-2 semanas, comum período de adaptação. Se os sintomas forem muito incômodos, especialmente a sensação de ressaca prejudicando seu dia, ou se as dores no corpo persistirem, é importante relatar ao médico que prescreveu — pode ser caso de ajuste de dose ou horário de tomada.


  • Boa tarde! Passei pelo psiquiatra e foi me passado dois remédios Bilyt e cloridrato de trazodona dep

    Boa tarde! Passei pelo psiquiatra e foi me passado dois remédios Bilyt e cloridrato de trazodona depois que comecei tomar meu cabelo está caindo acho que se chama alopecia queria saber se e por conta dos remédios é oq fazer, se volta ao normal depois, pois meu retorno com o psiquiatra e só daqui um mês.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Márcio Candiani

    Boa tarde! Entre os dois, a lamotrigina (Bilyt) é a mais associada a queda de cabelo como efeito colateral relatado, embora não seja um dos mais comuns — a trazodona tem associação bem menos frequente com esse sintoma.

    Geralmente, quando relacionada à medicação, a queda tende a ser transitória e melhorar com o tempo ou após ajuste, mas como seu retorno está marcado para daqui um mês, vale considerar antecipar contato com o psiquiatra (telefone, mensagem) para relatar esse sintoma, sem precisar esperar a data marcada — principalmente porque pode valer investigar outras causas também (tireoide, ferro, estresse) em paralelo.


  • Frontal XR (0,5) protege de oscilações maiores durante o dia e evita os picos e vales do frontal com

    Frontal XR (0,5) protege de oscilações maiores durante o dia e evita os picos e vales do frontal comum ? Estou em uso de alpraz 0,25 2x ao dia há 30 dias por uma agudização da ansiedade na qual a medicação de base não foi modificada (venla 225mg) mas sinto q a ansiedade vai aumentando no fim da tarde antes da próxima dose. Me sinto uns 60-70% melhor considerando os primeiros dias da crise, nos quais eu nem conseguia vir trabalhar, mas ainda com bastante desconforto e ruído mental diante de algumas situações.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Márcio Candiani

    Sim, essa é a lógica do Frontal XR (alprazolam de liberação prolongada) — por liberar o medicamento de forma mais gradual e constante, tende a reduzir os picos e vales de concentração que ocorrem com o alprazolam comum, ajudando justamente com esse padrão que você descreve (piora da ansiedade no fim do intervalo entre doses, antes da próxima tomada).

    Considerando que você já está em uso há 30 dias com esse "efeito de fim de dose" percebido, é uma boa observação clínica para levar ao seu psiquiatra — a troca para XR pode ser uma estratégia razoável nesse contexto, mas a decisão final (incluindo dose equivalente) deve ser feita por ele, considerando o quadro completo e o plano de desmame que provavelmente está em curso.


  • Tenho depressão gravíssima e fui diagnosticada com ciclotimia, é possível?

    Tenho depressão gravíssima e fui diagnosticada com ciclotimia, é possível?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Márcio Candiani

    Sim, é possível — embora possa parecer contraditório à primeira vista, ciclotimia (forma mais leve e crônica do espectro bipolar) não impede que, em algum momento, surja um episódio depressivo de intensidade grave sobreposto ao padrão de base.

    Quando isso acontece, geralmente é importante revisar o diagnóstico com o psiquiatra — às vezes indica evolução dentro do espectro bipolar (para bipolar tipo II, por exemplo), ou reflete que o quadro de base combinado com fatores atuais gerou um episódio mais grave do que o padrão habitual da ciclotimia. Vale levar a intensidade atual da depressão para reavaliação, para confirmar se o diagnóstico e o plano de tratamento continuam adequados ao momento.


  • "Como a psiquiatria compreende a influência de respostas emocionais impulsivas nos processos decisór

    "Como a psiquiatria compreende a influência de respostas emocionais impulsivas nos processos decisórios em transtorno de personalidade borderline (TPB) ?"

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Márcio Candiani

    No TPB, a psiquiatria entende que há uma desregulação do circuito que conecta emoção e cognição: a resposta emocional intensa (frequentemente desproporcional ao estímulo) surge muito rápido e com grande intensidade, e "sequestra" temporariamente a capacidade de avaliação racional/reflexiva antes que o córtex pré-frontal consiga modular essa resposta — daí a impulsividade característica em decisões tomadas nesses momentos.

    Do ponto de vista neurobiológico, há evidência de hiper-reatividade da amígdala (processamento emocional) associada a um funcionamento menos eficiente do córtex pré-frontal (regulação/inibição), o que dificulta a pausa entre sentir e agir. Na prática clínica, isso se traduz em decisões tomadas "no calor da emoção" — relacionamentos, autolesão, gastos impulsivos — que muitas vezes o próprio paciente reconhece como desproporcionais depois que a emoção intensa passa. É justamente esse padrão que terapias como a TCD (Terapia Comportamental Dialética) trabalham diretamente, com foco em técnicas de regulação emocional e tolerância ao mal-estar antes da ação impulsiva.


  • "Qual a relação entre processamento interoceptivo e respostas emocionais desadaptativas em indivíduo

    "Qual a relação entre processamento interoceptivo e respostas emocionais desadaptativas em indivíduos com transtorno de personalidade borderline TPB)?"

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Márcio Candiani

    A interocepção (percepção dos sinais internos do corpo — batimento cardíaco, tensão muscular, sensações viscerais) parece estar alterada no TPB, e isso tem relação direta com a desregulação emocional característica do transtorno.

    Estudos sugerem que pessoas com TPB podem ter dificuldade tanto em identificar com precisão os próprios estados corporais quanto em interpretá-los corretamente — um sinal fisiológico ambíguo (aceleração cardíaca, por exemplo) pode ser processado como ameaça ou sofrimento intenso mais rapidamente do que em pessoas sem o transtorno, alimentando um ciclo de hiperativação emocional. Há também achados de que a integração entre sinais interoceptivos e regulação emocional (via ínsula e conexões com áreas límbicas/pré-frontais) funciona de forma menos eficiente, dificultando a "leitura correta" do próprio estado antes que a resposta emocional já esteja em curso. Isso reforça por que técnicas de ancoragem corporal e mindfulness (usadas em terapias como TCD) são úteis: ajudam a treinar uma percepção interoceptiva mais precisa como base para regulação emocional mais eficaz.


  • "Como déficits de interocepção se associam à desregulação emocional no transtorno de personalidade b

    "Como déficits de interocepção se associam à desregulação emocional no transtorno de personalidade borderline (TPB) na prática psiquiátrica?"

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Márcio Candiani

    Na prática clínica, déficits interoceptivos no TPB se manifestam de formas concretas: o paciente frequentemente relata não perceber a escalada emocional até que ela já esteja em pico ("do zero ao cem"), sem conseguir identificar os sinais corporais intermediários (tensão crescente, aceleração cardíaca sutil) que, em pessoas com interocepção mais precisa, funcionariam como aviso prévio para intervir antes da crise.

    Isso tem implicações diretas no manejo: sem esse "sinal de alerta" interno bem calibrado, o paciente tem menos janela de oportunidade para usar estratégias de regulação antes que a resposta emocional (e muitas vezes o comportamento impulsivo associado — autolesão, explosões de raiva, decisões abruptas) já esteja em curso. Por isso, parte do trabalho terapêutico (especialmente em TCD) foca em treinar a percepção corporal mais fina — exercícios de escaneamento corporal, atenção a sinais fisiológicos precoces — como forma de "recalibrar" essa interocepção e ampliar a janela de intervenção antes que a desregulação tome conta. Na psicofarmacologia, isso não é alvo direto de nenhuma classe medicamentosa específica, mas a estabilização geral do humor (com lítio, lamotrigina, etc.) pode reduzir a intensidade basal da reatividade emocional, facilitando o trabalho terapêutico sobre a interocepção em si.


  • Como os estados de crise no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) podem ser compreendidos sob

    Como os estados de crise no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) podem ser compreendidos sob a ótica das defesas primitivas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Márcio Candiani

    Sob a ótica psicodinâmica, os estados de crise no TPB são frequentemente compreendidos como manifestações de defesas primitivas — mecanismos mais arcaicos, típicos do desenvolvimento psíquico precoce, que reaparecem quando o aparelho psíquico é sobrecarregado por afeto intenso e não consegue processá-lo de forma mais integrada.

    As principais defesas descritas nesse contexto incluem: **cisão (splitting)** — dividir objetos (pessoas, inclusive o self) em "totalmente bons" ou "totalmente maus", sem capacidade de integrar ambivalência, o que explica as oscilações bruscas de idealização e desvalorização nas relações; **identificação projetiva** — colocar no outro sentimentos intoleráveis do próprio self, muitas vezes provocando no outro reações que "confirmam" a fantasia projetada; **negação** e **atuação (acting out)** — descarregar tensão psíquica diretamente em comportamento (impulsividade, autolesão) em vez de elaborar simbolicamente o afeto. Essas defesas, na teoria kleiniana e no desenvolvimento posterior por autores como Kernberg, são entendidas como resquícios de um funcionamento psíquico anterior à consolidação de uma identidade integrada (constância objetal) — por isso, momentos de crise no TPB muitas vezes coincidem com situações que ativam medo de abandono ou ameaça à autoimagem, reativando esse modo de funcionamento mais primitivo como forma (ainda que desadaptativa) de conter a angústia.


  • "Como o fenômeno de difusão de identidade se manifesta e é conceitualizado em pacientes com transtor

    "Como o fenômeno de difusão de identidade se manifesta e é conceitualizado em pacientes com transtorno de personalidade borderline (TPB) na prática clínica psiquiátrica?"

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Márcio Candiani

    A difusão de identidade, conceito central na teoria de Otto Kernberg sobre organização borderline da personalidade, se refere à falta de integração de uma representação estável e coerente de si mesmo e dos outros — o senso de "quem eu sou" fica fragmentado, inconsistente ao longo do tempo e das situações.

    **Como se manifesta clinicamente**
    - Autoimagem instável: valores, objetivos, orientação sexual, identidade profissional ou vocacional podem mudar drasticamente conforme o contexto ou a relação vigente
    - Dificuldade em descrever a si mesmo de forma coerente e integrada — quando questionado sobre "quem é" ou "o que quer", o relato costuma ser contraditório ou vago
    - Relações interpessoais que espelham essa fragmentação: o paciente pode se adaptar excessivamente ao parceiro/amigo do momento, "se tornando" reflexo daquela relação, e mudar drasticamente quando essa relação muda ou termina
    - Sensação crônica de vazio, frequentemente relatada, associada a essa falta de um "núcleo" identitário estável

    **Diferenciação diagnóstica importante**
    Difusão de identidade é considerada, na perspectiva kernbergiana, um marcador estrutural que diferencia a organização borderline de personalidades mais neuróticas (que têm identidade mais integrada, mesmo com conflitos) — e é um dos critérios usados na entrevista estrutural para avaliação diagnóstica mais aprofundada, além dos critérios sintomáticos do DSM.

    **Relevância prática**
    Reconhecer a difusão de identidade ajuda a entender por que intervenções puramente sintomáticas (foco só em impulsividade ou instabilidade de humor) podem não ser suficientes — abordagens como a Psicoterapia Focada na Transferência (TFP), desenvolvida pelo próprio Kernberg, trabalham diretamente essa integração identitária como alvo terapêutico central, não apenas o manejo de crises pontuais.


  • O que significa “instinto primitivo” na linguagem psiquiátrica moderna?

    O que significa “instinto primitivo” na linguagem psiquiátrica moderna?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Márcio Candiani

    Na psiquiatria moderna, o termo "instinto primitivo" não é exatamente um conceito técnico formal (a psiquiatria contemporânea, mais biológica e baseada em evidências, tende a evitar essa linguagem) — ele aparece mais como herança da linguagem psicanalítica clássica (Freud, e depois Klein e outros) e, por vezes, de forma coloquial.

    **Na tradição psicanalítica**
    Refere-se aos impulsos pulsionais mais básicos e menos elaborados psiquicamente — ligados a necessidades de sobrevivência, agressão, sexualidade (as pulsões de vida e morte na teoria freudiana) — que operam antes ou independentemente do processamento simbólico/racional mais desenvolvido do ego. É "primitivo" no sentido de ser filogeneticamente ou ontogeneticamente mais antigo, menos mediado pela reflexão consciente.

    **Na linguagem neurocientífica atual**
    O conceito mais próximo seria os circuitos subcorticais de resposta rápida (sistema límbico, amígdala) responsáveis por respostas automáticas de luta-ou-fuga, agressão ou busca de recompensa imediata — em contraste com o processamento mais lento e regulado do córtex pré-frontal. Esse é o sentido mais usado quando psiquiatras falam de "resposta primitiva" hoje: uma reação rápida, pouco mediada pela reflexão, com base em circuitos evolutivamente mais antigos.

    **Uso clínico prático**
    Quando aparece em contexto clínico, geralmente descreve comportamentos ou reações (impulsividade, agressividade, resposta de pânico) que parecem "saltar" a etapa de reflexão consciente — útil para explicar didaticamente a um paciente por que ele reagiu de forma desproporcional antes de conseguir "pensar" sobre a situação, mas não é um termo diagnóstico formal em si.


  • olá posso tomar suco de laranja com limão sob efeito de Rivotril?

    olá posso tomar suco de laranja com limão sob efeito de Rivotril?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Márcio Candiani

    Claro! Desde que não tenha álcool, não há problema algum. :D


  • Olá estou tomando donarem 50 Mas vou começar a tomar donaren retard 150 Um dos efeitos colaterais

    Olá estou tomando donarem 50
    Mas vou começar a tomar donaren retard 150
    Um dos efeitos colaterais é sonolência
    Gostaria de saber...
    Eu sempre vou ficar sonolenta durante o dia ou se com o tempo esses efeitos colaterais somem?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Márcio Candiani

    Olá. Os efeitos colaterais das medicações antidepressivas como o Donarem são variados e dependem do tipo de medicamento e da dosagem em uso.
    O Donarem retard possui uma liberação mais controlada e pode ser util para reduzir os efeitos intensos de sonolencia, já o convencional pode, de forma oposta ao retard, contribuir para uma maior sonolencia nas primeiras horas após o uso.
    No geral dentro de 10 dias os efeitos colaterais tendem a reduzir ou desaparecer por completo.


  • Eu gostaria de saber como a medicação prescrita para o toc ajuda nos pensamentos obsessivos?

    Eu gostaria de saber como a medicação prescrita para o toc ajuda nos pensamentos obsessivos? Eles diminuem após algum tempo usando o remédio?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Márcio Candiani

    Olá. Os medicamentos utilizados para tratamento do TOC comumente são os antidepressivos (sertralina, fluoxetina, escitalopram, fluvoxamina e clomipramina). Após estudos na década de 70 tornou-se comprovado a efetividade deles no tratamento do Transtorno Obsessivo Compulsivo. Esses medicamentos regulam e inibem a formação de pensamentos obsessivos disfuncionais nas regiões cerebrais onde, teoricamente, são produzidos e processados.


Perguntas frequentes

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