Perguntas do paciente (24)

  • Tenho fobia social mais vivia normalmente,porém depois de um período em casa,pesquisei muito sobre f

    Tenho fobia social mais vivia normalmente,porém depois de um período em casa,pesquisei muito sobre fobia e outros transtornos de ansiedade agora não consigo sair de casa sozinho,o excesso de pesquisa pode atrapalhar uma ansiedade já presente na nossa mente?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Carolina Passos

    Pesquisar excessivamente sobre fobia, ansiedade e afins pode aumentar a atenção que você dá aos próprios sintomas e fazer com que situações que antes eram vividas normalmente passem a ser interpretadas como ameaçadoras. A pessoa pode começar a se observar o tempo todo, procurar sinais de que está ansiosa e antecipar o que poderia acontecer - e isso, por sua vez, pode alimentar a própria ansiedade.

    Na psicanálise, porém, não se trata apenas de dizer que “pesquisar demais piora”. Também é importante compreender o que leva alguém a buscar tantas informações e o lugar que essa busca ocupa diante da angústia. Às vezes, tentar encontrar uma explicação ou uma certeza sobre o que se sente acaba se tornando uma forma de lidar com aquilo que permanece difícil de assimilar.

    Se você percebe que a pesquisa está aumentando seu medo e fazendo com que você restrinja cada vez mais sua vida, talvez seja interessante interromper um pouco esse ciclo de pesquisas e procurar um profissional pra falar sobre o que está acontecendo, em vez de tentar encontrar sozinho uma explicação definitiva pela internet.


  • “Como se estrutura o manejo clínico do paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) na

    “Como se estrutura o manejo clínico do paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) na perspectiva psicanalítica, e qual a função da escuta analítica em articulação (ou não) com a psiquiatria?”

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Carolina Passos

    Na perspectiva psicanalítica, o manejo clínico não se orienta primordialmente pelo diagnóstico, mas, sobretudo, pela forma singular como cada sujeito se relaciona com seu sofrimento, seus vínculos e sua história.

    A escuta analítica busca oferecer um espaço em que aquilo que pode se apresentar como impulsividade e instabilidade afetiva, entre outras manifestações presentes em pessoas com diagnóstico de TPB, possa, pouco a pouco, ser colocado em palavras. Em vez de focar apenas na eliminação dos sintomas, a psicanálise procura compreender a função que eles ocupam na economia psíquica daquela pessoa.

    O manejo exige atenção ao estabelecimento do vínculo terapêutico, ao enquadre e às manifestações transferenciais, sempre respeitando o tempo e os limites de cada paciente.

    Quando há sofrimento intenso, risco à integridade física ou necessidade de avaliação medicamentosa, o acompanhamento psiquiátrico pode ser um importante aliado. Nessas situações, psicanálise e psiquiatria não são abordagens excludentes, mas podem atuar de forma complementar: enquanto a psiquiatria auxilia no manejo dos sintomas quando indicado, a psicanálise trabalha para que o sujeito possa construir novas formas de elaborar sua experiência e se posicionar diante de seu sofrimento. Quando autorizada pelo paciente, a interlocução entre os profissionais envolvidos também pode favorecer um cuidado mais integrado.

    Cada caso, no entanto, deve ser avaliado individualmente, sem que o diagnóstico determine, por si só, a direção do tratamento.


  • Como a psicanálise explica a instabilidade dos relacionamentos no Transtorno de Personalidade Border

    Como a psicanálise explica a instabilidade dos relacionamentos no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Carolina Passos

    A psicanálise não costuma tomar o diagnóstico psiquiátrico como seu principal ponto de partida. Embora reconheça a importância desses diagnósticos para a comunicação entre profissionais e definição de condutas médicas quando necessário, seu interesse está em ouvir a história singular de cada sujeito e o modo como ele vivencia seus relacionamentos.

    Quando uma pessoa chega com o diagnóstico de Transtorno de Personalidade Borderline, por exemplo, investigamos como determinadas formas de se relacionar foram se constituindo ao longo de sua história. Muitas vezes, observa-se uma grande sensibilidade à possibilidade de abandono ou rejeição, além de dificuldades em integrar aspectos positivos e negativos de si mesmo e do outro. Isso pode fazer com que os relacionamentos oscilem entre momentos de intensa idealização e profunda decepção, especialmente diante de frustrações ou conflitos.

    Mais do que fazer generalizações ou explicar esses movimentos apenas pelo diagnóstico, a psicanálise procura compreender por que eles se constituíram daquela forma para aquela pessoa em particular. É essa investigação da singularidade que orienta o processo analítico e pode favorecer formas mais estáveis e menos sofridas de se relacionar.


  • Eu venho procurando uma resposta pra isso ao longo de minha vida eu sempre procurava algo que me fiz

    Eu venho procurando uma resposta pra isso ao longo de minha vida eu sempre procurava algo que me fizesse realizado e com propósito e encontrei o mercado financeiro, ser um negociador de ações isso me deu um foco e um objetivo, isso pode levar anos para me ter resultados.

    E nisso eu tenho problemas que afeta algumas áreas em minha vida que gostaria de ser resolvido, não consigo me adaptar em nenhum emprego e peço demissão muito rápido não consigo suportar e isso me prejudica nos relacionamentos não consigo me envolver com outras pessoas sinto que minha vida está uma bagunça, eu conseguisse resolver isso me sentiria livre desse peso

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Carolina Passos

    Muitas vezes, quando sofremos com repetições que não compreendemos bem, tendemos a acreditar que basta eliminar o problema pra finalmente viver em paz.

    A questão talvez não seja apenas encontrar o emprego certo ou a pessoa certa, mas investigar o que torna tão difícil permanecer, suportar determinadas situações ou construir vínculos mais duradouros. Esse tipo de compreensão raramente surge apenas pela reflexão solitária.

    A psicanálise pode ajudar nesse sentido, possibilitando que você compreenda melhor o que está em jogo nessas dificuldades e qual lugar elas ocupam em sua vida e história. O fato de você conseguir reconhecer esses impasses e colocá-los em palavras já é um passo importante.

    O sofrimento que você relata merece ser escutado com atenção e espaço de elaboração. Compreender as razões dessas repetições pode abrir caminho não apenas pra aliviar esse peso, mas também construir uma relação diferente com ele e com suas próximas escolhas.


  • Tenho muita insegurança e ciúmes do meu parceiro, tenho consciência que preciso mudar, mas não consi

    Tenho muita insegurança e ciúmes do meu parceiro, tenho consciência que preciso mudar, mas não consigo. Sendo parte da minha personalidade será que é possível mudar ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Carolina Passos

    Muitas pessoas acreditam que características como insegurança e ciúme fazem parte de sua personalidade e, por isso, não poderiam ser modificadas. No entanto, esses sentimentos não surgem do nada nem existem sem uma história. Eles podem estar relacionados às experiências vividas, às formas como a pessoa construiu sua autoestima e aos modos como aprendeu a se relacionar e lidar com o medo da perda, da rejeição ou do abandono.

    Isso não significa que seja simples ou que a mudança aconteça apenas pela força de vontade. Você mesma relata que tem consciência do problema, mas sente dificuldade em agir de forma diferente. Muitas vezes, compreender intelectualmente algo não é suficiente pra transformar aquilo que nos afeta emocionalmente. É preciso fazer uma travessia, e a psicanálise abre espaço pra isso.

    Quando nos definimos por um sintoma ou por um modo de sofrer, corremos o risco de tomá-lo como algo imutável. Mas aquilo que pode ser interrogado também pode ganhar novos sentidos. É nesse espaço de investigação que o trabalho analítico acontece.


  • Em minha vida inteira, nunca consegui manter amizades, amizades da adolescencia eu simplesmente excl

    Em minha vida inteira, nunca consegui manter amizades, amizades da adolescencia eu simplesmente exclui da minha vida sem mais nem menos (nao houve nada), mas por vezes me veem esses impulsos e acabo que nao consigo manter relaçoes com pessoas, acabo me afastando, ignorando e muitas vezes sumindo real, trocando de numero, para não ter mais que falar com tais pessoas, e desde sempre foi assim, não tenho amigos, nenhum com 26 anos apenas, tenho uns 3 virtuais, e depois de alguns meses, sumi, inclusive estão preocupados, me mandando email e tudo, mas nao sinto esgotamento nem nada, só vontade de ficar isolada mesmo, e quando esse sentimento acaba, acabo sentindo falta dessas pessoas, mas com vergonha de procura las novamente, e mais algumas questoes que me fazem crer que eu tenha algo, algum transtorno...

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Carolina Passos

    O que você descreve chama atenção não tanto como “falta de vontade” de ter vínculos, mas como um movimento que se repete. Você se aproxima, depois se afasta de forma brusca, e mais tarde sente uma falta, acompanhado da vergonha de retomar.

    Na psicanálise, a gente se interessa justamente por essas repetições. Elas costumam dizer algo sobre como cada pessoa vive a proximidade, a intimidade e até o risco que pode existir em se vincular ao outro.

    Esse impulso de desaparecer, trocar de número, cortar laços sem um motivo claro pode ser uma forma de lidar com algo que talvez não esteja tão evidente - por exemplo, um desconforto com a dependência, com a expectativa do outro, com possíveis frustrações, ou até com sentimentos que surgem quando a relação começa a se tornar mais próxima.

    O fato de você não sentir esgotamento, mas ainda assim se afastar, também é importante. Não parece ser apenas “cansaço social”, e sim um movimento mais profundo, que vale ser escutado com cuidado.

    Sobre a ideia de ter algum transtorno: é compreensível tentar nomear isso, mas antes de qualquer rótulo, o mais importante é entender o sentido que esse funcionamento tem na sua história.

    A psicanálise pode te ajudar justamente nisso, não em te encaixar em um diagnóstico, mas em investigar o que está em jogo quando você se aproxima e quando se afasta, de modo que essas escolhas deixem de ser tão automáticas e passem a ser mais conscientes.

    Se isso te causa sofrimento ou deixa em dúvida, procurar um processo analítico pode ser um bom caminho pra começar a olhar esses movimentos e elaborar qual sua posição diante deles.


  • Quais ferramentas a análise pode me dar para que eu pare de tentar 'curar' o abandono do meu pai no

    Quais ferramentas a análise pode me dar para que eu pare de tentar 'curar' o abandono do meu pai no passado através das minhas relações do presente?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Carolina Passos

    A análise não oferece "ferramentas" no sentido de ensinar alguém a nunca mais sofrer ou repetir certos padrões afetivos. O que ela possibilita é que a pessoa passe a reconhecer, aos poucos, como determinadas marcas da infância atravessam suas relações atuais - muitas vezes de forma inconsciente.

    Quando existe uma ferida importante de abandono, é comum que algo disso reapareça nas relações amorosas, amizades e vínculos em geral: seja na tentativa de ser escolhida a qualquer custo, no medo constante de rejeição ou na busca inconsciente por reparar, no presente, algo que faltou no passado.

    Na terapia psicanalítica, essas repetições não são julgadas, mas escutadas. Ao colocar em palavras aquilo que antes era vivido apenas como angústia, a pessoa pode começar a se relacionar de outra maneira com sua própria história e com seus afetos.


  • Olá, quanto tempo dura uma análise? Muito obrigada

    Olá, quanto tempo dura uma análise? Muito obrigada

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Carolina Passos

    Na psicanálise não há um tempo fixo de duração. O processo varia de pessoa pra pessoa, pois cada análise acompanha o ritmo e a história de quem está em tratamento.

    Algumas análises podem durar meses, outras anos. Mais do que cumprir um prazo, o trabalho psicanalítico se orienta pelo que vai se revelando ao longo das sessões - muitas vezes, justamente naquilo que inicialmente nem se sabia que precisava ser dito.


  • E se eu não gostar do meu analista nas primeiras sessões? Devo insistir ou é melhor trocar logo de p

    E se eu não gostar do meu analista nas primeiras sessões? Devo insistir ou é melhor trocar logo de profissional?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Carolina Passos

    É importante que você se sinta à vontade com o(a) analista, já que a análise se sustenta na relação que se constrói ao longo das sessões.

    Ao mesmo tempo, as primeiras impressões nem sempre dizem tudo: estranhamentos, resistências ou desconfortos também podem fazer parte do início do processo. Por isso, muitas vezes vale a pena dar algumas sessões pra observar como essa relação se desenvolve.

    Se ainda assim você sentir que não há abertura ou confiança suficientes, buscar outro profissional pode ser um caminho legítimo.


  • Todo mundo hoje diz que tem TDAH ou burnout. A psicanálise acredita nesses diagnósticos ou busca ent

    Todo mundo hoje diz que tem TDAH ou burnout. A psicanálise acredita nesses diagnósticos ou busca entender o que está por trás do sintoma?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Carolina Passos

    Diagnósticos como TDAH fazem parte do campo psiquiátrico e podem ser importantes em determinados contextos.

    A psicanálise, porém, se interessa menos em enquadrar a experiência em um rótulo e mais em escutar o que cada sintoma tem a dizer na história singular de quem sofre. Em vez de tomar o diagnóstico como ponto de chegada, o trabalho analítico busca compreender o que está em jogo para aquele sujeito e o que pode estar se expressando por meio do sintoma.


  • Como funciona o papel de associação livre na prática da psicanálise?

    Como funciona o papel de associação livre na prática da psicanálise?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Carolina Passos

    A associação livre é um dos pilares da psicanálise; na prática, consiste em falar livremente, sem tentar organizar demais o pensamento, censurar ideias ou selecionar apenas o que acredita fazer sentido. Muitas vezes, algo aparentemente banal, desconexo ou até constrangedor pode revelar conteúdos importantes do inconsciente.

    Isso não significa falar qualquer coisa de forma aleatória, e também não é preciso se preocupar em não saber o que dizer. O psicanalista participa ativamente da escuta e da condução do processo, ajudando o analisando a se aproximar daquilo que, num primeiro momento, pode parecer confuso ou sem sentido. A ideia é permitir que os pensamentos circulem com menos controle racional.

    Ao longo da análise, repetições, lapsos, silêncios, contradições e certos temas que insistem em aparecer também passam a ter valor de escuta. É nesse espaço menos guiado e mais aberto que a terapia psicanalítica possibilita que o sujeito se escute de outra forma e encontre sentidos que nem sempre estavam evidentes para si mesmo.

    Em meu perfil compartilho reflexões acessíveis sobre esses e outros conceitos da psicanálise: @mariacarolinap.si


  • Por que o medo existencial é tão intenso no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    Por que o medo existencial é tão intenso no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Carolina Passos

    Do ponto de vista psicanalítico, há uma fragilidade importante na constituição do eu e dos vínculos primários. Em muitos casos, a experiência precoce de cuidado foi marcada por instabilidade e rupturas emocionais, o que dificulta a construção de um sentimento contínuo de si e do outro. Assim, situações de vida como separações, ambiguidades e rejeição podem ser vividas como ameaças reais de aniquilamento psíquico, e não apenas como perdas simbólicas.

    Esse medo não é exagero, nem dramatização; ele expressa uma angústia profunda de abandono, vazio e desintegração, que atravessa a forma como o sujeito se relaciona, ama e sofre. Na terapia psicanalítica, o trabalho não é simplesmente eliminar esse medo - e causar um novo esvaziamento -, mas oferecer um espaço onde ele possa ser nomeado, elaborado e simbolizado, permitindo que novas formas de sustentação psíquica se construam ao longo do tempo.


  • Como posso reconhecer e diferenciar o pensamento acelerado de uma busca por criatividade e produtivi

    Como posso reconhecer e diferenciar o pensamento acelerado de uma busca por criatividade e produtividade?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Carolina Passos

    A diferença não está apenas na velocidade dos pensamentos, mas na relação que o sujeito estabelece com eles. A criatividade e a produtividade costumam implicar um certo grau de liberdade associativa, em que as ideias circulam, se transformam e podem ser apropriadas pelo sujeito. Já no pensamento acelerado, muitas vezes há uma vivência de invasão, perda de controle e exaustão, como se o pensamento não estivesse a serviço do sujeito, mas o contrário.

    Enquanto a busca criativa tende a produzir sentido, satisfação e possibilidade de elaboração, o pensamento acelerado costuma vir acompanhado de angústia, urgência, dificuldade de sustentação e empobrecimento da experiência. Na clínica psicanalítica, não se trata de desacelerar o pensamento à força ou “otimizar” a mente, mas investigar o que está em jogo nessa aceleração: de que ela tenta dar conta, do que foge ou o que tenta tamponar. É nesse trabalho de escuta que se pode diferenciar criação de excesso e recuperar uma relação mais habitável com o próprio pensar.


  • Qual o papel do livre-arbítrio na aceitação da vida?

    Qual o papel do livre-arbítrio na aceitação da vida?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Carolina Passos

    Respondendo do ponto de vista psicanalítico, o livre-arbítrio não é algo obtido de forma plena, mas algo que se constrói na relação com o inconsciente. Grande parte do que pensamos, escolhemos e repetimos é atravessado por determinações psíquicas que escapam à vontade consciente, o que já coloca em questão a ideia de uma aceitação da vida baseada apenas em decisão racional.

    Nesse sentido, aceitar a vida não significa resignação nem adaptação forçada, mas ampliar a possibilidade de escolha - onde antes só havia repetição, culpa ou sofrimento automático. O trabalho analítico não promete libertar o sujeito de seus conflitos, mas permitir que ele se responsabilize de outra forma por aquilo que o determina, produzindo deslocamentos possíveis entre o que se repete e o que pode, pouco a pouco, ser escolhido.

    É nesse intervalo, entre determinação e escolha, que o livre-arbítrio pode ganhar alguma consistência e a aceitação deixa de ser um imperativo pra se tornar um efeito do processo.


  • Quais os benefícios das consultas online para saúde mental?

    Quais os benefícios das consultas online para saúde mental?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Carolina Passos

    As consultas online ampliaram o acesso ao cuidado em saúde mental, oferecendo praticidade, economia de tempo e gastos com deslocamento, possibilidade de atendimento a partir de qualquer lugar e, para algumas pessoas, maior conforto emocional ao falar de questões íntimas num ambiente que já lhe seja familiar e seguro. Elas também facilitam a regularidade do processo terapêutico, o que é essencial pra que ele possa produzir efeitos mais duradouros.

    No caso da psicanálise, de onde falo, o que sustenta o trabalho não é o ambiente físico, mas o compromisso com a escuta e com a palavra. Quando o paciente se permite falar livremente, mesmo à distância, o inconsciente encontra seus caminhos. A presença do analista, ainda que mediada por uma tela, continua sendo real e eficaz.

    A consulta online, portanto, pode ser justamente o que viabiliza a construção de um percurso singular, feito no tempo, termos e no ritmo de cada sujeito.


  • Que tipo de profissional devo procurar, e se tem soluçao? Creio que tenho uma Bipolaridade, Sempr

    Que tipo de profissional devo procurar, e se tem soluçao?

    Creio que tenho uma Bipolaridade, Sempre acho que tou curado e minha vida torna se andar em um circulo quase que igual.. Acredito que posso conquistar o mundo em um dia, e no dia seguinte me sinto como se nao fosse ninguem.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Carolina Passos

    O que você descreve - essa alternância entre momentos de grande euforia e autoestima elevada, seguidos de períodos de desânimo ou sensação de vazio - pode estar ligado a um quadro de bipolaridade, mas também pode ter outras causas. O diagnóstico preciso deve ser feito por um psiquiatra, que é o profissional capacitado para avaliar clinicamente e, se necessário, prescrever uma medicação adequada.

    Mas só a medicação, por si só, nem sempre dá conta de tudo o que está em jogo. Isso porque o sofrimento psíquico não se resume a um desequilíbrio químico; ele diz respeito também à nossa história, aos afetos, aos conflitos internos e inconscientes que nos atravessam.

    Nesse sentido, a psicanálise pode oferecer um espaço potente: ao invés de tratar apenas os sintomas, ela propõe um percurso pra que você possa se escutar, compreender o que se repete na sua vida e como isso se liga à sua própria história. Não existe “cura” no sentido mágico ou definitivo, mas existe possibilidade de transformação, de sair do círculo repetitivo - e isso demanda comprometimento e desejo de se implicar nesse processo.

    Por isso, minha sugestão é que você busque um psiquiatra para uma escuta diagnóstica e, paralelamente, inicie um trabalho terapêutico, possivelmente com um psicanalista. O cuidado da saúde mental é algo que se constrói em rede, e cada profissional pode contribuir à sua maneira.

    Se quiser conversar mais a respeito ou agendar uma escuta inicial, como psicanalista, fico à disposição - mariacarolinapsi.online ou @mariacarolinap.si ;)


  • Qual a abordagem psicológica mais eficaz para se tratar a ansiedade causada pelos transtornos de per

    Qual a abordagem psicológica mais eficaz para se tratar a ansiedade causada pelos transtornos de personalidade esquizóide e evitativo ? Esses transtornos podem ser totalmente remidos em pacientes já passados dos 30 anos ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Carolina Passos

    A psicanálise pode ser uma abordagem muito eficaz quando se trata da ansiedade relacionada a formas de funcionamento como as do transtorno esquizoide e do transtorno evitativo.

    Nesses quadros, a ansiedade não aparece isolada - ela está ligada a modos muito estruturados de estar no mundo, geralmente formados muito cedo, como defesas psíquicas frente a angústias difíceis de simbolizar. Por isso, não se trata só de “eliminar o sintoma”, mas de criar espaço para que o sujeito possa entrar em contato com o que está por trás dele.

    Não trabalhamos tanto com uma lógica de apagar sintomas, mas com a escuta do inconsciente - o que permite que, ao longo do processo, o sujeito possa se implicar na própria história e construir outras formas de viver, com menos sofrimento e mais liberdade.

    Sobre a questão da idade: não existe um limite para que esse trabalho aconteça. A ideia de que a personalidade se “fixa” depois de certa idade não se aplica aqui. A psicanálise aposta na possibilidade de mudança em qualquer fase da vida, desde que haja desejo e disponibilidade para o processo.


  • O pensamento involuntário, aquele que surge do nada, muitas quando estamos em um ambiente de sala de

    O pensamento involuntário, aquele que surge do nada, muitas quando estamos em um ambiente de sala de aula, e que nos atrapalha a concentração na matéria dada pelo professor, é dado o start por quem? Como ficar focado 100% na experiência, na fala e ensinamento do professor?
    Gratidão pelas respostas e ensinamentos.

    São Carlos/SP

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Carolina Passos

    O pensamento involuntário pode ser compreendido, na psicanálise, como uma manifestação do inconsciente. Freud demonstrou que a mente não é inteiramente controlada pelo eu consciente – há processos inconscientes que emergem sem que tenhamos domínio sobre eles.

    Na situação de sala de aula, a dificuldade de concentração pode estar relacionada a conteúdos psíquicos latentes: desejos, ansiedades, conflitos internos, ou até defesas inconscientes contra o que está sendo ensinado. Às vezes, a dispersão é um mecanismo de fuga psíquica diante de algo que mobiliza emoções ou que, de algum modo, ressoa em experiências pessoais.

    Sobre manter-se 100% focado, é importante considerar que a atenção plena contínua é um ideal inatingível. A mente sempre oscila entre diferentes estados, e tentar reprimir pensamentos involuntários pode ser contraproducente. Em vez disso, uma abordagem mais eficaz seria a de acolher esses pensamentos e entender o que eles comunicam. A psicanálise nos ensina que prestar atenção ao que emerge involuntariamente pode ser uma via de autoconhecimento, ajudando a lidar com possíveis resistências internas.

    Se a dispersão se torna um problema frequente e compromete a aprendizagem, pode ser interessante investigar, por meio da terapia, os possíveis significados desses pensamentos involuntários e o que eles podem estar sinalizando sobre sua relação com o estudo e o ambiente escolar.


  • Tenho um relacionamento não mono, uns 2 anos. Temos afinidade de visão de mundo, de atividades compa

    Tenho um relacionamento não mono, uns 2 anos. Temos afinidade de visão de mundo, de atividades compartilhadas, como ler, praticar esportes, viajar. No ano passado, ele foi com outra a evento que eu teria gostado muito de estar com ele. Fui avisada às vésperas. Sofri muito e ainda não superei. Tive apenas justificativa de que não tínhamos acordo na época. Sinto que ele é evitativo, o que ativa minha ansiedade. Temos longas conversas, ele diz que estou sempre insatisfeita. Como fazer a reparação? Sendo que pedi pra me acompanhar noutro evento importante pra mim e ele negou, cada vez com uma justificativa diferente. Temos ótimos momentos, mas me sinto ansiosa, sinto falta dessa reparação e de empatia com minhas dores.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Carolina Passos

    Seu relato aponta para dinâmicas afetivas complexas dentro do relacionamento, que envolvem expectativas, frustrações e a maneira como cada um lida com os próprios sentimentos e os do outro.

    Na psicanálise, entendemos que os vínculos amorosos não são apenas acordos racionais, mas também atravessados por desejos inconscientes, padrões internalizados e histórias emocionais anteriores. A sua angústia frente à falta de reparação pode estar relacionada a uma necessidade de reconhecimento do seu sofrimento – algo que, quando não atendido, intensifica a ansiedade.

    O fato de você ter sido informada tardiamente sobre o evento e de sentir que suas dores não foram devidamente acolhidas sugere que há uma discrepância na forma como vocês experienciam o vínculo. Enquanto você busca um gesto de reparação e empatia, seu parceiro parece adotar uma postura mais evitativa, possivelmente por sua própria história psíquica. Isso pode estar mobilizando, em você, sentimentos de insegurança e insatisfação recorrente.

    A reparação, na psicanálise, não se dá apenas por atos concretos (como comparecer a um evento), mas pelo reconhecimento genuíno da dor do outro. Se ele não demonstra essa sensibilidade, talvez a questão não seja apenas sobre um evento perdido, mas sobre a maneira como a relação é construída.

    Talvez valha refletir: o que mantém você nesse vínculo? O que espera dele que não se realiza? Como esse padrão ressoa com outras experiências emocionais suas? A ansiedade pode ser um sinal de que há algo fundamentalmente desalinhado entre o que você deseja e o que a relação pode oferecer.

    A escuta psicanalítica pode ajudá-la a compreender não apenas o comportamento do outro, mas também os afetos que esse relacionamento desperta em você. Afinal, o sofrimento em uma relação pode revelar tanto sobre o parceiro quanto sobre nossas próprias questões inconscientes.


  • Problemas dos outros ,pode sobrecarregar o psicológico de quem ouve ?

    Problemas dos outros ,pode sobrecarregar o psicológico de quem ouve ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Maria Carolina Passos

    Sim, ouvir os problemas dos outros pode, sim, sobrecarregar psiquicamente quem escuta, especialmente se houver envolvimento emocional ou se a pessoa não tiver recursos internos para processar aquilo que recebe.

    Na psicanálise, falamos em transferência e contratransferência: ao escutarmos alguém, inevitavelmente somos atravessados por afetos, memórias e até angústias que ressoam em nós. Quando a escuta ocorre sem um espaço de elaboração – ou seja, sem um distanciamento emocional adequado –, a carga psíquica pode se tornar excessiva, resultando em exaustão mental, irritabilidade e até sintomas físicos.

    Isso é especialmente relevante para pessoas que assumem, inconscientemente, um papel de "confidente universal" nas relações, muitas vezes sentindo-se obrigadas a acolher o sofrimento alheio, mesmo às custas do próprio bem-estar. Nesses casos, pode ser importante refletir: o que me faz sentir responsável pelo outro a ponto de me sobrecarregar?

    A escuta é um ato valioso, mas ela precisa de limites. Se o peso das queixas alheias se torna um fardo, talvez seja hora de estabelecer fronteiras saudáveis e, se necessário, buscar um espaço próprio de fala e elaboração, como a terapia psicanalítica.


Perguntas frequentes

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