Perguntas do paciente (24)
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Gosto de cuidar das pessoas. Tenho uma facilidade em compreender como elas se sentem, de lidar com
Gosto de cuidar das pessoas.
Tenho uma facilidade em compreender como elas se sentem, de lidar com isso, falar e fazer o que elas estão precisando.
Porem, lá no fundo, acho que os meus sentimentos de protetora são ligados minha criação, algo automático, porque no geral não sinto que eu realmente me importe, já que a fraqueza dos outros me estressa, já que a solução as vezes é tão obtivia.
Outra questão, algo que me deixa incomodada é a facilidade em bloquear sentimentos, as vezes eu faço algo errado, eu reconheço o erro, sou bem racional, mas não tenho sentimentos nenhum sobre, como se nada tivesse acontecido, fico neutra internamente. Sem contar o costume que tenho em ler as pessoas a minha volta, é algo que reconheço que sou boa, mas isso acaba minando meus relacionamentos, como se a confiança nunca fosse uma opção. Isso acaba me deixando esgotada, a sensação que eu tenho que minha mente não para nunca.
Não sei exatamente o tratamento que procuro, talvez uma psicóloga!?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Seu relato traz reflexões muito ricas sobre sua forma de se relacionar com os outros e consigo mesma. A sensação de cuidar dos outros de maneira automática, sem um real envolvimento emocional, pode estar relacionada a padrões introjetados na infância, como você mesma intui. Muitas vezes, aprendemos a ocupar determinados papéis nas relações (como o de cuidador ou protetor) sem necessariamente sentirmos que isso expressa um desejo autêntico.
O estresse diante da "fraqueza" alheia pode apontar para uma dificuldade em lidar com a vulnerabilidade – tanto do outro quanto a sua própria. Se, em algum momento da sua história, a fragilidade foi vista como algo inaceitável ou frustrante, pode ser que sua mente tenha se organizado para responder a isso de forma racional e pragmática, minimizando a expressão emocional.
A facilidade em "bloquear sentimentos" e a neutralidade diante dos próprios erros podem estar ligadas a um mecanismo psíquico de defesa, possivelmente um tipo de dissociação emocional. Isso pode ser uma forma de autopreservação, uma estratégia inconsciente para evitar entrar em contato com afetos mais profundos.
Além disso, a sua habilidade de ler as pessoas pode ser um traço de grande percepção emocional, mas também algo que funciona como uma defesa contra a entrega e a vulnerabilidade nas relações – como se estar sempre "um passo à frente" das intenções alheias fosse uma necessidade para manter o controle. Isso pode gerar cansaço mental e dificuldade em estabelecer vínculos de confiança.
O que você descreve pode ser muito bem trabalhado em um processo de terapia psicanalítica, que busca justamente explorar essas camadas inconscientes, compreender os significados subjacentes e permitir uma relação mais espontânea com seus afetos.
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Que tipos de dificuldades de adaptação social a pessoa com deficiência intelectual pode apresentar?
Que tipos de dificuldades de adaptação social a pessoa com deficiência intelectual pode apresentar?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A adaptação social de uma pessoa com deficiência intelectual pode envolver diferentes desafios, dependendo do grau da deficiência, das condições do ambiente e do suporte disponível. Do ponto de vista psicanalítico, as dificuldades podem estar relacionadas tanto a aspectos cognitivos quanto emocionais, influenciando a forma como a pessoa estabelece vínculos e interpreta as relações sociais.
Algumas dificuldades comuns incluem:
- Compreensão de normas sociais: Regras implícitas, como turnos de fala, ironia e linguagem não verbal, podem ser difíceis de interpretar. Isso pode levar a mal-entendidos ou dificuldades na comunicação interpessoal.
- Expressão emocional e afetiva: Algumas pessoas podem ter dificuldades em expressar suas emoções de maneira socialmente convencional, o que pode afetar a reciprocidade nas interações.
- Frustração e ansiedade: Quando há desafios na comunicação ou na execução de tarefas, podem surgir reações emocionais intensas, como ansiedade ou isolamento.
- Autonomia em interações: Dependendo do nível da deficiência, a pessoa pode necessitar de suporte para tomar decisões ou lidar com situações novas e imprevistas.
No entanto, é fundamental lembrar que cada indivíduo é único, e sua adaptação social depende não apenas de suas características pessoais, mas também do ambiente em que está inserido. Um meio acolhedor, que respeita os tempos e modos de cada um, favorece a inclusão e a construção de relações mais seguras e satisfatórias.
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Um narcisista pode se relacionar c/ um histriônico e desenvolver filhos, cada um c/ um dos dois tran
Um narcisista pode se relacionar c/ um histriônico e desenvolver filhos, cada um c/ um dos dois transtornos?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Primeiramente é importante lembrar que rótulos como “narcisista” ou “histriônico” não dão conta da complexidade de um sujeito. São classificações que tentam organizar certos traços recorrentes, mas que podem acabar engessando a compreensão do que está realmente em jogo na vida psíquica de alguém.
Dito isso, sim, duas pessoas com estruturas psíquicas marcadas por traços como os que chamamos de narcisismo e histeria podem se relacionar - inclusive formar uma família. Na clínica psicanalítica, aliás, é comum observar que certos modos de funcionamento se “combinam” em relações afetivas, às vezes até de forma complementar: alguém que tende ao narcisismo pode se sentir atraído por alguém com traços histéricos, e vice-versa.
Mas isso não quer dizer que os filhos, por consequência, vão “herdar” esses transtornos de forma direta, como se fossem genes psíquicos. A subjetividade não se transmite como herança genética. Cada filho constrói seu próprio modo de lidar com os afetos, com o desejo e com os impasses da vida - e isso passa por muitos fatores: a relação com os pais, o lugar que ocupa nessa família, sua própria história, entre outros.
A psicanálise não trabalha com uma ideia de “destino psíquico” pré-definido. O que está em jogo não é uma transmissão automática de um transtorno, mas os laços, os discursos, os afetos e as identificações que vão sendo construídos no contexto familiar e social.
Talvez valha mais interrogar como essa dinâmica familiar funciona, como os lugares são ocupados e o que cada sujeito pode fazer com isso em sua própria história.
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Gostaria de entender por que diante perda de alguém querido eu continuo agindo como se nada tivesse
Gostaria de entender por que diante perda de alguém querido eu continuo agindo como se nada tivesse acontecido.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O luto não segue um roteiro fixo e pode se manifestar de maneiras muito diferentes para cada pessoa. A sua experiência de agir como se "nada tivesse acontecido" pode estar relacionada a um mecanismo psíquico de defesa.
Na psicanálise, Freud descreveu o luto como um processo de elaboração da perda, no qual o sujeito precisa, pouco a pouco, se desapegar do vínculo com quem partiu. No entanto, quando essa perda é muito dolorosa, o psiquismo pode adotar estratégias para evitar o sofrimento de maneira direta. Uma dessas estratégias pode ser a negação – um mecanismo inconsciente que impede que a realidade da perda seja plenamente sentida de imediato.
Além disso, pode haver um recuo emocional diante da dor, como uma forma de autopreservação. Em alguns casos, a pessoa mantém sua rotina e suas atividades como uma tentativa de sustentar a normalidade e evitar um colapso emocional. Isso não significa que o luto não está acontecendo, mas que ele pode estar se dando de forma mais silenciosa, em um tempo próprio.
Se esse estado se prolonga e impede o contato com as emoções, pode ser interessante buscar um espaço de escuta, como a terapia psicanalítica, para entender o que essa reação revela sobre sua história afetiva e sua relação com a perda, evitando que sentimentos reprimidos se manifestem de forma abrupta no futuro. Afinal, o luto não é apenas sobre a ausência do outro, mas também sobre o que essa ausência mobiliza em nós.
Perguntas frequentes
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Doente com Cardiomiopatia Hipertrófica Apical e Insuficiência Cardíaca, 68 anos, pode viajar avião?
Em muitos casos a viagem aérea é possível quando a insuficiência cardíaca…