Perguntas do paciente (8)

  • Meu pai faleceu a 2 anos e eu cuidei dele no período que ele estava doente. Eu levei ele pra tomar u

    Meu pai faleceu a 2 anos e eu cuidei dele no período que ele estava doente. Eu levei ele pra tomar uma medicação no hospital e o médico enternou ele, tentei tira- logo de lá pra levá-lo para um hospital melhor, mas por não ter um diagnóstico fechado os médicos não deixaram. Depois de algum tempo transferiram ele, mas o estado dele já era crítico e veio a falecer. Ao receber a notícia fiquei sem reação e não chorei, ajeitei tudo na funerária, escolhi o caixão e parecia que eu tava dopada, mas não tomei nenhuma medicação. Hoje quase 2 anos estou sentindo ansiedade e vende chorar, passo o.dia deitada e sem ânimo pra nada, sinto como se eu estivesse no dia do velório dopada e vontade de chorar. Não consigo ir trabalhar angustiada e meu corpo trêmula, não gosto de conversar com ninguém, pois tenho medo de chorar e as pessoas me perguntarem e não saber responder. Preciso de ajuda, pois não sei mais o que fazer.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Pâmela Boeira

    Antes de tudo, parabéns por compartilhar sua história com tanta sinceridade e coragem.

    O luto é um processo extremamente individual. Cada pessoa reage de uma forma diferente diante da perda, principalmente quando estava tão envolvida nos cuidados com quem partiu. Muitas vezes, quem cuida entra em um "modo automático" durante a doença e até mesmo após o falecimento, como uma forma do próprio corpo e da mente se protegerem de uma dor imensa. Isso pode explicar seu estado de "dopamento" emocional que você experimentou - um tipo de desligamento afetivo temporário, que pode adiar, mas não evitar, o enfrentamento do sofrimento.
    Agora, mesmo que quase dois anos depois, você está sentindo as emoções vindo à tona: tristeza profunda, vontade de chorar, ansiedade, isolamento e falta de ânimo. Esses são sinais de que sua mente está tentando processar essa perda - mas está tendo dificuldades para lidar com o impacto disso sozinha.
    No acompanhamento psicoterapêutico, por meio da Terapia Cognitivo-Comportamental, é possível trabalhar essas emoções e pensamentos. A psicoterapia ajuda a reorganizar o que está sendo difícil dentro de você, validar sua dor e reconstruir, aos poucos, uma vida com mais sentido e leveza. O luto não é algo que "se supera", mas algo que se aprende a conviver - com amor, com memória, e também com espaço para você cuidar de si mesma novamente.


  • Sempre tive uma vida ativa derrepente descobri que tenho desgaste no joelho no estágio 4 e comecei a

    Sempre tive uma vida ativa derrepente descobri que tenho desgaste no joelho no estágio 4 e comecei a ter dificuldade de andar e com isso comecei a sentir uma tristeza , desânimo vontade de morrer tenho vontade de ficar só deitada no escuro não quero ver ninguém , choro muito

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Pâmela Boeira

    O que você está sentindo é muito compreensível diante de tudo que está passando. Receber um diagnóstico que muda de forma tão brusca sua rotina, seu corpo e sua autonomia pode ser um choque muito grande - e é natural que sentimentos como tristeza, desânimo e até pensamentos muitos dolorosos apareçam nesse momento.
    Você sempre teve uma vida ativa, e de repente se vê limitado por algo que não esperava. Isso pode gerar uma sensação de perna - não apenas física, mas também emocional: da liberdade, dos planos, do seu estilo de vida, da identidade que estava ligada ao movimento. Tudo isso é importante e precisa ser olhado com cuidado.
    Na Terapia Cognitivo-Comportamental, entendemos que nossos pensamentos influenciam nossas emoções e comportamentos. Quando vivemos em uma situação difícil como a sua, é comum que pensamentos negativos comecem a surgir, como "não vou dar conta", "minha vida acabou", "não tem mais sentido". Esses pensamentos alimentam a tristeza e podem nos levar ao isolamento, à falta de energia e ao desejo de desistir. Mas com acompanhamento psicoterapêutico, é possível aprender a identificar esses pensamentos, avaliá-los, questioná-los e, aos poucos, construir formas mais saudáveis de lidar com a dor e com as mudanças.


  • Quando eu escrevo acabo trocando algumas letras de posição na palavra, ou muitas vezes ponho letra a

    Quando eu escrevo acabo trocando algumas letras de posição na palavra, ou muitas vezes ponho letra aonde não tem, mas logo, assim que termino de escrever já vejo que escrevi errado.. Gostaria de saber o que é, é algum distúrbio?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Pâmela Boeira

    É mais comum do que parece, e é ótimo que você esteja observando isso com atenção.
    Trocar letras de lugar, inserir letras que não fazem parte da palavra ou perceber o erro após escrever pode estar relacionado a diferentes fatores. Em muitos casos, isso acontece por cansaço mental, distração ou ansiedade, e não necessariamente indica um distúrbio. No entanto, quando esses erros são muito frequentes e atrapalham a rotina, podem estar ligados a questões como dislexia (um transtorno específico da leitura e escrita) ou dificuldades de processamento da linguagem escrita.
    É importante observar se isso ocorre desde a infância ou se começou mais recentemente, se aparece só em momentos de estresse, ou se você também percebe dificuldades semelhantes ao falar, ler ou organizar pensamentos.
    Na Terapia Cognitivo-Comportamental, também podemos investigar se há fatores emocionais envolvidos, como ansiedade ou excesso de autocobrança, que podem afetar a atenção e o processamento de escrita.
    se for algo que está incomodando ou trazendo prejuízos, o ideal é buscar uma avaliação com um neuropsicólogo que possa investigar de forma mais detalhada. Com o diagnóstico certo, é possível pensar em estratégias específicas para lidar com isso e melhorar sua relação com a escrita.


  • Olá, todo os dias eu fico imaginando situações irreais, situações ruins como se eu esperasse que aqu

    Olá, todo os dias eu fico imaginando situações irreais, situações ruins como se eu esperasse que aquilo fosse acontecer, eu choro porque imagino como se aquilo tivesse acontecendo, isso faz com que eu não consiga dormir, ou minha cabeça doer bastante, o que devo fazer pra conseguir dormir?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Pâmela Boeira

    O que você descreve pode estar relacionado a um padrão de pensamentos ansiosos - quando a mente antecipa situações negativas que ainda não aconteceram (e muitas vezes nem vão acontecer), mas o corpo reage como se fossem reais. Isso gera angústia, tensão, dificuldade para dormir e até sintomas físicos, como dor de cabeça.
    Na Terapia Cognitivo-Comportamental, trabalhamos justamente essa relação entre pensamentos, emoções e comportamentos. Esses pensamentos intrusivos e catastróficos são automáticos - ou seja, aparecem sem que você perceba - e ativam no corpo uma resposta de estresse constante, como se você estivesse em alerta o tempo todo.
    No acompanhamento psicoterapêutico, é possível aprender estratégias para identificar esses pensamentos, entender de onde elas vêm e desenvolver formas mais funcionais de lidar com eles. Também podemos trabalhar técnicas de relaxamento, respiração e higiene do sono para ajudar seu corpo a desacelerar e permitir que você durma melhor.


  • Não sinto pena ou empatia por ninguém. Quando pessoas próximas morreram também não senti tristeza.

    Não sinto pena ou empatia por ninguém. Quando pessoas próximas morreram também não senti tristeza.
    É normal não ligar para nada além de si mesmo? Pois é difícil toda hora fingir ficar mal ou triste, quando na realidade não me importo nem um pouco.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Pâmela Boeira

    Sentir que não se conecta emocionalmente com os outros, ou perceber a ausência de empatia e tristeza diante de situações que normalmente despertariam emoções, como a perda de alguém próximo, pode ser sinal de algo que merece atenção. Na Terapia Cognitivo-Comportamental, buscamos entender não somente os comportamentos e sentimentos, mas também os pensamentos e experiências de vida que estão por trás.
    As emoções humanas são complexas e podem ser influenciadas por muitos fatores: história de vida, traumas, padrões de proteção que se criaram ao longo do tempo, ou até mesmo questões ligadas ao funcionamento emocional e relacional. Às vezes, como forma de defesa, a mente pode "desligar" certas emoções para evitar sofrimento - especialmente se, em algum momento, sentir foi associado à dor, rejeição ou vulnerabilidade.
    A psicoterapia pode te ajudar a entender o que está por trás dessa dificuldade de se importar ou conectar emocionalmente. Não para te julgar ou "corrigir", mas para oferecer um espaço de escuta, reflexão e, se for do seu desejo, de mudança. Afinal, viver em constante desconexão dos outros - e até de si mesmo - pode gerar uma sensação de vazio ou isolamento ao longo do tempo.


  • Olá, eu acompanhava psicóloga e sempre tive um problema de lembrar da minha infância qnd era assunto

    Olá, eu acompanhava psicóloga e sempre tive um problema de lembrar da minha infância qnd era assunto. Ela suspeitava e perguntava pra minha mãe se eu já passei por um evento traumático mas n passei por nenhum..queria entender pq n lembro de mta coisa.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Pâmela Boeira

    Sua dúvida é bastante comum.
    A dificuldade para lembrar da infância não significa necessariamente que algo traumático ocorreu. Nossa memória é seletiva e influenciada por diversos fatores, como a fase do desenvolvimento em que vivemos, o contexto emocional da época, ou mesmo o quanto aquela fase foi estimulante ou marcante. Muitas pessoas têm poucos registros da infância, especialmente dos primeiros anos, e isso pode ser natural.
    Por outro lado, quando há lacunas maiores na memória, principalmente em períodos que costumam ser lembrados com mais facilidade (como a infância escolar, por exemplo), pode sim ser um sinal de que a mente criou mecanismos de proteção. Isso não quer dizer que necessariamente teve um trauma grave, mas sim que, às vezes, a forma como vivemos ou sentimentos algumas situações pode ter sido intensa o suficiente para que o cérebro "guardasse" essas lembranças de forma menos acessível.
    Na Terapia Cognitivo-Comportamental, não forçamos a recuperação de memórias, mas sim buscamos entender como o presente está sendo afetado por essas dúvidas ou sentimentos. Podemos trabalhar o que você sente hoje ao pensar na infância, acolher possíveis emoções ligadas a isso e criar um espaço seguro para que essas memórias possam surgir de forma espontânea.


  • Sou ansiosa e sempre escutei vozes na minha cabeça a minha voz mesmo, mas ela parece ser mais de uma

    Sou ansiosa e sempre escutei vozes na minha cabeça a minha voz mesmo, mas ela parece ser mais de uma pessoa cada uma com sua personalidade dominante uma com muito ódio, outra muito triste, a outra eufórica sempre personalidades muito fortes e negativas eu gostaria de saber se isso é normal para quem teve ansiedade e como melhorar ... as vezes elas falam tão alto parece me deixar surda de certa forma ( não sei como me expressar direito)

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Pâmela Boeira

    O que você descreve pode estar relacionado a um estado de ansiedade elevado, mas também merece uma escuta clínica clínica muito cuidadosa, porque envolve elementos mais complexos, como essas vozes com personalidade distintas e intensas. Em alguns casos, isso pode indicar o que chamamos de dissociação - um mecanismo de defesa da mente diante de situações muito difíceis ou traumáticas - ou podem estar ligado a quadros que vão além da ansiedade, como transtornos do espectro dissociativo ou outros que precisam de avaliação profissional.
    Na Terapia Cognitivo-Comportamental, podemos ajudar você a entender melhor essas vozes internas: de onde vêm, o que elas representam, por que surgem em certos momentos e como lidar com elas sem tanto sofrimento. Também trabalhamos técnicas de regulação emocional, atenção plena (mindfulness) e estratégias para desenvolver uma relação mais segura e compassiva com seus pensamentos e sensações.
    As vozes que você ouve podem estar expressando partes suas que estão sobrecarregadas por medo, raiva ou tristeza.


  • Por que as fixações(psicologia) por mais elaboradas que estejam, elas não somem do consciente ? por

    Por que as fixações(psicologia) por mais elaboradas que estejam, elas não somem do consciente ? por que mesmo os dilemas sendo compreendidos e amadurecidos eles voltam

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Pâmela Boeira

    Que pergunta interessante e profunda!

    A verdade é que, mesmo quando um dilema já foi compreendido racionalmente, ele pode continuar retornando à mente, como se ainda houvesse algo "pendente" - e isso não significa fracasso ou regressão.
    Na Terapia Cognitivo-Comportamental, entendemos que pensamentos recorrentes muitas vezes têm raízes emocionais profundas, associadas a crenças sobre si mesmo, o mundo e os outros. Essas crenças - como "não sou suficiente", "tenho que controlar tudo" ou "o pior sempre vai acontecer" - podem permanecer ativas em segundo plano, mesmo que você já tenha amadurecido intelectualmente sobre o tema. Por isso, a questão volta: não por teimosia da mente, mas porque há camadas mais emocionais que ainda pedem cuidado e elaboração.
    Outro ponto importante é o que cérebro cria "trilhas neurais" muito fortes quando um pensamento é repetido muitas vezes. Mesmo que você já saiba que aquele pensamento não é útil ou verdadeiro, ele ainda pode surgir automaticamente - e o trabalho terapêutico, nesse caso, envolve não apenas entender, mas aprender a responder de forma diferente a ele, até que perca a força com o tempo.


Perguntas frequentes

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