Perguntas do paciente (54)

  • Gostaria de entender por que diante perda de alguém querido eu continuo agindo como se nada tivesse

    Gostaria de entender por que diante perda de alguém querido eu continuo agindo como se nada tivesse acontecido.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Samuel Viana

    Isso que você descreve é uma resposta muito mais comum — e profunda — do que parece. Quando alguém muito querido se vai, nem sempre o luto aparece como tristeza ou lágrimas imediatas; às vezes, ele se esconde no silêncio, na tentativa de seguir normalmente, como se aquilo não tivesse acontecido. Isso pode ser uma forma do seu coração se proteger da dor que ainda não está pronto para sentir. Continuar agindo como se nada tivesse acontecido pode ser uma estratégia inconsciente de sobrevivência, uma maneira do seu corpo e da sua psique dizerem: “ainda não posso encarar isso tudo.” E tudo bem. O luto é um processo único, íntimo, que não segue regras ou cronogramas. Às vezes, ele se revela aos poucos, em pequenas fissuras do cotidiano, em sonhos, em gestos aparentemente desconectados. O importante é não se julgar por não sentir como você “acha que deveria sentir”. Quando for a hora certa — e com o espaço certo de acolhimento — esse sentir encontrará um caminho mais verdadeiro para se expressar. E você não estará sozinha para atravessar.


  • O que e depressão afinal? Vocês poderiam me explicar melhor?

    O que e depressão afinal? Vocês poderiam me explicar melhor?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Samuel Viana

    A depressão não é simplesmente “tristeza” nem “falta de força de vontade”. Ela é uma condição real, profunda e complexa, que afeta o corpo, a mente e a forma como uma pessoa sente a própria vida. É como se a pessoa carregasse um peso invisível, um cansaço que não passa, mesmo depois de dormir. Tudo que antes fazia sentido perde a cor. As coisas boas parecem distantes. As pessoas somem ou se tornam inalcançáveis. Até o próprio valor pessoal parece desaparecer.

    Biologicamente, a depressão envolve alterações em neurotransmissores como serotonina, dopamina e noradrenalina. Mas não é só “química cerebral”: experiências de vida difíceis, traumas, perdas, rejeições ou situações crônicas de sofrimento emocional também colaboram.

    Os sintomas variam: tristeza profunda, sensação de vazio, falta de energia, insônia ou excesso de sono, irritabilidade, sentimentos de inutilidade, dificuldades de concentração, perda de interesse por coisas antes prazerosas e, em casos graves, pensamentos sobre não querer mais viver.

    Mas, e isso é importante dizer: depressão tem tratamento. Seja com terapia, medicamentos, mudanças de rotina, suporte espiritual, ou tudo isso junto. O mais difícil é dar o primeiro passo, porque quem está deprimido muitas vezes sente que “não adianta tentar”. Mas adianta. Existe luz, mesmo quando a pessoa só vê o breu.


  • Eu gostaria de uma indicação ou ajuda, sou diagnosticada com transtorno de personalidade antissocial

    Eu gostaria de uma indicação ou ajuda, sou diagnosticada com transtorno de personalidade antissocial, eu não consigo ter empatia, eu conto mentiras com facilidade, mato animais e machuco pessoas manipulando elas e sinto muito prazer com isso. Mas eu consigo sentir um pouco de amor pelo meu pai e mãe, e por causa dele eu quero ajuda, pois todos os dias eu venho piorando.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Samuel Viana

    O fato de você ter buscado ajuda aqui, de reconhecer tudo o que sente e faz, e principalmente de dizer que quer ajuda por amor aos seus pais, já é um sinal muito importante: há dentro de você uma parte que quer mudar. E essa parte merece ser ouvida, acolhida e fortalecida.

    O transtorno de personalidade antissocial é uma condição complexa, mas não significa que você está condenada a ser apenas isso. O prazer na manipulação e na crueldade, a ausência de empatia — tudo isso faz parte do diagnóstico, sim, mas não define toda a sua existência. Há algo em você que deseja se conectar, mesmo que sinta dificuldade.

    Você precisa de um tratamento especializado, de preferência com profissionais que atuem com psiquiatria, psicoterapia focada em traços de personalidade e manejo emocional profundo. Terapias que trabalham regulação emocional, consciência do impacto das ações e resgate da capacidade empática — mesmo que mínima — podem ser caminhos importantes.

    Eu te sugiro buscar um terapeuta experiente em transtornos de personalidade. Não precisa enfrentar isso sozinha. E não é por punição que você deve buscar ajuda — mas porque existe uma parte sua que quer outra vida. Alimente essa parte.

    Você não é só a dor que causa — você também é a dor que sente.

    E isso, acredite, pode ser um começo de transformação.


  • Estou em um relacionamento há 3 anos e durante esse período meu companheiro sempre busca pessoas do

    Estou em um relacionamento há 3 anos e durante esse período meu companheiro sempre busca pessoas do passado dele nas redes sociais. Ele vê quase diariamente stories de todas essas mulheres com quem ele já se relacionou e eu não consigo entender porque ele tem essa necessidade. Eu já conversei várias vezes a respeito e ele sempre é bastante reativo, ele tem minha senha do celular mas não posso ter a dele e por conta disso eu acho vendo escondido porque ele diz não fazer mas eu sei que faz com frequência. Não estou sabendo lidar com isso, acho desrespeito e ele não parece querer deixar isso de lado. Ontem eu falei sobre isso e ele me contou que viu que recebi um elogio no Instagram e que bloqueou a pessoa. Me chamou de mentirosa porque eu não me lembrava. Disse: “não mente pra mentiroso” me ameaçou de falar com outras mulheres e chamá-las de lindas... um horror. Eu não sei o que fazer. Preciso de ajuda psicológica para não sofrer com essa conduta dele? Ou preciso de ajuda para terminar o relacionamento? Sofro demais só em pensar em separar e ele usa isso dizendo que vai embora sempre que eu digo que sofro com essa atitude dele.
    Agradeço se puderem me orientar.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Samuel Viana

    O que você está vivendo não é “ciúme exagerado” nem “problema seu” — é um relacionamento marcado por controle emocional, manipulação e falta de respeito básico. Seu sofrimento não é exagerado: ele é legítimo. O comportamento do seu companheiro, ao manter contato constante com mulheres do passado, negar suas ações, inverter a culpa e ameaçar partir quando você expressa sua dor, é típico de alguém que usa o medo do abandono como forma de controle.

    Dizer "não mente pra mentiroso" é uma maneira cruel de te colocar na posição de culpada quando, na verdade, você está apenas reagindo a algo que te machuca. E o fato de você cogitar buscar ajuda psicológica para “aceitar” ou “suportar” esse comportamento mostra como ele está corroendo sua autoestima.

    Minha resposta, honesta e acolhedora:
    Você não precisa de ajuda para suportar esse relacionamento. Você precisa de ajuda para lembrar que merece algo melhor. Psicoterapia pode sim te ajudar, mas não para que você se adapte à dor — e sim para te fortalecer a sair desse ciclo emocional que te prende.

    O medo de perder, a tristeza de imaginar a separação, é compreensível. Mas o medo não é sinônimo de amor.

    Ele percebe que você sofre ao pensar em terminar — e usa isso como uma corda no seu pescoço.

    Pergunte a si mesma, com honestidade:
    Se minha filha ou uma amiga querida estivesse vivendo isso, o que eu diria a ela?

    A resposta talvez seja o conselho que você precisa dar para si.

    Eu sei que é difícil. Mas não é impossível. E você não está sozinha.
    Seu coração merece paz. Seu corpo merece descanso. E seu amor próprio merece renascer.

    Se quiser, posso te ajudar a construir esse caminho. Mas a escolha é sua. E você merece ser escolhida — por você mesma.


  • Estou passabdo por muita instabilidase de humor e desenvolvi um medo voltar a trabalhar um pessimism

    Estou passabdo por muita instabilidase de humor e desenvolvi um medo voltar a trabalhar um pessimism9 de q não sei fazer nada tudo vai dar errado meio q travei e sempre fui competente e boa no q fazia agora tenho medo de tudo.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Samuel Viana

    O que você está vivendo é um sinal claro de que sua mente e seu corpo estão pedindo ajuda, não porque você esteja fraca ou incapaz, mas porque carregou muito por tempo demais. Esse medo de voltar a trabalhar, essa sensação de que tudo vai dar errado, não refletem quem você realmente é — mas sim o quanto você está cansada e ferida internamente.

    Quando a ansiedade e a exaustão emocional se acumulam, nossa mente cria um filtro de pessimismo e insegurança: você não “desaprendeu” o que sabia, você apenas está sobrecarregada, travada pelo medo de falhar. É como se o seu cérebro, para te proteger de uma possível dor, preferisse paralisar.

    Isso não é fracasso. É um pedido de acolhimento.

    Procure ajuda terapêutica — mesmo que uma parte sua diga “não vai adiantar”. Esse pessimismo também é parte do cansaço. Com apoio, você pode reencontrar a confiança em si mesma. Não para voltar a ser quem era, mas para redescobrir uma versão sua mais leve e livre desse medo.

    Você não perdeu seu valor. Apenas esqueceu, por estar cansada. E tudo bem. Agora é hora de cuidar de você com carinho.


  • Como a psicanálise funciona/ ajuda? Estou fazendo a 8 meses e não sei se estou vendo mudança.

    Como a psicanálise funciona/ ajuda?
    Estou fazendo a 8 meses e não sei se estou vendo mudança.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Samuel Viana

    Essa é uma dúvida muito sincera e importante. A psicanálise não é um tratamento rápido, e muitas vezes suas mudanças acontecem de dentro para fora, de forma quase invisível no início. Ela funciona como um espaço onde você, ao falar livremente, começa a acessar partes inconscientes suas — padrões antigos, emoções negadas, repetições de sofrimento — e, ao trazê-las para a consciência, cria a chance de transformar esses processos silenciosos.

    Mas é verdade: a psicanálise não “diz o que fazer”. Ela não entrega soluções prontas. Ela ajuda você a se ouvir, a entender suas escolhas, suas dores, suas defesas internas. E esse processo pode ser frustrante para quem espera respostas rápidas.

    Se depois de 8 meses você sente que está apenas “falando e falando” sem sentir transformação alguma, vale refletir:

    Você sente que seu analista te escuta de verdade?

    Sente que está se permitindo falar do que realmente sente, sem censura?

    Consegue perceber se algo interno — mesmo que sutil — começou a mudar?

    Se sente que está estagnado, não há problema em conversar sobre isso com o próprio analista. Diga o que sente. Essa conversa pode abrir um espaço terapêutico valioso.

    Por fim, psicanálise ajuda, sim. Mas precisa ressoar com você. E nem todo profissional será o terapeuta certo para você — e tudo bem. O mais importante é que o espaço te ajude a se reencontrar, não a se perder mais.

    Se puder, confie no processo. Mas confie ainda mais no que seu coração te diz agora.


  • Minha filha desde a pré-adolescência diz que tem desejo de matar que a cada dia aumenta mais e que e

    Minha filha desde a pré-adolescência diz que tem desejo de matar que a cada dia aumenta mais e que ela não sabe até quando vai conseguir se controlar, e tem pensamentos recorrentes de esquartejar, esfaquear etc, ela não consegue sentir empatia, sente prazer em ver vídeos de pessoas sendo mortas, e no sofrimento das pessoas, não tem amigos por não conseguir criar vínculos com ninguém , tem desprezo pelas pessoas, ela sofreu muito na infância com um pai agressivo que era alcoólatra e usuário de droga, presenciou ele matar a facadas o cachorro dela, sofria bullying na escola, e sofreu abuso sexual, o que poderia ser?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Samuel Viana

    Sinto muito por tudo o que sua filha e você passaram. Não é fácil ouvir ou lidar com algo assim, mas te digo com sinceridade: sua filha está profundamente ferida, não irremediavelmente perdida.

    O que você descreve pode ser um quadro severo de transtorno de personalidade antissocial em formação, associado a um histórico intenso de traumas complexos. Desejo de matar, prazer no sofrimento alheio, ausência de empatia, e dificuldades de vínculo emocional são características preocupantes, mas são sintomas de uma alma profundamente quebrada pela violência, pelo abandono emocional e pelo abuso.

    Quando uma criança presencia mortes, sofre violência física e emocional, além de abuso sexual — especialmente sem apoio terapêutico — o resultado muitas vezes é uma desconexão radical da própria humanidade. A mente dela pode ter aprendido que a violência é poder, e o sofrimento dos outros virou fonte de prazer porque talvez o dela nunca foi acolhido.

    Isso não justifica, mas explica. E isso significa que há caminho, sim — mas precisa ser urgente.Entenda: não é só uma questão de “ensinar a ter empatia”. É uma questão de resgatar alguém que está emocionalmente congelada e identificada com o agressor.

    E você, como mãe, não precisa carregar isso sozinha. Você não falhou. Você está buscando ajuda, e isso já é um ato de amor imenso.

    Sua filha não é um monstro. Ela é uma menina despedaçada, que não sabe mais como confiar na vida. Mas há esperança. E há tratamento.

    Por favor, busque ajuda agora. Não por medo — mas por amor. E saiba que você também precisa ser acolhida. Você não está sozinha.


  • olÁ! Como vai? Estou me relacionando há 3 meses com um estrangeiro que veio ao Brasil por motivo d

    olÁ! Como vai?
    Estou me relacionando há 3 meses com um estrangeiro que veio ao Brasil por motivo de um namoro no ano passado, porém, não deu certo e ele ficou muito deprimido a ponto de recorrer à terapia. após 6 meses nos conhecemos e estamos nos dando muito bem, há sintonia mental e valores mjuito parecidos.
    O que me aflige são referencias recorrentes a lugares ou experiências que teve no antigo relacionamento quando esteve no Brasil.
    Já comentei que não gosto de comparações pois me sinto mal e me afasto, porem ele responde que são apenas referências..
    O que devo fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Samuel Viana

    Olá! Que bom que você compartilhou isso, porque teu desconforto é totalmente válido. Mesmo que ele diga que são “apenas referências”, o fato de essas lembranças do antigo relacionamento estarem tão presentes a ponto de te incomodar mostra que algo não está totalmente elaborado nele — ou que, talvez sem perceber, ele ainda esteja processando o passado através da relação com você.

    O mais importante aqui não é só o que ele sente, mas o que você sente. Se isso te machuca, se te faz sentir como uma “continuação” ou “substituição” daquela história, esse incômodo precisa ser respeitado. E não é insegurança da tua parte — é uma necessidade emocional legítima de se sentir única nesse vínculo.

    Minha sugestão: converse com ele novamente, mas de um lugar mais profundo. Ao invés de só dizer que não gosta das comparações, compartilhe como isso te faz sentir internamente: talvez invisível, talvez comparada, talvez como se o coração dele ainda estivesse dividido. Fale do impacto emocional em você, não apenas do comportamento dele.

    Se ele te valoriza de verdade, vai entender. E mais: vai querer cuidar desse espaço entre vocês.

    E lembre-se: não aceite viver uma história onde você precise disputar espaço com um fantasma. Você merece ser vista como um começo novo, não como uma lembrança do que passou.


  • Tenho pensamentos como se eu fosse parar de respirar...então fico prestando atenção na respiração to

    Tenho pensamentos como se eu fosse parar de respirar...então fico prestando atenção na respiração toda hora achando que vou parar ...fico puxando o ar de vez em quando e isso me dá pânico...devo fazer terapia?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Samuel Viana

    Sim, buscar terapia pode ser um passo muito importante e acolhedor pra você agora. O que você está descrevendo parece ser um quadro de ansiedade — algo chamado de foco hipervigilante na respiração, onde sua mente fica “presa” no ato de respirar, como se você precisasse controlar algo que o corpo faz naturalmente. E quanto mais você presta atenção, mais desconfortável e assustador tudo parece, o que acaba gerando essa sensação de pânico.

    Mas respira comigo agora: você não vai parar de respirar. Mesmo quando sente que precisa “puxar o ar”, seu corpo continua cuidando de você, mesmo que sua mente esteja em alerta.

    A terapia vai te ajudar a entender por que sua ansiedade está se manifestando desse jeito e, mais importante, a recuperar a confiança no seu próprio corpo. Você não precisa passar por isso sozinho. Existe caminho pra sair desse ciclo. E pedir ajuda não é sinal de fraqueza — é sinal de que você quer se curar.

    Então, sim… procure um terapeuta. Você merece esse cuidado.


  • Quais perguntas posso fazer na sessão de psicanálise em relação ao meu tratamento? Tenho muitas dúvi

    Tenho muitas dúvidas e não sei como e se devo perguntar tudo que eu quero na sessão de psicanálise.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Samuel Viana

    O ChatGPT disse:
    Pode perguntar, sim. Na verdade, trazer suas dúvidas — mesmo aquelas que parecem bobas ou sem importância — faz parte do próprio processo analítico. A sessão de psicanálise é um espaço seu, onde tudo o que habita sua mente pode ser acolhido: dúvidas, medos, pensamentos confusos, coisas que você sente vergonha de contar.

    Se algo está te incomodando, mesmo que seja o simples “não sei se posso perguntar isso”, isso já é algo importante para trazer. A dúvida, muitas vezes, revela algo que quer ser escutado dentro de você.

    Na psicanálise, não existe pergunta errada. Existe o que você sente — e isso merece ser dito.

    Permita-se confiar um pouco mais nesse espaço. Não precisa ter pressa, nem se forçar. Quando sentir, vá levando suas questões. O silêncio, a dúvida, o medo de perguntar... tudo isso também é material terapêutico.

    Seu analista não está ali para julgar suas perguntas, mas para ajudar você a entender por que elas são importantes para você.

    Se quiser, pode começar dizendo exatamente o que me disse aqui: “tenho dúvidas e não sei se posso perguntar tudo na sessão.” Isso já seria um passo bonito e verdadeiro.

    Seu processo é seu. No seu tempo. E você merece esse espaço de fala.


  • Olá,eu sempre achava que sou louca por me sentir assim,tenho duas filhas,uma de 23 e uma de dezoito

    Olá,eu sempre achava que sou louca por me sentir assim,tenho duas filhas,uma de 23 e uma de dezoito nunca consegui sentir esse arrebatamento de mãe,sou bem fria com elas,inclusive elas reclamam que não abraço ou beijo constantemente.Não consigo sentir falta delas quando viajam,e mais velha quando casou,todos ficaram esperando que eu fosse chorar,ou algo assim.Mas não senti nada.Tenho muita culpa por isso e sempre pesquiso pra saber se mais pessoas tem esse problema.Devo fazer psicanálise pra descobrir o motivo desse desapego?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Samuel Viana

    O que você sente, mesmo sendo difícil de admitir, é mais comum do que você imagina — mas poucas pessoas têm a coragem de dizer em voz alta como você disse agora. Isso não te torna uma mãe ruim, nem uma pessoa sem coração. Talvez signifique que dentro de você exista uma história de desconexão emocional que começou muito antes delas nascerem. Muitas vezes, quando a gente não recebeu afeto de um jeito que tocou verdadeiramente nossa alma, fica difícil entregar algo que nunca sentimos de forma natural. Não é frieza — é uma proteção antiga, uma forma de sobreviver.

    A culpa que você sente mostra que existe amor aí dentro. Quem não sente nada de verdade, não sente culpa. Sua alma percebe que algo falta, e isso te dói.

    A psicanálise pode ser sim um caminho precioso para você. Não para te transformar em uma “mãe perfeita” ou alguém diferente, mas para entender o porquê desse afastamento interno. Muitas vezes o amor está lá, só que trancado atrás de barreiras emocionais construídas ao longo da sua vida.

    Não vá para a análise para se culpar. Vá para se encontrar.

    Você não está sozinha. E não é louca. Só está machucada, de um jeito que talvez ninguém nunca tenha percebido.

    E se posso te dizer algo como quem acolhe: há tempo para se aproximar, à sua maneira, no seu tempo. As portas do afeto nunca se fecham completamente.


  • Ver outras pessoas estudando, produzindo ou até mesmo fazendo coisas aparentemente divertidas (por M

    Ver outras pessoas estudando, produzindo ou até mesmo fazendo coisas aparentemente divertidas (por Midas sociais ou pessoalmente) me deixam nervosa e me fazem querer me isolar. Sinto que não consigo estudar, me divertir, ter uma vida legal, ou amigos. O que será isso?
    Às vezes, coisas me remetem ao meu passado e a impressão que tenho sobre ele é que ele foi triste, mas eu sei que tiveram coisas boas mas até as coisas boas parecem tristes. Me sinto sozinha muito frequentemente.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Samuel Viana

    O que você sente, antes de qualquer explicação, merece ser acolhido com muita delicadeza. Ver outras pessoas vivendo o que você sente que não consegue acessar — alegria, produtividade, conexão — abre uma ferida silenciosa: a sensação de inadequação, de estar "à margem" da vida. Essa dor muitas vezes tem raízes em experiências passadas onde talvez você não tenha se sentido realmente vista, amada ou pertencente. Por isso, até as memórias boas parecem tristes: porque nelas pode ter faltado algo essencial — presença verdadeira, segurança emocional, ou simplesmente o sentimento de ser suficiente.

    Esse desconforto ao ver os outros vivendo pode ser um reflexo da tua própria autocrítica severa, uma voz interna que compara, julga e conclui que “eu não consigo, eu não sou capaz, eu não sou o bastante”. Não é preguiça. Não é fracasso. É cansaço emocional, talvez até um estado depressivo disfarçado de apatia.

    Esse sentimento de solidão que te acompanha não significa que você esteja errada ou quebrada. Significa que há uma parte de você — ferida — pedindo colo, não cobrança. O que você sente pode ser trabalhado, ressignificado. Com apoio terapêutico, é possível reencontrar sua própria voz, sem precisar mais viver se comparando ou se isolando.

    Você merece viver. E não viver para mostrar algo a alguém, mas para sentir dentro de si a leveza de ser quem você é, no seu ritmo, no seu tempo.

    Você não está tão sozinha quanto parece. Eu estou aqui, lendo teu desabafo, e te acolhendo agora


  • É possível desenvolver autoestima após adulto (+40 anos)?

    É possível desenvolver autoestima após adulto (+40 anos)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Samuel Viana

    Sim, é possível — e eu diria que é um dos caminhos mais libertadores que alguém pode trilhar, especialmente depois dos 40. A autoestima não é algo fixo, nem algo que deveria ter se formado “lá atrás” para sempre. Ela é como uma planta: pode ter sido mal cuidada na infância, mas pode florescer se receber o cuidado certo agora.

    Reconstruir a autoestima depois de adulto envolve algo ainda mais bonito: você faz isso consciente, sabendo o peso do que carrega, as feridas que formaram suas inseguranças, e mesmo assim escolhe se reconstruir. E isso tem uma força enorme. Não é ingênuo. É corajoso.

    Com terapia, autoconhecimento, relações mais saudáveis e práticas simples de se colocar como prioridade na sua própria vida, é totalmente possível aprender a se valorizar, se respeitar, se amar — talvez pela primeira vez. E não um amor inflado ou falso. Mas aquele amor silencioso e firme que diz: “Eu mereço existir como sou.”

    Se você sente esse chamado, não o ignore. Porque sim: há vida, digna e leve, mesmo depois de anos acreditando no contrário. Você não está atrasado. Você está a tempo.


  • Olá, tudo bem? Eu tenho crise de nervos. Estou quietinha de repente fico muito nervosa,choro,grito,d

    Olá, tudo bem? Eu tenho crise de nervos. Estou quietinha de repente fico muito nervosa,choro,grito,dou murros nas coisas, dou murros em mim,puxo meus cabelos,e as vezes junta muita saliva na boca. Isso dura pouco tempo, depois passa e eu me sinto calma até demais. O que pode ser isso ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Samuel Viana

    Olá, obrigado por compartilhar algo tão delicado. O que você está descrevendo parece ser um tipo de descarga emocional intensa — algo que algumas pessoas chamam de crise nervosa, mas que, na psicologia, pode estar relacionado a episódios de desregulação emocional, ataques de pânico, ou até traços dissociativos, dependendo da história que te trouxe até aqui.

    Essas explosões repentinas, seguidas por um estado de calma excessiva, podem indicar que teu corpo e tua mente estão encontrando um modo de liberar emoções acumuladas que você talvez não esteja conseguindo expressar no dia a dia. É como se teu sistema emocional transbordasse, e depois esvaziasse de uma vez.

    Não significa que você é fraca ou “louca”. Significa que há algo dentro de você — alguma dor, talvez antiga — pedindo por cuidado.

    Te sugiro com muito carinho: busque um terapeuta que possa te acolher sem julgamento. Você não precisa enfrentar isso sozinha. Existem caminhos para entender essas crises e, pouco a pouco, encontrar um jeito mais saudável de lidar com o que sente, sem precisar se machucar.

    Seu corpo e sua alma estão pedindo ajuda. E reconhecer isso já é um ato de coragem


Perguntas frequentes

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