Perguntas do paciente (120)

  • Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estam

    Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estamos juntos há quase 3 anos e, ultimamente, sinto que não tenho mais aquela animação ou aquela sensação gostosa que sentia antes. Isso tem me deixado muito ansiosa, porque eu não quero machucá-lo e também não quero terminar. Ao mesmo tempo, não me sinto desconfortável ou presa ao lado dele. Quando conversamos, muitas vezes é bom e consigo ficar conversando até tarde. Eu reconheço que ele é uma pessoa que me ama, cuida de mim, se preocupa comigo e demonstra isso muito pelas atitudes.

    Tenho me perguntado se ainda o amo ou se estou confundindo amor com carência, rotina ou ansiedade. Quero entender meus sentimentos e, se for possível, quero recuperar o carinho e a conexão que sinto que perdi. Não quero fingir nem obrigar meus sentimentos, só queria entender o que está acontecendo comigo e saber se é possível voltar a sentir amor e entusiasmo pela pessoa que amo.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Silvia Coutinho

    Você diz que quer entender o que está acontecendo com seus sentimentos, e penso que esse é um ponto importante. Além de se perguntar o que mudou entre vocês, talvez seja interessante olhar para como você está hoje. O que mudou em você nesses três anos? O que busca e espera de uma relação neste momento da sua vida? E do que sente falta quando fala em recuperar o carinho e a conexão?

    Uma relação de três anos não é vivida da mesma forma do início ao fim. Ao longo do tempo, as pessoas mudam, a relação também se transforma e aquilo que despertava entusiasmo no início pode assumir outras formas. Sustentar uma relação passa também por reconhecer essas mudanças e encontrar novas maneiras de estar com o outro.

    Dar lugar a essas perguntas pode ajudá-la a compreender melhor o que está vivendo e a se situar diante do que deseja para essa relação, sem precisar forçar um sentimento ou tentar reproduzir exatamente aquilo que existia no início.


  • Há 4 anos conheci uma garota, não chegamos a namorar, mas nunca esqueci ela, errei com ela, penso ne

    Há 4 anos conheci uma garota, não chegamos a namorar, mas nunca esqueci ela, errei com ela, penso nela todo dia, até cheguei a namorar outra pessoa depois, mas nunca me senti feliz com o meu relacionamento recente

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Silvia Coutinho

    Você traz alguns elementos que chamam atenção na sua pergunta. Um deles é quando diz que errou com essa pessoa. Outro é o fato de pensar nela todos os dias.

    Talvez seja importante compreender melhor o que esse encontro representou para você e o que faz com que ele permaneça tão presente. O que você nomeia como um erro? O que ficou sem possibilidade de ser dito ou vivido? Existe um desejo de tentar reparar isso ou de compreender melhor o que aconteceu?

    Também vale lembrar que cada relacionamento é único. O fato de ter vivido outra relação não faz, necessariamente, com que a história anterior deixe de produzir efeitos. Dificilmente será possível se envolver com outra pessoa de uma forma satisfatória enquanto esse encontro continua ocupando um lugar tão importante na sua vida.

    Considero que pode ser importante compreender melhor o lugar que essa experiência ainda ocupa para você e os efeitos que ela tem produzido na forma como tem vivido suas relações.


  • Estou saindo de casa para morar com minha namorada, tenho uma mãe de 75 que vai ficar só . Estou com

    Estou saindo de casa para morar com minha namorada, tenho uma mãe de 75 que vai ficar só . Estou com muita dor no coração e ansiedade por deixa lá só. O que devo fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Silvia Coutinho

    É compreensível que essa mudança desperte dor e ansiedade. Deixar a casa da mãe, especialmente quando existe um vínculo importante e a preocupação de deixá-la sozinha, pode mobilizar muitos sentimentos.
    Um ponto essencial para você ter em mente é que investir na sua vida amorosa não significa deixar de cuidar das demais relações que também são importantes para você. Mudanças como essa costumam exigir um tempo de adaptação para todos os envolvidos. Procure seguir um dia de cada vez e permita-se descobrir o seu modo de passar por essa nova etapa. Com o tempo, escutando o que faz sentido para você, será possível encontrar o seu jeito de viver essa transição.


  • Como superar a dor de um término de relacionamento? Isso pode ser considerado um luto?

    Como superar a dor de um término de relacionamento? Isso pode ser considerado um luto?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Silvia Coutinho

    Sim, o término de um relacionamento pode ser considerado um processo de luto. Afinal, não se trata apenas da perda de alguém importante, mas também da perda de um lugar que ocupávamos na vida dessa pessoa, de projetos compartilhados e, muitas vezes, de uma versão de nós mesmos que existia naquela relação.

    Não existe um tempo único nem uma forma correta de atravessar essa experiência. Mais do que "superar" rapidamente, pode ser importante perguntar: o que exatamente se perdeu nesse término? Foi a presença do outro? Os projetos construídos para o futuro? Ou algo de si que parecia existir apenas naquela relação?

    Essas perguntas não eliminam a dor, mas podem ajudar a dar um certo contorno ao sofrimento, abrindo a possibilidade de que essa perda seja elaborada de maneira singular, em vez de apenas superada.


  • Quando um casal perde completamente o respeito um pelo outro após anos de conflitos e ofensas, ainda

    Quando um casal perde completamente o respeito um pelo outro após anos de conflitos e ofensas, ainda é possível reconstruir esse respeito do ponto de vista da psicologia?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Silvia Coutinho

    É possível, mas não existe uma resposta única para essa pergunta. Cada casal tem uma história, e isso faz com que também seja singular a forma como chegou a esse ponto e o que será possível daí em diante.

    Um aspecto importante é que reconstruir uma relação não pode se definir pela tentativa de voltar a ser como era antes. Depois de anos de conflitos e ofensas, essa história passa a fazer parte da relação. Se houver uma reconstrução, ela passa pela disposição de ambos em romper com a forma como vinham se relacionando e pela abertura para construir algo diferente.

    Isso não significa que será possível para todos os casais. Em primeiro lugar, depende de ambos desejarem seguir investindo nessa relação e escolhendo um ao outro. A partir daí, passa pela disposição de lidar com as diferenças de outra maneira e de ambos se implicarem na construção de uma nova parceria.


  • É normal não estar triste e nem feliz? Estou preocupada com minha neutralidade, só cumpro as obrigaç

    É normal não estar triste e nem feliz? Estou preocupada com minha neutralidade, só cumpro as obrigações com meus filhos e não quero mais nada.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Silvia Coutinho

    Você destaca algo importante na sua pergunta: a sua preocupação com essa neutralidade. Talvez valha a pena escutar justamente o que você já está conseguindo nomear, que é viver apenas cumprindo as obrigações e sem querer mais nada.

    Em alguns momentos, o sofrimento não aparece necessariamente como tristeza intensa ou sintomas evidentes. Às vezes, ele pode se apresentar justamente como essa sensação de seguir funcionando, cumprindo o que precisa ser feito, mas sem conseguir encontrar sentido na própria vida.

    Muitas vezes, diante de determinadas angústias ou dificuldades, a pessoa acaba entrando em um modo mais automático de viver, como uma tentativa de lidar com algo que não está conseguindo manejar.

    Penso que essa preocupação que você traz pode dizer algo importante sobre você e o momento que está atravessando.


  • Eu sinto muito a falta de ter um relacionamento, e isso vem me afetando a algum tempo. Tenho 18 anos

    Eu sinto muito a falta de ter um relacionamento, e isso vem me afetando a algum tempo. Tenho 18 anos e nunca tive essa experiência, mas isso é algo que toma muito tempo dos meus pensamentos. Tenho uma boa vida social, não paro minha vida por isso, mas por muitas vezes é angustiante não ter alguém. Gostaria de saber como fazer para não deixar isso me afetar tanto.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Silvia Coutinho

    Olá. Quando você pergunta como fazer para que isso te afete menos, talvez seja importante considerar um outro caminho. Em vez de tentar controlar isso que te mobiliza, pode ser interessante olhar para o que está em jogo aí.
    Esse "se afetar" também pode dizer de algo legítimo, de um interesse, de um desejo de ter alguém. E, ao mesmo tempo, pode apontar para a forma como você tem se colocado nos encontros com outras pessoas e na possibilidade de um vínculo.
    Você menciona que tem uma boa vida social e que não deixa de viver por isso, o que é importante. Ainda assim, há algo que insiste. Às vezes, não se trata apenas de “não ter alguém”, mas de como cada um se situa nessas aproximações, no que se permite ou evita, no que espera ou teme ao se envolver com o outro.
    Quando essa angústia pode ser melhor compreendida, ela tende a deixar de ocupar esse lugar tão dominante, não por ser evitada, mas por ganhar outro contorno.


  • Ultimamente estou me sentindo sobrecarregada, minha memória está péssima, esqueço das coisas muito r

    Ultimamente estou me sentindo sobrecarregada, minha memória está péssima, esqueço das coisas muito rápido. Não estou conseguindo dormir direito pois a minha mente não consegue desligar do trabalho, nem mesmo quando estou fazendo outra atividade como ler. Quando preciso ir para o presencial parece que tudo piora. Às vezes acordo com a mente pesada uma agonia que reflete para o estômago e parece que não sinto as pernas. Domingo sempre bate a agonia por ter que começar tudo de novo. Também comecei a ter muitos pensamentos pessimistas. Sinto cansaço que não acaba, quando acordo é pior ainda. O que fazer? Devo procurar um especialista?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Silvia Coutinho

    Você descreve um estado de sobrecarga que não fica só no pensamento, mas atravessa o corpo. A mente que não desliga, a sensação de que tudo piora ao se aproximar do trabalho, o esgotamento que não se resolve com o descanso, essa agonia, tudo isso aponta para algo que ultrapassa o desgaste comum do dia a dia.

    Quando a experiência chega nesse nível, é importante considerar uma avaliação médica, para descartar possíveis questões orgânicas. Ao mesmo tempo, o modo como isso aparece também sugere um transbordamento psíquico que precisa ser nomeado e trabalhado.

    Pode ser importante se perguntar: o quanto sua atividade tem te ocupado, o que ela te mobiliza e de que forma tem atravessado seu corpo e seus vínculos?

    Mais do que “desligar” a mente ou resolver esse peso, a agonia e o pessimismo, talvez o ponto inicial seja dar lugar ao que insiste em se manifestar dessa forma, considerando que sua história e seus impasses estão envolvidos. A partir disso, algo pode começar a se reorganizar de outra forma, e o que hoje aparece como excesso pode passar a ser manejado sem esse transbordamento.


  • todos os psicologos que passei me falaram que eu fico preso em querer um diagnotico ,tenho ansiedade

    todos os psicologos que passei me falaram que eu fico preso em querer um diagnotico ,tenho ansiedade generalizada ,tdm e possivel trantono de Borderline ,entao ....o psicologo nao precisa de um diagnostico para o tratamento correto ?pq a tcc e o antidepressivo nao ajudou ainda um ano e pouco ja dos dois,Ja me disseram que eu nao quero melhorar.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Silvia Coutinho

    Um diagnóstico pode ajudar a nomear certos padrões, mas não dá conta de tudo. Duas pessoas podem receber o mesmo diagnóstico e, ainda assim, vivenciá-lo de formas muito diferentes. O que antecede esses sintomas, o que os constitui na história de cada um, os impactos e as formas de enfrentamento, tudo isso é sempre singular.

    Por isso, no trabalho clínico, o diagnóstico é uma informação, mas não define a direção do tratamento. Essa é pensada a partir dos pontos de sofrimento e dos impasses de cada pessoa, o que, por sua vez, incide sobre os sintomas que ela apresenta.

    Nesse ponto, pode ser importante se perguntar: o que você espera quando fala em “melhorar”? Que tipo de ajuda você imagina encontrar?

    Os sintomas podem ser pensados como um indicativo de um ponto de sofrimento que não encontra saída naquele momento. O trabalho não se dirige a eliminá-los diretamente, mas a tratar o que está em jogo para cada pessoa. Ao longo desse processo, algo pode se deslocar, e isso pode repercutir nos sintomas, não como eliminação imediata, mas como efeito do percurso.


  • Já sou adulta e tenho uma mania desde de criança de sucção da língua e alisar panos específicos (inc

    Já sou adulta e tenho uma mania desde de criança de sucção da língua e alisar panos específicos (inclusive já separei até uma blusa da minha filha pra isso) me acalma, me dá sono. O ruim é que eu paro no tempo, se eu puder passo o dia todos assim. Já tentei parar mas é difícil, quando não tô com o pano eu faço a sucção e me imagino alisando o pano. Isso me incomoda, parece que sou refém porque por um momento eu paraliso e me sinto desconfortável quando as pessoas percebem... Lembro que minha mãe brigava comigo e falava: - tu vai casar e continuar fazendo isso? Muitas vezes fazia escondido. Essa mania me dá uma sensação tão boa, mas não tenho controle sobre ela. O que faço para parar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Silvia Coutinho

    O que você descreve parece ir além de uma “mania”. É algo que te acalma, produz uma sensação boa e, ao mesmo tempo, te prende e te incomoda. Isso já indica que não se trata de algo simples de eliminar, mas de algo que cumpre uma função na sua forma de lidar com o que sente.

    No seu relato, aparecem elementos importantes: esse “parar no tempo”, a repetição, a necessidade do pano, a lembrança das falas da sua mãe. Tudo isso diz da sua história, que é absolutamente singular, e da forma como esse modo de se acalmar foi se construindo ao longo do tempo.

    Mais do que buscar simplesmente parar, pode ser interessante se perguntar o que esse gesto te permite sustentar ou evitar. Esse tipo de comportamento costuma ter uma lógica, uma função de defesa diante de algo que, em algum nível, se torna difícil de lidar.

    Ao trabalhar esses impasses, um trabalho psicológico pode permitir dar algum contorno às angústias envolvidas, tendo como uma das consequências se ver menos tomada por esse tipo de comportamento.


  • Eu vivo em alerta no meu relacionamento. Mesmo sem motivos concretos, eu sinto que algo ruim vai aco

    Eu vivo em alerta no meu relacionamento. Mesmo sem motivos concretos, eu sinto que algo ruim vai acontecer, como uma traição. Isso me deixa ansiosa e eu não consigo relaxar. Quando ele sai entro em p}ânico, não durmo, vivo no alerta, choro muito e não consigo controlar que penso. Se ele meche no celular sem eu estar perto sinto como se algo está errado, e isso me cansa. o que fazer ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Silvia Coutinho

    Viver em alerta dentro de uma relação, sem conseguir relaxar, com o pensamento sempre antecipando uma possível traição, é algo que desgasta e pode gerar muita angústia. O corpo entra em tensão, o sono se altera, e a relação passa a ser atravessada por uma sensação constante de ameaça.

    Quando a confiança se torna tão difícil, pode ser importante considerar que não está em jogo apenas o que o outro faz ou deixa de fazer, mas a forma como você se posiciona nessa relação e o quanto consegue ou não se sentir segura nela. Esse tipo de experiência muitas vezes se articula com a história afetiva de cada um, com outras relações e com marcas que seguem operando mesmo quando a situação atual é diferente.

    Mais do que tentar se controlar ou buscar garantias constantes, pode ser importante se perguntar: como você tem se colocado nesse vínculo e o que sustenta essa sensação de ameaça?

    Às vezes, o mais difícil não é o que o outro faz, mas o que se espera da relação, o que se teme que possa acontecer nela e como isso toca a sua posição nessa relação.


  • Minha cachorra morreu como superar isso e também a culpa?

    Minha cachorra morreu como superar isso e também a culpa?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Silvia Coutinho

    A perda de um animal pode ser profundamente dolorosa. Com ela, perde-se uma presença no cotidiano, um vínculo feito de cuidado e afeto.
    A culpa costuma aparecer como tentativa de dar sentido ao que não pôde ser controlado. Talvez a questão não seja “superar”, mas reconhecer o lugar que esse vínculo ocupava e permitir que a dor e a culpa possam ser nomeadas.
    Quando isso acontece, o luto pode, pouco a pouco, encontrar algum contorno.


  • Quando o comportamento disruptivo é considerado um problema sério?

    Quando o comportamento disruptivo é considerado um problema sério?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Silvia Coutinho

    O comportamento disruptivo passa a ser um problema sério quando se torna uma resposta frequente, compromete a vida cotidiana, causa prejuízos nas relações e gera sofrimento. Quando isso acontece, é um sinal de que algo precisa ser escutado, e não apenas eliminado. Na escuta clínica de orientação psicanalítica, não tratamos o comportamento como um “erro” a ser corrigido, mas como uma mensagem: a expressão de um conflito interno ou de algo que ainda não pôde ser colocado em palavras. Ao escutar o que ele denuncia, abrimos espaço para a construção de novas respostas e para outras formas de lidar com aquilo que o chamado “comportamento problemático” revela.


  • Como o medo da rejeição afeta os relacionamentos interpessoais ?

    Como o medo da rejeição afeta os relacionamentos interpessoais ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Silvia Coutinho

    Pode afetar de diversas formas! É um medo que pode ser sentido por várias pessoas, por diferentes razões e cada um irá construir uma forma de tentar se defender disso nos vínculos afetivos... Uma pessoa pode se colocar de uma maneira muito intensa em todas as relações, se entrega totalmente e seu desejo fica anulado... Outra pode ter uma dificuldade de se permitir estar em um vínculo , cria uma distância enorme com as pessoas e não se abre para ser amado e nem amar... São muitas possibilidades de histórias, respostas e tentativas de lidar. Caberá a cada um que esteja mobilizado com seus medos e impasses se interrogar e ampliar o seu olhar para a sua individualidade, para depois construir novas formas de enfrentamento.


  • É possível uma pessoa superar o luto? .

    É possível uma pessoa superar o luto? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Silvia Coutinho

    Penso que o luto não se “supera” como quem vence uma etapa, ele se atravessa.
    Cada pessoa vai precisar encontrar seu modo de seguir, de lidar com o impacto da perda, de encarar um vazio que não se preenche, mas pode se transformar.

    Às vezes, a dor aparece como irritação, corpo exausto, lapsos de memória, sonhos que insistem. Outras vezes, se disfarça de força: a vida segue “normal”, por fora, enquanto algo permanece pesado, por dentro.
    A pergunta talvez não seja “quando e como vou superar?”, mas o que, exatamente, se perdeu em mim junto com quem partiu e o que permanece e continua me atravessando.

    Na escuta psicanalítica, não buscamos eliminar o luto, e sim dar lugar para que ele possa ser nomeado. Quando a dor ganha palavras, ela pode encontrar direção e, pouco a pouco, tornar-se um caminho possível diante da falta.


  • Como a perde se relaciona com o luto ? .

    Como a perde se relaciona com o luto ? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Silvia Coutinho

    Perdas fazem parte da vida muito antes da morte de alguém: perdas de lugares, de vínculos, de projetos, de imagens de si. Cada uma delas produz marcas e modos singulares de lidar com a falta, com a ausência.
    Quando ocorre a perda de um ente querido, essas experiências anteriores podem ser reativadas e influenciar o modo de enfrentar essa perda.
    O luto, então, não diz respeito apenas à ausência do outro, mas à forma como cada sujeito se relaciona com o que falta. É nesse ponto que ele se torna singular: não se mede pelo acontecimento em si, mas pelo modo como a perda atravessa a história de cada pessoa.


  • Por que o autocuidado é essencial no Luto? .

    Por que o autocuidado é essencial no Luto? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Silvia Coutinho

    O luto costuma ser um momento de grande impacto emocional e fragilidade, capaz de atravessar o corpo, a rotina, os vínculos e a forma como a pessoa se relaciona consigo mesma. Nesse contexto, o autocuidado pode se tornar importante não apenas como uma tentativa de “ficar bem”, mas como um indicador de como cada um está conseguindo se sustentar diante dessa experiência.

    Muitas vezes, quando alguém está muito tomado pela dor, acaba se desligando de si: deixa de comer direito, de descansar, de se cuidar ou até de reconhecer os próprios limites. Por isso, pequenos cuidados cotidianos podem funcionar como uma forma de não se abandonar completamente em meio ao sofrimento.

    O autocuidado não é uma solução para o luto, mas pode servir como um apoio enquanto a pessoa atravessa esse momento e busca construir uma forma possível de lidar com a perda.


  • Quais são os sinais de que a ansiedade por doença está afetando a vida de alguém?

    Quais são os sinais de que a ansiedade por doença está afetando a vida de alguém?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Silvia Coutinho

    A ansiedade por doença costuma começar a afetar mais intensamente a vida de alguém quando a preocupação com a saúde passa a ocupar um espaço excessivo no pensamento e no cotidiano. Pequenos sinais do corpo podem gerar grande angústia, levando a buscas constantes por exames, pesquisas na internet, necessidade frequente de confirmação médica ou dificuldade em confiar nos resultados recebidos.

    Em alguns casos, a pessoa passa a viver em estado de alerta, observando o próprio corpo o tempo todo, antecipando doenças graves ou interpretando sensações comuns como sinais de algo sério. Isso pode produzir sofrimento importante, afetar o sono, os vínculos, a rotina e até a capacidade de relaxar ou aproveitar momentos da vida.

    Às vezes, a questão não diz respeito apenas a uma doença em si, mas à forma como cada pessoa lida com a incerteza, com o medo, com a fragilidade e com aquilo que escapa ao controle. Quando isso pode ser trabalhado, a relação com o próprio corpo tende a deixar de ser tão tomada pelo alerta e pela ameaça constante.


  • A ansiedade da morte pode levar a outros problemas de saúde mental ?

    A ansiedade da morte pode levar a outros problemas de saúde mental ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Silvia Coutinho

    Sim. A angústia diante da morte pode se manifestar em inúmeras formas de sofrimento, como inquietações constantes, dificuldade em lidar com perdas e mudanças ou a sensação de estar parado no tempo. Quando não encontra espaço de elaboração, pode atravessar a vida de forma silenciosa e limitante. No processo de Psicoterapia / Análise, esse medo pode ser escutado e simbolizado, deixando de paralisar e abrindo caminho para novas formas de se situar na vida.


  • O que não se pode fazer quando se está de luto? .

    O que não se pode fazer quando se está de luto? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Silvia Coutinho

    Quando se trata do luto, talvez seja importante ter cuidado justamente com a ideia de que existe um jeito “certo” ou “errado” de viver essa experiência. O sofrimento psíquico não se resolve a partir de uma receita universal, e aquilo que faz sentido para uma pessoa pode não funcionar para outra.

    Alguns vão precisar falar muito sobre a perda. Outros, de mais silêncio. Há quem consiga retomar a rotina rapidamente, enquanto outros precisarão de mais tempo para se reorganizar. Nenhuma dessas respostas, por si só, define um luto “melhor” ou “pior”.

    Um ponto importante de atenção é quando a pessoa passa a se abandonar completamente, fica sem conseguir sustentar minimamente a própria vida ou permanece tomada por um sofrimento que não encontra nenhuma possibilidade de elaboração.

    No luto, cada um precisará construir uma forma possível de atravessar a perda, considerando seus limites, fragilidades e a singularidade da relação com o que foi perdido.


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