Perguntas do paciente (37)

  • Olá, sou jovem e não sei lidar com minha própria cabeça, quando estou com meu namorado estou bem, ma

    Olá, sou jovem e não sei lidar com minha própria cabeça, quando estou com meu namorado estou bem, mas quando tentamos algo mais íntimo, meus traumas tomam conta e eu choro e fico com medo(fui abusada com 5 anos e com 11 anos). Eu não sei o que fazer, sóbria eu fico mal, bêbada eu fico pior, pois eu tenho crises de pânico e vejo meus abusadores e começo a ter memórias dos abusos, não quero que meu namorado tenha uma namorada defeituosa. O que eu faço?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Vanessa Carvalho Holanda

    Olá. Antes de qualquer coisa, gostaria de dizer algo muito importante: você não é defeituosa. O que aconteceu com você foi uma violência, e ter dificuldades diante da intimidade não significa que exista algo errado com você.

    As reações que você descreve — choro, medo, crises de pânico e lembranças dos abusos quando tenta vivenciar uma situação íntima — podem estar relacionadas às experiências que você sofreu na infância. Mesmo sabendo racionalmente que está segura hoje, algumas situações podem despertar sensações e lembranças associadas ao que aconteceu no passado.

    Por isso, eu não recomendaria que você se obrigasse a ter relações sexuais ou tentasse “superar” esse medo à força. Você tem direito de estabelecer seus limites e interromper qualquer situação íntima quando não estiver se sentindo segura.

    Também evitaria utilizar álcool para conseguir lidar com a intimidade, principalmente porque você percebe que, quando bebe, as crises e as lembranças ficam ainda mais intensas.

    Acho importante procurar um psicólogo que tenha experiência com trauma e violência sexual. A psicoterapia pode oferecer um espaço seguro para compreender essas experiências, trabalhar as reações que ainda aparecem no presente e, gradualmente, reconstruir uma relação de maior segurança com seu próprio corpo e com a intimidade.

    Se você se sentir segura para isso, também pode conversar com seu namorado sobre o que acontece. Um parceiro não precisa ser alguém que “conserte” o que aconteceu, mas pode ser alguém que compreenda seus limites, respeite seu tempo e não transforme a intimidade em uma obrigação.

    E lembre-se: o fato de você ter passado por experiências traumáticas não determina a sua capacidade de amar, de ser amada ou de construir uma relação saudável. Você não precisa estar “consertada” para merecer amor.

    Se esse sofrimento vier acompanhado de pensamentos de morte ou de se machucar, procure atendimento de urgência e não permaneça sozinha.


  • Bom... Eu sempre senti a necessidade de me conectar a alguém num nível mais íntimo. Eu lembro de sen

    Bom... Eu sempre senti a necessidade de me conectar a alguém num nível mais íntimo. Eu lembro de sentir este desejo já nos meus 11/12 anos de idade. Desde então venho tentando lidar com o fato de nunca ter me relacionado com alguém profundamente e isso me deixa bastante triste às vezes. Não quero soar fútil, mas é algo que tem me trazido angústia genuína e não tenho sabido lidar com isso. Estou ficando preocupado pois tenho 25 e, como adulto, eu já deveria ter a resposta pra isso. Sei que tenho que focar em mim mesmo e me amar antes de qualquer coisa, contudo... Eu me sinto vulnerável e gostaria de estar num relacionamento que me proporcipnasse a experiência de partilha de vida. Eu já vivi alguns um tanto quanto superficiais e, em nenhum deles, senti que era a pessoa certa. Eu ainda estou buscando contruir uma carreira, estabilidade, felicidade... Mas será que eu tenho que esperar que minha vida fique estável para enfim procurar alguém? Eu deveria procurar por uma pessoa? Quando serei feliz? Estas coisas passam pela minha cabeça e eu não sei como lidar com todas elas.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Vanessa Carvalho Holanda

    Olá! Primeiro, gostaria de dizer que o que você sente não é fútil. O desejo de construir uma relação de intimidade, compartilhar a vida e sentir-se profundamente conectado a alguém é uma experiência humana legítima. Não há nada de errado em desejar isso.

    Também não existe uma idade em que você “já deveria” ter encontrado essa resposta ou vivido um relacionamento profundo. Aos 25 anos, sua história não está atrasada. Existe, inclusive, uma pressão bastante comum para acreditarmos que determinadas experiências precisam acontecer em determinada idade, como se houvesse um calendário para a vida afetiva.

    Pela perspectiva fenomenológico-existencial, talvez seja interessante olhar para o que esse desejo de relacionamento significa para você. Quando você diz que gostaria de “partilhar a vida”, o que imagina que encontraria nessa relação? Companhia? Intimidade? Pertencimento? Segurança? Alguém com quem construir projetos? Ser reconhecido e conhecido profundamente?

    Essas perguntas não servem para desqualificar o seu desejo, mas para ajudá-lo a compreendê-lo.

    E você não precisa esperar sua vida ficar completamente estável, sua carreira estar construída ou sentir que “se ama o suficiente” para se permitir conhecer alguém. A vida não precisa estar resolvida para que uma relação possa acontecer. Duas pessoas podem se encontrar enquanto ainda estão construindo suas vidas, descobrindo quem são e enfrentando suas próprias inseguranças.

    Ao mesmo tempo, existe uma diferença entre desejar profundamente uma relação e acreditar que somente quando encontrá-la será possível ser feliz. Quando colocamos no relacionamento a responsabilidade de preencher aquilo que falta em toda a nossa existência, podemos acabar sofrendo ainda mais e aceitando relações que não correspondem ao que realmente desejamos.

    Talvez você não precise escolher entre “focar em si mesmo” e “procurar alguém”. É possível fazer as duas coisas. Você pode continuar construindo sua carreira, sua autonomia e seus projetos e, simultaneamente, permitir-se conhecer pessoas, estabelecer vínculos e descobrir o que acontece quando você se coloca afetivamente disponível.

    E talvez a pergunta “quando serei feliz?” seja uma das que mais produzem angústia, porque pressupõe que existe um momento futuro em que finalmente chegaremos a uma vida pronta. A existência, porém, não costuma funcionar assim. Há momentos de realização, de solidão, de incerteza, de encontro e de perda — e todos eles fazem parte da construção de uma vida.

    Você não precisa ter todas as respostas aos 25 anos. Talvez, neste momento, seja suficiente reconhecer: “Eu desejo viver uma relação profunda e ainda não encontrei essa pessoa.” Isso é muito diferente de concluir: “Nunca vou encontrar.”

    Se essa busca tem provocado sofrimento intenso ou feito você sentir que sua vida está parada enquanto espera por alguém, a psicoterapia pode ser um espaço importante para compreender essa experiência — não para convencê-lo a deixar de desejar um relacionamento, mas para que você possa viver esse desejo sem que ele determine o valor da sua própria vida.

    Você pode estar em construção e, ainda assim, estar disponível para o encontro.


  • Como eu sei que estou rejeitando o bebê na barriga? Ou somente não aceitei a ideia de ter um bebê ?

    Como eu sei que estou rejeitando o bebê na barriga? Ou somente não aceitei a ideia de ter um bebê ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Vanessa Carvalho Holanda

    Olá! É importante diferenciar duas coisas: não conseguir ainda se adaptar à ideia de estar grávida e rejeitar o bebê não são necessariamente a mesma coisa.

    A gravidez pode provocar sentimentos muito diferentes e, às vezes, contraditórios. É possível sentir medo, tristeza, arrependimento, ansiedade, falta de entusiasmo ou até desejar que a gravidez não estivesse acontecendo e, ao mesmo tempo, desenvolver posteriormente carinho e vínculo com o bebê.

    Pela perspectiva fenomenológico-existencial, talvez seja mais interessante não tentar medir o seu vínculo perguntando “quanto eu amo meu bebê?”, mas compreender como essa gravidez está sendo vivida por você.

    O que mudou na sua vida desde que descobriu a gravidez? O que você sente que perdeu? O que teme perder? Como você imagina o futuro agora? Existe uma diferença entre desejar que a gravidez não tivesse acontecido e desejar que o bebê não existisse? Essas experiências podem ter sentidos muito diferentes.

    Também é importante lembrar que o vínculo com o bebê não precisa surgir imediatamente. Para algumas pessoas, ele aparece durante a gestação; para outras, vai sendo construído aos poucos, inclusive depois do nascimento. Não existe uma forma única ou um prazo obrigatório para sentir-se mãe.

    Se você percebe sofrimento intenso, rejeição persistente, tristeza, ansiedade, culpa, dificuldade de funcionar no cotidiano seria importante procurar acompanhamento psicológico e também conversar com o profissional que acompanha sua gestação.

    Você não precisa se obrigar a sentir algo específico para provar que será uma boa mãe. Talvez, antes de perguntar “eu estou rejeitando meu bebê?”, seja mais importante poder perguntar: “O que essa gravidez está despertando em mim e o que eu estou precisando para conseguir atravessar essa mudança?”


  • Passei um inferno em um antigo trabalho por 3 anos e minha mãe não acreditou no que eu disse dizendo

    Passei um inferno em um antigo trabalho por 3 anos e minha mãe não acreditou no que eu disse dizendo que eu tinha mania de perseguição, que estava exagerando, etc. Fiquei tão mal que no trabalho quase desmaiei e tive problemas de estômago. Saí dele recentemente e ainda tenho sentimento de abandono e traição e concluo com isso que a maioria das pessoas não prestam e são falsas. Como lidar com o sentimento de abandono e traição vindo da mãe?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Vanessa Carvalho Holanda

    Olá! O que você viveu parece ter sido muito doloroso, e talvez exista uma diferença importante entre o sofrimento provocado pelo trabalho e o sofrimento de não ter se sentido acreditado por sua mãe enquanto você estava passando por aquilo.

    Quando procuramos alguém importante para nós em um momento de vulnerabilidade e sentimos que essa pessoa não reconhece aquilo que estamos vivendo, pode surgir uma experiência profunda de solidão: “Se nem minha mãe acredita em mim, em quem posso confiar?” Talvez seja essa experiência que hoje esteja aparecendo como sentimento de abandono e traição.

    Pela perspectiva fenomenológico-existencial, eu não tentaria simplesmente substituir a conclusão “as pessoas são falsas” por “as pessoas são boas”. Procuraria compreender como essa experiência transformou sua maneira de estar diante dos outros.

    Depois de viver uma situação na qual você se sentiu desacreditado durante tanto tempo, pode ser compreensível que hoje você esteja mais desconfiado e atento aos sinais de rejeição ou abandono. Essa proteção pode ter feito sentido em determinado momento, mas talvez esteja começando a cobrar um preço nas relações atuais.

    Também pode ser importante separar duas experiências: “minha mãe não acreditou em mim naquela situação” e “ninguém é digno de confiança”. A primeira diz respeito a uma experiência concreta e dolorosa; a segunda é uma conclusão muito mais ampla que pode ter surgido como tentativa de se proteger de novas decepções.
    Ao mesmo tempo, talvez seja importante olhar para aquilo que você precisa hoje, independentemente de sua mãe conseguir oferecer isso da maneira que você gostaria. Algumas relações podem oferecer acolhimento, reconhecimento e confiança, enquanto outras podem não conseguir.

    A psicoterapia pode ser um espaço importante para elaborar essa experiência, principalmente porque você relata que chegou a apresentar manifestações físicas e um sofrimento intenso naquele período. O objetivo não seria simplesmente fazer você confiar novamente em todo mundo, mas ajudá-lo a construir uma relação mais segura consigo mesmo e a diferenciar cautela de desconfiança constante.

    Talvez uma pergunta para começar esse processo seja:

    “Depois de ter passado por isso, o que eu passei a acreditar sobre mim, sobre minha mãe e sobre as outras pessoas?”

    Às vezes, elaborar uma experiência de abandono não significa deixar de sentir a dor. Significa conseguir fazer com que aquilo que aconteceu não determine sozinho a maneira como você viverá todos os vínculos daqui para frente.


  • Sou muito impulsivo, sou viciado em livro/curso e isso tem atrapalhado meu trabalho pois nao consigo

    Sou muito impulsivo, sou viciado em livro/curso e isso tem atrapalhado meu trabalho pois nao consigo ficar o tempo necessario trsbalhando, sempre me distraio com conteúdos/perfeccionismo. A TCC ou psicoterapia podem me ajudar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Vanessa Carvalho Holanda

    Olá! Sim, a psicoterapia pode ajudá-lo a compreender e modificar esse padrão, especialmente porque você percebe que ele já está interferindo no seu trabalho.

    O fato de você procurar constantemente livros e cursos pode ter diferentes significados. Pode existir uma busca genuína por conhecimento, mas também pode haver uma dificuldade em permanecer diante de uma tarefa quando ela exige continuidade, tolerância ao desconforto ou quando surge a sensação de que ainda não está “bom o suficiente”.

    Pela perspectiva fenomenológico-existencial, eu não começaria tratando o comportamento simplesmente como falta de disciplina ou como um “vício”. Procuraria compreender o que acontece com você no momento em que decide parar o trabalho para buscar outro conteúdo.

    É ansiedade? Tédio? Medo de não fazer suficientemente bem? Necessidade de sentir que está se preparando melhor? Sensação de que sempre existe algo novo que você deveria aprender antes de continuar?

    O perfeccionismo pode ser particularmente importante nessa experiência. Às vezes, buscar mais conhecimento parece uma forma de melhorar o trabalho, mas pode acabar funcionando como uma maneira de adiar o momento de se expor à possibilidade de errar, terminar ou considerar uma tarefa suficientemente boa.

    A TCC também pode ser uma possibilidade interessante, porque trabalha diretamente com padrões de pensamento e comportamento, ajudando a identificar ciclos de procrastinação, perfeccionismo, impulsividade e estratégias de organização.

    Mas, independentemente da abordagem, o objetivo não deveria ser simplesmente fazer você “produzir mais”. Seria importante compreender o que está fazendo com que seja tão difícil permanecer naquilo que você escolheu fazer e construir uma relação mais livre com o trabalho e com a necessidade de aprender.

    Se esse padrão acontece em várias áreas da sua vida, desde muito tempo, ou vem acompanhado de grande impulsividade, dificuldade persistente de atenção, inquietação ou necessidade constante de estímulos, também pode ser interessante fazer uma avaliação profissional mais ampla, sem partir previamente de um diagnóstico.

    Você não precisa deixar de gostar de aprender. A questão talvez seja conseguir escolher quando aprender, em vez de sentir que precisa aprender sempre que deveria estar fazendo outra coisa.


  • Tenho muita dificuldade em concentração no trabalho, agitação, pensamento acelerado. O que posso faz

    Tenho muita dificuldade em concentração no trabalho, agitação, pensamento acelerado. O que posso fazer nessa situação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Vanessa Carvalho Holanda

    Olá! Dificuldade de concentração, agitação e pensamento acelerado podem estar relacionados a diferentes experiências e condições, como ansiedade, estresse, privação de sono, sobrecarga, entre outras. Por isso, não é possível identificar a causa apenas por esses sintomas.

    Pela perspectiva fenomenológico-existencial, antes de tentar simplesmente “eliminar” esses sintomas, seria importante compreender como você está vivendo o seu trabalho atualmente. Em quais momentos a mente fica mais acelerada? Isso acontece somente no trabalho ou também em outros contextos? O que você sente quando percebe que não consegue se concentrar? Existe alguma cobrança, preocupação ou situação que esteja ocupando muito espaço na sua experiência?

    Às vezes, quando estamos muito preocupados ou sobrecarregados, nossa atenção fica constantemente voltada para várias coisas ao mesmo tempo, tornando difícil permanecer naquilo que estamos fazendo.

    Você pode começar observando esses momentos sem se julgar, tentando perceber o que acontece antes da perda de concentração e quais situações parecem intensificá-la. Também pode ajudar organizar as tarefas em períodos menores, reduzir estímulos durante atividades que exigem mais atenção e fazer pequenas pausas ao longo do dia.

    Se isso vem acontecendo com frequência, está prejudicando seu trabalho ou também aparece em outras áreas da vida, vale procurar um psicólogo para compreender melhor o que está acontecendo. Dependendo do conjunto de sintomas, uma avaliação médica também pode ser indicada.

    Mais do que buscar imediatamente uma explicação como “tenho algum transtorno”, talvez seja importante compreender: “O que está acontecendo na minha vida que está tornando tão difícil estar presente naquilo que faço?”


  • Tenho 19 anos e, há cerca de 1 mês e meio, comecei a ter episódios diários (cerca de 4–5 vezes por d

    Tenho 19 anos e, há cerca de 1 mês e meio, comecei a ter episódios diários (cerca de 4–5 vezes por dia) em que surgem “flashes” muito rápidos e involuntários de tragédias, acidentes, assassinatos ou mortes envolvendo pessoas ao meu redor ou, às vezes, eu mesmo. Eles aparecem do nada, em qualquer lugar (rua, trabalho, casa), duram apenas alguns segundos e, enquanto acontecem, fico totalmente focado neles, como se estivesse vendo mentalmente a cena. Só percebo que foi um pensamento depois que acaba. Às vezes paro o que estou fazendo e, em algumas situações, acabo conferindo ou fazendo algo simples para evitar que aquilo possa acontecer (por exemplo, trancar a porta antes de dormir), porque fico com a sensação de “e se acontecer?”.

    Além disso, quando eu era criança (menos de 10 anos), tive episódios em que, acordado, via uma “bola gigante”, via espinhos na parede e sentia uma sensação muito estranha de estar preso ou pressionado, como se meu corpo estivesse sem espaço. Às vezes eu levantava desesperado, andava em círculos e chamava minha mãe porque aquilo parecia muito real. Esses episódios desapareceram. Por volta dos 12–14 anos, passei por uma fase em que tinha uma sensação constante de que seria morto ou assassinado a qualquer momento. Isso também passou. Há cerca de 6 meses, a sensação de pressão e a “bola gigante” voltaram 1 a 3 vezes e desapareceram novamente.

    Recentemente também tive um sonho extremamente realista em que levei um tiro na região do pescoço/cabeça, caí no chão, minha visão ficou muito prejudicada (como um clarão), tentei pedir socorro e acordei muito assustado.

    Gostaria de saber que tipo de condição ou investigação poderia explicar esse conjunto de sintomas e qual profissional seria o mais indicado para avaliar esse caso.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Vanessa Carvalho Holanda

    lá! Pelo conjunto de experiências que você descreve, considero importante que você faça uma avaliação profissional, mas não seria possível determinar por esse relato qual condição estaria explicando tudo isso.

    Esses “flashes” involuntários de tragédias e mortes, principalmente quando surgem contra a sua vontade e provocam a sensação de “e se isso acontecer?”, podem ocorrer em diferentes contextos psicológicos. Em algumas pessoas, por exemplo, pensamentos intrusivos podem assumir conteúdos relacionados a acidentes, violência ou morte e provocar ansiedade e comportamentos de verificação.

    As experiências que você teve na infância e na adolescência também merecem ser relatadas ao profissional, mas o fato de terem desaparecido e algumas terem retornado brevemente não permite, por si só, estabelecer uma relação entre elas e o que está acontecendo atualmente. Da mesma forma, sonhos extremamente vívidos podem acontecer sem necessariamente indicar uma doença.

    Como esses episódios atuais são frequentes — você relata cerca de 4 ou 5 por dia — e estão começando a interferir no seu comportamento, eu recomendaria procurar inicialmente um psiquiatra ou neurologista para uma avaliação clínica, levando uma descrição detalhada de quando começaram, frequência, duração, o que você sente durante e depois dos episódios e se existem outros sintomas associados. Uma avaliação psicológica também pode ser bastante importante para compreender os pensamentos intrusivos, a ansiedade e os comportamentos de verificação.

    O ideal é não tentar chegar sozinho a um diagnóstico pesquisando cada sintoma na internet, pois isso pode aumentar ainda mais a preocupação e a vigilância sobre essas experiências.

    Se possível, anote durante alguns dias quando os episódios acontecem, o que estava fazendo antes, como foi a experiência, quanto tempo durou e o que você fez depois. Essas informações podem ajudar bastante o profissional na avaliação.


  • Sou diagnosticada com TDAH e Bipolaridade e sempre fiz TCC, mas nao sinto que me ajuda muito. Gosta

    Sou diagnosticada com TDAH e Bipolaridade e sempre fiz TCC, mas nao sinto que me ajuda muito. Gostaria de saber se a Terapia DBT é adequada, mesmo que eu não tenha borderline.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Vanessa Carvalho Holanda

    Olá! Sim, a DBT pode ser utilizada mesmo quando a pessoa não tem diagnóstico de transtorno de personalidade borderline. A abordagem não precisa ser escolhida exclusivamente pelo diagnóstico, mas pelas necessidades e pela forma como cada pessoa vivencia suas dificuldades.

    Pela perspectiva fenomenológico-existencial, eu teria ainda mais cuidado em pensar: “qual abordagem serve para o meu diagnóstico?” e buscaria compreender: “como estou vivendo aquilo que me faz procurar terapia e o que não está sendo alcançado no tratamento que faço atualmente?”

    Você relata TDAH e bipolaridade e diz que já fez TCC, mas sente que ela não tem ajudado muito. Isso é uma informação bastante importante. Talvez valha explorar o que exatamente não está funcionando: você sente que não consegue aplicar o que é trabalhado? Que seus sentimentos não são suficientemente compreendidos? Que as técnicas não dialogam com aquilo que você vive? Ou que existe alguma dificuldade na própria relação terapêutica?

    A DBT trabalha aspectos como regulação emocional, tolerância ao sofrimento, atenção ao momento presente, impulsividade e relações interpessoais, e esses recursos podem ser úteis para pessoas que apresentam essas dificuldades, independentemente de terem ou não borderline.

    Mas isso não significa que você necessariamente precise trocar de abordagem. Uma abordagem terapêutica não é uma prescrição determinada apenas pelo diagnóstico. Duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem vivenciar suas experiências de maneiras completamente diferentes e, portanto, precisar de caminhos terapêuticos diferentes.

    Na perspectiva fenomenológica, o diagnóstico pode ser uma informação importante, mas ele não resume quem você é nem explica sozinho a sua experiência. O mais importante é compreender como o TDAH e a bipolaridade aparecem na sua vida, como você se relaciona com essas experiências e quais possibilidades você deseja construir a partir delas.

    Uma questão para se pensar: “O que estou vivendo atualmente está sendo suficientemente compreendido e trabalhado na terapia que faço?”


  • Perdi minha cachorra em janeiro e ainda não consigo aceitar,me conformar. Fico pensando que poderia

    Perdi minha cachorra em janeiro e ainda não consigo aceitar,me conformar. Fico pensando que poderia ter feito mais,cuidado mais e em como poderia ter evitado que ela partisse. Imaginava ela velhinha ao meu lado e ela se foi aos 9 anos. Até mesmo ver as pessoas com seus cachorrinhos na rua,nas redes sociais,tem me causado dor. Sempre penso que era pra eu ainda estar também com a minha.💔

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Vanessa Carvalho Holanda

    O que você está vivendo não significa que você “não conseguiu superar” a perda. O vínculo que você tinha com sua cachorra era real, profundo e fazia parte da sua vida cotidiana — por isso, quando ela morreu, não foi apenas a presença dela que desapareceu, mas também uma série de planos, expectativas e um futuro que você imaginava viver ao lado dela.

    A culpa de pensar “eu poderia ter feito mais” também é muito comum no luto por animais. Quando amamos alguém, depois da perda é natural revisitar a história tentando encontrar algum ponto em que poderíamos ter feito diferente. Mas essa tentativa de encontrar uma causa ou uma responsabilidade pode acabar transformando o amor que existiu em uma espécie de julgamento sobre você mesma.

    E talvez seja importante olhar para isso não como uma questão de “aceitar” ou “se conformar”, mas de aprender a existir com uma ausência que você não escolheu. Aceitar não significa achar justo que ela tenha partido aos 9 anos, nem deixar de sentir falta. Significa, aos poucos, poder reconhecer que ela morreu e, ainda assim, continuar dando lugar à importância que ela teve na sua vida.

    Ver outros cachorros e sentir dor também faz sentido. Eles podem funcionar como lembranças vivas daquilo que você perdeu. É como se, por alguns instantes, o mundo continuasse oferecendo uma cena que você imaginava viver com ela: passeios, envelhecer juntas, a companhia no cotidiano. E então a ausência se torna novamente presente.

    O seu sofrimento fala também do tamanho do vínculo que vocês construíram. Talvez a pergunta, neste momento, não precise ser “como faço para parar de sentir isso?”, mas “como posso cuidar dessa saudade e dessa culpa sem transformar o amor que vivi em culpa pelo que não pude controlar?”

    O luto não apaga o vínculo. Ele transforma a maneira como esse vínculo continua existindo em você.


  • Tenho dificuldade em entender quando eu cismo de estar certo,me defendendo em opiniões, sempre dando

    Tenho dificuldade em entender quando eu cismo de estar certo,me defendendo em opiniões, sempre dando razão pra mim,acho que já perdi até empregos por não mudar minha opinião em tudo,sinto que isso está me atrapalhando, como posso melhorar isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Vanessa Carvalho Holanda

    Primeiro, quero reconhecer algo importante: o fato de você conseguir perceber esse padrão e se perguntar sobre ele já demonstra um movimento de autoconhecimento. Nem sempre é fácil reconhecer quando algo na nossa forma de agir está trazendo prejuízos.
    Enquanto você descrevia essa dificuldade, fiquei pensando que talvez a questão não seja apenas "precisar estar certo". Talvez seja importante compreender o que acontece dentro de você quando alguém discorda da sua opinião.
    Às vezes, defender uma ideia com muita intensidade não é apenas sobre a ideia em si. Pode ser uma forma de proteger algo mais profundo: o medo de estar errado, de não ser compreendido, de perder valor ou até de sentir que está perdendo uma parte de si.
    Em vez de perguntar "como faço para deixar de ser assim?", talvez possamos perguntar: "O que significa, para mim, estar errado?" ou "O que eu sinto quando alguém pensa diferente de mim?"
    Essas perguntas costumam abrir caminhos importantes, porque muitas vezes o conflito não está na opinião, mas na maneira como ela se torna parte da nossa identidade.
    Talvez o primeiro passo não seja mudar de opinião, mas desenvolver a capacidade de permanecer em uma conversa sem precisar vencer. Às vezes, ouvir o outro não significa concordar com ele. Significa apenas reconhecer que existem outras formas de compreender uma mesma situação.
    Esse exercício pode ser desconfortável no início, mas também pode ampliar a forma como você se relaciona consigo mesmo e com as pessoas ao seu redor.


  • Sinto me um pouco frustrado por conseguir minhas conquistas mais tardiamente do que os outros e muit

    Sinto me um pouco frustrado por conseguir minhas conquistas mais tardiamente do que os outros e muito provavelmente minha vida só melhore mesmo entre 35 e 40 anos. Às vezes fico com raiva de mim mesmo por isso mesmo que eu vá atrás das minhas metas porém só de pensar nessa idade que minha vida melhore me deixa desmotivado pois sinto que minha vida começaria quando metade dela já passou. Como lidar com essa sensação e manter motivado mesmo com esse cenário em mente?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Vanessa Carvalho Holanda

    O que mais me chama a atenção no que você escreveu não é apenas o fato de sentir que suas conquistas chegaram mais tarde, mas o peso que essa comparação parece exercer sobre a forma como você enxerga a sua própria vida.

    Quando você diz que sente que sua vida "só começaria" aos 35 ou 40 anos, fico me perguntando: quem definiu quando uma vida realmente começa? De onde vem essa ideia de que existe um tempo certo para viver, conquistar ou ser feliz?

    É importante compreender como essas situações aparecem na sua experiência e quais sentidos tem para você.

    É natural que, ao olhar para a trajetória de outras pessoas, surjam sentimentos de frustração, tristeza ou até raiva. Mas, muitas vezes, a comparação nos distancia da nossa própria história e faz com que passemos a viver uma vida medida pelo relógio dos outros.

    O desespero pode surgir justamente quando nos afastamos de quem somos, tentando corresponder a uma ideia de vida que acreditamos que deveríamos ter. Talvez a pergunta não seja apenas "como manter a motivação?", mas também: "O que significa, para mim, acreditar que estou atrasado?"

    Porque, enquanto você espera que a vida comece em algum momento futuro, existe uma vida acontecendo agora. E talvez ela esteja pedindo para ser vivida, mesmo com as incertezas, as limitações e o fato de as coisas não terem acontecido no tempo que você imaginava.

    As suas conquistas não deixam de ter valor porque aconteceram em um ritmo diferente. A questão é se você conseguirá reconhecê-las como parte da sua própria história, em vez de avaliá-las pela linha do tempo de outra pessoa.

    Talvez valha a pena permanecer um pouco com essa pergunta: se você deixasse de se comparar por um instante, como enxergaria o caminho que construiu até aqui?


  • Qual são as diferenças entre Psicologia existencial e Abordagem existencialista ou psicologia existe

    Qual são as diferenças entre Psicologia existencial e Abordagem existencialista ou psicologia existencialista ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Vanessa Carvalho Holanda

    A Psicologia Existencial é um campo amplo da Psicologia que reúne diferentes autores e perspectivas inspiradas na filosofia existencial e fenomenológica. Ela não é uma abordagem única, mas um conjunto de formas de compreender o ser humano.
    Seu foco está em questões como:
    liberdade;
    responsabilidade;
    angústia;
    sentido da vida;
    morte;
    solidão;
    escolhas;
    autenticidade.
    Entre os principais autores estão Ludwig Binswanger, Medard Boss, Rollo May, Irvin D. Yalom e Viktor Frankl (embora este último tenha desenvolvido a Logoterapia, que possui características próprias).
    A Abordagem Existencialista é uma forma específica de fazer clínica fundamentada na filosofia do existencialismo, especialmente em autores como Søren Kierkegaard, Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir.

    Dependendo do autor que inspira o psicólogo, a prática clínica muda bastante.

    Por exemplo:

    Um terapeuta inspirado em Sartre enfatizará liberdade, responsabilidade e projeto de vida.
    Um terapeuta inspirado em Kierkegaard dará maior atenção à singularidade da existência, à angústia, ao desespero, à subjetividade e ao processo de tornar-se si mesmo.

    Por isso, não existe uma única psicologia existencialista, mas diferentes maneiras de trabalhar dentro do existencialismo.

    Meu trabalho:
    não busca interpretar o paciente a partir de categorias prontas;
    procura compreender como a experiência se apresenta para aquela pessoa;
    entende a angústia como parte constitutiva da existência, e não apenas como um sintoma;
    investiga os significados que o paciente atribui às suas vivências;
    favorece que a pessoa se aproprie de si mesma, em vez de oferecer respostas prontas ou técnicas para eliminar o sofrimento.
    Eu atuo com uma clínica fenomenológico-existencial inspirada em Kierkegaard.


  • Quais são as consequências da rejeição na vida adulta?

    Quais são as consequências da rejeição na vida adulta?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Vanessa Carvalho Holanda

    A rejeição faz parte da experiência humana. Em algum momento da vida, todos nós passamos por situações em que não fomos escolhidos, aceitos ou correspondidos. Mas o que realmente marca a vida adulta não é apenas o fato de ter sido rejeitado, e sim o significado que essa experiência passou a ter.

    Para algumas pessoas, a rejeição pode gerar um medo constante de não ser suficiente. Para outras, pode levar à necessidade de agradar o tempo todo, evitar conflitos, buscar aprovação ou até se afastar dos relacionamentos para não correr o risco de sofrer novamente.

    Também há quem desenvolva dificuldade em confiar nas pessoas, interprete o distanciamento do outro como uma confirmação de que será abandonado ou passe a acreditar que precisa esconder quem realmente é para ser aceito.

    Na perspectiva fenomenológico-existencial, não perguntamos apenas "o que a rejeição causou?", mas "como essa experiência passou a ser vivida por você?".

    Essa diferença é importante porque duas pessoas podem viver situações semelhantes e construir significados completamente diferentes. O sofrimento está menos no acontecimento em si e mais na forma como ele atravessa a existência de cada um.

    Por isso, a psicoterapia não busca apagar as experiências de rejeição, mas compreender como elas influenciam a maneira de estar no mundo hoje. Quando esses significados começam a ser reconhecidos e elaborados, a pessoa pode construir relações menos guiadas pelo medo e mais pela possibilidade de se apresentar de forma autêntica, sem que seu valor dependa exclusivamente da aceitação do outro.


  • Quais as causas do complexo de rejeição de uma pessoa ?

    Quais as causas do complexo de rejeição de uma pessoa ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Vanessa Carvalho Holanda

    Não existe uma única causa. Geralmente, trata-se de um fenômeno que envolve diferentes experiências ao longo da vida. Algumas delas podem ser:
    Experiências precoces de rejeição, como sentir-se pouco acolhido, criticado constantemente, comparado ou emocionalmente negligenciado.
    Relacionamentos marcados por abandono ou traição, que podem tornar a pessoa mais sensível à possibilidade de ser rejeitada novamente.
    Bullying, exclusão social ou humilhações, especialmente na infância e adolescência.
    Experiências repetidas de críticas, que podem levar a pessoa a acreditar que nunca é "boa o suficiente".
    Comparações constantes, dentro da família, da escola ou do ambiente de trabalho, favorecendo um sentimento de inadequação.
    Baixa autoestima, que faz com que situações neutras sejam interpretadas como sinais de desvalorização.
    Entretanto, é importante lembrar que duas pessoas podem viver a mesma situação e atribuir significados completamente diferentes a ela. É justamente aí que entra a compreensão fenomenológico-existencial.
    A pergunta não seria apenas: "O que causou esse medo de rejeição?", mas também:
    O que significa, para você, ser rejeitado?
    O que parece estar em jogo quando alguém não corresponde às suas expectativas?
    Como essa possibilidade influencia a forma como você se relaciona consigo mesmo e com os outros?
    Muitas vezes, o sofrimento não está apenas na rejeição em si, mas no sentido que ela assume. Para algumas pessoas, ser rejeitada significa "não sou suficiente"; para outras, "vou acabar sozinho"; para outras ainda, "não tenho valor". Esses significados influenciam profundamente a forma como a pessoa vive seus relacionamentos.
    Assim, o trabalho terapêutico não consiste apenas em reduzir o medo da rejeição, mas em compreender como essa experiência foi sendo constituída e abrir espaço para que a pessoa possa construir uma relação mais autêntica consigo mesma e com o outro.


  • Como a desconsideração afeta a busca por ajuda? ,

    Como a desconsideração afeta a busca por ajuda? ,

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Vanessa Carvalho Holanda

    A desconsideração pode dificultar muito a busca por ajuda, porque, quando uma pessoa vive repetidas experiências de não ser ouvida, acolhida ou levada a sério, ela pode começar a acreditar que seus sentimentos não têm importância.

    Com o tempo, isso pode fazer com que ela silencie o próprio sofrimento, minimize suas necessidades ou evite pedir ajuda por medo de ser novamente ignorada, criticada ou incompreendida.

    Na perspectiva fenomenológico-existencial, esse movimento não é visto como uma fraqueza, mas como uma forma de a pessoa responder às experiências que viveu e aos significados que construiu ao longo da sua história.

    Por isso, quando alguém diz "não adianta falar" ou "ninguém vai me entender", talvez não esteja apenas evitando um pedido de ajuda. Pode estar expressando uma maneira de estar no mundo que foi marcada por experiências em que sua dor não encontrou espaço para ser reconhecida.

    Buscar ajuda, nesses casos, também pode significar enfrentar o medo de confiar novamente.

    A psicoterapia oferece um espaço em que a pessoa pode ser escutada sem julgamentos e sem precisar provar que a sua dor é legítima. Muitas vezes, esse reconhecimento é o primeiro passo para que ela volte a acreditar que seus sentimentos merecem cuidado e que sua experiência tem valor.


  • O que posso fazer para melhorar a minha saúde mental quando me sinto não amada pelas as pessoas ?

    O que posso fazer para melhorar a minha saúde mental quando me sinto não amada pelas as pessoas ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Vanessa Carvalho Holanda

    Antes de pensar no que fazer, talvez seja importante acolher o que você está sentindo. Sentir-se não amado pode ser uma experiência profundamente dolorosa, porque toca em algo muito humano: o desejo de pertencer, de ser visto e de ser reconhecido pelo outro.

    Mas eu faria uma pergunta: quando você diz "não me sinto amada", do que exatamente você está falando? Você sente falta de demonstrações de carinho? De alguém que permaneça ao seu lado? Ou esse sentimento existe mesmo quando há pessoas que gostam de você?

    Na perspectiva fenomenológico-existencial, essas perguntas são importantes porque o sofrimento não está apenas nos acontecimentos, mas no significado que eles assumem para cada pessoa.

    Às vezes, esse sentimento pode fazer com que passemos a buscar constantemente sinais de que somos importantes para os outros. E, quando o nosso valor depende apenas desse reconhecimento, qualquer afastamento, silêncio ou frustração pode ser vivido como uma confirmação de que não somos dignos de amor.

    Cuidar da saúde mental também passa por olhar para essa experiência com curiosidade, e não apenas com julgamento. Perguntar a si mesmo: "O que significa, para mim, sentir-me amado?" ou "Quando comecei a acreditar que precisava da confirmação do outro para reconhecer o meu próprio valor?"

    Essas não são perguntas simples, mas podem abrir caminhos importantes. A psicoterapia oferece justamente esse espaço: um lugar para compreender como esses sentimentos foram sendo construídos ao longo da sua história e para que você possa desenvolver uma relação mais autêntica consigo mesmo, sem que o seu valor dependa exclusivamente da aprovação ou do afeto recebido dos outros.

    Sentir-se amado é importante. Mas reconhecer o próprio valor, mesmo quando o outro não consegue expressar esse amor da forma que esperamos, também faz parte do cuidado com a nossa existência.


  • O menosprezo pode gerar luto? .

    O menosprezo pode gerar luto? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Vanessa Carvalho Holanda

    Sim, o menosprezo pode gerar uma experiência de luto, principalmente quando ele acontece em relações que são importantes para nós.

    Quando somos constantemente desvalorizados, ignorados ou tratados como se aquilo que sentimos ou fazemos não tivesse importância, não sofremos apenas pela atitude do outro. Muitas vezes, começamos a perder algo de nós mesmos: a confiança, a espontaneidade, a sensação de pertencimento ou a expectativa de sermos reconhecidos naquela relação.

    Por isso, o luto nem sempre é pela pessoa. Às vezes, é pelo relacionamento que imaginávamos ter, pela versão de nós mesmos que foi se apagando ao longo do tempo ou pelo reconhecimento que nunca chegou.

    Na perspectiva fenomenológico-existencial, compreendemos que o sofrimento está relacionado ao significado que essa experiência assume na vida de cada pessoa. O menosprezo pode fazer alguém questionar o próprio valor, sentir-se invisível ou acreditar que nunca será suficiente.

    Elaborar esse luto não significa apenas aceitar o que aconteceu, mas reconhecer o impacto dessa experiência e abrir espaço para reconstruir uma relação consigo mesmo que não esteja baseada apenas no olhar do outro.

    Nem toda dor deixa marcas visíveis. Algumas perdas acontecem dentro de nós e também merecem ser reconhecidas, acolhidas e elaboradas.


Perguntas frequentes

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