Perguntas do paciente (93)

  • Olá É normal um psicólogo durante a consulta interromper o paciente pra falar da vida pessoal?

    Olá
    É normal um psicólogo durante a consulta interromper o paciente pra falar da vida pessoal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Victor Lawrence Bernardes Santana

    Sentir estranhamento quando o psicólogo interrompe o seu relato para falar da vida pessoal é perfeitamente compreensível. O espaço terapêutico é reservado para a sua história, o seu ritmo e as suas demandas. Quando o profissional introduz a própria vivência, a linha entre uma intervenção com propósito e um desvio inadequado depende da função, do timing e de onde o foco permanece.

    Na literatura científica sobre a relação clínica, compartilhar algo pessoal é denominado autorrevelação (Knox et al., 1997). Pesquisas indicam que relatos breves e criteriosos podem ser úteis para humanizar o vínculo ou ilustrar um conceito (Hill et al., 2018). Por outro lado, estudos com pacientes mostram que a autorrevelação também pode comprometer limites, credibilidade profissional e a clareza dos papéis na relação terapêutica quando é mal manejada (Audet, 2011). Quando a fala do profissional se torna frequente, extensa ou passa a interromper o seu raciocínio, o ponto central deixa de ser simplesmente "falar de si" e passa a ser o efeito disso sobre o seu processo. A regra ética central é que a consulta jamais deve servir para o profissional desabafar ou buscar validação própria.

    Na Hipnose Clínica de orientação ericksoniana, histórias e anedotas são por vezes empregadas deliberadamente como metáforas projetivas e contos de aprendizado (Zeig, 1980). A intenção não é falar de si, mas oferecer um exemplo indireto capaz de reduzir resistência, mobilizar associações e ajudar você a encontrar respostas em sua própria experiência (Erickson, 1959). No uso legítimo, o relato é pontual, conecta-se ao seu problema e devolve o protagonismo a você nos instantes seguintes.

    A sessão funciona como um holofote focado sobre o mapa da sua caminhada. O terapeuta pode apontar uma bússola ou citar um ponto de referência breve na paisagem para ajudar na navegação, mas se ele gira a luz para iluminar a própria bagagem, a rota de quem está procurando o caminho fica no escuro.

    Na prática, vale distinguir: se o comentário foi pontual e retomou o seu processo, é um recurso comunicacional; se foi uma quebra de gelo ocasional, faz parte do contato humano espontâneo; mas se as interrupções são recorrentes e colocam você na posição de ouvinte do terapeuta, o enquadre está desajustado.

    Você tem pleno direito de pontuar esse incômodo na sessão, dizendo com tranquilidade que perde a linha de raciocínio com as interrupções. A reação do profissional será um termômetro ético: um psicólogo atento acolherá o retorno e recalibrará a postura; caso ele minimize o que você sente e continue tomando o seu espaço, buscar outro profissional é uma escolha legítima para proteger o seu processo.

    Referências selecionadas: Audet, C. T. (2011). Client perspectives of therapist self-disclosure: Violating boundaries or removing barriers? Counselling Psychology Quarterly, 24(2), 85–100. Erickson, M. H. (1959). Further clinical techniques of hypnosis: Utilization techniques. American Journal of Clinical Hypnosis, 2(1), 3–21. Hill, C. E., Knox, S., & Pinto-Coelho, K. G. (2018). Therapist self-disclosure and immediacy: A qualitative meta-analysis. Psychotherapy, 55(4), 445–460. Knox, S., Hess, S. A., Petersen, D. A., & Hill, C. E. (1997). A qualitative analysis of client perceptions of the effects of helpful therapist self-disclosure in long-term therapy. Journal of Counseling Psychology, 44(3), 274–283. Zeig, J. K. (1980). A Teaching Seminar with Milton H. Erickson. Brunner/Mazel.

    Victor Lawrence Bernardes Santana · Psicólogo · CRP 09/012681


  • É verdade que as 3 da manhã o cérebro desacelera a onda Cerebral gera ondas Alfa e relaxamento autom

    É verdade que as 3 da manhã o cérebro desacelera a onda Cerebral gera ondas Alfa e relaxamento automaticamente naturalmente? mesmo em pessoas que tem dificuldades em relaxar pra dormir e que tem insônia intensa?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Victor Lawrence Bernardes Santana

    A ideia de que o cérebro possui um horário fixo às 3h da manhã em que desacelera e gera ondas alfa e relaxamento de forma automática é um mito comum. Na neurofisiologia do sono, ondas alfa (8 a 12 Hz) caracterizam a vigília quieta de olhos fechados, e não o sono profundo. Conforme o sono avança, a atividade alfa diminui e surgem ondas mais lentas, com predomínio de ondas Delta (0,5 a 4 Hz) no sono profundo e ritmos mistos no sono REM. Embora o ciclo circadiano regule a temperatura corporal e a melatonina, não existe um interruptor biológico programado para forçar relaxamento em um horário específico (Morin et al., 2015).

    Para quem convive com insônia intensa, esse relaxamento automático não ocorre devido a um mecanismo bem documentado: o modelo de hiperalerta ou hyperarousal (Riemann et al., 2010). Na insônia crônica, há evidências de hiperalerta em diferentes níveis do organismo, incluindo maior ativação cortical e autonômica durante a noite. Em vez de desacelerar, o cérebro mantém frequências rápidas de vigília (como ondas beta e gama), microdespertares e vigilância corporal elevada. Mesmo às 3h da manhã, o organismo continua processando a vigília como prontidão para alerta, impedindo a desaceleração espontânea (Riemann et al., 2010; Morin et al., 2015).

    Pela perspectiva da Hipnose Clínica de orientação ericksoniana, o sono e o relaxamento genuíno são processos involuntários — ocorrem quando há condições de segurança e desativação do alerta, e não por imposição da vontade. Quando alguém com insônia acorda de madrugada e tenta forçar o cérebro a desligar ou monitora se já começou a relaxar, a mente consciente passa a atuar como fiscal da própria experiência. Esse esforço deliberado de controlar o incontrolável é justamente o que reativa a tensão. A abordagem ericksoniana propõe a utilização: em vez de travar uma batalha noturna contra a vigília, acolhe-se o repouso do corpo sem a obrigação de adormecer, permitindo que a atenção se absorva em sensações físicas neutras e graduais (Erickson, 1959; Zeig, 1980).

    Pense no adormecer como o pouso de um pássaro em um galho: quanto mais você corre atrás dele tentando agarrá-lo com as mãos, mais ele se assusta e voa para longe; mas quando você permanece quieto e cria um ambiente seguro, o pouso acontece naturalmente. Permanecer em repouso sem transformar o sono em uma obrigação pode ajudar a reduzir a pressão e o estado de alerta, embora o repouso acordado não substitua as funções restauradoras do sono. Se a insônia tem sido frequente e desgastante, a avaliação médica e o acompanhamento psicológico especializado são passos fundamentais para investigar as causas clínicas do hiperalerta e restabelecer uma relação tranquila com a noite.

    Referências selecionadas: Erickson, M. H. (1959). Further clinical techniques of hypnosis: Utilization techniques. American Journal of Clinical Hypnosis, 2(1), 3–21. Morin, C. M., Drake, C. L., Harvey, A. G., Krystal, A. D., Manber, R., Riemann, D., & Spiegelhalder, K. (2015). Insomnia disorder. Nature Reviews Disease Primers, 1, 15026. Riemann, D., Spiegelhalder, K., Feige, B., Voderholzer, U., Berger, M., Perlis, M., & Nissen, C. (2010). The hyperarousal model of insomnia: A review of the concept and its evidence. Sleep Medicine Reviews, 14(1), 19–31. Zeig, J. K. (1980). A Teaching Seminar with Milton H. Erickson. Brunner/Mazel.

    Victor Lawrence Bernardes Santana · Psicólogo · CRP 09/012681


  • Como a TCC pode ajudar um jogador de futebol a perder e lidar com o medo de errar, pressão da torcid

    Como a TCC pode ajudar um jogador de futebol a perder e lidar com o medo de errar, pressão da torcida, medo de ser criticado, medo de ser julgado, necessidade de agradar a todos, e o medo de jogar contra times e campeonatos grandes? Quando o atleta aprende a perder e lidar com esses medos, o desempenho e a performance sobe muito?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Victor Lawrence Bernardes Santana

    Entrar em campo sob o peso da torcida, o receio de vaias e a obrigação de não errar transforma o jogo em ameaça contínua. Para um atleta, o medo da crítica e a necessidade de agradar não são meros pensamentos: enrijecem a musculatura, estreitam a visão periférica e travam a tomada de decisão no milésimo de segundo em que o lance acontece.

    A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) aborda esse desafio trabalhando a relação direta entre o que o jogador pensa antes da jogada e como o corpo reage sob pressão (Beck, 2020). Na prática, o atleta aprende a identificar distorções como a catastrofização (“se eu errar um passe, o estádio vai me queimar”) e a leitura mental da torcida, testando essas interpretações por meio de reestruturação cognitiva e experimentos comportamentais em treinos e jogos (Beck, 2020). Paralelamente, estudos sobre ansiedade esportiva demonstram que o medo de errar induz o monitoramento consciente de gestos técnicos automáticos, gerando a paralisia por pressão ou choking (Beilock & Carr, 2001). Meta-análises apontam que a redução da ansiedade cognitiva e o fortalecimento da autoconfiança devolvem consistência à tomada de decisão (Woodman & Hardy, 2003).

    Por uma perspectiva da Hipnose Clínica de orientação ericksoniana, essa relação com o corpo e com a pressão pode ser compreendida como um trabalho de regulação da atenção e de utilização dos estados presentes (Erickson, 1959). Em vez de gastar energia tentando silenciar o nervosismo ou o ambiente externo, a abordagem propõe acolher essa ativação corporal e redirecioná-la para o foco na tarefa imediata. O trabalho clínico busca favorecer estados de absorção atencional que reduzam o monitoramento autocrítico excessivo, criando condições para que as aprendizagens e habilidades já consolidadas pelo treino se expressem com mais naturalidade em campo (Zeig, 1980).

    Pense em um músico experiente executando uma partitura veloz: se ele parar para pensar na posição milimétrica de cada dedo enquanto toca para um grande público, a mão trava e o ritmo se desfaz. A intervenção psicológica não ensina você a chutar ou driblar — o seu treino diário já construiu isso —, mas retira o fiscal interno da frente para que o seu corpo execute aquilo que a sua memória motora já domina.

    Sobre o rendimento: quando o atleta aprende a lidar com o medo de errar e aceita que a falha pontual é parte natural do jogo, a performance não sobe por mágica, mas ganha estabilidade e precisão. Você para de jogar para evitar o erro e passa a jogar para construir o lance, liberando a tomada de decisão no ritmo da partida.

    Buscar acompanhamento psicológico é fundamental para mapear os gatilhos de cobrança e treinar essas habilidades com método e segurança individual.

    Referências selecionadas: Beck, J. S. (2020). Cognitive behavior therapy: Basics and beyond (3rd ed.). Guilford Press. Beilock, S. L., & Carr, T. H. (2001). On the fragility of skilled performance: What governs choking under pressure? Journal of Experimental Psychology: General, 130(4), 701–725. Erickson, M. H. (1959). Further clinical techniques of hypnosis: Utilization techniques. American Journal of Clinical Hypnosis, 2(1), 3–21. Woodman, T., & Hardy, L. (2003). The relative impact of cognitive anxiety and self-confidence upon sport performance: A meta-analysis. Journal of Sports Sciences, 21(6), 443–457. Zeig, J. K. (1980). A Teaching Seminar with Milton H. Erickson. Brunner/Mazel.

    Victor Lawrence Bernardes Santana · Psicólogo · CRP 09/012681


  • Olá, tenho 19 anos e estou com depressão profunda que me dificulta com tarefas básicas e em sair do

    Olá, tenho 19 anos e estou com depressão profunda que me dificulta com tarefas básicas e em sair do quarto, moro com a minha mãe, mas me sinto estagnada aqui e
    eu queria muito trabalhar, mas deixei oportunidades passar por conta do meu estado, eu passo no caps as vezes e tomo antidepressivo, mas preciso de mais acompanhamento e algo mais efetivo pra sair disso, por isso pensei em internação, mas queria a ajuda de vocês sobre o que posso fazer nessa situação.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Victor Lawrence Bernardes Santana

    Pelo que você descreve, a depressão está causando um prejuízo importante na sua rotina, na sua autonomia e até nas tarefas mais básicas. Isso merece ser acolhido com seriedade e acompanhado de perto, sem que você precise carregar sozinha esse sofrimento.

    Como você já tem vínculo com o CAPS, um passo importante é retornar ao serviço e relatar com a mesma clareza o que contou aqui: a dificuldade para sair do quarto, a limitação nas atividades básicas e a sensação de que precisa de um acompanhamento mais próximo. Você pode conversar com a equipe sobre a reavaliação do seu Projeto Terapêutico Singular (PTS), para que frequência e modalidades de cuidado sejam definidas de acordo com o seu momento.

    Na depressão, intervenções de ativação comportamental trabalham com a retomada gradual de atividades e do contato com aspectos da vida que foram ficando cada vez mais restritos, estratégia com evidência clínica no tratamento do quadro (Dimidjian et al., 2006; Cuijpers et al., 2007). Isso também ajuda a compreender por que reduzir a situação a “falta de força de vontade” é pouco útil: quando até tarefas básicas se tornaram difíceis, a retomada pode precisar começar em uma escala muito menor.

    Sobre a internação: não é possível indicar ou contraindicar uma hospitalização com base exclusivamente em uma mensagem assíncrona. Essa decisão depende de uma avaliação clínica individual conduzida pela equipe de saúde mental, considerando a gravidade do quadro, sua segurança, sua capacidade de autocuidado e o suporte familiar. Em determinadas crises psíquicas agudas, a internação breve em leito de saúde mental em hospital geral pode integrar o cuidado de proteção, enquanto em outras situações o manejo pode ocorrer pela intensificação do cuidado territorial no próprio CAPS (Ministério da Saúde, RAPS).

    Tentar passar do isolamento diretamente para todas as cobranças de trabalho é como querer subir uma escada saltando do chão para o último degrau. Na Hipnose Clínica de orientação ericksoniana, um princípio importante é utilizar respostas e recursos que já estão disponíveis como ponto de partida para o processo terapêutico (Erickson, 1959). Na tradição clínica descrita por Haley, também encontramos o uso de mudanças graduadas e tarefas ajustadas às possibilidades concretas daquele momento (Haley, 1973/1991). Clinicamente, essa lógica permite trabalhar a retomada sem transformar cada pequeno passo em prova de sucesso ou fracasso.

    Por isso, é importante não exigir de si mesma a obrigação de “voltar ao normal” ou conseguir um emprego de imediato. Quando até sair do quarto parece difícil, pequenas atividades possíveis no cotidiano podem fazer parte desse processo de retomada. Se for viável, peça à sua mãe ou a alguém de confiança para acompanhá-la nessa conversa no CAPS. E, se surgirem pensamentos de morte ou de se machucar, se você sentir que não consegue se manter segura ou houver uma piora aguda, procure atendimento de urgência imediatamente — CAPS, UPA, pronto-socorro ou SAMU 192. Você não precisa decidir sozinha sobre internação; o essencial é comunicar à equipe a dimensão do que está vivendo para pactuar um cuidado compatível com o que você precisa.

    Referências selecionadas: Cuijpers, P., van Straten, A., & Warmerdam, L. (2007). Behavioral activation treatments of depression: A meta-analysis. Clinical Psychology Review, 27(3), 318–326; Dimidjian, S. et al. (2006). Randomized trial of behavioral activation, cognitive therapy, and antidepressant medication in the acute treatment of adults with major depression. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 74(4), 658–670; Erickson, M. H. (1959). Further Clinical Techniques of Hypnosis: Utilization Techniques. American Journal of Clinical Hypnosis, 2(1), 3–21; Haley, J. (1991). Terapia Não-Convencional: As Técnicas Psiquiátricas de Milton H. Erickson, M.D. Summus Editorial (Obra original publicada em 1973); Ministério da Saúde. Rede de Atenção Psicossocial (RAPS): Leitos de Saúde Mental em Hospitais Gerais; Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

    Victor Lawrence Bernardes Santana · Psicólogo · CRP 09/012681


  • Tenho receio de mostrar certas qualidades minhas por medo da rejeição e por elas serem facilmente b

    Tenho receio de mostrar certas qualidades minhas por medo da rejeição e por elas serem facilmente bem invejadas no contexto brasileiro como dedicação ao que me proponho a fazer, inteligência, detalhista, pragmático, direto e me preocupar em vestir bem e cuidar de aparência que é um tabu entre os homens. Como diminuir esse medo de rejeição e zombaria social que pode me acometer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Victor Lawrence Bernardes Santana

    O receio de expor qualidades — como dedicação, pragmatismo, inteligência e cuidado com o vestir — pode funcionar menos como vaidade e mais como estratégia de proteção. Em certos grupos, diferenças de estilo ou expressão recebem ironia; em outros, o receio antecipa uma rejeição que não ocorreu. Diferenciar vivências reais de previsões é parte central desse trabalho. Esse recuo atua como quem desafina o próprio instrumento para não sobressair ao ambiente, o que pode produzir sensação de sufocamento e desgaste.

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    A literatura sobre comparação social, posição social percebida e ansiedade diante da avaliação ajuda a compreender esse padrão (Exline & Lobel, 1999; Gilbert, 2000; Rapee & Heimberg, 1997). Ocultar competências ou disfarçar o estilo pode funcionar como comportamento de segurança: uma tentativa de reduzir a ameaça percebida ou o risco de exclusão. Embora traga alívio imediato, o recuo impede a verificação prática: ao se esconder para evitar críticas, você não descobre se o ambiente é hostil ou se a desaprovação é apenas uma expectativa temida. Para diminuir o receio, vale observar o que acontece ao sustentar escolhas sem se justificar: vestir-se como prefere, expressar uma ideia com sobriedade ou aceitar um elogio, comparando a previsão com o resultado real. Também é útil preparar respostas simples para eventuais ironias, como "eu me sinto bem assim" ou "é o meu modo de fazer". O objetivo não é tornar-se imune à crítica, mas ampliar a liberdade de agir sem ser governado por ela.

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    Na orientação ericksoniana (Erickson, 1959, 1933), esse trabalho pode assumir uma via vivencial, utilizando atenção, imaginação e linguagem para ampliar formas de sustentar a própria presença. As habilidades de observação e pragmatismo podem ser utilizadas como recursos de ancoragem interna, favorecendo uma relação mais integrada com a autoimagem. Assim, cuidado pessoal e clareza intelectual podem exigir menos justificativas e ser vividos como formas mais naturais de habitar o próprio espaço. O objetivo não é tocar mais alto que todos, nem desafinar para não incomodar: é encontrar um volume próprio, ajustado ao contexto, sem apagar o que é genuíno em você. À medida que a validação interna se estabiliza, a possibilidade de zombaria pode perder parte do poder de determinar o seu comportamento.

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    Ressalva ética: A psicoterapia é um processo individualizado. O acompanhamento psicológico pode ser indicado para o manejo da ansiedade social, fortalecimento da segurança interpessoal e autonomia emocional.

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    Referências selecionadas: Erickson, M. H. (1933). The Ugly Duckling: Transforming the Self-Image. In E. L. Rossi (Ed.), The Collected Papers of Milton H. Erickson on Hypnosis (Vol. 4, pp. 352–358). Irvington Publishers; Erickson, M. H. (1959). Further Clinical Techniques of Hypnosis: Utilization Techniques. American Journal of Clinical Hypnosis, 2(1), 3–21; Exline, J. J., & Lobel, M. (1999). The perils of outperformance: Sensitivity about being the target of a threatening upward comparison. Psychological Bulletin, 125(3), 307–337; Gilbert, P. (2000). The relationship of shame, social anxiety and depression: The role of the evaluation of social rank. Clinical Psychology & Psychotherapy, 7(3), 174–189; Rapee, R. M., & Heimberg, R. G. (1997). A cognitive-behavioral model of anxiety in social phobia. Behaviour Research and Therapy, 35(8), 741–756.

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    Victor Lawrence Bernardes Santana · Psicólogo · CRP 09/012681


  • Como ser uma pessoa interessante e atraente pra mim mesmo e por consequência pros outros?

    Como ser uma pessoa interessante e atraente pra mim mesmo e por consequência pros outros?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Victor Lawrence Bernardes Santana

    Ser interessante e atraente para si mesmo envolve inverter uma lógica comum: quando a busca por atratividade fica excessivamente dependente do olhar alheio, ela pode produzir rigidez, esforço excessivo e perda de espontaneidade. Ser interessante para si não é performance; é fruto de cultivar curiosidade, presença e vitalidade na própria vida.

    Uma imagem útil é a diferença entre uma vitrine para impressionar quem passa e uma casa habitada com conforto. Quem vive como vitrine permanece em vigilância, ajustando a postura à reação dos outros. Já quem habita a própria casa desenvolve acolhimento e atmosfera própria — e é justamente esse conforto com a própria presença que pode favorecer uma atração mais natural.

    A literatura sobre motivação autônoma, autoestima contingente e curiosidade interpessoal ajuda a compreender esse movimento (Ryan & Deci, 2000; Crocker & Wolfe, 2001; Kashdan & Roberts, 2004). Quando o próprio valor depende continuamente da aprovação externa, a interação pode tornar-se uma avaliação permanente. Em contraste, envolver-se em atividades com significado próprio e demonstrar curiosidade genuína favorece uma presença mais espontânea e a construção de proximidade. Isso não garante ser atraente para todos, porque atração também envolve compatibilidade, contexto e preferências pessoais.

    Na prática, isso envolve passos graduais: investigar o que desperta seu entusiasmo sem depender de aprovação; treinar a mudança de foco nas conversas — de "como estou sendo avaliado?" para "o que há de interessante nesta interação?"; e sustentar suas escolhas com sobriedade. Essa mudança do foco avaliativo para a curiosidade também pode favorecer o rapport. Em um estudo brasileiro sobre potencial de estabelecimento de rapport, atenção ao outro, familiaridade e espelhamento foram organizados como dimensões conceituais do instrumento proposto (Santana & Morais, 2023). Isso não exige fabricar um personagem carismático, mas participar da relação com presença e interesse genuíno.

    Na orientação ericksoniana (Erickson, 1959, 1933), esse trabalho assume uma via vivencial, utilizando atenção, imaginação e recursos singulares para explorar formas de ancoragem interna e favorecer uma relação mais integrada com a autoimagem. O objetivo não é construir um personagem magnético, mas criar condições para que você habite suas próprias inclinações com maior naturalidade. Assim, a atratividade pode deixar de ocupar o lugar de uma meta controlável e tornar-se, em algumas relações, uma consequência possível de uma presença mais espontânea.

    Ressalva ética: A psicoterapia é um processo individualizado. O acompanhamento psicológico pode ser indicado para auxiliar no autoconhecimento, fortalecimento da segurança interpessoal e desenvolvimento da autonomia emocional.

    Referências selecionadas: Crocker, J., & Wolfe, C. T. (2001). Psychological Review, 108(3), 593–623; Erickson, M. H. (1933). The Ugly Duckling. In Collected Papers (Vol. 4, pp. 352–358); Erickson, M. H. (1959). American Journal of Clinical Hypnosis, 2(1), 3–21; Kashdan, T. B., & Roberts, J. E. (2004). Journal of Social and Clinical Psychology, 23(6), 792–816; Ryan, R. M., & Deci, E. L. (2000). American Psychologist, 55(1), 68–78; Santana, V. L. B., & Morais, J. F. (2023). O transtorno do espectro autista (TEA) e o potencial de estabelecimento de rapport (PER). Revista FT, 27(121).

    Victor Lawrence Bernardes Santana · Psicólogo · CRP 09/012681


  • Tenho problemas com ansiedade, mas minha ansiedade parece estar ligada ao meu perfeccionismo (traço

    Tenho problemas com ansiedade, mas minha ansiedade parece estar ligada ao meu perfeccionismo (traço de personalidade que tenho desde muito tempo). Geralmente quando não consigo ter certeza absoluta de tudo, sinto desconforto e ansiedade. Mas... como já tenho comportamentos obsessivos por causa do perfeccionismo e percebi que também sou impulsivo em meio a incerteza, gostaria de saber: quando devo começar a suspeitar de TOC?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Victor Lawrence Bernardes Santana

    A suspeita de Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) costuma surgir quando a busca por certeza passa a funcionar como mecanismo rígido de alívio da aflição. Enquanto o perfeccionismo costuma aparecer como autocobrança, padrões elevados e desconforto diante de falhas, no TOC podem existir obsessões — pensamentos, imagens ou impulsos recorrentes e indesejados — e/ou compulsões: comportamentos ou atos mentais repetitivos que a pessoa se sente levada a realizar para reduzir a aflição, obter certeza ou aliviar a sensação de que algo não está completo ou "não está certo".

    Uma imagem útil é a comparação entre uma régua de alta precisão e um sistema de alarme ultrassensível. No perfeccionismo, você usa uma régua rigorosa para avaliar o próprio desempenho e se desgasta com as imperfeições. No TOC, o alarme dispara diante da incerteza como se houvesse uma ameaça iminente, gerando uma urgência quase incontrolável de checar, repetir ou realizar rituais mentais para silenciar o sinal.

    A sensação de urgência pode parecer impulsividade, mas a função do comportamento ajuda a diferenciá-las. O ato impulsivo tende a acontecer rapidamente, com pouca deliberação; já a compulsão costuma ser repetida porque produz alívio temporário da ansiedade, da dúvida ou da sensação de incompletude. Esse alívio dura pouco e contribui para manter o ciclo.

    A literatura científica e os critérios clínicos ajudam a orientar essa busca (Abramowitz et al., 2009; American Psychiatric Association, 2022; Frost et al., 1990; Salkovskis, 1985). Vale buscar avaliação quando um ou mais desses sinais aparecem de maneira persistente: intrusões recorrentes difíceis de afastar, muitas vezes percebidas como incompatíveis com os próprios valores; checagens, repetições, revisões mentais, contagens ou pedidos de confirmação; sofrimento intenso ao tentar interrompê-los; consumo expressivo de tempo; ou prejuízo em decisões, trabalho, relações e rotina. Mais de uma hora diária é uma referência clínica frequente, mas o quadro merece atenção mesmo abaixo desse tempo quando produz sofrimento ou prejuízo significativo.

    Na psicoterapia de orientação ericksoniana (Erickson, 1959), a necessidade de controle não precisa ser enfrentada apenas como um erro a ser eliminado. Ela pode ser compreendida em sua função: uma tentativa de organizar a experiência, antecipar riscos e produzir segurança. A partir dessa compreensão, atenção, linguagem, metáforas e experiências graduais podem ser utilizadas para ajudar a pessoa a distinguir cuidado de ritual, ampliar os intervalos em que consegue permanecer diante da incerteza e experimentar respostas mais flexíveis. O objetivo não é retirar o controle, mas favorecer que ele se torne mais seletivo, menos rígido e menos custoso.

    Ressalva ética: A psicoterapia é um processo individualizado. A distinção diagnóstica precisa entre traços perfeccionistas, ansiedade e TOC exige avaliação estruturada com psicólogo ou médico psiquiatra.

    Referências selecionadas: Abramowitz, J. S., Taylor, S., & McKay, D. (2009). The Lancet, 374(9688), 491–499; American Psychiatric Association. (2022). Diagnostic and statistical manual of mental disorders (5th ed., text rev.; DSM-5-TR); Erickson, M. H. (1959). Further Clinical Techniques of Hypnosis: Utilization Techniques. American Journal of Clinical Hypnosis, 2(1), 3–21; Frost, R. O., Marten, P., Lahart, C., & Rosenblate, R. (1990). Cognitive Therapy and Research, 14(5), 449–468; Salkovskis, P. M. (1985). Behaviour Research and Therapy, 23(5), 571–583.

    Victor Lawrence Bernardes Santana · Psicólogo · CRP 09/012681


  • É possível mudar qualquer crença central e qualquer crença intermediária disfuncional? E mesmo após

    É possível mudar qualquer crença central e qualquer crença intermediária disfuncional? E mesmo após conseguir mudar essas crenças, depois de um tempo elas voltam fazendo com que o paciente tenha recaídas? Se o paciente tem recaídas por conta de que a crença disfuncional antiga voltou, então não é possível mudar crenças disfuncionais para sempre ou por algum tempo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Victor Lawrence Bernardes Santana

    Crenças centrais e intermediárias podem mudar de forma profunda e duradoura, mas não é possível garantir que qualquer crença será eliminada definitivamente. Na psicoterapia, a mudança pode ocorrer na credibilidade atribuída à crença, na rigidez com que ela é aplicada, na intensidade emocional que provoca e no poder que exerce sobre as escolhas da pessoa. O objetivo não precisa ser apagar todo vestígio do padrão antigo, mas permitir que interpretações e respostas mais flexíveis se tornem predominantes. A psicoterapia geralmente não depende de apagar aprendizagens anteriores, mas de atualizar seus significados e desenvolver alternativas para interpretar e responder às situações.

    Uma imagem que ilustra esse processo é a abertura de uma nova trilha em vegetação densa. Pela psicoterapia, uma nova trilha pode ser aberta e fortalecida pelo uso. Em períodos de tempestade — como estresse, sobrecarga ou exaustão — os passos podem se aproximar novamente do caminho conhecido. Isso não significa que a nova trilha desapareceu: a pessoa pode reconhecer mais cedo o percurso antigo e ter mais recursos para escolher como responder.

    Uma reativação pontual não equivale automaticamente a uma recaída. Em períodos de estresse, cansaço ou transição, uma interpretação antiga pode reaparecer sem recuperar a mesma convicção ou o mesmo domínio sobre o comportamento. Fala-se em recaída quando há uma retomada mais persistente do padrão de sofrimento e do prejuízo associado. Mesmo nesse caso, isso não significa que todo o aprendizado terapêutico foi perdido.

    Na Terapia Cognitivo-Comportamental, crenças podem perder rigidez e credibilidade à medida que novas interpretações e experiências são construídas (Beck, 2020; Dobson & Dobson, 2018). Pesquisas sobre reatividade cognitiva na depressão também ilustram como padrões negativos podem tornar-se novamente mais acessíveis em momentos de vulnerabilidade, sem que isso signifique perda completa da mudança alcançada (Scher et al., 2005).

    Na psicoterapia de orientação ericksoniana (Erickson, 1954, 1959), crenças antigas podem ser compreendidas em sua função histórica: maneiras pelas quais a pessoa tentou proteger-se, adaptar-se ou responder às circunstâncias disponíveis naquele momento. O trabalho pode utilizar atenção, imaginação, metáforas e experiências vivenciais para ampliar repertórios e permitir que novas respostas sejam experimentadas, não apenas compreendidas intelectualmente. Quando uma insegurança antiga reaparece, ela pode ser acolhida como uma informação sobre o momento presente, sem precisar ser interpretada como prova de fracasso ou retorno ao início.

    Ressalva ética: A psicoterapia é um processo individualizado. O acompanhamento psicológico pode auxiliar na identificação e flexibilização de crenças, na consolidação de novos repertórios e na elaboração de estratégias para reconhecer e manejar reativações futuras.

    Referências selecionadas: Beck, J. S. (2020). Cognitive behavior therapy: Basics and beyond (3rd ed.). Guilford Press; Dobson, K. S., & Dobson, D. J. (2018). Evidence-based practice of cognitive-behavioral therapy (2nd ed.). Guilford Press; Erickson, M. H. (1954). The Journal of Clinical and Experimental Hypnosis, 2(2), 109–129; Erickson, M. H. (1959). American Journal of Clinical Hypnosis, 2(1), 3–21; Scher, C. D., Ingram, R. E., & Segal, Z. V. (2005). Clinical Psychology Review, 25(4), 487–510.

    Victor Lawrence Bernardes Santana · Psicólogo · CRP 09/012681


  • Tenho um relacionamento aberto com meu esposo e vem funcionando bem para ambos por alguns anos, poré

    Tenho um relacionamento aberto com meu esposo e vem funcionando bem para ambos por alguns anos, porém por vezes surgem dúvidas e dilemas que nos motivaram a querer fazer terapia de casal.
    Estou com receio de marcar com um profissional e não nos sentirmos acolhidos ou compreendidos em nossa dinâmica por sermos abertos.
    A pergunta é: em geral, os terapeutas de casal estão preparados pra acolher essa demanda, ou preciso procurar indicações de quem trabalhe especificamente com esse nicho?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Victor Lawrence Bernardes Santana

    Olá! Vocês não precisam necessariamente procurar alguém que trabalhe exclusivamente com relacionamentos abertos, mas eu recomendaria verificar se o terapeuta de casal tem experiência, formação ou familiaridade clínica com não-monogamia consensual. A ética profissional exige respeito à autonomia, à diversidade e a não imposição de convicções morais; ainda assim, isso não significa que todo terapeuta tenha preparo específico para compreender esse tipo de dinâmica. É como viver em uma casa construída a partir de uma planta própria, em vez de um projeto padronizado. Se depois de alguns anos uma porta precisa de ajuste, o papel de quem vai ajudar não é declarar que a casa deveria ter outra planta, mas compreender como aquela estrutura funciona antes de propor mudanças. Da mesma forma, dúvidas ou dilemas que surgem em um relacionamento aberto não permitem concluir, por si só, que a estrutura esteja errada; podem indicar acordos, necessidades ou aspectos da convivência que merecem ser revisitados. _________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ••• Em um estudo com pessoas em relações consensualmente não monogâmicas, Schechinger, Sakaluk e Moors (2018) encontraram relatos tanto de práticas terapêuticas afirmativas quanto de práticas inadequadas, incluindo julgamento, falta de conhecimento e patologização da própria estrutura relacional. Essas experiências se relacionaram à percepção de utilidade do terapeuta e à interrupção precoce da terapia. Trabalhos mais recentes continuam recomendando que psicólogos desenvolvam conhecimento específico sobre não-monogamia consensual e examinem possíveis pressupostos mononormativos em sua prática (Moors et al., 2025). Isso é relevante porque a evidência disponível não sustenta a ideia de que relações monogâmicas sejam, por definição, mais satisfatórias. Uma meta-análise publicada em 2026, reunindo 35 estudos e 24.489 participantes, não encontrou diferenças globais significativas em satisfação relacional ou sexual entre pessoas em relações monogâmicas e não monogâmicas consensuais (Anderson et al., 2026). _________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ••• Na Hipnose Clínica e na psicoterapia de orientação ericksoniana, Erickson (1959) descreve o princípio de utilização, incorporando ao trabalho terapêutico aspectos da experiência e das respostas apresentadas pelo próprio paciente. Clinicamente, essa lógica pode ser estendida aqui ao casal: antes de tentar encaixar o relacionamento em um modelo previamente definido, é preciso compreender como aquelas duas pessoas organizam seus acordos, limites, vínculos e formas de cooperação. Na escolha do profissional, vocês podem perguntar diretamente: "Você tem experiência ou formação para trabalhar com não-monogamia consensual?" e "Como costuma trabalhar quando a estrutura aberta não é, em si, o problema que trouxe o casal à terapia?". Essas perguntas tendem a revelar melhor a competência e a postura clínica do que simplesmente perguntar se o terapeuta é favorável ou contrário a relacionamentos abertos. _________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ••• Ressalva ética: Um arranjo relacional não deve ser presumido saudável ou problemático apenas pelo seu formato. O trabalho clínico precisa considerar consentimento, acordos, segurança, impacto da dinâmica para as pessoas envolvidas e a demanda que efetivamente levou o casal à terapia. _________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ••• Referências selecionadas: Schechinger, H. A., Sakaluk, J. K., & Moors, A. C. (2018), Journal of Consulting and Clinical Psychology, 86(11), 879–891; Moors, A. C., Vaughan, M. D., Flicker, S. M., Matsumura, K. T., & Schechinger, H. A. (2025), Social Issues and Policy Review, 19(1), e12108; Anderson, J. R., Hinton, J. D. X., Bondarchuk-McLaughlin, A., Rosa, S., Tan, K. J., & Moor, L. (2026), The Journal of Sex Research, 63(1), 130–142; Erickson, M. H. (1959), American Journal of Clinical Hypnosis, 2(1), 3–21. _________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ••• Victor Lawrence Bernardes Santana · Psicólogo · CRP 09/012681


  • Como a terapia cognitivo comportamental (TCC) trabalha a baixa autoestima, ansiedade social e depres

    Como a terapia cognitivo comportamental (TCC) trabalha a baixa autoestima, ansiedade social e depressão juntos? Crenças da baixa autoestima como: "eu sou feio", "ninguém vai me amar e me achar atraente". Crenças da depressão como: "Sou inútil", "ninguém gosta de mim", "não sou bom o suficiente", "todos são melhores do que eu". E crenças e pensamentos da ansiedade social como: "Estão me julgando", "Eu tenho que agradar todo mundo", "se me criticarem, significa que sou ruim".

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Victor Lawrence Bernardes Santana

    Olá! Na TCC, baixa autoestima, ansiedade social e sintomas depressivos podem ser trabalhados de forma integrada porque, em algumas pessoas, eles acabam formando ciclos que se reforçam mutuamente. Isso não significa que exista uma única "raiz" para os três problemas, mas que certas crenças e estratégias podem aparecer em mais de uma área.

    Por exemplo: quando uma pessoa carrega crenças como "não sou bom o suficiente" ou "ninguém vai me achar atraente", situações sociais podem ativar pensamentos como "estão me julgando" ou regras como "preciso agradar todo mundo para ser aceito". A partir daí, ela pode começar a monitorar excessivamente a própria aparência e comportamento, evitar situações, buscar aprovação ou tentar impedir qualquer possibilidade de crítica. Esses comportamentos aliviam a ansiedade no curto prazo, mas podem impedir experiências que ajudariam a questionar aquelas crenças. Modelos cognitivos de baixa autoestima e ansiedade social descrevem justamente esse tipo de processo de manutenção (Fennell, 1997; Rapee & Heimberg, 1997).

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    Gosto de imaginar isso não como uma fila de problemas, mas como espelhos voltados uns para os outros. A forma negativa de se enxergar pode aumentar o medo de como os outros enxergam você; esse medo pode produzir vigilância, comparação e evitação; e, quando a vida vai ficando mais restrita, com menos experiências de prazer, vínculo ou competência, pensamentos depressivos como "nada vai mudar" ou "sou inútil" podem ganhar ainda mais força. Depois, esses pensamentos voltam a alimentar a própria imagem negativa.

    Na TCC, o objetivo é descobrir onde esse circuito está sendo mantido no seu caso, e não apenas discutir se cada pensamento é "verdadeiro ou falso". Terapeuta e paciente constroem juntos uma formulação individual: identificam situações que ativam as crenças, pensamentos automáticos, emoções, comportamentos de segurança, evitação e consequências.

    A partir daí podem ser utilizados recursos diferentes: reavaliação de pensamentos, experimentos comportamentais, exposição gradual a situações sociais, redução da busca excessiva de aprovação e retomada de atividades que produzam prazer, interesse, vínculo ou senso de competência. Um pensamento como "se me criticarem, significa que sou ruim" deixa então de ser tratado como uma sentença e passa a ser uma hipótese que pode ser examinada na experiência.

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    Na perspectiva da Hipnose Clínica Ericksoniana, esse mesmo processo pode ser compreendido a partir de outro referencial. Milton H. Erickson valorizava trabalhar com o funcionamento que a própria pessoa apresenta, utilizando suas respostas, experiências e recursos como parte do próprio processo terapêutico (Erickson, 1959). Em trabalhos clínicos anteriores, também descreveu intervenções voltadas à autoimagem e a sentimentos de inferioridade, utilizando experiências hipnóticas, mudança de enquadramento e formas de favorecer uma percepção menos rigidamente negativa de si (Erickson, 1933/1980; Erickson, 1937–1938/1980).

    A partir desse referencial, uma leitura clínica contemporânea pode compreender a autocrítica intensa como um estreitamento atencional rígido: a atenção passa a registrar quase exclusivamente sinais que confirmem a sensação de inadequação, deixando em segundo plano experiências reais de competência, aceitação, espontaneidade e vínculo. Nesse contexto, intervenções experienciais e hipnóticas podem ser utilizadas para explorar formas mais flexíveis de dirigir a atenção, perceber a própria autoimagem e experimentar a relação consigo e com o outro a partir de vivências de segurança e autonomia.

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    Ressalva ética: baixa autoestima, ansiedade social e depressão podem coexistir de maneiras muito diferentes entre pessoas. Uma avaliação clínica individual é importante para compreender quais processos estão realmente presentes e quais devem ser priorizados. Se houver sintomas depressivos intensos, perda importante de funcionamento, crises recorrentes ou outras questões que precisem de avaliação médica, o acompanhamento psiquiátrico pode ser considerado em conjunto com a psicoterapia.

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    Referências selecionadas: Fennell, M. J. V. (1997), Behavioural and Cognitive Psychotherapy, 25(1), 1–26; Rapee, R. M., & Heimberg, R. G. (1997), Behaviour Research and Therapy, 35(8), 741–756; Kolubinski, D. C., Frings, D., Nikčević, A. V., et al. (2018), Psychiatry Research, 267, 296–305; Erickson, M. H. (1959), American Journal of Clinical Hypnosis, 2(1), 3–21; Erickson, M. H. (1933/1980), The Ugly Duckling: Transforming the Self-Image; Erickson, M. H. (1937–1938/1980), Correcting an Inferiority Complex.

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    Victor Lawrence Bernardes Santana · Psicólogo · CRP 09/012681


  • A TCC e o psicólogo ensina o paciente a mudar as suas próprias crenças centrais e crenças intermediá

    A TCC e o psicólogo ensina o paciente a mudar as suas próprias crenças centrais e crenças intermediárias disfuncionais sozinho?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Victor Lawrence Bernardes Santana

    Olá! Sim, de forma progressiva — mas com uma distinção importante em relação à ideia de fazer isso "sozinho". Um dos objetivos importantes de uma psicoterapia bem conduzida é ajudar você a desenvolver recursos para reconhecer e manejar com cada vez mais autonomia seus próprios padrões de pensamento e resposta emocional.

    É muito comum observar um descompasso desconfortável: você pode compreender racionalmente que determinada autocobrança ou insegurança é excessiva, mas, diante de uma situação desafiadora, perceber que seu corpo e suas reações continuam respondendo no piloto automático.

    Uma forma didática de visualizar essa dinâmica é pensar nas crenças como trilhas abertas no terreno. Respostas praticadas repetidamente ao longo do tempo tendem a se tornar percursos habituais. Quando uma situação de tensão se apresenta, a reação tende a fluir com mais rapidez pelo caminho mais antigo e familiar, sem que isso represente falta de empenho pessoal.

    Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), como estruturado na obra de Judith Beck (2020), o terapeuta atua inicialmente ao seu lado ensinando métodos práticos de investigação. A partir do empirismo colaborativo, discutido teoricamente por Tee e Kazantzis (2011) como uma relação cooperativa de testagem de hipóteses, você aprende a mapear pensamentos automáticos, examinar a rigidez das suas regras intermediárias e planejar pequenos experimentos comportamentais no cotidiano. Dessa forma, você desenvolve a competência prática para avaliar e flexibilizar progressivamente suas próprias crenças, sem depender permanentemente do terapeuta para realizar esse processo.

    Há, entretanto, uma diferença clínica relevante entre compreender uma crença intelectualmente e perceber que as respostas emocionais associadas a ela também mudaram na experiência concreta. É exatamente nesse ponto que uma perspectiva clínica focada na aprendizagem experiencial e na utilização dos recursos internos pode complementar o trabalho cognitivo.

    Na tradição clínica ericksoniana, como discutido nos trabalhos clássicos de Milton H. Erickson (1959, 1964) e sistematizado por Jay Haley (1973), há uma forte ênfase em colocar o paciente em posição ativa no processo de mudança e em utilizar suas próprias experiências, ideias e recursos. O trabalho não consiste simplesmente em oferecer soluções prontas de fora para dentro; o terapeuta procura criar condições para que você reconheça e mobilize experiências, habilidades e recursos já disponíveis, desenvolvendo maneiras mais flexíveis de responder às situações da vida.

    Com o desenvolvimento dessas habilidades, você gradualmente internaliza as ferramentas terapêuticas, reconhece os momentos em que um antigo automatismo tenta se impor e amplia progressivamente sua autonomia para sustentar novos caminhos por conta própria.

    Ressalva ética: A psicoterapia é um processo clínico individualizado. Avaliação médica, psiquiátrica ou multiprofissional pode ser necessária quando a natureza dos sintomas ou a avaliação clínica indicar necessidade de diagnóstico diferencial ou cuidado integrado.

    Referências Selecionadas:

    Beck, J. S. (2020). Cognitive Behavior Therapy: Basics and Beyond (3rd ed.). New York: Guilford Press.

    Tee, J. M., & Kazantzis, N. (2011). Collaborative empiricism in cognitive therapy: A definition and theory for the relationship construct. Clinical Psychology: Science and Practice, 18(1), 47-61.

    Erickson, M. H. (1959). Further Clinical Techniques of Hypnosis: Utilization Techniques. American Journal of Clinical Hypnosis, 2(1), 3-21.

    Erickson, M. H. (1964). The Burden of Responsibility in Effective Psychotherapy. American Journal of Clinical Hypnosis, 6(3), 269-271.

    Haley, J. (1973). Uncommon Therapy: The Psychiatric Techniques of Milton H. Erickson, M.D. New York: W. W. Norton & Company.


  • Como a TCC trabalha o medo do julgamento, medo de ser criticado, medo de ser rejeitado, e a necessid

    Como a TCC trabalha o medo do julgamento, medo de ser criticado, medo de ser rejeitado, e a necessidade de agradar a todos, crenças como: "eu tenho que agradar todo mundo", "se eu não agradar todo mundo, ninguém vai gostar de mim". Esses medos e essas crenças estão me atrapalhando muito na minha vida pessoal e nos esportes também

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Victor Lawrence Bernardes Santana

    Olá! Essa é uma queixa bastante compreensível, e a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) possui métodos estruturados para trabalhar esse tipo de padrão de sofrimento. Esses medos não indicam fraqueza pessoal; eles podem fazer parte de um padrão em que a atenção fica excessivamente voltada para sinais de avaliação, rejeição e para a tentativa de evitar desaprovação.

    Imagine tentar jogar uma partida enquanto parte da sua atenção permanece voltada para a arquibancada, tentando descobrir a cada instante se estão aprovando seu desempenho. Você ainda está no jogo, mas já não está inteiramente disponível para jogá-lo. Nas relações pode acontecer algo semelhante: enquanto uma parte de você conversa, escolhe ou coloca um limite, outra permanece ocupada tentando prever se aquela escolha fará alguém gostar menos de você.

    — — —

    Na TCC, como estruturado na obra de Judith Beck (2020) e fundamentado nos modelos cognitivos de ansiedade de avaliação social (Clark & Wells, 1995; Hofmann, 2007), a tentativa de agradar a todos pode funcionar como uma estratégia de segurança para tentar evitar a desaprovação antecipada. O psicólogo atua em conjunto com você para mapear a regra condicional que sustenta esse comportamento ("se eu não agradar a todos, serei rejeitado") e examinar as evidências reais por trás dessas premissas.

    Em seguida, o trabalho avança em duas frentes complementares. Na vida pessoal, os experimentos comportamentais podem envolver expressar uma preferência simples ou dizer um "não" em situações graduais, observando na prática o que realmente acontece quando você não tenta garantir a aprovação de todos. Assim, é possível comparar a previsão — "serei rejeitado" — com aquilo que efetivamente ocorre. No esporte, o trabalho pode incluir perceber quando a atenção abandona a tarefa e fica presa à avaliação externa, aprendendo a redirecioná-la para aquilo que está acontecendo naquele momento da partida ou do treino.

    — — —

    Esse trabalho de investigação das crenças ganha outra dimensão quando aquilo que foi compreendido racionalmente também precisa ser experimentado em situações reais. Saber que uma crítica não determina seu valor não significa automaticamente conseguir agir com liberdade quando a possibilidade de desaprovação se torna emocionalmente presente.

    Na Hipnose Clínica de orientação ericksoniana, trabalhos clássicos de Milton H. Erickson sobre ansiedade de prova e desempenho (1965), ao lado das formulações estratégicas apresentadas por Jay Haley (1973), oferecem uma lente clínica para reduzir a fixação rígida no resultado ideal e redirecionar a atenção para tarefas mais possíveis e manejáveis. Clinicamente, essa perspectiva convida a investigar se, durante o esporte ou nas relações, a tentativa de controlar o resultado e a impressão causada nos outros está ocupando o espaço atencional que poderia estar disponível para aquilo que você está fazendo naquele momento. O terapeuta cria condições para que você explore maneiras de redirecionar a atenção para o presente e utilizar com maior liberdade habilidades que já possui.

    Com o avanço do trabalho, você pode aprender a tolerar melhor a possibilidade de desaprovação, sustentar seus próprios limites e reduzir a quantidade de atenção dedicada a imaginar o julgamento alheio. Isso pode ampliar sua liberdade para agir de acordo com suas escolhas nas relações e para permanecer mais presente naquilo que está fazendo no esporte.

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    • Ressalva ética: A psicoterapia é um processo clínico individualizado. Avaliação médica, psiquiátrica ou multiprofissional pode ser necessária quando a natureza dos sintomas ou a avaliação clínica indicar necessidade de diagnóstico diferencial ou cuidado integrado.

    • Referências selecionadas: Beck, J. S. (2020), Cognitive Behavior Therapy: Basics and Beyond (3ª ed.), Guilford Press; Clark, D. M. & Wells, A. (1995), “A Cognitive Model of Social Phobia”, in Heimberg et al. (Eds.), Social Phobia: Diagnosis, Assessment, and Treatment, pp. 69–93, Guilford Press; Hofmann, S. G. (2007), Cognitive Behaviour Therapy, 36(4), 193–209; Erickson, M. H. (1965), American Journal of Clinical Hypnosis, 7(4), 356–358; Haley, J. (1973), Uncommon Therapy, W. W. Norton & Company.


  • Tenho um relacionamento há 5 anos e, às vezes, quando vejo alguém que já foi um paquera antigo, fico

    Tenho um relacionamento há 5 anos e, às vezes, quando vejo alguém que já foi um paquera antigo, fico preocupada com a forma como essa pessoa vai me enxergar. Penso que preciso parecer bonita, legal e mostrar que estou bem, e por isso acabo agindo de forma estranha. Não tenho intenção de chamar atenção ou de ficar com essas pessoas, mas sinto culpa por esses pensamentos e atitudes, como se fossem uma forma de traição.

    Gostaria de saber se isso pode ser considerado traição ou se pode estar relacionado à ansiedade, ao TOC ou simplesmente à baixa autoestima e à preocupação excessiva com a opinião dos outros.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Victor Lawrence Bernardes Santana

    Olá! Essa é uma dúvida compreensível e que pode gerar bastante angústia. Ter um pensamento involuntário, perceber alguém do passado ou desejar causar uma boa impressão não é, por si só, o mesmo que agir sobre isso ou romper os acordos de um relacionamento. A preocupação de parecer bonita e interessante pode estar relacionada à autoimagem e ao desejo de aprovação; por si só, ela não permite concluir que exista intenção de envolvimento com aquela pessoa. Imagine encontrar por acaso um espelho antigo. Você olha e, por um instante, não vê apenas quem é hoje: também se lembra de como costumava querer ser vista naquela época. Encontrar alguém do passado pode produzir algo parecido. O impulso de querer parecer bonita ou interessante pode surgir antes mesmo de você decidir qualquer coisa. A questão clínica não é tratar esse reflexo involuntário como uma confissão de deslealdade, mas compreender o significado e o peso moral que você passa a atribuir a ele. ____________________________________________________________________________________________________________________________________ ••• Quando a pessoa passa a interpretar um pensamento involuntário como se ele revelasse uma falha moral ou equivalesse a uma ação real, esse processo pode se aproximar do que a literatura em psicologia cognitiva descreve como fusão pensamento-ação moral (Shafran et al., 1996; Rachman, 1997). Nesse tipo de interpretação, uma reação que poderia ser apenas passageira passa a receber um significado moral muito maior: surge culpa, vigilância e a necessidade de descobrir o que aquele pensamento "realmente significa" sobre você. Como estruturado na Terapia Cognitivo-Comportamental (Beck, 2020), o psicólogo atua ao seu lado para mapear essas interpretações catastróficas, investigando a diferença concreta entre aquilo que passa pela mente de forma involuntária e aquilo que você efetivamente escolhe em suas atitudes. ____________________________________________________________________________________________________________________________________ ••• Na Hipnose Clínica de orientação ericksoniana, o princípio da utilização (Erickson, 1959; Haley, 1973) orienta o terapeuta a trabalhar com as experiências, significados e recursos que a própria pessoa apresenta. Clinicamente, isso permite que o trabalho não se transforme em uma luta rígida contra cada reação espontânea da mente, ajudando a retirar o peso moral desproporcional desses pensamentos automáticos, para que você possa acolher suas inseguranças de autoimagem sem transformá-las em culpa ou ameaça ao seu compromisso presente. Com o acompanhamento clínico, você pode desenvolver maior clareza para distinguir reações involuntárias de suas decisões conscientes, reduzindo a autocrítica excessiva e fortalecendo a confiança em suas próprias escolhas e limites. ____________________________________________________________________________________________________________________________________ ••• Ressalva ética: A psicoterapia é um processo clínico individualizado. Avaliação médica, psiquiátrica ou multiprofissional pode ser necessária quando a natureza dos sintomas ou a avaliação clínica indicar necessidade de diagnóstico diferencial ou cuidado integrado. ____________________________________________________________________________________________________________________________________ ••• Referências selecionadas: Beck, J. S. (2020), Cognitive Behavior Therapy: Basics and Beyond (3ª ed.), Guilford Press; Shafran, R., Thordarson, D. S. & Rachman, S. (1996), Journal of Anxiety Disorders, 10(5), 379–391; Rachman, S. (1997), Behaviour Research and Therapy, 35(9), 793–802; Erickson, M. H. (1959), American Journal of Clinical Hypnosis, 2(1), 3–21; Haley, J. (1973), Uncommon Therapy, W. W. Norton & Company.


  • Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estam

    Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estamos juntos há quase 3 anos e, ultimamente, sinto que não tenho mais aquela animação ou aquela sensação gostosa que sentia antes. Isso tem me deixado muito ansiosa, porque eu não quero machucá-lo e também não quero terminar. Ao mesmo tempo, não me sinto desconfortável ou presa ao lado dele. Quando conversamos, muitas vezes é bom e consigo ficar conversando até tarde. Eu reconheço que ele é uma pessoa que me ama, cuida de mim, se preocupa comigo e demonstra isso muito pelas atitudes.

    Tenho me perguntado se ainda o amo ou se estou confundindo amor com carência, rotina ou ansiedade. Quero entender meus sentimentos e, se for possível, quero recuperar o carinho e a conexão que sinto que perdi. Não quero fingir nem obrigar meus sentimentos, só queria entender o que está acontecendo comigo e saber se é possível voltar a sentir amor e entusiasmo pela pessoa que amo.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Victor Lawrence Bernardes Santana

    Olá! Essa é uma dúvida muito legítima e pode gerar bastante insegurança, especialmente quando a mente começa a monitorar os próprios sentimentos a cada instante, tentando medir se "ainda está lá". É como observar a própria respiração: quando você passa a monitorá-la de forma ansiosa, algo normalmente espontâneo pode começar a parecer estranho.

    Antes de qualquer conclusão sobre o amor em si, há uma questão clínica relevante a investigar: vale observar se esse monitoramento ansioso constante — comparando o hoje com o início e cobrando uma certeza imediata — está dificultando justamente o contato espontâneo com aquilo que você tenta avaliar. O fato de ainda existirem boas conversas, cuidado e conforto ao lado um do outro é uma informação importante para compreender o vínculo, mas esses elementos, isoladamente, também não respondem por você à pergunta sobre o que sente.

    _________________________________________________________________________________________________________________________________________________ •••

    A literatura científica ajuda a mostrar que não existe uma única trajetória para o amor ao longo do tempo. Acevedo e Aron (2009) encontraram que formas intensas de amor romântico podem permanecer em relacionamentos duradouros, especialmente quando diferenciadas do componente obsessivo mais associado ao início. Berscheid (2010), por sua vez, destaca que diferentes dimensões do amor podem seguir cursos temporais distintos. Assim, perceber menos "animação" em determinado período não permite, por si só, concluir que o amor acabou. Na Terapia Cognitivo-Comportamental (Beck, 2020), uma investigação clínica possível é observar se regras rígidas como "se não sinto a mesma euforia do começo, então deixei de amar" estão ampliando a ansiedade e levando você a tratar cada oscilação emocional como se ela precisasse fornecer uma resposta definitiva sobre o relacionamento.

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    Na Hipnose Clínica de orientação ericksoniana, a pseudo-orientação temporal utilizada por Erickson (1954) oferece um recurso experiencial interessante: ampliar a perspectiva a partir da qual a pessoa observa um problema, em vez de permanecer restrita à urgência e ao medo do estado atual. Clinicamente, essa lógica é útil aqui não para convencer você de que ainda ama seu parceiro, mas para diminuir a pressão de encontrar uma resposta imediata e criar espaço para perceber sua experiência com maior liberdade. Além disso, o princípio de utilização formulado por Erickson (1959) orienta o trabalho com aquilo que a própria pessoa já apresenta — inclusive dúvida, ambivalência e cuidado. As formulações estratégicas de Haley (1973) acrescentam uma leitura das dificuldades também em relação às transições e ao contexto do ciclo de vida conjugal.

    Com acompanhamento profissional, você pode encontrar clareza para compreender seus sentimentos com mais serenidade, reduzindo a autocrítica e aprendendo a cultivar a conexão com seu parceiro sem a pressão de forçar o que sente.

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    Ressalva ética: A psicoterapia é um processo clínico individualizado. Avaliação médica, psiquiátrica ou multiprofissional pode ser necessária quando a natureza dos sintomas ou a avaliação clínica indicar necessidade de diagnóstico diferencial ou cuidado integrado.

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    Referências selecionadas: Acevedo, B. P. & Aron, A. (2009), Review of General Psychology, 13(1), 59–65; Berscheid, E. (2010), Annual Review of Psychology, 61(1), 1–25; Beck, J. S. (2020), Cognitive Behavior Therapy: Basics and Beyond (3ª ed.), Guilford Press; Erickson, M. H. (1954), Journal of Clinical and Experimental Hypnosis, 2(4), 261–283; Erickson, M. H. (1959), American Journal of Clinical Hypnosis, 2(1), 3–21; Haley, J. (1973), Uncommon Therapy, W. W. Norton & Company.


  • Tenho 20 anos e meu namorado mora cerca de 40 km de mim. Normalmente só conseguimos nos ver nos fins

    Tenho 20 anos e meu namorado mora cerca de 40 km de mim. Normalmente só conseguimos nos ver nos fins de semana. Nos últimos dias passamos quatro dias seguidos juntos: viajamos, cozinhamos, dormimos juntos e aproveitamos muito a companhia um do outro. Foi uma experiência muito especial, porque pudemos viver um pouco da rotina como casal.

    Hoje precisei voltar para casa e, desde que cheguei, estou com uma sensação de vazio e uma vontade de chorar. Não aconteceu nenhuma briga, não existe nenhum problema entre nós e também não tenho problemas em casa nem estou infeliz com a minha família. Pelo contrário, gosto muito de estar em casa e tenho uma boa convivência com a minha família.

    As despedidas dos fins de semana normalmente já me deixam um pouco tristinha e com saudade, mas a despedida de hoje foi diferente. Depois desses quatro dias juntos, senti uma tristeza muito maior, um vazio que eu não esperava sentir. Não é medo de perder o relacionamento, nem insegurança. É simplesmente uma saudade muito intensa da companhia dele. Sinto falta de dividir a rotina, acordar juntos, cozinhar, conversar e terminar o dia ao lado dele.

    Isso é normal? É comum sentir essa tristeza tão forte depois de passar vários dias tão felizes com a pessoa que amo, mesmo sabendo que nosso relacionamento está bem?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Victor Lawrence Bernardes Santana

    Olá! Sim, o que você descreve pode ser uma reação compreensível depois de vários dias de convivência próxima e de uma mudança brusca de volta à rotina individual. Por si só, essa tristeza depois da despedida não é suficiente para concluir que exista um problema no relacionamento ou dependência emocional. É como sair de um ambiente muito iluminado e entrar em um cômodo de luz suave. Durante alguns instantes, seus olhos precisam se acomodar ao contraste. Depois de quatro dias de presença contínua, dividir refeições, conversas, sono e pequenos hábitos, a volta repentina à rotina individual também pode produzir um contraste afetivo muito perceptível. _________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ••• Na psicologia dos relacionamentos e do apego adulto, Diamond, Hicks e Otter-Henderson (2008), acompanhando casais durante separações temporárias de alguns dias, observaram mudanças no afeto, no sono, no estresse subjetivo e em medidas fisiológicas entre os períodos de proximidade, separação e reencontro. Sbarra e Hazan (2008) propõem que vínculos de apego adulto também envolvem processos de corregulação: a presença cotidiana do parceiro participa de padrões emocionais e psicobiológicos compartilhados. Quando essa proximidade é interrompida, pode haver um período de reajuste à regulação individual. Clinicamente, isso ajuda a compreender por que uma saudade pode ser sentida de maneira tão concreta mesmo quando não existe medo de abandono ou conflito no relacionamento. Se essa saudade começar a vir acompanhada de interpretações autocríticas — por exemplo, "sentir isso significa que sou dependente demais?" —, a Terapia Cognitivo-Comportamental (Beck, 2020) também pode ajudar a investigar essas conclusões, em vez de tomar a intensidade da emoção como prova de que há algo errado. _________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ••• Na Hipnose Clínica de orientação ericksoniana, a abordagem naturalística e o princípio de utilização de Erickson (1958, 1959) oferecem uma postura particularmente útil: em vez de tratar imediatamente uma reação espontânea como problema a ser eliminado, o terapeuta procura compreender como ela está acontecendo e trabalhar com aquilo que a própria pessoa já apresenta. Clinicamente, isso significa que a saudade pode ser acolhida primeiro como experiência — sem precisar transformá-la imediatamente em sinal de dependência, fragilidade ou problema no relacionamento. Acolher essa saudade sem se julgar, manter o contato de maneira compatível com a rotina de vocês e retomar gradualmente suas próprias atividades pode ajudar nessa transição entre a convivência intensa dos últimos dias e o retorno à rotina habitual. _________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ••• Ressalva ética: A psicoterapia é um processo clínico individualizado. Avaliação médica, psiquiátrica ou multiprofissional pode ser necessária quando a natureza dos sintomas ou a avaliação clínica indicar necessidade de diagnóstico diferencial ou cuidado integrado. _________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ••• Referências selecionadas: Diamond, L. M., Hicks, A. M., & Otter-Henderson, K. D. (2008), Journal of Personality and Social Psychology, 95(2), 385–403; Sbarra, D. A. & Hazan, C. (2008), Personality and Social Psychology Review, 12(2), 141–167; Beck, J. S. (2020), Cognitive Behavior Therapy: Basics and Beyond (3ª ed.), Guilford Press; Erickson, M. H. (1958), American Journal of Clinical Hypnosis, 1(1), 3–8; Erickson, M. H. (1959), American Journal of Clinical Hypnosis, 2(1), 3–21.


  • Suspeito estar no espectro autista, possuir TDAH, e, potencialmente, depressão. Com qual profissiona

    Suspeito estar no espectro autista, possuir TDAH, e, potencialmente, depressão. Com qual profissional deveria falar primeiro?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Victor Lawrence Bernardes Santana

    Olá! Você pode começar por um psicólogo com experiência em TEA/TDAH em adultos ou por um médico psiquiatra. Não existe uma única porta de entrada obrigatória em todos os casos: o essencial é que o profissional tenha prática em diagnóstico diferencial em adultos e articule a avaliação com outras áreas quando necessário. Se os sintomas depressivos estiverem causando sofrimento intenso ou prejuízo importante na rotina, uma avaliação psiquiátrica ganha prioridade. Se houver pensamentos de morte, autoagressão ou risco à própria segurança, é importante procurar atendimento de urgência, independentemente de a investigação de TEA/TDAH ainda não ter sido concluída.

    É como olhar para uma imagem com várias camadas transparentes sobrepostas. Sinais relacionados à atenção, ao humor, à interação social ou à sensorialidade podem se sobrepor e, para quem está tentando compreender o que acontece consigo, parecer um único bloco de dificuldades. A avaliação profissional não serve para rotular com pressa, mas para ajustar o foco e discernir o que pode estar relacionado ao neurodesenvolvimento, o que pode corresponder a sintomas depressivos e o que pode ter outras explicações que também precisam ser investigadas.

    _________________________________________________________________________________________________________________________________________________ •••

    Na população autista, Lai e colaboradores (2019), em revisão sistemática e meta-análise, encontraram frequência relevante de diferentes condições psiquiátricas coocorrentes, incluindo TDAH e transtornos depressivos. Isso ajuda a mostrar por que sintomas que parecem pertencer a uma única explicação precisam ser avaliados com cuidado. Young e colaboradores (2020), em consenso internacional sobre a coexistência de TEA e TDAH, recomendam uma avaliação multifacetada e destacam que apresentações complexas podem exigir integração entre diferentes profissionais:

    Um psicólogo com experiência em TEA e TDAH em adultos pode conduzir uma avaliação psicológica abrangente, reunindo história do desenvolvimento, funcionamento atual, entrevistas e instrumentos apropriados. Quando houver indicação, uma avaliação neuropsicológica pode complementar esse processo ao detalhar aspectos como atenção, funções executivas e perfil cognitivo — mas nenhum teste isolado estabelece, por si só, esses diagnósticos. O psiquiatra pode realizar o diagnóstico diferencial médico, avaliar os sintomas depressivos e outras condições que possam estar contribuindo para o quadro, além de indicar tratamento médico quando necessário.

    _________________________________________________________________________________________________________________________________________________ •••

    Na Hipnose Clínica e na psicoterapia de orientação ericksoniana, a abordagem naturalística e o princípio de utilização (Erickson, 1958, 1959) orientam o terapeuta a partir da experiência e dos recursos que a própria pessoa apresenta. Clinicamente, essa lógica pode ser aplicada aqui como um lembrete importante: embora o diagnóstico possa fornecer um mapa para orientar o cuidado, uma investigação diagnóstica não precisa reduzir a pessoa a uma lista de déficits. O trabalho também pode buscar compreender como você processa informações, reconhecer recursos e adaptações que já desenvolveu e estruturar estratégias personalizadas que respeitem seu funcionamento e diminuam a sobrecarga diária.

    Buscar um profissional com prática clínica em neurodivergência no adulto ajudará você a conduzir essa investigação com rigor técnico, acolhimento e clareza.

    _________________________________________________________________________________________________________________________________________________ •••

    Ressalva ética: A psicoterapia é um processo clínico individualizado. Avaliação médica, psiquiátrica ou multiprofissional pode ser necessária quando a natureza dos sintomas ou a avaliação clínica indicar necessidade de diagnóstico diferencial ou cuidado integrado.

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    Referências selecionadas: Lai, M.-C., Kassee, C., Besney, R., Bonato, S., Hull, L., Mandy, W., Szatmari, P., & Ameis, S. H. (2019), The Lancet Psychiatry, 6(10), 819–829; Young, S., Hollingdale, J., Absoud, M., Bolton, P., Branney, P., Colley, W., ... & Woodhouse, E. (2020), BMC Medicine, 18(1), Art. 146; Erickson, M. H. (1958), American Journal of Clinical Hypnosis, 1(1), 3–8; Erickson, M. H. (1959), American Journal of Clinical Hypnosis, 2(1), 3–21.

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    Victor Lawrence Bernardes Santana · Psicólogo · CRP 09/012681


  • É possível "reeducar" o cérebro para se acostumar a transar com camisinha após ter experimentado sem

    É possível "reeducar" o cérebro para se acostumar a transar com camisinha após ter experimentado sem?

    Eu estou em um relacionamento sério há algum tempo. Um dia, a minha namorada sugeriu de experimentarmos sem camisinha, pois segundo ela eu passaria a não mais querer fazer com camisinha. Assim que começou a menstruação dela nós experimentamos. Pois bem, fizemos isso duas vezes (em dois meses diferentes).

    Acontece que ela disse que agora só faremos após o casamento. Perguntei a ela o porquê disso, e ela me explicou os motivos dela. Me senti um pouco enganado, mas entendi e respeitei. Após isso, eu não tenho mais sentido "tesão" durante o sexo com camisinha da mesma forma que eu sentia antes de saber como era a sensação sem proteção. Soma-se o fato dela ter me contato que só transava sem camisinha com o ex, faz me sentir ainda pior.

    Agora, me parece que essa minha dificuldade de sentir o "tesão", não digo prazer, é mais da parte psicológica. E eu tenho buscado maneiras de "reeducar" meu cérebro para voltar a sentir essa vontade no sexo que eu sentia antes, mas tem sido muito difícil.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Victor Lawrence Bernardes Santana

    Olá! Sim, esse tipo de mudança pode melhorar. Ter experimentado sexo sem preservativo não significa que seu cérebro tenha sido permanentemente "reprogramado" para rejeitá-lo. Pelo que você descreve, podem estar participando ao mesmo tempo diferenças reais de sensação, a comparação com a experiência sem preservativo e os significados emocionais que essa sequência adquiriu para você.

    É como ouvir uma música com fones depois de tê-la ouvido diretamente nas caixas de som. O fone pode mudar um pouco o som; mas a experiência fica ainda mais prejudicada se, durante a música inteira, você estiver comparando as duas versões e procurando aquilo que está faltando. Nesse momento, parte da atenção deixa de estar na música e passa a fiscalizar a experiência.

    _________________________________________________________________________________________________________________________________________________ •••

    A literatura ajuda a separar essas coisas. Embora parte desses estudos investigue especificamente dificuldades de ereção associadas ao preservativo — e você esteja descrevendo principalmente uma mudança no "tesão" — eles ajudam a entender como sensação, ajuste, expectativa e atenção podem interagir durante o sexo protegido.

    Estudos experimentais mostram que o preservativo pode alterar a sensibilidade tátil peniana; ao mesmo tempo, essa diferença sensorial não distinguiu homens que relatavam problemas de ereção associados ao preservativo daqueles que não os relatavam (Hill et al., 2014). Ou seja: a sensação física pode mudar, mas ela não explica sozinha a dificuldade. Outros estudos encontraram associação entre dificuldades durante o uso do preservativo e fatores como ajuste inadequado, preocupação em perder a excitação, distração e menor confiança em manter a resposta sexual durante o uso (Sanders et al., 2014). E uma revisão sistemática de 67 estudos mostrou que distração cognitiva, foco atencional, pensamentos automáticos, expectativas e pressão de desempenho estão amplamente relacionados ao funcionamento sexual de homens e mulheres (Tavares, Moura & Nobre, 2020).

    No seu caso, há ainda uma dimensão relacional que merece atenção. A fala inicial da sua namorada, a mudança posterior de decisão e a informação sobre o relacionamento anterior podem ter tornado a camisinha também um marcador de comparação ou frustração para você. Isso é uma hipótese a explorar, não uma conclusão. Ela pode rever os próprios limites sexuais, e você também pode reconhecer e conversar sobre o impacto emocional que essa mudança teve em você.

    _________________________________________________________________________________________________________________________________________________ •••

    Na Hipnose Clínica e na psicoterapia de orientação ericksoniana, encontramos abordagens voltadas a desarmar esse tipo de círculo vicioso. Em um caso clínico sobre dificuldade sexual, Erickson (1980) descreve um paciente que, após uma experiência frustrante, passou a se envolver em tentativas repetidas de controlar voluntariamente uma resposta que precisava ocorrer de maneira espontânea. No caso descrito, esse esforço de monitoramento fazia parte do próprio impasse psicofisiológico. Clinicamente, essa lógica oferece uma perspectiva útil aqui: em vez de transformar cada relação em um teste para verificar se o "tesão voltou", pode ser mais produtivo reduzir a fiscalização da própria resposta e recuperar espaço para a experiência acontecer.

    Dois caminhos podem ser úteis:
    1. Conversar fora do momento sexual sobre a frustração, a comparação e o significado que essa experiência adquiriu, sem transformar a conversa em pressão para que ela mude o limite estabelecido. O diálogo sobre o que você sentiu pode ajudar a reduzir o ruído emocional que hoje acompanha o momento íntimo.
    2. Retirar do sexo a tarefa de "provar" que você voltou a sentir exatamente o que sentia antes. Quanto mais a relação vira um teste de tesão, mais fácil é a atenção ficar presa à medição da própria resposta. Também pode valer experimentar outro tamanho ou modelo de preservativo até encontrar um ajuste confortável, além de usar lubrificante à base de água ou silicone compatível com o produto. Ajuste, sensação e preocupação durante o uso aparecem associados a dificuldades com preservativos na literatura.

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    Ressalva ética: Estar menstruada não torna uma relação sem preservativo livre de risco de gravidez. Se o objetivo é evitar gestação e/ou infecções sexualmente transmissíveis, a decisão sobre sexo sem preservativo precisa considerar métodos de prevenção adequados, e não apenas o momento do ciclo. Se a dificuldade sexual também aparecer sem preservativo ou em outros contextos, ou vier acompanhada de alterações físicas persistentes, uma avaliação médica pode ser pertinente. Se ela permanecer principalmente ligada à camisinha, à comparação e aos significados emocionais dessa história, a psicoterapia com experiência em sexualidade pode ajudar a compreender e trabalhar esses fatores.

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    Referências selecionadas: Hill, B. J., Janssen, E., Kvam, P., Amick, E. E., & Sanders, S. A. (2014), The Journal of Sexual Medicine, 11(1), 102–106; Sanders, S. A., Hill, B. J., Crosby, R. A., & Janssen, E. (2014), AIDS and Behavior, 18(1), 128–134; Tavares, I. M., Moura, C. V., & Nobre, P. J. (2020), Sexual Medicine Reviews, 8(3), 403–430; Erickson, M. H. (1980), em E. L. Rossi (Ed.), The Collected Papers of Milton H. Erickson on Hypnosis (Vol. 4, pp. 374–382).

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    Victor Lawrence Bernardes Santana · Psicólogo · CRP 09/012681


  • O que seria quando você sente que vai cochilar e você cochila, só que você ainda está de olhos abert

    O que seria quando você sente que vai cochilar e você cochila, só que você ainda está de olhos abertos e você sente que você e seu corpo estão cochilando, mas os seus olhos ainda estão abertos e você consegue ver o que está na sua volta mesmo cochilando, e tem horas que você consegue fechar os olhos e dormir, só que quando você abre, você percebe que às vezes você tá acordada e ao mesmo tempo pode acabar voltando a dormir, e tem vezes que quando você quer mexer o dedo, se auto acordar ou até mesmo falar, você tem que fazer um esforço grande ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Victor Lawrence Bernardes Santana

    Olá! Pelo que você descreve, parece haver uma experiência na transição entre sono e vigília. Em alguns momentos você ainda percebe o ambiente enquanto já está entrando no sono; e, quando existe consciência acompanhada de grande dificuldade para mexer o corpo ou falar, uma possibilidade é a paralisia do sono. Só pelo relato, porém, não é possível afirmar que seja exatamente isso.

    É como se dois sistemas que normalmente mudariam de estado juntos ficassem, por alguns instantes, fora de sincronia: a "tela" da consciência já está ativa, mas os "comandos" do movimento voluntário ainda não responderam completamente.

    _________________________________________________________________________________________________________________________________________________ •••

    Na paralisia do sono, mecanismos de atonia muscular característicos do sono REM podem permanecer ativos por alguns instantes enquanto a consciência já está presente. Por isso algumas pessoas percebem o quarto, conseguem abrir os olhos e sabem que estão acordando, mas temporariamente não conseguem falar ou mover o corpo como gostariam (Stefani & Tang, 2024; Rauf et al., 2023).

    Isso não significa, porém, que todo cochilo de olhos abertos ou toda sensação de estar "entre acordada e dormindo" seja paralisia do sono. O início e o fim do sono são transições graduais, e diferentes experiências perceptivas podem ocorrer nesse intervalo.

    Esses episódios, quando isolados, costumam terminar espontaneamente e são geralmente benignos. Privação de sono, irregularidade nos horários e outros problemas de sono aparecem associados a maior ocorrência de paralisia do sono (Denis, French & Gregory, 2018; Stefani & Tang, 2024).

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    Na Hipnose Clínica de orientação ericksoniana, o trabalho terapêutico não parte da premissa de que a hipnose explique o mecanismo biológico desses episódios. Na abordagem naturalística, Erickson (1958) propõe partir da situação e das respostas que a própria pessoa já apresenta, utilizando-as como elementos do trabalho em vez de tentar substituí-las por um padrão previamente definido. Em seus exemplos clínicos, inclusive respostas de medo, tensão corporal e dificuldade de relaxar são incorporadas ao processo antes da construção de experiências alternativas de maior conforto.

    Clinicamente, essa lógica pode ser aplicada aqui sem confundir hipnose com tratamento da atonia REM. Se houver ansiedade antecipatória ao adormecer, hipervigilância aos sinais do corpo ou medo de que o episódio volte a acontecer, experiências hipnóticas podem ser usadas para ensaiar uma relação menos alarmada com essas sensações — por exemplo, utilizando respiração, percepção corporal e sinais já presentes como pontos de partida para sugestões de conforto, segurança e autorregulação.

    Quando houver estresse, medo do adormecer ou outros significados emocionais associados aos episódios, esses aspectos também podem ser explorados clinicamente. A finalidade não é prometer impedir a paralisia do sono nem controlar diretamente a fisiologia REM, mas ajudar a pessoa a atravessar a experiência com menos luta, medo e vigilância.

    Se acontecer novamente, lembrar que o episódio tende a passar pode ajudar a diminuir o susto. Em vez de lutar com todo o corpo, algumas pessoas relatam benefício ao concentrar-se em um movimento pequeno — por exemplo, um dedo — ou tentar produzir um som, embora isso não funcione para todos. Também vale observar se os episódios aparecem mais quando você dorme pouco, muda muito os horários ou está particularmente cansada. Manter duração adequada e horários mais regulares de sono pode ajudar a reduzir fatores associados a essas experiências.

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    Ressalva ética: Se isso estiver acontecendo com frequência, causando muito medo ou prejuízo, ou vier acompanhado de sonolência diurna muito intensa, episódios irresistíveis de sono ou perda súbita do tônus muscular desencadeada por emoções — chamada cataplexia —, vale procurar um profissional de Medicina do Sono ou Neurologia. Esses sinais ajudam a diferenciar episódios isolados de outras alterações do sono, como a narcolepsia.

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    Referências selecionadas: Stefani, A., & Tang, Q. (2024), Sleep Medicine Clinics, 19(1), 101–109; Rauf, B., Sharpless, B. A., Denis, D., et al. (2023), Sleep Medicine, 104, 105–112; Denis, D., French, C. C., & Gregory, A. M. (2018), Sleep Medicine Reviews, 38, 141–157; Erickson, M. H. (1958), American Journal of Clinical Hypnosis, 1(1), 3–8.

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    Victor Lawrence Bernardes Santana · Psicólogo · CRP 09/012681


  • eu tenho diagnóstico de TDAH e TEA nível 1. Além disso, percebo em mim características das cinco sob

    eu tenho diagnóstico de TDAH e TEA nível 1. Além disso, percebo em mim características das cinco sobre-excitabilidades (intelectual, emocional, imaginativa, sensorial e psicomotora) e vários sinais associados a altas habilidades/superdotação. Isso pode indicar uma dupla excepcionalidade (TDAH/TEA junto com altas habilidades)? Existe alguma avaliação que eu possa fazer para investigar isso?"

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Victor Lawrence Bernardes Santana

    Olá! Sim, essa é uma possibilidade que pode ser investigada. Se uma avaliação confirmar Altas Habilidades/Superdotação coexistindo com TDAH e/ou TEA, esse perfil pode ser compreendido dentro do que a literatura científica chama de dupla excepcionalidade (2e) — embora esse seja um conceito descritivo e educacional/clínico, e não um diagnóstico psiquiátrico separado (Desvaux et al., 2024).

    É como olhar um mapa de relevo em vez de uma única altitude média: em alguns perfis podem existir picos muito altos de capacidade ou facilidade em determinadas áreas e, ao mesmo tempo, regiões que exigem mais esforço ou suporte. Se olharmos apenas para a média, tanto os picos quanto os vales podem desaparecer. Uma boa avaliação tenta justamente compreender esse relevo como um todo.

    _________________________________________________________________________________________________________________________________________________ •••

    As sobre-excitabilidades de Dabrowski podem ser relatadas como aspectos da sua experiência, mas não funcionam como teste ou critério de confirmação de Altas Habilidades/Superdotação. Uma meta-análise recente, reunindo 20 estudos, encontrou relação variável entre sobre-excitabilidades e giftedness: a associação foi mais forte para a dimensão intelectual e mais fraca para as dimensões sensorial e emocional, dependendo bastante de como as altas habilidades eram definidas. Em adultos, inclusive, não foi encontrada uma diferença consistente entre grupos com e sem identificação de giftedness, e os próprios autores recomendam cautela em utilizar sobre-excitabilidades como indicadores para identificação (Olszewski-Kubilius et al., 2026). Portanto, reconhecer-se nessas características é uma informação interessante para levar à avaliação, mas não permite concluir, por si só, que exista AH/SD.

    Um dos desafios centrais da identificação é que capacidades elevadas podem, em algumas pessoas, compensar ou tornar menos visíveis determinadas dificuldades; no sentido inverso, dificuldades executivas, sociais ou de aprendizagem também podem fazer com que capacidades elevadas sejam subestimadas (Desvaux et al., 2024; Ozturk & Tan, 2026). É justamente por isso que olhar apenas para um escore global de inteligência ou para sintomas isolados é insuficiente.

    Essa distinção é particularmente importante em instrumentos de rastreio. Em um trabalho do qual participei como coautor, a versão brasileira da AQ-10 foi estudada como medida breve de rastreamento de características do espectro autista em adultos (Morais, Santana & Kerr, 2018). Esse é um bom exemplo de por que uma escala pode acrescentar informação à investigação sem, por si só, estabelecer um diagnóstico.

    Para investigar isso, o caminho mais adequado é uma avaliação psicológica ou neuropsicológica abrangente, realizada por profissional com experiência tanto com neurodesenvolvimento quanto com Altas Habilidades/Superdotação. Uma revisão sistemática recente sobre identificação em dupla excepcionalidade destaca o uso de múltiplos métodos e reforça que nenhum critério ou teste isolado deve determinar a conclusão clínica (Ozturk & Tan, 2026). Dependendo da idade e da pergunta clínica, a investigação costuma combinar entrevista detalhada e história do desenvolvimento, medidas padronizadas de capacidade intelectual, análise dos diferentes índices do perfil cognitivo, atenção e funções executivas quando pertinentes, funcionamento socioemocional e adaptativo, além de trajetória escolar ou profissional, interesses e realizações.

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    Na Hipnose Clínica de orientação ericksoniana, a identificação de AH/SD continua pertencendo ao campo da avaliação psicológica especializada; a hipnose não substitui testes ou critérios diagnósticos. O princípio de utilização descrito por Erickson (1959), porém, oferece uma perspectiva clínica fundamental: trabalhar a partir do modo de funcionamento que a própria pessoa já apresenta, em vez de tentar fazê-la caber em um modelo terapêutico padronizado.

    Clinicamente, se a avaliação revelar um perfil de dupla excepcionalidade — ou mesmo enquanto essa hipótese está sendo investigada —, rapidez associativa, imaginação intensa, interesses profundos ou formas particulares de perceber o ambiente podem ser tratados como recursos, e não automaticamente como obstáculos. Se houver sobrecarga, autocobrança excessiva, esforço de camuflagem (masking) ou dificuldade de autorregulação, experiências hipnóticas podem ser estruturadas para explorar maneiras mais sustentáveis de lidar com essas vivências, sem a pretensão de diagnosticar ou "corrigir" a neurodivergência.

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    Ressalva ética: Dupla excepcionalidade não deve ser concluída por listas de características ou por um único teste. A investigação precisa integrar capacidades, dificuldades, história de desenvolvimento e funcionamento cotidiano. Quando houver dúvidas sobre os diagnósticos já existentes ou outras questões clínicas que exijam avaliação médica, o trabalho interdisciplinar pode ser útil; ele não é uma exigência automática para investigar Altas Habilidades/Superdotação.

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    Referências selecionadas: Desvaux, T., Danna, J., Velay, J.-L., & Frey, A. (2024), Applied Neuropsychology: Child, 13(2), 165–179; Ozturk, B., & Tan, S. (2026), Journal of Advanced Academics, 37(2), 393–420; Olszewski-Kubilius, P., Steenbergen-Hu, S., Calvert, E., et al. (2026), Gifted Child Quarterly, 70(2), 111–138; Erickson, M. H. (1959), American Journal of Clinical Hypnosis, 2(1), 3–21; Morais, J. F., Santana, V. L. B., & Kerr, T. B. (2018), Diagnóstico e Avaliação Psicológica: Atas do 10º Congresso da AIDAP/AIDEP, 436–460.

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    Victor Lawrence Bernardes Santana · Psicólogo · CRP 09/012681


  • Olá! Venho há algum tempo refletindo sobre crenças limitantes e como minha vida foi impactada por

    Olá!

    Venho há algum tempo refletindo sobre crenças limitantes e como minha vida foi impactada por isso desde pequeno, ainda mais considerando que sou uma pessoa LGBTQIA+. Hoje ainda permaneco com crenças que não fazem sentido para mim, mas sinto que muitas vezes fico tomado pelo medo ou ansiedade, o que inclusive afeta o meu relacionamento atual. Devo procurar um psicólogo e/ou psiquiatra?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Victor Lawrence Bernardes Santana

    Olá! Pelo que você descreve, um psicólogo parece ser um bom primeiro ponto de partida — de preferência alguém com prática afirmativa LGBTQIA+ e experiência com ansiedade e relacionamentos. A psicoterapia pode ajudar a compreender de onde vêm essas crenças, quais ainda cumprem alguma função de proteção e como medo e ansiedade continuam interferindo na sua vida mesmo quando racionalmente você já pensa diferente.

    Um psiquiatra não é obrigatoriamente necessário só por você sentir ansiedade. Ele pode ser acrescentado quando os sintomas forem muito intensos ou persistentes, houver crises frequentes, alterações importantes de sono ou funcionamento, necessidade de diagnóstico diferencial ou interesse em avaliar também opções de tratamento médico.

    É como um sistema de alarme que foi calibrado numa fase em que detectar ameaça rapidamente podia ser importante. Mais tarde, mesmo em contextos mais seguros ou diante de situações que racionalmente parecem diferentes, o sensor pode continuar sensível e disparar cedo demais. Saber que o alarme está exagerando não significa conseguir desligá-lo imediatamente.

    _________________________________________________________________________________________________________________________________________________ •••

    Na literatura sobre saúde mental LGBTQIA+, uma hipótese importante para compreender experiências desse tipo é o estresse de minoria. Meyer (2003) descreveu como experiências relacionadas a preconceito, expectativa de rejeição e estigma internalizado podem acrescentar uma carga de estresse específica às dificuldades comuns da vida. Pesquisas mais recentes mostram que esses estressores podem variar no cotidiano e se associar a mudanças emocionais e sociais, inclusive no funcionamento dos relacionamentos (Nicholas & Bresin, 2024).

    Isso não significa que sua identidade LGBTQIA+ seja a causa da ansiedade nem que todas as suas crenças tenham essa origem. Significa que, se a sua história envolveu julgamento, ocultação, rejeição ou necessidade frequente de se proteger, vale investigar clinicamente quanto dessas respostas ainda participa da maneira como você percebe ameaça, intimidade e vulnerabilidade hoje.

    A psicoterapia afirmativa LGBTQ+ trabalha justamente sem tratar a identidade como problema. Uma revisão recente descreve intervenções voltadas a processos como hipervigilância, vergonha, autoesquemas negativos e desregulação emocional associados ao impacto do estigma, respeitando ao mesmo tempo a singularidade de cada história (Burger & Pachankis, 2024).

    _________________________________________________________________________________________________________________________________________________ •••

    Na Hipnose Clínica de orientação ericksoniana, não é necessário tratar uma reação automática de medo como algo que precisa ser vencido à força pela razão. Em trabalhos de hipnoterapia breve, Erickson (1954) descreveu formas de trabalhar com respostas já presentes e de utilizar experiências emocionais dentro do processo terapêutico, em vez de depender apenas de persuasão consciente.

    Clinicamente, essa lógica pode ser aplicada aqui de maneira afirmativa: se determinadas situações despertarem medo, vigilância ou expectativa de rejeição, experiências hipnóticas podem ser estruturadas para explorar essas respostas com segurança e ensaiar novas formas de responder no presente, buscando ampliar a sensação de segurança e as possibilidades de viver a intimidade e os afetos com menos vigilância.

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    Ressalva ética: O trabalho com crenças, medo e seus impactos relacionais é um processo psicoterapêutico individualizado. Uma avaliação psiquiátrica pode ser considerada quando os sintomas de ansiedade forem muito intensos ou persistentes, limitarem significativamente o funcionamento diário, houver necessidade de diagnóstico diferencial ou fizer sentido avaliar também possibilidades de tratamento médico, atuando de forma integrada à psicoterapia.

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    Referências selecionadas: Meyer, I. H. (2003), Psychological Bulletin, 129(5), 674–697; Nicholas, J., & Bresin, K. (2024), Archives of Sexual Behavior, 53(4), 1221–1243; Burger, J., & Pachankis, J. E. (2024), Behavior Therapy, 55(6), 1318–1334; Erickson, M. H. (1954), Journal of Clinical and Experimental Hypnosis, 2(2), 109–129.

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    Victor Lawrence Bernardes Santana · Psicólogo · CRP 09/012681


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