A hipersensibilidade do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é apenas social ou pode ser sen

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A hipersensibilidade do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é apenas social ou pode ser sensorial também?
Dr. Amiris Costa
Psicólogo
Rio de Janeiro
Bom dia!
Na verdade, as duas coisas estão profundamente interligadas. No Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), a hipersensibilidade não é apenas social, ela é também sensorial.

A ciência atual sugere que o cérebro de uma pessoa com TPB possui uma estrutura biológica que reage de forma mais intensa a qualquer tipo de estímulo, seja um comentário de um amigo (social) ou uma luz muito forte (sensorial).

A Conexão Biológica: O Cérebro "Sem Pele"
Muitos especialistas descrevem o TPB como uma "queimadura emocional de terceiro grau", onde qualquer toque dói. Isso acontece por causa de uma hiperatividade na amígdala (o centro de alarme do cérebro) e uma hipoatividade no córtex pré-frontal (o freio lógico).

1. Hipersensibilidade Sensorial (Física)
Muitos pacientes com TPB relatam fenômenos de processamento sensorial semelhantes aos encontrados no Autismo ou no TDAH. Isso inclui:

Misofonia: Irritação extrema com sons específicos (mastigação, caneta clicando).

Sobrecarga Tátil: Agonia com etiquetas de roupas, costuras de meias ou ser tocado sem aviso.

Intensidade Visual: Ambientes com muitas cores, luzes fluorescentes ou muita gente se movendo podem causar desorientação e fadiga mental rápida.

2. Hipersensibilidade Social (Emocional)
Aqui, os "sensores" estão voltados para a linguagem não-verbal. A pessoa com TPB é, muitas vezes, hipervigilante:

Leitura de Microexpressões: Elas percebem mudanças mínimas no rosto do outro que a maioria ignoraria.

Viés Negativo: O cérebro tende a interpretar uma expressão "neutra" como "brava" ou "rejeitadora". Se você não sorri ao falar, o cérebro da pessoa pode interpretar que você a odeia.

Por que as duas se misturam?
No TPB, o estresse sensorial baixa o limiar de tolerância emocional.

Imagine o seguinte cenário:

A pessoa está em um shopping barulhento e quente (Gatilho Sensorial).

O sistema nervoso dela entra em "modo de sobrevivência" devido ao barulho.

Nesse estado, o parceiro faz uma crítica construtiva.

Como o sistema já estava sobrecarregado fisicamente, a crítica é sentida como um ataque devastador (Explosão Emocional).

Resumo: A hipersensibilidade sensorial atua como o "pavio" e a hipersensibilidade social atua como a "chama". Quando as duas se encontram, a desregulação emocional ocorre.

Como isso ajuda no tratamento?
Entender que a hipersensibilidade é também sensorial muda o foco do cuidado:

Redução de danos: Usar fones de ouvido com cancelamento de ruído em lugares barulhentos pode prevenir uma crise de raiva social mais tarde.

Auto-observação: Aprender a identificar quando o corpo está "cheio" de estímulos físicos antes de tentar resolver um conflito interpessoal complexo.

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Quando converso com pacientes sobre isso, costumo explicar que a hipersensibilidade no Transtorno de Personalidade Borderline não se limita só às relações sociais. Ela pode, sim, aparecer também no corpo, na forma de sensibilidade sensorial. Isso significa que estímulos como barulho, luz forte, cheiros intensos, ambientes muito cheios ou até certos tipos de toque podem gerar uma sobrecarga emocional muito rápida.
No TPB, o sistema emocional já funciona de maneira muito intensa. Então, quando o ambiente fica sensorialmente “demais”, o corpo reage primeiro, e as emoções vêm logo em seguida. Isso pode deixar a pessoa mais irritada, ansiosa, confusa ou com dificuldade de se regular. E, quando essa sobrecarga acontece, é comum que situações sociais pareçam mais difíceis também, porque a pessoa já está no limite.
Em resumo: a hipersensibilidade no TPB pode ser social e sensorial ao mesmo tempo, e uma costuma influenciar a outra. Entender isso ajuda a pessoa a reconhecer seus gatilhos e a se cuidar melhor em ambientes que exigem muito do sistema nervoso.
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem? Essa é uma dúvida muito pertinente, porque por muito tempo a hipersensibilidade no TPB foi associada quase exclusivamente ao campo social, como sinais de rejeição, abandono ou mudanças no vínculo. Na prática clínica, porém, ela não é apenas social. A hipersensibilidade no TPB pode ser tanto social quanto sensorial, e essas duas dimensões costumam se influenciar mutuamente.

A sensibilidade social costuma chamar mais atenção porque aparece nos relacionamentos, nas interpretações de gestos, silêncios e palavras. Já a sensibilidade sensorial envolve uma resposta mais intensa a estímulos físicos, como sons, luzes, cheiros, toque, ambientes cheios ou excesso de informação. Quando o sistema emocional está mais ativado, o cérebro tende a perder filtros, e o que seria apenas incômodo passa a ser vivido como invasivo ou desorganizante.

O ponto importante é que essas sensibilidades raramente atuam separadas. Um ambiente barulhento pode aumentar irritação e ansiedade, o que torna a leitura de sinais sociais mais negativa. Da mesma forma, um conflito relacional pode deixar o corpo em estado de alerta, intensificando a percepção sensorial. É como se corpo e emoção falassem a mesma língua, amplificando a experiência de ameaça ou sobrecarga.

Você percebe se, quando está sensorialmente sobrecarregado, também fica mais sensível ao comportamento das pessoas? Ou se, após conflitos emocionais, sons e estímulos parecem mais difíceis de tolerar? Em quais situações essas duas coisas parecem se somar com mais força? Essas perguntas ajudam a entender como esse funcionamento acontece de forma particular em cada pessoa.

Na psicoterapia, olhar para a hipersensibilidade de maneira integrada, considerando o social, o emocional e o corporal, ajuda a reduzir confusões e rótulos simplificadores. Se a pessoa já estiver em acompanhamento, levar essa percepção para o profissional que a atende pode aprofundar bastante o trabalho terapêutico. Caso precise, estou à disposição.

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