Como a família e amigos de um paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) podem ajudar

3 respostas
Como a família e amigos de um paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) podem ajudar durante uma crise de dor emocional ou autoagressão?
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem? Essa é uma pergunta muito importante, porque quem convive com alguém que tem Transtorno de Personalidade Borderline muitas vezes sofre junto e fica sem saber como agir nos momentos de crise.

Durante uma crise de dor emocional ou de risco de autoagressão, a ajuda da família e dos amigos começa menos pelo que se faz e mais pela postura emocional que se oferece. Nessas horas, a pessoa costuma estar tomada por emoções intensas, com o sistema emocional funcionando em modo de ameaça, o que reduz bastante a capacidade de refletir com clareza. Tentativas de minimizar a dor, racionalizar demais ou “dar bronca” costumam ser vividas como invalidação e podem aumentar o sofrimento, mesmo quando a intenção é boa.

O que costuma ajudar mais é uma presença firme e ao mesmo tempo acolhedora, que transmita segurança sem reforçar o caos emocional. Validar o sofrimento não significa concordar com comportamentos autodestrutivos, mas reconhecer que a dor é real e intensa naquele momento. É como oferecer um ponto de ancoragem quando a pessoa está emocionalmente à deriva, ajudando-a a atravessar a crise até que a intensidade diminua.

Também é importante lembrar que familiares e amigos não substituem tratamento. Em situações de risco, incentivar o uso de estratégias já combinadas em terapia ou buscar ajuda profissional faz parte do cuidado. Em alguns casos, o acompanhamento psiquiátrico é necessário, especialmente quando há risco elevado ou repetição de crises, e esse encaminhamento não deve ser visto como fracasso, mas como proteção.

Quando você pensa em ajudar alguém em crise, o que costuma ser mais difícil para você: lidar com a intensidade emocional, colocar limites ou conter o medo de que algo grave aconteça? Em quais momentos você percebe que suas tentativas de ajudar acabam aumentando o conflito, mesmo sem querer? E como você cuida de si mesmo enquanto tenta cuidar do outro? Essas reflexões são fundamentais para que o apoio seja sustentável e não adoecedor.

Ajudar alguém com TPB em crise exige empatia, limites e informação, sempre lembrando que ninguém precisa carregar isso sozinho. Com orientação adequada, é possível oferecer apoio sem se perder no sofrimento do outro. Caso precise, estou à disposição.

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Durante uma crise de dor emocional ou autoagressão, familiares e amigos podem ajudar oferecendo presença calma e acolhedora, escutando sem julgar e reconhecendo a intensidade do sofrimento, sem minimizar nem rotular o comportamento. É importante manter limites claros e evitar tentar “resolver” a dor por completo, incentivando que a pessoa utilize estratégias seguras aprendidas na terapia ou busque apoio profissional imediato. Demonstrar consistência, paciência e disponibilidade ajuda a reduzir sentimentos de abandono e desamparo, criando um ambiente que permite que a pessoa se regule de forma mais segura.
 Bárbara Prado
Psicólogo, Psicanalista
São Paulo
Durante uma crise, o mais importante é oferecer presença e acolhimento, sem julgamentos ou confrontos. Escutar, validar o sofrimento e manter uma postura calma ajuda a reduzir a intensidade da dor emocional.

Também é fundamental incentivar a busca por ajuda profissional e respeitar os limites do tratamento. Familiares e amigos não substituem o cuidado clínico, mas podem ser uma rede de apoio importante quando atuam com orientação e cuidado.
Abraços

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