“À luz da psiquiatria contemporânea, o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode ser compree

“À luz da psiquiatria contemporânea, o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode ser compreendido como um transtorno da personalidade associado a prejuízos no funcionamento da personalidade e na regulação afetiva, apresentando características clínicas que podem variar entre níveis de funcionamento neurótico e psicótico?”

5 respostas


Oi, é um prazer te ter por aqui. Sim. A psiquiatria contemporânea e a psicopatologia estrutural reconhecem que o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) envolve prejuízos no funcionamento da personalidade e na regulação afetiva, podendo apresentar manifestações que variam entre níveis de funcionamento neurótico e psicótico — sem configurar psicose verdadeira. O paciente borderline mantém o teste de realidade preservado, mas pode apresentar episódios transitórios de dissociação, paranoia reativa, distorções intensas na percepção de si e dos outros e reatividade emocional extrema. Essa oscilação reflete a chamada organização borderline da personalidade, descrita por Kernberg, que situa o TPB entre a neurose (mais integrada) e a psicose (mais fragmentada). Essa posição intermediária explica por que o paciente pode funcionar muito bem em alguns contextos e, em outros, apresentar desorganização emocional significativa, especialmente em situações de ameaça relacional. Assim, sim: o TPB é um transtorno da personalidade com funcionamento variável, marcado por instabilidade afetiva, identidade difusa e defesas primitivas, mas sempre com preservação do teste de realidade. Atenciosamente, Psicólogo Fernando Segundo @psifernandosegundo fernandosegundo.com Atendimento on-line em todo o Brasil e presencialmente em Vitória-ES Abraços

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Olá, tudo bem? Sim, de modo geral essa formulação faz sentido, mas vale fazer alguns ajustes para deixá-la mais precisa. Na psiquiatria contemporânea, o Transtorno de Personalidade Borderline é compreendido como um transtorno da personalidade marcado por prejuízos no funcionamento do self, nas relações interpessoais, na regulação emocional, no controle de impulsos e na estabilidade da identidade. A ideia de que o TPB pode apresentar oscilações entre níveis de funcionamento mais neuróticos e momentos mais próximos de um funcionamento psicótico precisa ser entendida com cuidado. Isso não significa que a pessoa com TPB tenha necessariamente um transtorno psicótico. Em geral, o que pode ocorrer são episódios transitórios de desorganização, dissociação, pensamento paranoide sob estresse ou perda momentânea de integração emocional, especialmente em situações de abandono, rejeição, ameaça relacional ou intensa ativação afetiva. Uma pergunta clínica importante seria: esses estados aparecem apenas em momentos de grande estresse emocional ou permanecem de forma contínua? A pessoa consegue recuperar a crítica depois que a crise passa? Há prejuízo persistente da percepção da realidade ou há uma oscilação ligada ao vínculo, ao medo e à intensidade afetiva? Essas diferenças são fundamentais para uma avaliação responsável. Também é importante lembrar que o TPB envolve sofrimento real e padrões profundamente enraizados, não apenas “instabilidade emocional”. A pessoa pode funcionar bem em algumas áreas e se desorganizar muito em outras, especialmente nas relações íntimas. O sistema emocional pode reagir como se certas experiências atuais fossem ameaças muito maiores, ativando defesas intensas antes que a pessoa consiga refletir com clareza. Por isso, uma avaliação clínica cuidadosa deve considerar história de vida, padrão dos vínculos, identidade, impulsividade, dissociação, sintomas de humor, uso de substâncias e possíveis comorbidades. Em alguns casos, a avaliação psiquiátrica pode ser importante, especialmente quando há sintomas psicóticos persistentes, risco elevado ou sofrimento intenso. Caso precise, estou à disposição.

Juliana  da Cruz Barros Neves

Juliana da Cruz Barros Neves

Psicólogo

São Bernardo do Campo

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Sim, essa compreensão pode fazer sentido dentro de uma leitura clínica mais ampla. O TPB envolve prejuízos na regulação emocional, na identidade, nos vínculos e no manejo de impulsos. Em momentos de maior estresse, a pessoa pode apresentar pensamentos mais desorganizados, desconfiança intensa ou perda temporária de estabilidade emocional. Ainda assim, essa avaliação precisa ser individualizada e feita por profissional capacitado.


Sim, mas eu faria uma ressalva importante. Na psiquiatria contemporânea, o TPB é compreendido principalmente a partir de alterações no funcionamento da personalidade, na regulação emocional, na identidade e nos relacionamentos interpessoais, podendo apresentar episódios de desorganização ou sintomas dissociativos e paranoides transitórios em situações de estresse. A ideia de “níveis neurótico e psicótico” pertence mais à tradição psicodinâmica e não é a forma principal utilizada atualmente pelos sistemas diagnósticos para definir o transtorno. Pela psicanálise, porém, essa leitura pode ser útil para compreender que o funcionamento psíquico não é necessariamente uniforme e pode oscilar conforme a intensidade da angústia, sem significar que a pessoa seja permanentemente neurótica ou psicótica.

Anthony Souza

Anthony Souza

Psicólogo

Mogi Guaçu

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Sim, com ressalvas. O TPB pode ser compreendido como um transtorno envolvendo prejuízos no funcionamento da personalidade, identidade, relações interpessoais e regulação emocional. A referência a níveis neurótico e psicótico é mais própria de modelos psicodinâmicos/estruturais. Na psiquiatria contemporânea, prefere-se avaliar gravidade do funcionamento da personalidade e presença de sintomas dissociativos ou psicóticos transitórios, que podem ocorrer sob estresse.

Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.