Como a camuflagem afeta a identidade de uma pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?
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Como a camuflagem afeta a identidade de uma pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?
A camuflagem no TEA pode distorcer a percepção de si mesmo, fazendo a pessoa sentir que precisa esconder quem é para ser aceita. Isso pode gerar baixa autoestima, confusão sobre identidade e dificuldade em reconhecer ou expressar traços autênticos, impactando saúde mental e bem-estar emocional.
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Essa é uma questão muito delicada — e ao mesmo tempo essencial para compreender a experiência subjetiva de quem está no espectro. A camuflagem, no contexto do autismo, não é apenas um comportamento social; é um esforço contínuo de adaptação. Quando alguém passa boa parte da vida observando, imitando e ajustando o próprio jeito de ser para “parecer neurotípico”, isso inevitavelmente toca o núcleo da identidade.
Com o tempo, essa tentativa constante de se encaixar pode gerar uma sensação de alienação de si mesmo, como se a pessoa soubesse interagir, mas não se reconhecesse nas próprias interações. O cérebro, sob o ponto de vista da neurociência, mantém uma espécie de “dupla operação”: ativa circuitos de controle e vigilância social o tempo todo, enquanto suprime impulsos autênticos. Isso drena energia emocional e pode levar a fadiga, ansiedade e, em muitos casos, sintomas depressivos.
Muitas pessoas autistas descrevem o impacto da camuflagem como viver um “personagem” — alguém funcional, agradável, mas que sente que está atuando o tempo todo. É como se a mente aprendesse a ser aceita, mas o corpo e as emoções ainda buscassem permissão para existir de forma espontânea. E quando essa máscara cai, surge uma confusão: “Quem eu sou de verdade? O que gosto? O que é meu e o que é só uma adaptação?”.
Talvez valha se perguntar: em quais situações você sente que precisa esconder partes de si? O que acontece quando tenta ser mais natural e autêntica? E será que existe espaço hoje, na sua vida, para começar a mostrar um pouco mais da sua essência, sem tanto medo de não caber?
A terapia pode ser um espaço importante para reconstruir essa sensação de identidade, permitindo que o “ser autista” não seja um papel a disfarçar, mas uma forma legítima de existir. Caso precise, estou à disposição.
Essa é uma questão muito delicada — e ao mesmo tempo essencial para compreender a experiência subjetiva de quem está no espectro. A camuflagem, no contexto do autismo, não é apenas um comportamento social; é um esforço contínuo de adaptação. Quando alguém passa boa parte da vida observando, imitando e ajustando o próprio jeito de ser para “parecer neurotípico”, isso inevitavelmente toca o núcleo da identidade.
Com o tempo, essa tentativa constante de se encaixar pode gerar uma sensação de alienação de si mesmo, como se a pessoa soubesse interagir, mas não se reconhecesse nas próprias interações. O cérebro, sob o ponto de vista da neurociência, mantém uma espécie de “dupla operação”: ativa circuitos de controle e vigilância social o tempo todo, enquanto suprime impulsos autênticos. Isso drena energia emocional e pode levar a fadiga, ansiedade e, em muitos casos, sintomas depressivos.
Muitas pessoas autistas descrevem o impacto da camuflagem como viver um “personagem” — alguém funcional, agradável, mas que sente que está atuando o tempo todo. É como se a mente aprendesse a ser aceita, mas o corpo e as emoções ainda buscassem permissão para existir de forma espontânea. E quando essa máscara cai, surge uma confusão: “Quem eu sou de verdade? O que gosto? O que é meu e o que é só uma adaptação?”.
Talvez valha se perguntar: em quais situações você sente que precisa esconder partes de si? O que acontece quando tenta ser mais natural e autêntica? E será que existe espaço hoje, na sua vida, para começar a mostrar um pouco mais da sua essência, sem tanto medo de não caber?
A terapia pode ser um espaço importante para reconstruir essa sensação de identidade, permitindo que o “ser autista” não seja um papel a disfarçar, mas uma forma legítima de existir. Caso precise, estou à disposição.
A camuflagem no Transtorno do Espectro Autista (TEA) refere-se ao esforço contínuo que a pessoa faz para ocultar ou compensar características do autismo na procura de se adaptar às expectativas sociais. Isso pode incluir imitar comportamentos, controlar gestos, forçar contato visual ou “atuar” socialmente, por exemplo.
Do ponto de vista psicanalítico, esse movimento pode ter efeitos sobre a identidade. Quando a pessoa precisa constantemente se afastar do próprio modo de ser para tentar corresponder ao outro, pode surgir um sentimento de estranhamento de si, cansaço psíquico, angústia e dificuldade em reconhecer o que é próprio do seu desejo e do seu funcionamento subjetivo. Sem falar que tentar camuflar sempre, aquilo que se sente e que faz parte de si, pode ser incrivelmente exaustivo e angustiante.
A identidade, na psicanálise, não é algo fixo, mas se constrói na relação com o outro e com a linguagem. A camuflagem excessiva pode levar a uma organização em que o sujeito se apoia mais em um “personagem” do que em uma posição subjetiva própria, o que, ao longo do tempo, pode contribuir para sofrimento emocional. Muitas coisas podem contribuir para isso como, medo de ser julgado, tentar parecer forte, fingir que está tudo bem.
O trabalho clínico, busca oferecer um espaço seguro, em que a pessoa possa se expressar sem a exigência de mascaramento/camuflagem, favorecendo o reconhecimento de seu modo singular de estar no mundo, sem reduzir o sujeito ao diagnóstico, além de reconhecer os próprios sentimentos, vontades e desejos ao invés de manter o sujeito preso naquilo que se espera dele ou que se acha que lhe é esperado.
Do ponto de vista psicanalítico, esse movimento pode ter efeitos sobre a identidade. Quando a pessoa precisa constantemente se afastar do próprio modo de ser para tentar corresponder ao outro, pode surgir um sentimento de estranhamento de si, cansaço psíquico, angústia e dificuldade em reconhecer o que é próprio do seu desejo e do seu funcionamento subjetivo. Sem falar que tentar camuflar sempre, aquilo que se sente e que faz parte de si, pode ser incrivelmente exaustivo e angustiante.
A identidade, na psicanálise, não é algo fixo, mas se constrói na relação com o outro e com a linguagem. A camuflagem excessiva pode levar a uma organização em que o sujeito se apoia mais em um “personagem” do que em uma posição subjetiva própria, o que, ao longo do tempo, pode contribuir para sofrimento emocional. Muitas coisas podem contribuir para isso como, medo de ser julgado, tentar parecer forte, fingir que está tudo bem.
O trabalho clínico, busca oferecer um espaço seguro, em que a pessoa possa se expressar sem a exigência de mascaramento/camuflagem, favorecendo o reconhecimento de seu modo singular de estar no mundo, sem reduzir o sujeito ao diagnóstico, além de reconhecer os próprios sentimentos, vontades e desejos ao invés de manter o sujeito preso naquilo que se espera dele ou que se acha que lhe é esperado.
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