Como a negação do diagnóstico afeta os padrões de pensamento disfuncionais de um paciente com Transt

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Como a negação do diagnóstico afeta os padrões de pensamento disfuncionais de um paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ? Existe uma abordagem específica para desafiar esses padrões durante o tratamento?
A negação do diagnóstico no Transtorno de Personalidade Borderline tende a reforçar padrões de pensamento disfuncionais, como autocrítica extrema, culpa excessiva, distorções interpessoais e impulsividade, pois o paciente evita reconhecer vulnerabilidades e limitações que exigiriam autorreflexão e mudança. Durante o tratamento, o psicólogo pode desafiar esses padrões de forma indireta e gradual, validando o sofrimento, promovendo a nomeação de emoções, incentivando a observação de consequências das ações e usando técnicas de regulação emocional. Na perspectiva psicanalítica, essas distorções são trabalhadas na transferência e no vínculo terapêutico, permitindo que o sujeito experimente novas formas de pensar e se relacionar sem sentir que está sendo atacado, facilitando a reorganização gradual de padrões cognitivos e afetivos.

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Dra. Rosana Paula Silva Medeiros
Psicólogo, Psicanalista
Rio de Janeiro
A negação do diagnóstico no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) atua como um mecanismo que cristaliza os padrões de pensamento disfuncionais, impedindo que o paciente identifique a origem de seu sofrimento e mantendo-o preso a ciclos de reatividade emocional. Quando o paciente nega a condição, ele tende a externalizar a culpa por suas crises, reforçando distorções como o pensamento dicotômico ("tudo ou nada")

A negação afeta a cognição do paciente das seguintes formas:

Reforço da Externalização: Em vez de reconhecer a desregulação emocional interna, o paciente atribui seu caos interpessoal exclusivamente a falhas alheias, o que alimenta o ciclo de idealização e desvalorização.

Manutenção de Esquemas Desadaptativos: Esquemas como os de abandono/instabilidade e autocontrole insuficiente permanecem ativos e inquestionáveis, pois o paciente não os vê como parte de um transtorno, mas como "sua maneira de ser".

Distanciamento da Realidade: A negação impede o confronto com distorções cognitivas (como a catastrofização), fazendo com que o paciente responda a situações reais com base em dados de fantasia ou interpretações enviesadas de ameaça.

Bloqueio do Automonitoramento: Ferramentas como o Registro de Pensamentos Disfuncionais (RPD) tornam-se ineficazes se o paciente não aceita que seus pensamentos automáticos podem ser hipóteses equivocadas em vez de fatos.
A aceitação do diagnóstico é frequentemente um processo gradual. O tratamento costuma focar primeiro na redução de comportamentos de risco e na construção de um vínculo de confiança antes de confrontar diretamente a negação profunda.
A negação pode manter os padrões de pensamento mais rígidos, já que o paciente ainda não reconhece o que precisa ser trabalhado. Abordagens que incentivam a observação dos próprios pensamentos, a identificação de padrões e a ampliação de perspectivas ajudam a flexibilizar essas crenças de forma gradual.
A negação é levada como um mecanismo de defesa, busca impedir o tratamento em cima do transtorno, muitas vezes levando o sujeito a desafiar ou até mesmo romper com a relação terapêutica (a base de todo o tratamento). O sujeito terá pensamentos como : "ele não está me entendendo", "todo mundo me provoca com esse rótulo", algo do gênero que corresponda com suas dores emocionais.
O que rompe com isso é ir pela linha lógica do paciente, não mencionando sobre o transtorno.

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