Como clínicos diferenciam inconsistência de dissimulação intencional no Transtorno de Personalidade

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Como clínicos diferenciam inconsistência de dissimulação intencional no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?”
No Transtorno de Personalidade Borderline, clínicos diferenciam inconsistência de dissimulação intencional observando o contexto, a frequência e a função do comportamento, já que a inconsistência costuma emergir de oscilações emocionais intensas e dificuldade de integração psíquica, aparecendo de forma pouco planejada e variável, enquanto a dissimulação intencional tende a ser mais estável, dirigida a objetivos claros e mantida mesmo diante de confrontação, sendo essa distinção construída ao longo do acompanhamento profissional contínuo, que permite compreender o sentido dessas manifestações com maior precisão.

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 Juliana  da Cruz Barros Neves
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Que bom que você trouxe essa dúvida, porque ela toca em um ponto bem delicado da prática clínica.

Na avaliação de alguém com características de Transtorno de Personalidade Borderline, a diferença entre inconsistência e dissimulação intencional não costuma ser feita apenas pelo conteúdo do que a pessoa diz, mas principalmente pelo padrão ao longo do tempo e pelo estado emocional em que aquilo aparece. A inconsistência, nesse contexto, geralmente acompanha mudanças intensas de humor, percepção e sensação de ameaça. A pessoa pode afirmar algo com convicção em um momento e, horas depois, sentir o oposto, não por querer enganar, mas porque o estado interno mudou e reorganizou completamente a experiência dela.

Já a dissimulação intencional tende a ser mais estável, mais organizada e menos dependente do estado emocional. Existe um objetivo mais claro de esconder, manipular ou produzir um efeito específico no outro. No TPB, o que mais aparece na clínica é algo diferente disso: uma oscilação genuína, muitas vezes acompanhada de sofrimento, confusão e até arrependimento posterior. O clínico observa se há coerência entre emoção, comportamento e contexto, e se essa coerência muda conforme o estado afetivo se intensifica.

Do ponto de vista mais interno, vale se perguntar: quando essas mudanças acontecem, a pessoa percebe que está mudando ou sente como se aquilo fosse totalmente verdadeiro naquele momento? Existe culpa ou estranhamento depois? O comportamento surge mais em situações de vínculo e medo de perda? Essas pistas ajudam bastante a diferenciar um funcionamento de outro.

Também é importante lembrar que o foco do trabalho clínico não é rotular o comportamento como “verdadeiro” ou “falso”, mas entender a função dele. Em muitos casos, essas aparentes inconsistências são tentativas de lidar com emoções muito difíceis e com uma sensação de instabilidade interna que ainda não encontrou formas mais seguras de regulação.

Se fizer sentido, esse é um tipo de questão que pode ser muito bem aprofundada em terapia, justamente para organizar essas experiências com mais clareza e menos julgamento.

Caso precise, estou à disposição.
No Transtorno de Personalidade Borderline, a inconsistência geralmente vem da desregulação emocional: a pessoa muda a narrativa conforme o estado afetivo, sem intenção consciente de enganar.
Já a dissimulação intencional tende a ser mais estratégica, coerente e controlada, com objetivo claro.

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