Como eu sei que estou rejeitando o bebê na barriga? Ou somente não aceitei a ideia de ter um bebê ?

Como eu sei que estou rejeitando o bebê na barriga? Ou somente não aceitei a ideia de ter um bebê ?

4 respostas


Neste momento é preciso compreender o contexto em torno desta gestação, ou seja quais dificuldades emocionais, financeiras se houver, rede de apoio e principalmente como está sendo para você estar gestante, são inúmeros fatores que precisam ser olhados com calma e compreensão para que você consiga encontrar respostas e novos caminhos para regulação emocional durante a gestação.

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Essa é uma dúvida muito comum, e é importante dizer que não aceitar imediatamente a gravidez não é a mesma coisa que rejeitar o bebê. Muitas mulheres, especialmente quando a gestação não foi planejada ou ocorre em um momento de muitas mudanças, passam por um período de ambivalência. É possível sentir medo, insegurança, tristeza, estranhamento ou até pensar "ainda não consigo me imaginar como mãe", sem que isso signifique falta de amor pelo bebê. Uma forma de refletir sobre essa diferença é observar onde está a maior dificuldade. Pergunte-se: o que mais me angustia é a ideia de ter um filho e tudo o que isso representa para minha vida, ou sinto um distanciamento especificamente em relação ao bebê? Muitas vezes, o conflito está relacionado à mudança de identidade, às responsabilidades da maternidade, às preocupações financeiras, ao relacionamento ou ao medo do futuro, e não ao bebê em si. Também vale observar se, apesar das dúvidas, você consegue imaginar esse bebê, pensar em como será conhecê-lo ou sentir alguma curiosidade sobre ele, ainda que misturada com medo. A presença de sentimentos ambivalentes costuma ser diferente de uma dificuldade persistente de estabelecer qualquer representação ou expectativa em relação ao bebê. Outro ponto importante é que sintomas de ansiedade, depressão ou estresse intenso durante a gestação podem dificultar a conexão emocional. Nesses casos, a sensação de distância muitas vezes reflete o sofrimento psíquico da mãe, e não uma rejeição ao bebê. Por isso, se essas dúvidas vêm acompanhadas de tristeza persistente, ansiedade intensa, culpa, perda de prazer nas atividades ou grande sofrimento, vale a pena conversar com uma psicóloga perinatal ou com a profissional obstetra que acompanha seu pré-natal. O acompanhamento psicológico pode ajudá-la a compreender melhor o que está acontecendo e a fortalecer esse processo de adaptação à maternidade. Em outras palavras, não sentir que "ama o bebê" desde o início da gravidez não significa, por si só, que você o esteja rejeitando. O vínculo entre mãe e bebê pode ser construído gradualmente, e cada mulher vivencia esse processo de maneira única.

Dra. Maiara Correa

Dra. Maiara Correa

Psicólogo

Florianópolis

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Sentir medo, estranhamento, dúvidas ou não perceber uma conexão imediata com o bebê não significa, por si só, rejeição. A gravidez pode despertar sentimentos ambivalentes, inclusive quando foi desejada. É importante observar se esse desconforto é persistente, provoca sofrimento intenso, culpa, desesperança ou dificulta seus cuidados cotidianos. Converse com seu obstetra e procure acompanhamento psicológico para compreender esses sentimentos sem julgamentos. Caso surjam pensamentos de machucar você mesma ou o bebê, procure atendimento de urgência.


Olá! Essa é uma dúvida muito comum durante a gestação e, muitas vezes, gera culpa desnecessária. É importante saber que não aceitar imediatamente a gravidez não significa, necessariamente, rejeitar o bebê. São experiências diferentes. Muitas mulheres precisam de tempo para elaborar a notícia da gestação, especialmente quando ela acontece de forma inesperada ou em um momento de muitas mudanças pessoais, profissionais ou familiares. A adaptação à ideia de se tornar mãe costuma ser um processo gradual. Durante esse período, podem surgir sentimentos ambivalentes: alegria e medo, expectativa e insegurança, amor e vontade de que a vida permanecesse como era antes. Essas emoções podem coexistir e não fazem de você uma mãe pior. Uma forma de refletir sobre isso é observar a origem do seu sofrimento. Você sente que está rejeitando o bebê especificamente ou percebe que está tendo dificuldade em aceitar tudo o que a gestação representa — mudanças no corpo, na rotina, nos planos, nas responsabilidades e na identidade? Muitas vezes, o conflito está relacionado à transformação que a gravidez traz para a vida, e não à criança em si. Também vale observar como você se sente quando pensa no futuro. Mesmo que hoje exista medo ou dificuldade em aceitar a gestação, você consegue imaginar, ainda que de forma tímida, um desejo de cuidar desse bebê ou curiosidade sobre como será conhecê-lo? Quando isso acontece, geralmente estamos diante de um processo de adaptação, e não de rejeição. Por outro lado, se você percebe sentimentos persistentes de intensa tristeza, desesperança, indiferença completa em relação à gravidez ou sofrimento que tem aumentado ao longo das semanas, é importante conversar com o obstetra e procurar acompanhamento psicológico. Em alguns casos, esses sentimentos podem estar relacionados à ansiedade, à depressão durante a gestação ou a outras dificuldades emocionais que merecem atenção. Não existe uma maneira "correta" de sentir a gravidez. O vínculo entre mãe e bebê pode ser construído em momentos diferentes: para algumas mulheres, ele surge logo no início; para outras, fortalece-se ao longo da gestação ou até mesmo após o nascimento. Permita-se viver esse processo sem concluir, de forma precipitada, que a dificuldade em aceitar a gravidez significa falta de amor pelo seu bebê. Dar tempo para que essa experiência seja elaborada costuma ser parte natural da maternidade. Espero ter ajudado. Rodrigo Vieira Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)

Rodrigo  Vieira

Rodrigo Vieira

Psicólogo

Rio de Janeiro

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Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.