Passei um inferno em um antigo trabalho por 3 anos e minha mãe não acreditou no que eu disse dizendo

Passei um inferno em um antigo trabalho por 3 anos e minha mãe não acreditou no que eu disse dizendo que eu tinha mania de perseguição, que estava exagerando, etc. Fiquei tão mal que no trabalho quase desmaiei e tive problemas de estômago. Saí dele recentemente e ainda tenho sentimento de abandono e traição e concluo com isso que a maioria das pessoas não prestam e são falsas. Como lidar com o sentimento de abandono e traição vindo da mãe?

4 respostas


O que mais chama atenção no seu relato não é apenas o ambiente de trabalho difícil, mas o fato de que, quando você buscou apoio da pessoa de quem provavelmente mais precisava naquele momento, sentiu que sua experiência foi desacreditada. Quando alguém passa por um período prolongado de sofrimento e escuta que está exagerando, que é "mania de perseguição" ou que seus sentimentos não são reais, isso pode gerar uma sensação profunda de abandono e traição. Nesses casos, a dor não vem apenas do que aconteceu no trabalho, mas também da falta de acolhimento diante desse sofrimento. É compreensível que, após essa experiência, sua mente tente se proteger chegando a conclusões como "a maioria das pessoas não presta" ou "ninguém é confiável". Embora esses pensamentos possam funcionar como uma tentativa de evitar novas decepções, eles também podem dificultar a construção de relações seguras e fazer com que você interprete novas situações sempre pela expectativa de ser invalidado ou abandonado. Na psicoterapia, o objetivo não costuma ser convencê-lo de que "as pessoas são boas" nem dizer que sua mãe estava certa ou errada. O trabalho é compreender como essa experiência afetou suas crenças sobre si mesmo, sobre os outros e sobre os relacionamentos. Aos poucos, essas conclusões mais globais podem ser transformadas em compreensões mais específicas, como: "Quando me sinto desacreditado por alguém importante, passo a esperar rejeição e abandono." Essa formulação costuma abrir espaço para respostas mais flexíveis do que acreditar que todas as pessoas agirão da mesma forma. Também é importante reconhecer que o sofrimento que você viveu foi real. O fato de você ter desenvolvido sintomas físicos, como mal-estar intenso e problemas gastrointestinais, mostra o quanto essa situação teve impacto sobre sua saúde emocional e física. Independentemente da interpretação da sua mãe, sua experiência merece ser compreendida e acolhida. Com o tempo e em um ambiente terapêutico seguro, é possível elaborar essa sensação de abandono, fortalecer a confiança em seus próprios sentimentos e aprender a diferenciar pessoas que realmente não oferecem suporte daquelas que podem construir relações mais confiáveis. Isso não significa esquecer o que aconteceu, mas permitir que essa experiência deixe de definir todas as suas expectativas sobre os outros e sobre si mesmo.

Dra. Maiara Correa

Dra. Maiara Correa

Psicólogo

Florianópolis

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Sua mensagem mostra o quanto essa experiência foi difícil. Você descreve uma situação de sofrimento no trabalho que se prolongou por três anos, tempo suficiente para deixar marcas importantes na sua subjetividade. Esse sofrimento aparece de diferentes formas: pelos sintomas físicos, como a sensação de quase desmaiar e os problemas de estômago, pelos sentimentos de abandono e traição e também pela desconfiança em relação às pessoas. Tudo isso, por si só, já representa uma carga muito pesada. No entanto, me parece que o ponto central da sua pergunta está em outro lugar: na relação com sua mãe. Pelo que você relata, a palavra dela ocupa um lugar muito importante. Quando ela respondeu que você estava exagerando ou que tinha "mania de perseguição", parece que o sofrimento que você vivia deixou de encontrar reconhecimento. Isso chama a atenção porque você permaneceu nesse ambiente por três anos e sua mensagem sugere que essa resposta da sua mãe pode ter contribuído para que você colocasse em dúvida a gravidade daquilo que estava vivendo. Mais do que compreender o que aconteceu naquele trabalho, talvez seja importante entender os efeitos que essa relação produziu e ainda produz na sua vida. O sentimento de abandono e traição que você descreve parece apontar para algo que vai além do ambiente profissional e merece ser escutado com cuidado. A análise pode ser um espaço importante para elaborar essa experiência, compreender o lugar que essa relação com sua mãe ocupa na sua história e os efeitos que ela tem sobre seus vínculos, suas escolhas e seu sofrimento atual. Esse é um trabalho que acontece de forma individualizada, respeitando a singularidade da sua trajetória. Portanto, indico que você comece um tratamento psicoterápico tão logo!


Você parece ter vivido duas dores: o sofrimento no trabalho e a falta de acolhimento de alguém de quem esperava proteção. Depois de uma experiência prolongada assim, é compreensível ficar desconfiado, mas concluir que a maioria das pessoas é falsa pode ser uma forma de proteção criada pela ferida, e não um retrato seguro de todas as relações. Talvez sua mãe nunca ofereça a validação de que você precisa; nesse caso, será importante estabelecer limites e buscar apoio em pessoas confiáveis e na psicoterapia, elaborando o que aconteceu sem depender do reconhecimento dela para acreditar na própria experiência.


Olá! Sinto muito que você tenha vivido essa experiência. Pelo que você relata, o sofrimento não parece estar relacionado apenas ao que aconteceu no trabalho, mas também ao fato de não ter se sentido acreditado por alguém de quem esperava acolhimento e proteção. Quando uma pessoa passa por uma situação muito difícil e, ao buscar apoio, recebe descrédito ou minimização do seu sofrimento, é comum surgirem sentimentos de abandono, traição e profunda solidão. É importante reconhecer que esses sentimentos fazem sentido dentro da sua história. Em muitos momentos da vida, esperamos que figuras importantes, como nossos pais, validem nossa experiência e nos ofereçam segurança. Quando isso não acontece, a dor costuma ser maior do que a causada pelo próprio evento estressante. Ao mesmo tempo, chamou minha atenção a conclusão a que você chegou: de que "a maioria das pessoas não presta e são falsas". Essa conclusão é compreensível diante do sofrimento vivido, mas vale a pena observá-la com cuidado. Muitas vezes, após experiências de intensa decepção, nossa mente passa a generalizar o ocorrido como uma forma de proteção, tentando evitar que sejamos machucados novamente. Embora essa estratégia possa diminuir a vulnerabilidade no curto prazo, ela também pode dificultar a construção de novos vínculos e fazer com que a desconfiança se estenda a pessoas que nunca contribuíram para esse sofrimento. Na psicoterapia, costuma ser importante diferenciar duas dores: a dor causada pelo que aconteceu no ambiente de trabalho e a dor de não ter recebido o apoio que você precisava da sua mãe. Elaborar essas experiências não significa justificar a atitude dela, mas compreender o impacto que isso teve sobre você e evitar que essa vivência continue determinando a forma como enxerga todas as outras relações. Também pode ser útil refletir sobre algo importante: o fato de sua mãe não ter conseguido validar sua experiência não significa, necessariamente, que aquilo que você viveu não tenha sido real. Muitas pessoas, por limitações pessoais, dificuldade de compreender o sofrimento do outro ou até mecanismos de defesa, acabam reagindo dessa forma. Isso pode explicar o comportamento, mas não diminui a dor que ele causou. Com o tempo, o objetivo da terapia costuma ser ajudá-lo a construir uma forma de reconhecer essa ferida sem permitir que ela se transforme em uma crença permanente de que ninguém é confiável. É possível preservar o cuidado consigo mesmo, estabelecer limites quando necessário e, ao mesmo tempo, continuar aberto à possibilidade de encontrar pessoas que ofereçam relações mais seguras e acolhedoras. Se esse sentimento de abandono ainda é muito intenso, acredito que ele merece um espaço específico na psicoterapia. Muitas vezes, trabalhar essa experiência permite não apenas aliviar a dor do passado, mas também recuperar a confiança para construir novos vínculos no presente. Espero ter ajudado. Rodrigo Vieira Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)

Rodrigo  Vieira

Rodrigo Vieira

Psicólogo

Rio de Janeiro

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