Como lidar com crises de raiva no Transtorno de Déficit de Atenção” (TDAH) ?
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respostas
Como lidar com crises de raiva no Transtorno de Déficit de Atenção” (TDAH) ?
Ola, bom dia.
De forma técnica os critérios se organizam assim:
1. Presença persistente de sintomas de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade
Segundo os manuais diagnósticos (DSM-5-TR / CID-11), é necessário que os sintomas estejam presentes por pelo menos 6 meses, em intensidade incompatível com o nível de desenvolvimento.
Desatenção (exemplos):
Dificuldade em manter foco em tarefas ou conversas
Erros por descuido frequentes
Parece não escutar quando se fala diretamente
Dificuldade em organizar atividades e rotinas
Evita tarefas que exigem esforço mental prolongado
Esquecimentos frequentes no dia a dia
Hiperatividade-impulsividade (exemplos):
Agitação motora ou sensação interna de inquietude
Dificuldade em permanecer sentado
Fala excessiva
Interrompe, responde antes da pergunta terminar
Dificuldade em esperar a sua vez
- Crianças: geralmente 6 ou mais sintomas
- Adolescentes e adultos: 5 ou mais sintomas
2. Início dos sintomas na infância
Os sinais precisam ter aparecido antes dos 12 anos, mesmo que só tenham sido reconhecidos mais tarde. Às vezes, estavam ali como um sussurro ignorado: “desorganizado”, “avoado”, “não se esforça”.
3. Presença dos sintomas em dois ou mais contextos
O TDAH não mora em um único cenário. Ele aparece:
Na escola ou no trabalho
Em casa
Nas relações sociais
Se os sinais surgem apenas em um ambiente, é preciso investigar outras causas.
4. Prejuízo funcional clinicamente significativo
Não basta ter características; é preciso haver impacto real:
Acadêmico
Profissional
Social
Emocional
O sofrimento e as dificuldades de desempenho são peças-chave desse quebra-cabeça.
5. Exclusão de outras condições
O diagnóstico exige cuidado para não confundir caminhos:
Ansiedade
Depressão
Transtornos de aprendizagem
Transtornos do humor
Transtornos de personalidade
Condições neurológicas ou uso de substâncias
Às vezes, o que parece distração é medo; o que parece impulsividade é dor.
6. Avaliação clínica ampla e criteriosa
Não existe exame único que “prove” o TDAH. A confirmação vem da convergência de:
Entrevista clínica detalhada
Histórico de desenvolvimento
Relatos familiares e escolares
Escalas e questionários padronizados
Avaliação neuropsicológica (quando indicada)
7. Especificação do tipo
Após a confirmação, define-se o perfil:
-Predominantemente desatento
- Predominantemente hiperativo-impulsivo
- Apresentação combinada
E também o grau de impacto: leve, moderado ou grave.
Um olhar final
Diagnosticar TDAH é reconhecer um modo singular de funcionamento cerebral — não uma falha moral, não falta de vontade, também não é preguiça. Quando bem identificado, o diagnóstico não aprisiona: ele organiza, acolhe e abre caminhos de cuidado.
De forma técnica os critérios se organizam assim:
1. Presença persistente de sintomas de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade
Segundo os manuais diagnósticos (DSM-5-TR / CID-11), é necessário que os sintomas estejam presentes por pelo menos 6 meses, em intensidade incompatível com o nível de desenvolvimento.
Desatenção (exemplos):
Dificuldade em manter foco em tarefas ou conversas
Erros por descuido frequentes
Parece não escutar quando se fala diretamente
Dificuldade em organizar atividades e rotinas
Evita tarefas que exigem esforço mental prolongado
Esquecimentos frequentes no dia a dia
Hiperatividade-impulsividade (exemplos):
Agitação motora ou sensação interna de inquietude
Dificuldade em permanecer sentado
Fala excessiva
Interrompe, responde antes da pergunta terminar
Dificuldade em esperar a sua vez
- Crianças: geralmente 6 ou mais sintomas
- Adolescentes e adultos: 5 ou mais sintomas
2. Início dos sintomas na infância
Os sinais precisam ter aparecido antes dos 12 anos, mesmo que só tenham sido reconhecidos mais tarde. Às vezes, estavam ali como um sussurro ignorado: “desorganizado”, “avoado”, “não se esforça”.
3. Presença dos sintomas em dois ou mais contextos
O TDAH não mora em um único cenário. Ele aparece:
Na escola ou no trabalho
Em casa
Nas relações sociais
Se os sinais surgem apenas em um ambiente, é preciso investigar outras causas.
4. Prejuízo funcional clinicamente significativo
Não basta ter características; é preciso haver impacto real:
Acadêmico
Profissional
Social
Emocional
O sofrimento e as dificuldades de desempenho são peças-chave desse quebra-cabeça.
5. Exclusão de outras condições
O diagnóstico exige cuidado para não confundir caminhos:
Ansiedade
Depressão
Transtornos de aprendizagem
Transtornos do humor
Transtornos de personalidade
Condições neurológicas ou uso de substâncias
Às vezes, o que parece distração é medo; o que parece impulsividade é dor.
6. Avaliação clínica ampla e criteriosa
Não existe exame único que “prove” o TDAH. A confirmação vem da convergência de:
Entrevista clínica detalhada
Histórico de desenvolvimento
Relatos familiares e escolares
Escalas e questionários padronizados
Avaliação neuropsicológica (quando indicada)
7. Especificação do tipo
Após a confirmação, define-se o perfil:
-Predominantemente desatento
- Predominantemente hiperativo-impulsivo
- Apresentação combinada
E também o grau de impacto: leve, moderado ou grave.
Um olhar final
Diagnosticar TDAH é reconhecer um modo singular de funcionamento cerebral — não uma falha moral, não falta de vontade, também não é preguiça. Quando bem identificado, o diagnóstico não aprisiona: ele organiza, acolhe e abre caminhos de cuidado.
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Querido anônimo ou anônima, essa é uma pergunta importante, principalmente quando pensamos no cotidiano escolar e nas tentativas de acolher e compreender cada criança em sua singularidade. O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno do Desenvolvimento Intelectual (antigamente chamado de deficiência intelectual) podem, de fato, apresentar comportamentos semelhantes à primeira vista, como dificuldades de atenção, desempenho escolar abaixo do esperado e impulsividade. No entanto, eles têm naturezas e manifestações distintas.
No TDAH, a criança costuma ter uma inteligência dentro da média, mas apresenta uma dificuldade significativa em manter a atenção, controlar impulsos ou regular sua atividade motora, o que pode prejudicar o processo de aprendizagem e a convivência. Já no Transtorno do Desenvolvimento Intelectual, há um comprometimento mais global das funções cognitivas — como linguagem, memória, raciocínio lógico e resolução de problemas — desde os primeiros anos de vida. Ou seja, a diferença está menos no comportamento isolado e mais na forma como a criança compreende o mundo, aprende e elabora as situações.
Na sala de aula, uma criança com TDAH pode alternar entre momentos de grande energia e desatenção, mas é capaz de compreender os conteúdos quando consegue manter o foco. Já uma criança com deficiência intelectual pode apresentar mais lentidão para aprender, mesmo com esforço e atenção. Essa distinção, porém, não é sempre nítida, e só pode ser feita com cuidado por uma equipe multidisciplinar, incluindo psicólogo, pedagogo e médico.
Pela lente da psicanálise, mais do que se fixar em diagnósticos rígidos, é importante escutar o sujeito em sua singularidade: como ele vive essas dificuldades? Como reage às frustrações? Que lugar ocupa na fala dos adultos? A terapia, nesse sentido, é um espaço que pode oferecer escuta, simbolização e novas formas de lidar com os limites. Ela ajuda a criança (ou o adolescente) a construir uma narrativa sobre si mesma, reconhecer suas potencialidades e elaborar o sofrimento que muitas vezes acompanha essas dificuldades. E também pode acolher a angústia dos pais e professores, que muitas vezes se sentem perdidos diante do desafio de educar e cuidar.
Espero ter te ajudado. Qualquer pergunta estou à disposição. Grande abraço!
No TDAH, a criança costuma ter uma inteligência dentro da média, mas apresenta uma dificuldade significativa em manter a atenção, controlar impulsos ou regular sua atividade motora, o que pode prejudicar o processo de aprendizagem e a convivência. Já no Transtorno do Desenvolvimento Intelectual, há um comprometimento mais global das funções cognitivas — como linguagem, memória, raciocínio lógico e resolução de problemas — desde os primeiros anos de vida. Ou seja, a diferença está menos no comportamento isolado e mais na forma como a criança compreende o mundo, aprende e elabora as situações.
Na sala de aula, uma criança com TDAH pode alternar entre momentos de grande energia e desatenção, mas é capaz de compreender os conteúdos quando consegue manter o foco. Já uma criança com deficiência intelectual pode apresentar mais lentidão para aprender, mesmo com esforço e atenção. Essa distinção, porém, não é sempre nítida, e só pode ser feita com cuidado por uma equipe multidisciplinar, incluindo psicólogo, pedagogo e médico.
Pela lente da psicanálise, mais do que se fixar em diagnósticos rígidos, é importante escutar o sujeito em sua singularidade: como ele vive essas dificuldades? Como reage às frustrações? Que lugar ocupa na fala dos adultos? A terapia, nesse sentido, é um espaço que pode oferecer escuta, simbolização e novas formas de lidar com os limites. Ela ajuda a criança (ou o adolescente) a construir uma narrativa sobre si mesma, reconhecer suas potencialidades e elaborar o sofrimento que muitas vezes acompanha essas dificuldades. E também pode acolher a angústia dos pais e professores, que muitas vezes se sentem perdidos diante do desafio de educar e cuidar.
Espero ter te ajudado. Qualquer pergunta estou à disposição. Grande abraço!
Crises de raiva no TDAH costumam estar ligadas à impulsividade e à baixa tolerância à frustração, devido a dificuldades no controle inibitório e na regulação emocional. Para lidar com elas:
1. Intervenção psicológica
Terapia cognitivo-comportamental (TCC) é a abordagem com maior evidência. Ensina estratégias de autorregulação, reconhecimento precoce dos sinais de irritação e técnicas de enfrentamento.
2. Treino de habilidades socioemocionais
Programas de regulação emocional e resolução de problemas ajudam a desenvolver estratégias para lidar com frustrações e organizar pensamentos antes de agir.
3. Medicação
Estimulantes (como metilfenidato) ou não-estimulantes (como atomoxetina) podem reduzir impulsividade e melhorar o controle emocional. A decisão é médica e baseada em avaliação individual.
4. Apoio familiar e psicoeducação
É importante que familiares e professores entendam o funcionamento do TDAH e saibam como intervir de forma acolhedora, evitando punições impulsivas e reforçando comportamentos positivos.
5. Avaliação neuropsicológica
Pode identificar níveis específicos de desregulação emocional, impulsividade e outras comorbidades, auxiliando no planejamento terapêutico individualizado.
Se as crises forem intensas ou frequentes, é essencial buscar acompanhamento especializado com psicólogo e/ou psiquiatra.
1. Intervenção psicológica
Terapia cognitivo-comportamental (TCC) é a abordagem com maior evidência. Ensina estratégias de autorregulação, reconhecimento precoce dos sinais de irritação e técnicas de enfrentamento.
2. Treino de habilidades socioemocionais
Programas de regulação emocional e resolução de problemas ajudam a desenvolver estratégias para lidar com frustrações e organizar pensamentos antes de agir.
3. Medicação
Estimulantes (como metilfenidato) ou não-estimulantes (como atomoxetina) podem reduzir impulsividade e melhorar o controle emocional. A decisão é médica e baseada em avaliação individual.
4. Apoio familiar e psicoeducação
É importante que familiares e professores entendam o funcionamento do TDAH e saibam como intervir de forma acolhedora, evitando punições impulsivas e reforçando comportamentos positivos.
5. Avaliação neuropsicológica
Pode identificar níveis específicos de desregulação emocional, impulsividade e outras comorbidades, auxiliando no planejamento terapêutico individualizado.
Se as crises forem intensas ou frequentes, é essencial buscar acompanhamento especializado com psicólogo e/ou psiquiatra.
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