. Como o terapeuta pode ajudar o paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) a melhora

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. Como o terapeuta pode ajudar o paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) a melhorar a percepção de si mesmo, promovendo a autoaceitação?
No Transtorno de Personalidade Borderline, a dificuldade na autoaceitação costuma derivar de uma imagem de si fragmentada e muito dependente do olhar do Outro, então o trabalho do terapeuta não é oferecer uma imagem positiva pronta, mas possibilitar que o sujeito construa uma narrativa mais contínua sobre si; isso se dá ao sustentar a escuta das contradições sem corrigi-las, ajudando a ligar diferentes versões de si que aparecem ao longo do tempo, e nomeando quando há passagens bruscas de idealização para autodepreciação; ao devolver de forma pontual traços, escolhas e repetições, o terapeuta favorece uma apropriação menos alienada da própria experiência, enquanto evita ocupar o lugar de quem valida ou invalida o valor do paciente; assim, a autoaceitação não surge como um “gostar de si” pleno, mas como a possibilidade de se reconhecer como sujeito faltante, porém consistente, capaz de sustentar suas ambivalências sem precisar se anular ou se reinventar a cada encontro.

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 Juliana  da Cruz Barros Neves
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

Essa é uma questão central no Transtorno de Personalidade Borderline, porque a forma como a pessoa se enxerga costuma ser instável e, muitas vezes, muito crítica. Em alguns momentos pode haver uma sensação de valor, mas ela não se sustenta, e pequenas situações já ativam sentimentos de vergonha, inadequação ou até de “não saber quem eu sou”. Não é apenas baixa autoestima, é uma dificuldade mais profunda de construir uma identidade interna consistente.

Na terapia, o trabalho começa ajudando o paciente a reconhecer esses estados internos que mudam. Aos poucos, ele passa a perceber que não é “uma coisa só”, mas que existem diferentes partes dentro dele, com emoções e necessidades distintas. Isso já traz um certo alívio, porque aquilo que parecia confuso começa a fazer sentido. A autoaceitação, nesse contexto, não é gostar de tudo em si, mas conseguir olhar para si com mais coerência e menos julgamento automático.

Também é muito comum trabalhar padrões mais antigos, ligados a experiências de crítica, rejeição ou invalidação emocional. Quando esses registros não são elaborados, a pessoa passa a se tratar internamente da mesma forma que foi tratada. O processo terapêutico ajuda a construir um novo tipo de relação consigo, mais compreensiva e menos punitiva. É como se o diálogo interno fosse sendo reeducado ao longo do tempo.

Outro ponto importante é ajudar o paciente a diferenciar emoção de identidade. Sentir-se inadequado não significa ser inadequado, mas, quando a emoção é muito intensa, ela parece uma verdade absoluta. Do ponto de vista do funcionamento cerebral, o sistema emocional reage primeiro e com muita força, e só depois a parte mais racional consegue avaliar a situação. Aprender a reconhecer isso muda bastante a forma como a pessoa interpreta a si mesma.

Talvez faça sentido se perguntar: quando você se avalia, qual é o tom dessa voz interna? Ele lembra alguém da sua história? Em quais situações você percebe que sua percepção sobre si muda mais rapidamente? E o que acontece quando você tenta se observar com um pouco mais de curiosidade, em vez de julgamento?

Desenvolver autoaceitação não significa se acomodar, mas construir uma base interna mais estável a partir da qual a mudança se torna possível. Quando a pessoa deixa de lutar contra si o tempo todo, ela passa a ter mais energia para realmente se desenvolver.

Caso precise, estou à disposição.
Melhorar a percepção de si mesmo passa por trabalhar a autocrítica excessiva e ajudar o paciente a reconhecer suas qualidades, limitações e história com mais gentileza, promovendo uma autoaceitação mais consistente.

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