Como o terapeuta pode lidar com a falta de compromisso do paciente com Transtorno de Personalidade B

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Como o terapeuta pode lidar com a falta de compromisso do paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) durante o tratamento?
A falta de compromisso no tratamento com pacientes com TPB não é simplesmente desinteresse — muitas vezes, reflete padrões de apego inseguros descritos, marcados por medo de abandono e dificuldade em sustentar vínculos estáveis.

Na prática, o trabalho não foca em “cobrar presença”, mas em compreender o que está por trás dessas oscilações. Atuar construindo um espaço seguro, consistente e sem julgamentos, onde até as faltas e rupturas podem ser trabalhadas como parte essencial do processo terapêutico. É justamente nesse cuidado com o vínculo que o paciente começa, aos poucos, a desenvolver mais estabilidade emocional e relacional.

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O terapeuta sistêmico pode usar várias estratégias para manter o engajamento do paciente durante o tratamento, incluindo:
Estabelecer metas claras e alcançaveis; adapatar o enfoque e os métodos de acordo com as necessidades individuais do paciente; Usar ferramentas de acompanhamento que ajudem o paciente a acompanhar o seu progresso mantendo a sua motivação para dar continuidade ao tratamento; Abordar a resistência de maneira eficaz. Essas estratégias ajudam a criar uma relação de confiança e segurança, permitindo ao paciente sentir-se confortável para expressar suas dificuldades e necessidades, o que é fundamental para o sucesso do tratamento.
Neste caso é necessário entender o objetivo da terapia, o motivo do paciente ter procurado ajuda, evidenciar que através da terapia ele já se sentiu melhor em diferentes ocasiões, rever o que já foi passado nas sessões anteriores, e mostrar que se existe um objetivo, seja generalizado como melhora de sintomas ou específico, este pode ser alcançado e facilitado através da terapia.
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem? Quando se fala em “falta de compromisso” no tratamento de um paciente com Transtorno de Personalidade Borderline, é importante ter cuidado para não reduzir algo complexo a uma simples falta de vontade. Muitas vezes, o paciente até deseja melhorar, mas oscila entre esperança e descrença, aproximação e afastamento, confiança e medo de se frustrar novamente.

O terapeuta pode ajudar investigando o que aparece antes dos atrasos, faltas, cancelamentos ou momentos de desistência. O paciente se sentiu criticado na sessão anterior? Teve vergonha de uma recaída? Ficou com medo de depender do terapeuta? Sentiu que não estava evoluindo rápido o suficiente? Às vezes, o que parece descompromisso é uma forma de proteção contra frustração, culpa, medo de abandono ou sensação de fracasso.

Ao mesmo tempo, o terapeuta precisa manter uma postura clara e consistente. Acolher não significa deixar o tratamento sem estrutura. Combinados sobre frequência, faltas, objetivos, manejo de crises e responsabilidades precisam ser conversados de forma direta, sem tom punitivo. Para muitos pacientes com TPB, limites previsíveis não são rejeição; são parte da segurança do vínculo terapêutico.

Também é útil trabalhar metas pequenas e observáveis. Em vez de esperar uma mudança ampla e perfeita, o paciente pode aprender a reconhecer avanços concretos: comparecer mesmo sem vontade, falar sobre a vontade de abandonar a terapia, avisar quando estiver em crise, reparar um mal-entendido ou identificar um gatilho antes de agir impulsivamente. Esses passos ajudam a transformar o tratamento em um processo mais possível e menos ameaçador.

A terapia pode ajudar o paciente a perceber que compromisso não significa nunca falhar, mas retornar ao processo mesmo depois de oscilar. Em muitos casos, aprender a permanecer na terapia, conversar sobre rupturas e reconstruir vínculo já é uma parte profunda do próprio tratamento. Caso precise, estou à disposição.

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