Como o terapeuta pode lidar com a resistência do paciente com Transtorno de Personalidade Borderline

4 respostas
Como o terapeuta pode lidar com a resistência do paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ao enfrentar emoções difíceis durante a terapia?
Validação, passos graduais e regulação ajudam o paciente a lidar com emoções difíceis.

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 Maria Tomas
Psicólogo
São José dos Campos
Validação emocional antes de qualquer intervenção
Trabalhar no ritmo do paciente
Nomear a resistência com cuidado
Reforçar pequenos avanços....
Entender quais comportamentos são exibidos para interferir na terapia faz-se necessário para compreender o motivo da resistência. O que o paciente está evitando sentir, o que ele não quer falar sobre, quais as consequências de internalizar estes sentimentos ou ocorridos são perguntas importantes que o terapeuta deve fazer ou internalizar. Entender o histórico do paciente também é importante, é necessário compreender o que o paciente deseja da terapia, e apresentar como a resistência interfere em alcançar estes objetivos.
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem? A resistência do paciente com Transtorno de Personalidade Borderline diante de emoções difíceis não deve ser vista apenas como “não querer falar” ou “não colaborar”. Muitas vezes, essa resistência é uma forma de proteção. Algumas emoções podem parecer tão ameaçadoras que o paciente sente, mesmo sem perceber claramente, que se entrar em contato com elas poderá perder o controle, ser invadido pela dor ou se sentir completamente exposto.

O terapeuta pode ajudar respeitando o ritmo do paciente, mas sem abandonar o trabalho clínico. Isso exige uma combinação delicada entre acolhimento e direção. Em vez de forçar uma emoção antes da pessoa ter recursos para sustentá-la, o terapeuta pode investigar: o que você teme que aconteça se tocar nesse assunto? Essa emoção parece vergonha, medo, tristeza, raiva ou sensação de abandono? Ela lembra alguma experiência antiga em que sentir foi perigoso demais?

Um ponto importante é construir segurança antes de aprofundar. Para muitos pacientes, falar de emoções difíceis sem antes aprender formas de regulação pode aumentar a sensação de ameaça. Por isso, o terapeuta pode trabalhar nomeação emocional, percepção corporal, pausa, respiração, validação, limites e estratégias de estabilização. É como preparar o chão antes de convidar alguém a atravessar uma ponte estreita.

Também é fundamental diferenciar resistência de sabedoria protetiva. Às vezes, uma parte do paciente evita a emoção porque aprendeu, em algum momento da vida, que sentir era perigoso, inútil ou humilhante. Quando essa parte é compreendida em vez de combatida, o paciente tende a se sentir menos pressionado e mais disposto a se aproximar gradualmente do que dói.

Com o tempo, a terapia ajuda o paciente a perceber que enfrentar emoções difíceis não significa mergulhar nelas sem controle. Significa aprender a se aproximar da dor com mais recursos, mais consciência e menos solidão interna. A emoção deixa de ser uma inimiga a ser evitada e começa a ser uma mensagem que pode ser escutada com cuidado. Caso precise, estou à disposição.

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