Como o terapeuta pode lidar com os sentimentos de vergonha do paciente com Transtorno de Personalida
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Como o terapeuta pode lidar com os sentimentos de vergonha do paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?
Quando você me pergunta isso, eu escuto algo além da técnica. Eu escuto o quanto essa vergonha te atravessa, não como um sentimento pontual, mas como algo que parece dizer quem você é.
Então deixa eu te dizer de forma muito direta: eu não “lido” com a sua vergonha tentando tirá-la de você. Isso, inclusive, costuma piorar tudo. Porque, para você, essa vergonha não é um erro, ela é uma verdade profundamente sentida.
O que eu faço é diferente.
Eu sustento estar com você enquanto essa vergonha aparece.
Porque no Transtorno de Personalidade Borderline, a vergonha costuma ser muito primitiva, muito antiga. Não é só “fiz algo errado”. É mais perto de “eu sou errado”, “eu sou demais”, “eu não deveria existir assim”. E quando isso aparece, você espera, quase automaticamente, que o outro vá confirmar isso, te rejeitar, te julgar, se afastar.
E é aí que o trabalho começa, de verdade.
Quando você me mostra sua vergonha, seja falando, se calando, evitando, atacando, ou até tentando me afastar, eu presto atenção em duas coisas ao mesmo tempo. No que você está sentindo e no que você espera que eu faça com isso.
Porque muitas vezes você já chega esperando que eu te veja como você se vê, inadequado, exagerado, difícil.
E, aos poucos, eu não entro nesse lugar.
Não te corrijo de forma fria, não te exponho, não te invado. Mas também não finjo que não vejo. Eu nomeio, com cuidado, o que está acontecendo entre nós.
Algo como:
“Percebo que, quando você fala disso, parece surgir uma vergonha muito forte, como se você estivesse se vendo de um jeito muito duro. Fico pensando se, em algum nível, você espera que eu também te veja assim.”
Percebe? Eu não tiro a vergonha. Eu ajudo você a olhar para ela, sem que você esteja sozinho dentro dela.
Com o tempo, isso vai criando uma experiência nova. A de ser visto exatamente onde você sente mais vergonha e ainda assim não ser abandonado, nem humilhado, nem destruído.
E isso é profundamente transformador.
Mas tem mais uma coisa importante. Às vezes, essa vergonha vem acompanhada de raiva, de impulsos, de rupturas na relação, inclusive comigo. E isso não é um problema do tratamento. Isso é o material do tratamento.
Quando você me ataca, se afasta, ou sente que quer desistir, muitas vezes é a vergonha tentando se proteger.
E, nesses momentos, o meu trabalho não é reagir defensivamente, nem te “colocar no lugar”. É tentar entender com você: “o que foi tão difícil aqui que precisou virar isso?”
Então, no fundo, eu não trato a vergonha como algo a ser eliminado. Eu trato como uma porta de entrada para aquilo que, em você, nunca pôde ser vivido com alguém ao lado.
E talvez o mais importante de tudo: eu vou te ajudando, pouco a pouco, a diferenciar uma coisa da outra.
Você sentir vergonha não significa que você seja vergonhoso.
Então deixa eu te dizer de forma muito direta: eu não “lido” com a sua vergonha tentando tirá-la de você. Isso, inclusive, costuma piorar tudo. Porque, para você, essa vergonha não é um erro, ela é uma verdade profundamente sentida.
O que eu faço é diferente.
Eu sustento estar com você enquanto essa vergonha aparece.
Porque no Transtorno de Personalidade Borderline, a vergonha costuma ser muito primitiva, muito antiga. Não é só “fiz algo errado”. É mais perto de “eu sou errado”, “eu sou demais”, “eu não deveria existir assim”. E quando isso aparece, você espera, quase automaticamente, que o outro vá confirmar isso, te rejeitar, te julgar, se afastar.
E é aí que o trabalho começa, de verdade.
Quando você me mostra sua vergonha, seja falando, se calando, evitando, atacando, ou até tentando me afastar, eu presto atenção em duas coisas ao mesmo tempo. No que você está sentindo e no que você espera que eu faça com isso.
Porque muitas vezes você já chega esperando que eu te veja como você se vê, inadequado, exagerado, difícil.
E, aos poucos, eu não entro nesse lugar.
Não te corrijo de forma fria, não te exponho, não te invado. Mas também não finjo que não vejo. Eu nomeio, com cuidado, o que está acontecendo entre nós.
Algo como:
“Percebo que, quando você fala disso, parece surgir uma vergonha muito forte, como se você estivesse se vendo de um jeito muito duro. Fico pensando se, em algum nível, você espera que eu também te veja assim.”
Percebe? Eu não tiro a vergonha. Eu ajudo você a olhar para ela, sem que você esteja sozinho dentro dela.
Com o tempo, isso vai criando uma experiência nova. A de ser visto exatamente onde você sente mais vergonha e ainda assim não ser abandonado, nem humilhado, nem destruído.
E isso é profundamente transformador.
Mas tem mais uma coisa importante. Às vezes, essa vergonha vem acompanhada de raiva, de impulsos, de rupturas na relação, inclusive comigo. E isso não é um problema do tratamento. Isso é o material do tratamento.
Quando você me ataca, se afasta, ou sente que quer desistir, muitas vezes é a vergonha tentando se proteger.
E, nesses momentos, o meu trabalho não é reagir defensivamente, nem te “colocar no lugar”. É tentar entender com você: “o que foi tão difícil aqui que precisou virar isso?”
Então, no fundo, eu não trato a vergonha como algo a ser eliminado. Eu trato como uma porta de entrada para aquilo que, em você, nunca pôde ser vivido com alguém ao lado.
E talvez o mais importante de tudo: eu vou te ajudando, pouco a pouco, a diferenciar uma coisa da outra.
Você sentir vergonha não significa que você seja vergonhoso.
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