De que forma a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) compreende a sensação de vazio no contexto do

De que forma a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) compreende a sensação de vazio no contexto do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) e como ela se relaciona com esquemas cognitivos desadaptativos, crenças nucleares disfuncionais, dificuldades de regulação emocional e padrões interpessoais problemáticos?

3 respostas


Oi, é um prazer te ter por aqui. Na perspectiva da Terapia Cognitivo Comportamental, a sensação crônica de vazio vivenciada por pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline é entendida como um fenômeno multifatorial, sustentado por esquemas cognitivos desadaptativos, crenças nucleares disfuncionais, déficits de regulação emocional e padrões interpessoais instáveis. Esse vazio não é visto apenas como um estado emocional difuso, mas como a expressão de estruturas cognitivas e afetivas profundamente enraizadas, que moldam a forma como o indivíduo percebe a si mesmo, os outros e o mundo. Do ponto de vista cognitivo, o vazio está fortemente associado a esquemas de abandono, desvalor, privação emocional e identidade instável. Esses esquemas levam o paciente a acreditar que é intrinsecamente inadequado, indigno de amor ou incapaz de manter vínculos significativos. Como resultado, surgem crenças nucleares como “não tenho valor”, “sou vazio por dentro”, “ninguém se importa comigo” ou “não sei quem eu sou”. Essas crenças alimentam um senso persistente de falta de direção, desconexão interna e ausência de identidade coesa. No plano emocional, a TCC compreende o vazio como consequência de dificuldades severas de regulação afetiva. A incapacidade de identificar, nomear e modular emoções leva a um estado de entorpecimento emocional ou de oscilação entre hiperativação e apagamento afetivo. Quando emoções intensas não podem ser processadas de forma adaptativa, o indivíduo pode experimentar um “apagamento interno”, interpretado subjetivamente como vazio, tédio profundo ou sensação de inexistência. No domínio interpessoal, o vazio se relaciona a padrões problemáticos de vinculação, caracterizados por medo de abandono, dependência emocional, idealização e desvalorização rápidas e comportamentos impulsivos para evitar rejeição. A ausência de relações estáveis e previsíveis reforça a sensação de desconexão e falta de pertencimento, perpetuando o ciclo do vazio. A TCC entende que, quando o paciente não internaliza experiências relacionais positivas, não desenvolve um senso estável de si, o que contribui para a vivência de “não ser ninguém” quando está sozinho. Assim, a sensação de vazio no TPB é vista como o resultado da interação entre esquemas desadaptativos profundos, crenças negativas sobre si, desregulação emocional e padrões interpessoais caóticos. A TCC trabalha para modificar esses esquemas, flexibilizar crenças, fortalecer a regulação emocional e promover habilidades sociais mais funcionais, permitindo que o paciente desenvolva um senso mais estável de identidade e conexão, reduzindo a experiência de vazio. Atenciosamente, Psicólogo Fernando Segundo @psifernandosegundo Fernadosegundo.com Atendimento em psicoterapia e neuropsicologia On-line e em Vitória-ES Abraços

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Olá, tudo bem? Na Terapia Cognitivo-Comportamental, a sensação de vazio no Transtorno de Personalidade Borderline costuma ser compreendida como uma experiência emocional profunda, ligada à forma como a pessoa aprendeu a perceber a si mesma, os outros e os vínculos. Não é apenas “falta do que fazer” ou “carência comum”. Muitas vezes, é como se a pessoa sentisse uma ausência interna difícil de nomear, que pode ficar mais forte em momentos de solidão, rejeição, frustração ou instabilidade nas relações. Esse vazio pode se relacionar a crenças nucleares como “não sou importante”, “sou descartável”, “ninguém fica”, “não sei quem eu sou” ou “preciso do outro para me sentir existindo”. Essas crenças não aparecem necessariamente como frases conscientes, mas podem funcionar como lentes internas. A partir delas, o cérebro interpreta afastamentos, silêncios ou mudanças no tom do outro como sinais de perigo emocional, e isso pode ativar angústia intensa, impulsividade ou uma busca urgente por conexão. Na prática clínica, a TCC observa como pensamentos, emoções, sensações corporais e comportamentos se organizam em ciclos. Por exemplo: a pessoa se sente vazia, interpreta isso como prova de que não tem valor, sente desespero ou raiva, tenta preencher rapidamente esse estado com relações, mensagens, compras, comida, isolamento ou atitudes impulsivas, e depois pode sentir culpa, vergonha ou mais vazio. A pergunta importante passa a ser: o que costuma acionar essa sensação em você? Que significado ela ganha na sua mente? O que você tenta fazer para escapar dela? E essa estratégia alivia por alguns minutos ou ajuda de verdade a construir estabilidade? Quando olhamos pela perspectiva dos esquemas cognitivos desadaptativos, essa sensação pode estar ligada a temas como abandono, privação emocional, defectividade, instabilidade de identidade ou dependência emocional. O vazio, nesse sentido, pode ser menos um “buraco sem explicação” e mais um sinal de necessidades emocionais importantes que não foram bem reconhecidas, nomeadas ou cuidadas ao longo da história da pessoa. O tratamento busca ajudar a pessoa a identificar esses padrões, desenvolver regulação emocional, construir uma percepção mais estável de si e criar formas menos dolorosas de se relacionar. Não se trata de preencher o vazio com qualquer coisa, mas de entender o que ele está tentando comunicar. Às vezes, a mente chama de vazio aquilo que ainda não conseguiu transformar em palavra, vínculo seguro ou sentido pessoal. Caso precise, estou à disposição.


Olá, boa tarde. Na perspectiva da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), a sensação de vazio no Transtorno de Personalidade Borderline é entendida como um fenômeno multifatorial, relacionado à interação entre crenças nucleares disfuncionais, esquemas desadaptativos, dificuldades de regulação emocional e instabilidade na construção da identidade. Muitas pessoas com TPB carregam esquemas ligados a abandono, desamor, invalidação, inadequação ou privação emocional. Esses esquemas influenciam pensamentos automáticos negativos, como “não sou suficiente”, “ninguém realmente fica” ou “não sei quem sou”, favorecendo uma experiência persistente de desconexão interna e vazio subjetivo. Além disso, há frequentemente uma dificuldade em manter uma percepção contínua e estável de si mesmo. A identidade pode variar muito conforme emoções, relações ou validação externa, o que contribui para sensação de falta de consistência interna. Do ponto de vista emocional, o vazio também pode funcionar como consequência de intensa desregulação afetiva. Após oscilações emocionais muito fortes, algumas pessoas relatam estados de anestesia emocional, desconexão ou sensação de “não sentir nada”, como uma forma de proteção diante do sofrimento. Nos padrões interpessoais, a busca intensa por validação, medo de abandono e relações instáveis podem gerar tentativas constantes de preencher esse vazio externamente. Porém, como o alívio costuma ser temporário, o ciclo acaba se repetindo. Na TCC e em abordagens derivadas, como DBT e Terapia do Esquema, o tratamento busca justamente modificar esses padrões por meio de: • reestruturação de crenças centrais • desenvolvimento de regulação emocional • fortalecimento de identidade e valores pessoais • construção de vínculos mais seguros • aumento da flexibilidade cognitiva e comportamental Na prática clínica, o objetivo não é apenas “reduzir sintomas”, mas ajudar a pessoa a desenvolver uma experiência mais integrada, estável e autêntica de si mesma e das relações. Conte comigo caso queira saber mais sobre isso.

Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.