É normal eu imaginar cenários em que eu esteja conversando/interagindo com um grupo de K-pop famoso?

7 respostas
É normal eu imaginar cenários em que eu esteja conversando/interagindo com um grupo de K-pop famoso? Pois eu gosto muito do grupo, me sentia "confortável"/bem ao assisti-las e acompanhava bastante conteúdos das integrantes, que não eram apenas sobre música especificamente.

Era quase como se eu me sentisse um amigo mesmo, estava engajado ao ponto de defender o grupo contra haters, sem xingar e sem ofender, apenas mostrando contrapontos a alguns comentários negativos.
 Michelle Novello
Psicólogo, Psicanalista
Rio de Janeiro
Quando gostamos muito de um artista ou grupo, podemos desenvolver um sentimento de proximidade e imaginar conversas ou interações com eles. Isso não significa, por si só, que exista algum problema psicológico.

O mais importante é observar se você consegue distinguir claramente fantasia e realidade e se isso não está causando sofrimento ou prejuízos na sua vida social, acadêmica, profissional ou afetiva. Se essas fantasias funcionam apenas como uma forma de conforto, entretenimento ou expressão da imaginação, elas podem ser consideradas uma experiência normal.

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Na prática clínica, vejo que isso é bem mais comum do que parece. Quando a gente gosta muito de um grupo, artista ou qualquer outra coisa que faz parte da nossa rotina, é natural criar um carinho e até imaginar situações em que estaria conversando ou convivendo com essas pessoas. Principalmente quando aquele conteúdo traz conforto, diversão ou ajuda a passar por momentos difíceis.

Pelo que tu conta, parece que esse grupo tem um significado importante pra ti, então faz sentido que tu tenha se sentido próximo das integrantes e até sentisse vontade de defendê-las quando via comentários injustos.

O que eu acredito ser importante é que esse gosto continue sendo algo que acrescenta à sua vida, e não algo em torno do qual tudo passe a girar. Ter admiração e carinho é uma coisa, deixar de investir em amizades, interesses, objetivos ou experiências da vida real por causa disso já seria algo que valeria a pena observar com mais atenção.
Mas imaginar conversas, acompanhar conteúdos e sentir essa proximidade emocional não me parece estranho por si só. Tudo é questão de equilíbrio.
Pelo que você descreve, não me parece estranho imaginar conversas ou interações com pessoas que admiramos. Isso pode acontecer com artistas, personagens, atletas, influenciadores, grupos musicais e até autores que acompanhamos há muito tempo.

Quando passamos muitas horas consumindo conteúdos de alguém, acompanhando sua rotina, entrevistas, histórias e momentos pessoais, nosso cérebro acaba desenvolvendo uma sensação de familiaridade. É como se conhecêssemos aquela pessoa, mesmo que a relação exista apenas de um lado.

Na psicologia, isso costuma ser compreendido como uma forma de vínculo emocional ou identificação, algo relativamente comum e que pode acontecer em diferentes intensidades.

Também me chama atenção a sensação de conforto que você descreve. Muitas vezes, grupos, artistas e comunidades passam a representar mais do que entretenimento. Eles podem oferecer:
.
* sensação de pertencimento
* companhia emocional
* identificação com valores e histórias
* acolhimento em momentos difíceis
* conexão com outras pessoas que compartilham os mesmos interesses
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Por isso, talvez uma pergunta interessante não seja apenas se isso é normal, mas o que esse grupo representava para você naquele momento da sua vida. O que você encontrava ali que fazia tão bem? Companhia? Compreensão? Diversão? Sentimento de fazer parte de algo?

Outro aspecto interessante é que, durante o desenvolvimento da nossa identidade, é muito comum termos figuras de admiração e idealização. Artistas, atletas, influenciadores e pessoas que admiramos podem representar características que gostaríamos de desenvolver em nós mesmos, como talento, coragem, popularidade, carisma, capacidade de se relacionar ou de ser reconhecido pelos outros.

Inclusive, durante o desenvolvimento afetivo e da sexualidade, essas figuras frequentemente participam das nossas fantasias, inspirações e modelos de identificação. Elas podem nos ajudar a compreender melhor quem somos, quem gostaríamos de ser e quais qualidades admiramos nas outras pessoas. Por isso, admirar alguém intensamente em determinados momentos da vida costuma fazer parte do desenvolvimento humano.

O aspecto que costuma merecer mais atenção não é imaginar conversas ou sentir proximidade emocional, mas quando essas experiências passam a substituir relacionamentos reais, geram sofrimento significativo ou levam a comportamentos que começam a trazer prejuízos para a vida da pessoa. Isso pode incluir, por exemplo:
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* conflitos frequentes na internet
* discussões que geram desgaste emocional
* exposição excessiva
* situações que acabam prejudicando relacionamentos, estudos, trabalho ou bem-estar
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Se esse interesse coexistia com amizades, estudos, trabalho, família e outras relações importantes, provavelmente estamos falando de uma experiência humana bastante comum de admiração, identificação e pertencimento.

Às vezes, quando admiramos muito alguém, estamos aprendendo menos sobre aquela pessoa e mais sobre nós mesmos.

A psicoterapia pode ajudar a compreender melhor o significado emocional desses vínculos e o que eles revelam sobre as necessidades, interesses, relações e aspectos da identidade que estamos construindo ao longo da vida.
Ola,
Sim, é relativamente comum. Essas imaginações de interação com figuras públicas, por exemplo ídolos do K-pop, são chamadas de relações parassociais. Elas ocorrem quando nossa mente cria um vínculo unilateral de afeto e confiança com uma pessoa que não nos conhece (fenômeno semelhante acontecia muito com series antigamente como Friends e Gilmore Girls). Do ponto de vista psicológico, essa fantasia pode cumprir funções importantes, oferecer conforto emocional, um senso de pertencimento e um espaço seguro para afetos e conversas sem o risco de rejeição. O problema não é a fantasia em si, mas se ela substitui as relações da vida real. No seu caso, parece um investimento afetivo significativo, mas saudável. Na terapia, podemos explorar o que essa relação proporciona e como isso se conecta à sua história.
Olá, como vai?
Para um adolescente, é normal sim. É algo esperado o adolescente se envolver com uma cultura, banda, grupo ou qualquer outro coletivo, pois isso gera senso de pertencimento e o ajuda a construir sua identidade. Claro, que os exageros precisam ser pontuados. É muito curioso observar que as gerações atuais confundem muito o conceito de normal e patológico, muitas vezes invertendo os sentidos, ou patologizam todo comportamento de personalidade como estranho, sendo que todos nós somos estranhos e esquisitos na intimidade. Espero ter ajudado, fico à disposição,
Sim, isso pode acontecer e não significa necessariamente que haja algo de errado. Essa imaginação pode estar relacionada ao quanto você se sente envolvido com esse grupo, ao interesse que desenvolveu pelas integrantes e ao conforto que encontra ao acompanhar seus conteúdos. Quando gostamos muito de algo ou de alguém, é comum imaginarmos conversas, encontros ou situações em que interagimos com aquilo que admiramos, principalmente quando existe um vínculo afetivo construído ao longo do tempo por meio desse acompanhamento. Pelo que você descreve, parece que esse grupo ocupou um lugar importante na sua rotina e no seu bem-estar, fazendo com que você se sentisse próximo das integrantes, mesmo sabendo que essa relação acontece à distância. Talvez seja interessante pensar no que exatamente você encontrava nesse grupo que o fazia se sentir tão confortável e conectado, já que isso pode ajudar a compreender o significado que essa experiência tem para você.
 Daniela Sarmento
Psicólogo
Rio de Janeiro
Sim, isso pode ser completamente normal, especialmente quando gostamos muito de um artista, grupo, série ou personagem. Nosso cérebro cria um sentimento de proximidade com aquilo que nos faz bem, nos diverte ou nos ajuda em momentos difíceis. Imaginar conversas ou situações com essas pessoas não significa que há algo de errado com você.

O importante é que essas fantasias sejam apenas uma parte da sua vida, sem substituir as amizades, os estudos, a família ou as experiências reais. Pelo que você contou, parece que esse grupo te trazia conforto e companhia, e muitas pessoas passam por algo parecido. Se algum dia você sentir que isso está te fazendo sofrer ou se isolar, conversar com um psicólogo pode ajudar a entender melhor esses sentimentos.

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