Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estam

Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estamos juntos há quase 3 anos e, ultimamente, sinto que não tenho mais aquela animação ou aquela sensação gostosa que sentia antes. Isso tem me deixado muito ansiosa, porque eu não quero machucá-lo e também não quero terminar. Ao mesmo tempo, não me sinto desconfortável ou presa ao lado dele. Quando conversamos, muitas vezes é bom e consigo ficar conversando até tarde. Eu reconheço que ele é uma pessoa que me ama, cuida de mim, se preocupa comigo e demonstra isso muito pelas atitudes. Tenho me perguntado se ainda o amo ou se estou confundindo amor com carência, rotina ou ansiedade. Quero entender meus sentimentos e, se for possível, quero recuperar o carinho e a conexão que sinto que perdi. Não quero fingir nem obrigar meus sentimentos, só queria entender o que está acontecendo comigo e saber se é possível voltar a sentir amor e entusiasmo pela pessoa que amo.

2 respostas


Olá! O que você descreve pode acontecer em relacionamentos longos e, por si só, não significa necessariamente que você deixou de amar seu namorado. No início de um relacionamento, é comum existir uma intensidade maior de novidade, expectativa e entusiasmo. Com o passar do tempo, a relação tende a se tornar mais familiar e previsível, e aquela sensação de "frio na barriga" pode diminuir. Isso não significa necessariamente que o amor acabou; muitas vezes, ele passa a se manifestar de outras formas, como intimidade, companheirismo, cuidado, segurança e vontade de compartilhar a vida. Algo que chama bastante atenção no seu relato é que você não se sente presa ou desconfortável ao lado dele, reconhece o cuidado que recebe e ainda consegue passar bastante tempo conversando e aproveitando a companhia dele. Esses elementos também fazem parte de vínculos afetivos significativos e talvez mereçam mais atenção do que a ausência daquela sensação intensa que existia no começo. Também é importante considerar a ansiedade. Quando começamos a questionar constantemente "será que ainda amo?", podemos entrar em um ciclo de monitoramento dos próprios sentimentos: você passa a observar se está feliz o suficiente, se sente saudade suficiente, se ficou animada ao vê-lo, se sentiu "aquela sensação", e cada momento em que a emoção não aparece pode ser interpretado como uma prova de que o amor acabou. Esse processo pode tornar ainda mais difícil experimentar espontaneamente a relação. Por isso, talvez seja interessante não transformar cada emoção em um teste para descobrir se você ainda ama seu namorado. Sentimentos não costumam funcionar como um interruptor que precisa estar ligado o tempo todo. Eles oscilam de acordo com rotina, estresse, humor, cansaço, contexto e muitos outros fatores. Você também menciona a possibilidade de estar confundindo amor com carência, rotina ou ansiedade. Em vez de tentar encontrar imediatamente uma resposta definitiva, pode ser mais produtivo observar como você se relaciona com ele ao longo do tempo: você gosta da companhia dele? Sente respeito e admiração? Existe vontade de cuidar e ser cuidada? Consegue ser você mesma na relação? Existem valores e projetos que fazem sentido compartilhar? Você deseja construir experiências novas ao lado dele? Se a resposta para várias dessas perguntas for positiva, talvez exista uma relação importante que esteja precisando de renovação e atenção, e não necessariamente de um término. Se você deseja recuperar a conexão, não precisa tentar fabricar uma emoção. Pode ser mais útil investir em experiências diferentes da rotina, conversar sobre assuntos que vão além das obrigações do relacionamento, criar momentos de intimidade e curiosidade um sobre o outro e observar como vocês se relacionam quando deixam de buscar constantemente a confirmação de que "ainda existe amor". A psicoterapia também pode ajudar bastante, especialmente se essa dúvida estiver ocupando muito espaço mental. O objetivo não seria convencer você a permanecer ou terminar, mas ajudá-la a compreender seus sentimentos, diferenciar ansiedade de necessidades reais do relacionamento e tomar decisões de maneira mais coerente com aquilo que você valoriza. E existe, sim, a possibilidade de o carinho e o entusiasmo se transformarem ou serem recuperados. Porém, isso costuma acontecer melhor quando deixamos de exigir que o sentimento apareça exatamente como apareceu no início da relação. Amor de longo prazo não precisa parecer com paixão de começo de namoro para continuar sendo amor. Espero ter ajudado. Rodrigo Vieira Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)

Rodrigo  Vieira

Rodrigo Vieira

Psicólogo

Rio de Janeiro

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É muito comum relações entrarem na famosa rotina. O que não é comum isso ser uma constante. E perceber isso é um passo importante! Para melhor elaborar essas questões, a terapia funciona como uma chave que abre a porta do autoconhecimento e decisões importantes! Será um prazer te guiar nessa jornada!

Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.