Existe tratamento para ajudar a lidar com a hipersensibilidade social no Transtorno de Personalidade

3 respostas
Existe tratamento para ajudar a lidar com a hipersensibilidade social no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
 Rute Rodrigues
Psicólogo, Psicanalista
Porto Alegre
Olá ! Um tratamento psicológico, preferencialmente psicanalítico, pode contribuir de forma global, mesmo que lenta á regular percepções sensíveis, porém exacerbadas que se nomeia como hipersensibilidade social.

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Sim, existe possibilidade de tratamento, e ele passa por um processo de análise que permita compreender como essa hipersensibilidade se estruturou ao longo da história do sujeito. No TPB, as reações intensas diante do outro não surgem ao acaso, mas estão ligadas a experiências precoces de vínculo, perdas e falhas de sustentação emocional. Ao longo da análise, essas vivências se atualizam na relação transferencial, tornando possível reconhecer os padrões de interpretação e reação que se repetem. Com o tempo, o sujeito pode diferenciar o que pertence ao presente do que é efeito de experiências passadas, reduzindo a intensidade das respostas emocionais e construindo modos mais estáveis de se relacionar.
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem? Sim, existe tratamento para ajudar a lidar com a hipersensibilidade social no TPB, e isso costuma fazer uma diferença significativa na qualidade de vida e nos relacionamentos. Essa hipersensibilidade não é vista como um defeito de caráter, mas como um padrão emocional aprendido, em que o sistema emocional reage de forma muito rápida e intensa a sinais de possível rejeição ou afastamento.

Na psicoterapia, o trabalho não é “ensinar a pessoa a não sentir”, mas ajudá-la a reconhecer como essas leituras sociais se formam e em que momento a emoção começa a assumir o controle. Aos poucos, a pessoa aprende a identificar gatilhos, diferenciar fatos de interpretações e criar um pequeno intervalo entre perceber um sinal social e concluir automaticamente que algo ruim vai acontecer. Esse intervalo já muda bastante a forma de reagir.

Outro ponto importante do tratamento é que a própria relação terapêutica funciona como um espaço seguro para observar essas reações ao vivo. Situações em que a pessoa se sente ignorada, mal interpretada ou frustrada podem ser trabalhadas ali, com cuidado, permitindo novas experiências emocionais que contradizem a ideia de que qualquer desconforto leva à perda do vínculo. O cérebro vai registrando essas vivências de segurança ao longo do tempo.

Você já percebeu quais sinais sociais mais ativam essa sensibilidade em você? O que costuma vir à sua mente imediatamente quando isso acontece? Depois, olhando com mais calma, já notou que poderiam existir outras leituras possíveis? Essas perguntas costumam abrir caminhos importantes no processo terapêutico.

Em alguns casos, quando a intensidade emocional é muito alta e interfere no tratamento, a avaliação psiquiátrica pode ser um apoio adicional, ajudando a reduzir a reatividade para que o trabalho psicológico avance melhor. Se a pessoa já estiver em acompanhamento, conversar abertamente sobre essa hipersensibilidade com o profissional que a atende é um passo essencial. Caso precise, estou à disposição.

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