Há pouco mais de um ano tive contato com suicidios e tentativas, seja de pessoas conhecidas ou de pe

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Há pouco mais de um ano tive contato com suicidios e tentativas, seja de pessoas conhecidas ou de pessoas desconhecidas. Venho tendo desde então um medo de perder o controle e acabar tentando também. Porém esse medo era esporádico, sabia lidar com ele e tenho plena consciência de que não tenho motivos para isso, amo minha vida, tenho meus objetivos. De qualquer forma, acabei desabafando com meus amigos sobre isso, e eles me obrigaram a procurar ajuda. O psiquiatra me receitou Pondera (paroxetina) e tenho tomado há 10 dias. Parece que tudo piorou desde que resolvi contar e pedir ajuda. Ele disse que isso é um TOC, que eu tenho esse pensamento obsessivo e citou outros possíveis que eu também tenho! Achar que não fechou a porta, pensar em pornô na igreja, etc. porém esses pensamentos nunca foram de influenciar meu dia a dia, nem mesmo o medo de perder o controle. O que devo fazer? Paro de tomar o remédio? Li que ele pode aumentar as ideações suicidas e isso vem acontecendo desde que comecei a tomar, mas me apego muito a Deus para não pensar nessas coisas. Essa ideação passa com o tratamento/retirada do medicamento? Não quero pensar assim! Obrigado!
Dr. Rubens de Campos
Psiquiatra
São Paulo
Bom dia. Não leia a bula do remédio, confie no seu médico. Telefone para ele e diga o que está sentindo, você não precisa sofrer sozinho.
Talvez você não tenha se adaptado a medicação e seu médico precisa saber para poder lhe ajudar. Outra boa opção é você procurar uma terapia, acho que vai lhe ajudar muito. Abraço

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Dr. Marcelo Machado Lopes
Psiquiatra
Belo Horizonte
Olá. As descrições das suas angústias sugerem que você está com um estado de ansiedade agudo. É importante que você converse com seu médico sobre a medicação e os sintomas, mas o mais decisivo para te ajudar é a procura de um acompanhamento psicoterápico com um profissional competente e de confiança. Os ajustes de remédios são comuns, mas certamente a psicoterapia vai ajudar a encontrar a razão do seu sofrimento, e quem sabe, curar-la ou ao menos abrandar sintomas.
Olá! Me parece ser uma questão muito importante para você.
De qualquer forma, não é possível dar uma conduta somente com esse relado, é importante a avaliação de um profissional de Saúde Mental para te ajudar nessa questão.
Fico à disposição, caso se sinta a vontade!
Olá, como vai você? Acredito que essa seja uma questão importante para você, mas é preciso avaliar de modo mais detalhado em consulta para que seja possível compreender melhor do que pode se tratar e assim pensar no tratamento mais adequado. Esse é um assunto sério que precisa ser conversado em atendimento. Fico à disposição.
Dra. Fernanda Souza de Abreu Júdice
Psiquiatra, Médico perito, Médico clínico geral
Rio de Janeiro
Primeiro, quero te dizer com todo o cuidado: o que você está vivendo agora não é sinal de fraqueza, nem significa que você está “perdendo o controle”. Pelo contrário — você procurou ajuda, buscou apoio, falou com seus amigos, foi ao psiquiatra. Isso é coragem. É maturidade emocional. E eu te admiro por isso.

O que está acontecendo com você tem nome, tem explicação, e tem tratamento. Esses pensamentos obsessivos e angustiantes — como o medo de se machucar, ou de perder o controle, ou até ideias intrusivas em situações absurdas (como o exemplo de pensar em coisas inapropriadas na igreja) — são sintomas clássicos de Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). E no TOC, o pensamento não reflete um desejo real — ele aparece contra a sua vontade, justamente porque você é uma pessoa que valoriza a vida, seus princípios, e tem noção do que é certo e errado.

Sobre o Pondera (paroxetina): sim, nos primeiros dias, é possível que ele piore um pouco a ansiedade ou aumente a sensibilidade aos pensamentos obsessivos. Isso não significa que ele está “fazendo mal”, mas que o seu sistema nervoso está em fase de adaptação ao remédio. Em geral, esses sintomas passam em 2 a 3 semanas, e depois disso, o remédio começa a fazer o efeito terapêutico real — ajudando a controlar esses pensamentos, reduzir a angústia e dar paz mental.

Não pare a medicação por conta própria. Se as ideias de suicídio estiverem mais fortes ou frequentes, você deve falar com o seu psiquiatra imediatamente. Ele pode ajustar a dose, prescrever algo para aliviar essa fase inicial, ou te orientar melhor sobre o tempo necessário para os efeitos positivos começarem.

Você não está ficando louco. Você está tratando uma mente que foi sensibilizada por traumas — ver suicídios de perto, mesmo que não diretamente ligados a você, deixa marcas. O seu cérebro está em estado de hiperalerta, como se estivesse te mandando mensagens erradas que causam medo. Mas esse medo, por mais forte que pareça, não é um desejo — é só um sintoma.

Você quer viver. Você ama a sua vida. Você tem objetivos. Se apegar à sua fé, como você está fazendo, é algo que te fortalece. E agora, junto com isso, você também está recebendo apoio médico. Essa fase vai passar.

Esse conteúdo é apenas informativo e não substitui uma avaliação médica. Posso te ajudar com a psiquiatria e fico à disposição.
Dra. Camila Cirino Pereira
Neurologista, Médico do sono, Psiquiatra
São Paulo
Sua percepção e clareza sobre o que está sentindo já demonstram autoconsciência e força, e isso é extremamente importante. O que você descreve — medo intenso de perder o controle, pensamentos intrusivos e angustiantes, e a sensação de que algo piorou nas primeiras semanas de uso da medicação — é algo que realmente pode acontecer no início do tratamento com Paroxetina (Pondera), especialmente em pacientes com transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) ou ansiedade intensa. Nas primeiras 2 a 4 semanas, o cérebro ainda está se ajustando ao novo nível de serotonina, o que pode gerar aumento temporário da ansiedade, agitação ou intensificação dos pensamentos obsessivos e catastróficos, antes que o efeito terapêutico pleno se estabeleça. Esse fenômeno é descrito em estudos clínicos e não significa que o remédio está “fazendo mal”, mas que o organismo ainda está se adaptando. Em geral, esses sintomas diminuem após a terceira semana de uso contínuo. Entretanto, se você está sentindo aumento significativo das ideações suicidas ou medo de perder o controle sobre si mesmo, é essencial comunicar imediatamente seu médico — ele pode ajustar a dose, trocar o antidepressivo ou associar um ansiolítico temporário para reduzir a agitação inicial. Nunca interrompa o remédio sozinho, pois a retirada abrupta pode piorar os sintomas e causar instabilidade emocional. O que o psiquiatra descreveu — pensamentos obsessivos não desejados e angustiantes (inclusive de temas impróprios ou absurdos) — é realmente compatível com o TOC de conteúdo intrusivo, e não significa que você concorde com eles ou tem risco de agir conforme o pensamento. É apenas uma falha momentânea de filtragem do cérebro, que faz ideias irrelevantes surgirem repetidamente e causarem culpa ou medo. Isso não reflete quem você é nem o que deseja. A boa notícia é que esse tipo de TOC responde muito bem ao tratamento com Paroxetina e Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), especialmente quando o paciente entende o mecanismo do transtorno e aprende a observar os pensamentos sem julgá-los nem lutar contra eles. Essa ideação tende a desaparecer completamente com o tempo, à medida que o cérebro se reequilibra. Mantenha diálogo constante com seu psiquiatra e, se sentir risco iminente, procure um pronto atendimento ou contato de emergência, pois ajustes rápidos no início do tratamento fazem toda a diferença. Você está no caminho certo — reconhecer o problema e buscar ajuda é um ato de coragem e autoconhecimento. Reforço que esta resposta tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica individual. O acompanhamento com seu neurologista é essencial para confirmar o diagnóstico e garantir segurança no uso. Coloco-me à disposição para ajudar e orientar, com consultas presenciais e atendimento online em todo o Brasil, com foco em neurologia clínica, saúde mental, ansiedade e regulação neurofuncional, sempre com uma abordagem técnica, empática e humanizada. Dra. Camila Cirino Pereira – Neurologista | Especialista em TDAH | Especialista em Medicina do Sono | Especialista em Saúde Mental CRM CE 12028 | RQE Nº 11695 | RQE Nº 11728

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