Há uma semana estou com sintomas horríveis de ansiedade: não sinto fome, não durmo, não sinto tesão,

10 respostas
Há uma semana estou com sintomas horríveis de ansiedade: não sinto fome, não durmo, não sinto tesão, fico com uma angústia no peito que não passa, tremores, calafrios, sudorese excessiva e por aí vai. Não paro de pensar no meu futuro em qualquer questão de “vou conseguir dormir essa noite?” até “qual o propósito de viver sofrendo desse jeito?” e “quando eu for mais velho e/ou idoso como será minha vida?”. Sinto que estou completamente desconectado da realidade e que me tornei uma pessoa diferente negativamente. Estou fazendo acompanhamento terapêutico por 4 semanas antes disso tudo acontecer e medicamentoso há 4-3 dias. Isso vai passar? Vou conseguir voltar a funcionar? Vou conseguir voltar a ter desejos e metas? Devo mudar de psicanálise para TCC?
 Marcelo Viana
Psicólogo
São José do Rio Preto
Seu relato é compatível com um quadro de ansiedade intensa, com sintomas físicos e pensamentos acelerados sobre o futuro, o que pode gerar sensação de perda de controle e estranhamento de si mesmo.

A boa notícia é que isso é tratável e reversível. Como você iniciou medicação há poucos dias, é importante saber que os efeitos costumam aparecer de forma mais consistente após 2 a 4 semanas, e no início pode haver até uma piora transitória da ansiedade.

A psicoterapia também é fundamental nesse processo. A psicanálise pode ajudar na compreensão mais profunda, enquanto abordagens como a TCC costumam oferecer estratégias mais diretas para manejo dos sintomas — não é obrigatório trocar, mas pode ser avaliado conforme sua necessidade atual.

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Dra. Karina Andrade
Psicanalista, Psicólogo
Rio de Janeiro
Olá!
Sinto muito que esteja passando por isso.
Sim, esses sintomas podem melhorar e cessar.
É importante que esteja com um profissional que confie, que sinta empatia, conexão, acolhimento e que te faça refletir e perceber/reconhecer aspectos da sua vida e de seu funcionamento que você não observa sozinho.
A relação terapêutica é mais importante que a teoria, mas você pode escolher aquela que mais se identifica.
Olá, como vai?
Com relação aos tratamentos, o medicamentoso está no início, dependendo da medicação ela não começou a fazer o efeito terapêutico, o que pode demorar de 15 a 30 dias. Se tiver dúvidas sobre o funcionamento da medicação fale com seu psiquiatra para ele te explicar, isso pode te trazer mais segurança e previsibilidade. Já o tratamento psicoterapêutico também está no início, possivelmente ainda nas entrevistas preliminares, ou seja, o profissional está começando a te conhecer e você a conhecer ele, para se gerar vínculo terapêutico, que é o recurso mais importante dessa fase inicial do tratamento. Se você não se sente minimamente confortável ou segura com seu terapeuta, converse com ele e exponha como se sente, geralmente psicanalistas trabalham bem essas demandas. Quanto a trocar de abordagem, fica a seu critério, pois é o vínculo entre terapeuta e paciente que sustentam o tratamento. Essa fase inicial é difícil, pois parece que as coisas apenas pioram ou nem melhoram, mas é necessária a adesão ao tratamento, ouvir e seguir as orientações dos profissionais para você ter a qualidade de vida que busca. Se for possível, realizar atividade física principalmente exercícios que envolvam corrida ou bicicleta; manter uma rotina de alimentação saudável; manter uma rotina de sono possível para o momento; ter por perto pessoas que você gosta; sair para passear na sua cidade, ir ao cinema, ao teatro, jogar videogame, ler, participar de grupos, fazer atividades em grupos como aulas de artes ou RPG, conseguir se distrair também é recurso terapêutico.
Espero ter ajudado, fico à disposição!
Olá, bom dia.

Lamento que esteja passando por isso. Infelizmente quando nossa saúde mental está num estado mais frágil como o seu, acaba que nossa resposta aos tratamentos fique mais devagar. Não consigo te dizer se tudo o que está sentindo irá passar, mas acredito que possa apresentar alguma melhora. Qual tipo só o tempo irá te dizer.

Sobre psicanálise x TCC: reflita sobre sua própria terapia. Se ela estiver te fazendo bem, ótimo, continue nela. A psicanálise quando bem implementada no tratamento é muito positiva. Contudo, se estiver insatisfeito com seu tratamento, converse com seu terapeuta. Muitas vezes suas insatisfações poderão ser ouvidas e corrigidas no tratamento.

Recomendo que procure na internet como funcionam os tratamentos por TCC. Se interessar-se mais do que a psicanálise, não vejo porque não trocar.
Isso pode passar, sim, porque você já iniciou tanto o acompanhamento terapêutico quanto o medicamentoso, mas é importante considerar que tudo isso ainda é muito recente e o seu corpo e a sua mente ainda estão se adaptando a esse processo. Esses sintomas que você descreve são muito intensos e podem dar mesmo essa sensação de perda de controle e de desconexão. Sobre a abordagem, mais do que escolher entre psicanálise ou TCC, o mais importante é você estar com um profissional com quem se identifique e se sinta confortável para falar sobre tudo isso que está vivendo. Cada abordagem conduz o processo de uma forma diferente, mas ambas podem ajudar, então pode ser interessante conversar com os profissionais que já te acompanham, tirar suas dúvidas, entender como eles pensam o seu caso e até pedir uma certa previsibilidade de como o processo pode acontecer. Seu tratamento está no início e você já está fazendo o possível para se cuidar, mas é um processo que exige tempo, paciência e comprometimento, e aos poucos você pode sim voltar a funcionar, recuperar seus desejos e construir metas novamente.
Olá! Sinto muito que você esteja passando por isso, esses sintomas são muito intensos e assustam mesmo. Pelo que você descreve, parece um pico de ansiedade, e é comum vir com insônia, perda de apetite, pensamentos acelerados e essa sensação de desconexão da realidade. Isso tudo irá passar, sim... Esse estado não é permanente, é o seu corpo em alerta máximo. Como você iniciou a medicação há poucos dias, ainda é cedo para sentir os efeitos completos — normalmente leva um tempo para estabilizar. Esses pensamentos sobre o futuro e sobre “nunca mais voltar ao normal” fazem parte da ansiedade, não são previsões reais. Mesmo parecendo que você mudou, isso é um estado, não quem você é. Sobre a terapia, a TCC costuma ajudar bastante nesses casos por ser mais direta no manejo dos pensamentos e sintomas, mas o mais importante é você se sentir acolhido e conseguir trabalhar essas questões. Se possível, mantenha o acompanhamento com seu médico e terapeuta. Você vai conseguir voltar a funcionar, sentir prazer e ter metas, mesmo que agora pareça distante. Esse momento é muito difícil, mas é tratável e temporário.
Em primeiro lugar, sinto muito que esteja passando por essa situação tão intensa, mas saiba que isso tem nome, tem explicação e saída. Vou responder por partes:
Vai passar? Sim. Você já está em tratamento e isso é ótimo. A medicação ajudará a estabilizar, ela pode levar até 4 semanas para fazer efeito pleno, 4 dias é pouco tempo.
Voltará a funcionar, ter desejos e metas? Sim, a fome, libido e o sono tendem a voltar mais rapidamente com ajuste da medicação. Sobre desejos e metas, este é o momento de concentrar na melhora, não é a situação ideal para pensar em metas, planos ou num futuro muito distante, pois sua percepção está "sequestrada" pela situação mais delicada que você está passando, tenha em mente que o que está passando é algo excepcional e que passará em breve.
Trocar de abordagem? Você deve analisar se a conexão com o terapeuta é boa, mas confesso que num momento de crise assim, pode ser mais interessante continuar e pensar na troca num momento um pouco mais tranquilo.
Importante: sobre o pensamento "qual o propósito de viver sofrendo desse jeito?", informe seu psiquiatra. Nada para assustar, ok? É que se trata de uma informação clínica relevante.
Dr. Adriano M. Galocha
Psicólogo, Psicanalista
Lorena
Olá! Psicólogo Adriano Galocha aqui.
O que você está sentindo é real e merece atenção.
Vale refletir se sua terapia tem te trazido alívio e confiança. Caso não, pode ser importante considerar mudar de terapeuta. Isso não depende da abordagem (psicanálise, TCC, etc.), mas do vínculo e de como você se sente no setting terapêutico.
Não se trata de o profissional ser bom ou ruim, mas da conexão entre vocês.

Fico à sua disposição caso queira experimentar uma nova forma de lidar com suas questões.
Olá! Como vai? Sinto muito que você esteja passando por algo tão intenso. Pelos sintomas que descreve — insônia, perda de apetite e de libido, angústia no peito, tremores, sudorese, pensamentos repetitivos e essa sensação de desconexão — seu organismo parece estar em um estado elevado de ansiedade, possivelmente com características de crise contínua. Isso é muito desconfortável, mas é tratável.

Respondendo de forma direta às suas perguntas:

1. “Isso vai passar? Vou voltar a funcionar?”
Sim, na grande maioria dos casos, quadros como o seu melhoram com tratamento adequado. O que você está vivendo agora não define como você vai se sentir no futuro. Essa sensação de estar “diferente” ou desconectado costuma aparecer quando a ansiedade está muito alta — é como se o corpo e a mente estivessem sobrecarregados. À medida que a ansiedade reduz, isso tende a se reorganizar.

2. Sobre a medicação (3–4 dias de uso)
Esse ponto é importante: medicações psiquiátricas geralmente não fazem efeito completo nos primeiros dias. Em muitos casos, podem até gerar uma leve piora inicial da ansiedade antes de começar a estabilizar. O efeito terapêutico costuma aparecer de forma mais consistente após 2 a 4 semanas. Ou seja, ainda está muito no começo.

3. “Vou voltar a ter desejos, metas, sentir prazer?”
Sim — quando a ansiedade está muito intensa, ela “ocupa todo o espaço”, e outras áreas (prazer, desejo, motivação) ficam temporariamente apagadas. Isso não significa que você perdeu isso, mas sim que está em um estado de sobrevivência. Com a melhora do quadro, essas áreas tendem a voltar gradualmente.

4. Sobre mudar de abordagem (psicanálise vs TCC)
Não existe uma única resposta certa aqui, mas alguns pontos podem te ajudar a decidir:

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) costuma ter protocolos mais estruturados e diretos para sintomas como ansiedade intensa, pensamentos catastróficos e insônia.
A psicanálise tende a ser mais exploratória e profunda, mas nem sempre oferece ferramentas imediatas para manejo de crise.

Diante da intensidade dos seus sintomas agora, pode ser interessante:

Manter seu terapeuta atual se você se sente acolhido, mas alinhar foco mais prático no manejo da ansiedade
ou
Considerar um profissional com abordagem mais focada em estratégias (como TCC), pelo menos nesse momento inicial

Não precisa ser uma decisão radical ou definitiva, mas sim estratégica para o que você está precisando agora: estabilização.

Um ponto importante sobre seus pensamentos
Essas perguntas como “qual o propósito de viver sofrendo assim?” costumam surgir quando o sofrimento está muito alto — não significam necessariamente um desejo real de não viver, mas sim uma tentativa da mente de dar sentido à dor. Ainda assim, merecem atenção e cuidado.

O que pode te ajudar nesse momento (de forma prática):

Focar em reduzir a ativação do corpo, não em “resolver a vida” agora
Regular sono e alimentação minimamente (mesmo sem vontade)
Evitar se prender aos pensamentos como se fossem verdades — eles estão influenciados pela ansiedade
Manter contato com seu psiquiatra caso os sintomas estejam muito intensos ou piorem

Se em algum momento esses pensamentos ficarem mais pesados ou vier sensação de não dar conta, procure ajuda imediata (um pronto atendimento ou alguém de confiança). Você não precisa atravessar isso sozinho.

O mais importante: o que você está sentindo agora é um estado, não uma sentença permanente. Com o tempo e o tratamento ajustado, seu sistema vai desacelerar — e você tende a recuperar sua sensação de si mesmo, seus desejos e sua capacidade de funcionar. A minha abordagem é a Análise do Comportamento, mas eu consigo te ajudar! Coloco-me à disposição, caso tenha interesse em iniciar um processo terapêutico. Boa ressignificação!
 Camila Ferrari
Psicólogo, Psicanalista
Ribeirão Preto
O que você está vivenciando é um estado de hipervigilância e angústia aguda. É compreensível que, sob esse sofrimento, surjam perguntas sobre o futuro e o propósito da vida, pois a dor presente é tão intensa que parece que ela será eterna. Mas a resposta curta e direta é: sim, isso passa. Para ajudar você a atravessar esse momento, precisamos pontuar alguns fatores importantes:

1. O tempo da medicação
Você mencionou que iniciou os remédios há apenas 3 ou 4 dias. Na psiquiatria, a maioria das medicações para controle de ansiedade e estabilização do humor leva de 15 a 21 dias para atingir o efeito terapêutico esperado. Nestes primeiros dias, é comum inclusive sentir um leve aumento da ansiedade ou efeitos colaterais antes da melhora. O que você sente agora é o pico do transtorno, e o remédio ainda não teve tempo de "construir a rede de proteção" necessária.

2. A sensação de desconexão (Despersonalização)
Sentir-se "desconectado" ou uma "pessoa diferente" é um mecanismo de defesa do cérebro quando o nível de estresse ultrapassa o limite suportável. Não significa que você enlouqueceu ou que mudou para sempre; é apenas o seu psiquismo tentando se proteger de uma dor que ele não consegue processar no momento. Conforme a ansiedade baixar, essa sensação de realidade retornará.

3. Mudar de Psicanálise para TCC?
Não é o momento de tomar decisões drásticas sobre a modalidade terapêutica. Você está em análise há apenas 4 semanas — um tempo muito curto para uma reestruturação subjetiva. A Psicanálise foca na causa e na sustentação do sujeito, enquanto a TCC foca no manejo de sintomas. Ambas são eficazes, mas mudar agora pode gerar mais angústia por ter que recomeçar um vínculo do zero em plena crise. O mais importante no momento não é a técnica, mas a aliança terapêutica: você se sente seguro e escutado pelo seu analista? Se sim, permaneça e leve essas questões para a sessão.

4. A volta dos desejos e metas
A depressão e a ansiedade aguda "sequestram" o nosso desejo. É impossível pensar em metas quando se está lutando para respirar ou dormir. O desejo voltará naturalmente assim que as funções básicas (sono, apetite e silêncio interno) forem restabelecidas pela medicação e pela fala.

Minha orientação:

Mantenha o contato estreito com seu psiquiatra: Relate esses sintomas iniciais. Ele pode avaliar se é necessário algo para alívio imediato (SOS) enquanto a medicação principal não faz efeito.

Não lute contra os pensamentos: Quando vier o "como será minha velhice?", tente responder para si mesmo: "Agora eu não consigo resolver isso, meu foco é apenas chegar até a noite de hoje".

Dê tempo ao tempo: Você está no início de um processo. O cuidado já começou, agora é preciso sustentar o intervalo entre o início do tratamento e o alívio dos sintomas.

Você voltará a funcionar e a desejar. O sofrimento de agora é uma fase, não o seu destino final.

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