O hiperfoco é considerado uma comorbidade no Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?

2 respostas
O hiperfoco é considerado uma comorbidade no Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?
Dra. Janilda Reis
Psicólogo
Jaboatão Dos Guararapes
O hiperfoco pode ser considerado como uma comorbidade do TEA, mas também não apenas o único. Posto nao ser obrigatório. É preciso procurar pela ajuda de um psicoterapeuta para que ele possa identificar a questão do hiperfoco porque ele também pode coexistir com outra comorbidade.

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 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Oi, tudo bem? Essa é uma dúvida muito comum — e vale esclarecer com cuidado. O hiperfoco não é considerado uma comorbidade no Transtorno do Espectro Autista (TEA); na verdade, ele é uma característica típica do funcionamento autista. É uma forma de atenção intensa e profunda que o cérebro direciona para um tema, atividade ou interesse específico. Ao contrário de um sintoma isolado, o hiperfoco é parte da estrutura cognitiva e emocional que compõe o modo como o cérebro autista percebe e se conecta com o mundo.

Enquanto em outras condições — como TDAH, por exemplo — o foco tende a oscilar com facilidade, no autismo o hiperfoco surge como uma maneira de encontrar previsibilidade e prazer em algo que oferece sentido. É como se o cérebro dissesse: “aqui eu sei o que esperar, aqui está tudo no lugar”. Essa concentração pode gerar aprendizados profundos e habilidades notáveis, mas também pode dificultar a transição entre tarefas. Você já percebeu se o seu foco intenso aparece mais em momentos de calma ou quando o ambiente está emocionalmente instável?

Do ponto de vista emocional, o hiperfoco pode ser um refúgio, uma forma de regular sensações de ansiedade, desconforto ou sobrecarga sensorial. É importante observar quando ele funciona como fonte de equilíbrio e quando passa a gerar isolamento ou rigidez. O desafio não é eliminar o hiperfoco, mas aprender a “dialogar” com ele — compreender o que ele tenta regular e como equilibrar essa energia de atenção com as demandas da vida cotidiana.

A terapia pode ajudar a identificar quando o hiperfoco está servindo como uma ferramenta de bem-estar e quando está se tornando um peso. Isso permite transformar o que muitas vezes é visto como um obstáculo em um ponto de força, desde que acompanhado com cuidado e autocompreensão.

Caso precise, estou à disposição.

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