O hiperfoco em relacionamentos é perigoso no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

3 respostas
O hiperfoco em relacionamentos é perigoso no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem? Essa é uma pergunta muito importante, porque toca no centro daquilo que torna o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) tão desafiador nas relações. O hiperfoco, em si, não é “perigoso” no sentido de ser algo propositalmente destrutivo, mas pode se tornar um terreno frágil quando nasce da tentativa de controlar a dor do medo de abandono.

No TPB, o hiperfoco em uma relação costuma surgir como um modo de buscar estabilidade emocional. É como se o cérebro dissesse: “se eu me dedicar completamente a essa pessoa, talvez eu não sinta mais esse vazio ou essa insegurança”. O problema é que esse foco intenso pode acabar se transformando em dependência afetiva, levando a uma oscilação entre idealizar e se frustrar — algo que desgasta tanto quem sente quanto quem está por perto.

Do ponto de vista emocional e neurobiológico, o hiperfoco ativa o sistema de recompensa do cérebro, o mesmo que se acende quando sentimos prazer, segurança ou amor. Só que, quando há medo de perda, esse sistema entra em sobrecarga: pequenas variações no comportamento da outra pessoa podem gerar uma avalanche emocional. Você já percebeu como o humor tende a mudar quando o outro se afasta um pouco ou parece menos disponível?

O risco, portanto, não está apenas no hiperfoco em si, mas em como ele mascara uma ferida mais profunda — o medo de ser deixado. E quanto mais tentamos controlar o vínculo, mais ele escapa. O processo terapêutico ajuda a fortalecer o senso interno de segurança e a construir relações com mais equilíbrio e autenticidade, sem precisar se perder nelas.

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Sim, o hiperfoco em relacionamentos pode ser particularmente perigoso no Transtorno de Personalidade Borderline, porque tende a intensificar a oscilação emocional característica do transtorno. Quando a atenção e o afeto são direcionados de forma quase exclusiva a uma pessoa, há uma tendência à idealização intensa, seguida por sentimentos de rejeição e desvalorização diante de qualquer sinal de distanciamento. Esse movimento, muitas vezes inconsciente, pode gerar sofrimento para ambos os lados, pois o vínculo passa a ser vivido como uma necessidade vital e não como uma relação entre dois sujeitos com limites e individualidades próprias. Além disso, o hiperfoco pode levar à perda de contato com outras áreas da vida, como trabalho, autocuidado e vínculos sociais, reforçando a dependência emocional e a instabilidade nas relações. O risco não está no sentimento em si, mas na dificuldade de regular a intensidade e reconhecer que o outro não pode suprir todas as carências afetivas.

O tratamento psicoterápico é essencial para aprender a observar esses movimentos com mais consciência e desenvolver recursos de autorregulação, favorecendo vínculos mais equilibrados e sustentáveis. O objetivo não é eliminar o afeto ou o desejo de proximidade, mas aprender a amar sem perder a si mesmo no processo.
 Virginia Lopes
Psicólogo, Psicanalista
Governador Valadares
Pode ser, quando o outro vira a única fonte de identidade e regulação emocional. Qualquer distância passa a soar como ameaça. O trabalho terapêutico é fortalecer o eu para que o vínculo seja escolha, não sobrevivência.

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