O que distingue a "antiga psicanálise" da psicanálise contemporânea? Seria a psicanálise lacaniana a
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O que distingue a "antiga psicanálise" da psicanálise contemporânea? Seria a psicanálise lacaniana a mais adequada atualmente para tratar diversos transtornos?
A "antiga psicanálise" é geralmente associada às primeiras formulações e métodos de Sigmund Freud, enquanto a "psicanálise contemporânea" abrange uma variedade de abordagens e teorias que evoluíram a partir das ideias de Freud, incluindo as contribuições de vários discípulos e críticos, como Jacques Lacan. A principal diferença entre a psicanálise freudiana e as abordagens contemporâneas se dá pela maneira como a teoria e a prática da psicanálise foram ampliadas, modificadas ou até reformuladas ao longo do tempo.
Freud focava na estrutura da mente humana, particularmente nas dinâmicas entre o inconsciente, o consciente e o pré-consciente. Ele desenvolveu conceitos fundamentais como o id, ego e superego, a repressão, os complexos e as pulsões. A técnica psicanalítica freudiana enfatizava a interpretação dos sonhos, a livre associação e a transferência.
Por outro lado, a psicanálise contemporânea se caracteriza por uma maior diversidade de abordagens, já que, ao longo das décadas, muitos psicanalistas ampliaram, revisaram ou contestaram as ideias de Freud. Alguns, como Melanie Klein, Donald Winnicott e Wilfred Bion, avançaram com novas teorias sobre o inconsciente, os primeiros anos de vida e as relações objetais, por exemplo. Outros, como os psicanalistas da vertente inglesa, focaram mais nas questões relacionadas à psicologia do eu e ao desenvolvimento das funções psíquicas.
A psicanálise lacaniana, desenvolvida por Jacques Lacan, representa uma das abordagens mais marcantes e revolucionárias na psicanálise contemporânea. Lacan reinterpretou as ideias de Freud à luz de desenvolvimentos em linguística, filosofia e estruturalismo, argumentando que a linguagem tem um papel central na formação do inconsciente. Lacan também criticou e reconfigurou muitas das categorias freudianas, como a relação entre o sujeito e o desejo, a importância do espelho (teoria do "Estádio do Espelho") e a articulação das questões de identidade.
Em relação ao tratamento de transtornos, a psicanálise lacaniana propõe que muitos distúrbios psicológicos estão relacionados a uma falha na relação do sujeito com o desejo, a linguagem e o outro. Para Lacan, a estrutura do sujeito é fundamentalmente marcada por uma divisão e por um desejo nunca totalmente satisfeito. Isso implica que a terapia deve buscar, entre outras coisas, compreender os significados profundos dos sintomas e dos conflitos inconscientes do paciente, bem como como o paciente se posiciona em relação ao seu próprio desejo.
A psicanálise lacaniana, portanto, tem sido utilizada para tratar uma variedade de transtornos psicológicos, como neuroses, psicoses e transtornos de personalidade. Muitos argumentam que essa abordagem é particularmente eficaz em casos onde o sujeito apresenta dificuldades com a subjetividade e a linguagem, mas outros defendem que existem diferentes modelos psicanalíticos que podem ser igualmente adequados, dependendo do tipo de transtorno e da estrutura psíquica do paciente.
Em resumo, Lacan continua a tradição de Freud, mas ao mesmo tempo a reinventa, oferecendo uma nova visão sobre a relação entre inconsciente, linguagem e sujeito. Sua obra é um marco na psicanálise contemporânea, sendo um ponto de partida importante para muitos terapeutas que se baseiam em suas teorias, especialmente quando se trata de aspectos complexos da subjetividade e dos transtornos psíquicos. No entanto, como em qualquer campo terapêutico, a eficácia depende da questão clínica específica e da orientação teórica do profissional.
Freud focava na estrutura da mente humana, particularmente nas dinâmicas entre o inconsciente, o consciente e o pré-consciente. Ele desenvolveu conceitos fundamentais como o id, ego e superego, a repressão, os complexos e as pulsões. A técnica psicanalítica freudiana enfatizava a interpretação dos sonhos, a livre associação e a transferência.
Por outro lado, a psicanálise contemporânea se caracteriza por uma maior diversidade de abordagens, já que, ao longo das décadas, muitos psicanalistas ampliaram, revisaram ou contestaram as ideias de Freud. Alguns, como Melanie Klein, Donald Winnicott e Wilfred Bion, avançaram com novas teorias sobre o inconsciente, os primeiros anos de vida e as relações objetais, por exemplo. Outros, como os psicanalistas da vertente inglesa, focaram mais nas questões relacionadas à psicologia do eu e ao desenvolvimento das funções psíquicas.
A psicanálise lacaniana, desenvolvida por Jacques Lacan, representa uma das abordagens mais marcantes e revolucionárias na psicanálise contemporânea. Lacan reinterpretou as ideias de Freud à luz de desenvolvimentos em linguística, filosofia e estruturalismo, argumentando que a linguagem tem um papel central na formação do inconsciente. Lacan também criticou e reconfigurou muitas das categorias freudianas, como a relação entre o sujeito e o desejo, a importância do espelho (teoria do "Estádio do Espelho") e a articulação das questões de identidade.
Em relação ao tratamento de transtornos, a psicanálise lacaniana propõe que muitos distúrbios psicológicos estão relacionados a uma falha na relação do sujeito com o desejo, a linguagem e o outro. Para Lacan, a estrutura do sujeito é fundamentalmente marcada por uma divisão e por um desejo nunca totalmente satisfeito. Isso implica que a terapia deve buscar, entre outras coisas, compreender os significados profundos dos sintomas e dos conflitos inconscientes do paciente, bem como como o paciente se posiciona em relação ao seu próprio desejo.
A psicanálise lacaniana, portanto, tem sido utilizada para tratar uma variedade de transtornos psicológicos, como neuroses, psicoses e transtornos de personalidade. Muitos argumentam que essa abordagem é particularmente eficaz em casos onde o sujeito apresenta dificuldades com a subjetividade e a linguagem, mas outros defendem que existem diferentes modelos psicanalíticos que podem ser igualmente adequados, dependendo do tipo de transtorno e da estrutura psíquica do paciente.
Em resumo, Lacan continua a tradição de Freud, mas ao mesmo tempo a reinventa, oferecendo uma nova visão sobre a relação entre inconsciente, linguagem e sujeito. Sua obra é um marco na psicanálise contemporânea, sendo um ponto de partida importante para muitos terapeutas que se baseiam em suas teorias, especialmente quando se trata de aspectos complexos da subjetividade e dos transtornos psíquicos. No entanto, como em qualquer campo terapêutico, a eficácia depende da questão clínica específica e da orientação teórica do profissional.
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Olá! A psicanálise contemporânea acredita na contratransferência ( o que o paciente gera no analista) , no espaço-entre como aquilo que não é nem do analista, nem do analisando, mas o que é produzido na relação do par analítico, se propondo a tratar os casos anteriormente considerados não analisáveis , enquanto a psicanálise clássica não considerava os fatores citados. Lacan é um dos autores em psicanálise que deve ser estudo, mas na minha concepção considerar apenas um autor no estudo e prática psicanalítica pode limitar o trabalho do profissional que deve adequar a condução do tratamento à necessidade de cada paciente e não ao contrário. Espero ter ajudado, estou á disposição!
Diferenças entre a Antiga Psicanálise e a Psicanálise Contemporânea
1. Abordagem Teórica:
Antiga Psicanálise: Fundamentada nas ideias de Freud, focava nas neuroses e no inconsciente, com o analista como figura central.
Psicanálise Contemporânea: Integra descobertas científicas e considera fatores sociais e culturais, ampliando o foco para diversas psicopatologias.
2. Método de Tratamento:
Antiga Psicanálise: Tratamentos longos e centrados na interpretação dos conteúdos inconscientes.
Psicanálise Contemporânea: Métodos mais flexíveis, adaptados às necessidades do paciente.
3. Inclusão de Novas Temáticas:
Antiga Psicanálise: Questões de gênero e diversidade eram vistas sob uma ótica limitada.
Psicanálise Contemporânea: Reconhece a diversidade como parte da subjetividade humana, sem patologizar.
Psicanálise Lacaniana
A psicanálise lacaniana enfatiza a linguagem e o inconsciente como estruturados pelo simbólico, sendo especialmente útil para tratar questões relacionadas à subjetividade e às relações interpessoais.
Se você tiver interesse em agendar uma consulta para explorar essas questões ou buscar apoio terapêutico, estou à disposição para ajudar!
1. Abordagem Teórica:
Antiga Psicanálise: Fundamentada nas ideias de Freud, focava nas neuroses e no inconsciente, com o analista como figura central.
Psicanálise Contemporânea: Integra descobertas científicas e considera fatores sociais e culturais, ampliando o foco para diversas psicopatologias.
2. Método de Tratamento:
Antiga Psicanálise: Tratamentos longos e centrados na interpretação dos conteúdos inconscientes.
Psicanálise Contemporânea: Métodos mais flexíveis, adaptados às necessidades do paciente.
3. Inclusão de Novas Temáticas:
Antiga Psicanálise: Questões de gênero e diversidade eram vistas sob uma ótica limitada.
Psicanálise Contemporânea: Reconhece a diversidade como parte da subjetividade humana, sem patologizar.
Psicanálise Lacaniana
A psicanálise lacaniana enfatiza a linguagem e o inconsciente como estruturados pelo simbólico, sendo especialmente útil para tratar questões relacionadas à subjetividade e às relações interpessoais.
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A Psicanálise contemporânea é uma evolução da Psicanálise clássica (antiga) , que se desenvolveu a partir das teorias de Sigmund Freud. A principal diferença está na ampliação do foco teórico e na flexibilização das práticas clínicas. Hoje, o setting analítico apresenta flexibilidade com maiores configurações como a possibilidade da Análise Online e a substituição do divã, além de abordagens mais integrativas que não focaliza unicamente no inconsciente, mas também em outros manejos terapêuticos.
Não digo que existe uma Psicanálise mais adequada, mas sim aquela que faz mais sentido e se adapta para você.
Não digo que existe uma Psicanálise mais adequada, mas sim aquela que faz mais sentido e se adapta para você.
A psicanálise clássica freudiana focava no inconsciente, traumas e na estrutura psíquica. Com o tempo, surgiram novas abordagens, como a teoria das relações objetais e a psicologia do self. A psicanálise lacaniana trouxe um olhar para a linguagem e o simbólico, sendo útil para muitos casos. No entanto, a psicanálise contemporânea não se limita a um único referencial. Dependendo do quadro, conceitos de Winnicott, Bion ou outras teorias podem ser mais eficazes. O importante é a flexibilidade do analista para adaptar a escuta e técnica ao paciente.
Olá. A psicanálise contemporânea tenta avançar nos problemas da psicanálise relacionados tanto à segmentação das escolas de pensamento, seus fundadores e seguidores, quanto na seletividade técnica. Por meio de recursos como uma formação pluralista teórica, técnica e institucional, escuta polifônica e trabalho do pensamento clínico do psicanalista, compreensão crítica e transitiva dos diferentes autores e escolas, percurso de formação singular do analista, entre outros fatores, a psicanálise contemporânea mantém a base do seu pensamento da abordagem freudiana, mas possibilita que a psicopatologia e os tipos de sofrimento e mal-estar contemporâneos sejam compreendidos e tratados conforme a singularidade e escolhas teóricas e técnicas de cada psicanalista, sem fixar numa escola de pensamento ou num único autor especificamente. Por essas razões, a psicanálise lacaniana não é considerada uma psicanálise contemporânea, tendo em vista que ela privilegia o pensamento e a técnica de Jacques Lacan para abordar e tratar das questões analíticas. Mas, de modo geral, a maioria das abordagens psicanalíticas, tanto as derivadas das escolas de pensamento e seus fundadores quanto a psicanálise contemporânea podem tratar de diversos transtornos. As diferenças entre psicanálise das escolas e psicanálise contemporânea são mais relacionadas à formação, estilo de atendimento e posicionamento teórico e técnico dos analistas que de sua amplitude de tratamento. Caso se interesse por aprofundar essas ideias, vale a pena ler André Green, René Roussillon, René Kaës, Marion Minerbo, Renato Mezan, Luis Cláudio Figueiredo, entre tantos outros que abordam essas questões.
Olá! A psicanálise evoluiu desde Freud, mas mantém sua essência na escuta do inconsciente e na singularidade de cada sujeito. Como psicanalista lacaniano, compreendo que o sofrimento psíquico não deve ser reduzido a rótulos, mas investigado em sua relação com a linguagem e o desejo. A abordagem lacaniana é uma das mais potentes para tratar diversas questões, pois leva em conta a subjetividade e a estrutura do inconsciente. Se quiser entender melhor como isso pode se aplicar ao seu caso, podemos marcar uma sessão para conversar. Estou à disposição. Um abraço, Vinícius.
A distinção entre a "antiga psicanálise" e a psicanálise contemporânea se dá principalmente na forma como se compreendem o sujeito, o inconsciente e a prática clínica. A psicanálise freudiana clássica, por exemplo, enfatizava a escuta do inconsciente a partir da associação livre e da interpretação dos sonhos, com um modelo estrutural baseado no id, ego e superego. Já a psicanálise contemporânea incorpora novas leituras, como as contribuições de Lacan, Winnicott, Bion e outros, que ampliaram o entendimento sobre o sujeito e o tratamento.
A psicanálise lacaniana, por sua vez, reformula conceitos freudianos com uma abordagem mais estruturalista e linguística, enfatizando o inconsciente como estruturado como uma linguagem e introduzindo a noção dos registros Real, Simbólico e Imaginário. Lacan também reformula a técnica clínica, afastando-se da ideia de sessões de duração fixa e enfatizando a importância da interpretação e do corte da sessão para produzir efeitos no discurso do analisando.
Sobre a adequação da psicanálise lacaniana para tratar diversos transtornos, depende da concepção que se tem de "transtorno" e do que se espera de um tratamento psicanalítico. A abordagem lacaniana pode ser potente para estruturar subjetividades em sofrimento, especialmente em casos de angústia, psicose e neurose obsessiva. No entanto, para casos mais voltados ao campo da psiquiatria tradicional, como certos transtornos de personalidade ou quadros graves de psicose, outras abordagens psicanalíticas ou mesmo uma articulação com a psiquiatria e outras terapias podem ser mais indicadas.
Fico a disposição!
A psicanálise lacaniana, por sua vez, reformula conceitos freudianos com uma abordagem mais estruturalista e linguística, enfatizando o inconsciente como estruturado como uma linguagem e introduzindo a noção dos registros Real, Simbólico e Imaginário. Lacan também reformula a técnica clínica, afastando-se da ideia de sessões de duração fixa e enfatizando a importância da interpretação e do corte da sessão para produzir efeitos no discurso do analisando.
Sobre a adequação da psicanálise lacaniana para tratar diversos transtornos, depende da concepção que se tem de "transtorno" e do que se espera de um tratamento psicanalítico. A abordagem lacaniana pode ser potente para estruturar subjetividades em sofrimento, especialmente em casos de angústia, psicose e neurose obsessiva. No entanto, para casos mais voltados ao campo da psiquiatria tradicional, como certos transtornos de personalidade ou quadros graves de psicose, outras abordagens psicanalíticas ou mesmo uma articulação com a psiquiatria e outras terapias podem ser mais indicadas.
Fico a disposição!
Excelente profissional! Muito educada e atenciosa. Impressionante como cada sessão possibilita que eu produza insights surpreendentes sobre mim!
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O que distingue a "antiga psicanálise" da psicanálise contemporânea? Seria a psicanálise lacaniana a mais adequada atualmente para tratar diversos transtornos?
Olá. Sua pergunta é muito relevante e interessante. Aliás, ela convida-nos, mais que a escrever uma resposta, puxar uma boa conversa.
A Psicanálise, de fato, enquanto campo de saber/fazer, parece antiga, pois data de 1895, quando Freud, em Viena, Áustria, publicou seu primeiro texto sobre a clínica, os “Estudos sobre a histeria”. Eram tempo e lugar muito diferentes de hoje. E Freud sabia, como qualquer mortal, que sua vida um dia chegaria a um limite, então deixou, em muitos de seus escritos, a convocação para que os psicanalistas que viessem depois dele se ocupassem de levar adiante seus estudos, a partir de onde ele não tivesse podido avançar, ou seja, atualizando a psicanálise com as mudanças do mundo. Considero essa uma atitude muito honrada, honesta e convidativa.
Então, depois de Freud tivemos muitos avanços no campo psicanalítico, que se tornou bastante heterogêneo, com variadas escolas e abordagens, estando principalmente distribuídas entre a que chamamos “Escola inglesa”, que teve nomes marcantes como Anna Freud, Melanie Klein (que avançaram na psicanálise com crianças por exemplo), e Donald Winnicott, entre muitos outros; e a “Escola francesa”, de Jacques Lacan, que hoje conta também com contribuições importantes de psicanalistas do mundo todo. São duas Escolas muito interessantes, cada uma com suas particularidades, mas ambas decorrem de Freud, ou seja, qualquer prática que se nomeie psicanalítica, disse Freud, trabalhará com as mesmas premissas clínicas: a noção de inconsciente, de pulsão, de repetição e transferência.
Mas você deve estar se perguntando: será que isso tudo não é muito técnico? Muito específico? Eu só quero encontrar um/a bom/boa analista. Você teria razão em pensar assim. Mas como encontrar um/a desses/dessas?
O que irá divergir será como cada escola e cada clínico, em sua formação e em sua experiência, compreende, significa e trabalha com essas premissas estruturais estabelecidas por Freud. Por isso a formação, para nós, psicanalistas, é tão importante e merece tanto cuidado, desde nossa análise pessoal, passando pelos estudos da teoria, pela supervisão, pelo trabalho entre colegas. Não existe a possibilidade de um/a psicanalista se formar só lendo textos. Será preciso interagir com colegas clínicos mais experientes, professores, e pôr-se à prova constantemente na prática clínica e nos estudos conduzidos com o propósito direto de nutrir essa prática clínica.
Costumamos também dizer que um/a psicanalista precisa estar à altura do espírito de seu tempo, ou seja, estar em conexão com os problemas de sua cultura e sociedade. A psicanálise do campo lacaniano hoje no Brasil conta com muitos profissionais com formações, trajetórias e experiências consistentes, capazes de dirigirem tratamentos com grande competência. Clínicos e pesquisadores que se põem às voltas com o campo da cultura, com as artes, e capazes de tratarem transtornos (sejam aqueles mais aparentemente silenciosos, em que a pessoa se encontra minimamente organizada em sua vida, até aqueles casos em que há uma forte perturbação no viver e no relacionar-se com pessoas e projetos de vida), como você nomeou, até aquilo que chamamos de sofrimento da vida cotidiana, ou seja, as aflições mais pontuais, mas que podem, somadas umas às outras, causar também sofrimento psíquico ou até mesmo físico.
Mas o que mais importa, no fim das contas, honestamente, é que você possa encontrar um/a profissional que, claro, além de bem formado/a, seja alguém com quem você consiga, principalmente, realizar seu percurso de análise! Ou seja, um tratamento em que você, realmente, encontre meios de produzir um saber sobre si. Pois esse é o saber que se quer com um bom tratamento: o saber construído por você, para se haver com quem você é. E isso leva tempo, requer um mergulho, trabalho muito fino e delicado em análise. É uma grande aventura, que não se dá sem algum incômodo, aquela que deriva dos momentos de estranhar-se, entranhar-se. Mas também com um grande contentamento que advém de algo libertador: poder estar no mundo de um modo interessante, singular e ao mesmo tempo em laço com quem e com o que lhe importa.
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O que distingue a "antiga psicanálise" da psicanálise contemporânea? Seria a psicanálise lacaniana a mais adequada atualmente para tratar diversos transtornos?
Olá. Sua pergunta é muito relevante e interessante. Aliás, ela convida-nos, mais que a escrever uma resposta, puxar uma boa conversa.
A Psicanálise, de fato, enquanto campo de saber/fazer, parece antiga, pois data de 1895, quando Freud, em Viena, Áustria, publicou seu primeiro texto sobre a clínica, os “Estudos sobre a histeria”. Eram tempo e lugar muito diferentes de hoje. E Freud sabia, como qualquer mortal, que sua vida um dia chegaria a um limite, então deixou, em muitos de seus escritos, a convocação para que os psicanalistas que viessem depois dele se ocupassem de levar adiante seus estudos, a partir de onde ele não tivesse podido avançar, ou seja, atualizando a psicanálise com as mudanças do mundo. Considero essa uma atitude muito honrada, honesta e convidativa.
Então, depois de Freud tivemos muitos avanços no campo psicanalítico, que se tornou bastante heterogêneo, com variadas escolas e abordagens, estando principalmente distribuídas entre a que chamamos “Escola inglesa”, que teve nomes marcantes como Anna Freud, Melanie Klein (que avançaram na psicanálise com crianças por exemplo), e Donald Winnicott, entre muitos outros; e a “Escola francesa”, de Jacques Lacan, que hoje conta também com contribuições importantes de psicanalistas do mundo todo. São duas Escolas muito interessantes, cada uma com suas particularidades, mas ambas decorrem de Freud, ou seja, qualquer prática que se nomeie psicanalítica, disse Freud, trabalhará com as mesmas premissas clínicas: a noção de inconsciente, de pulsão, de repetição e transferência.
Mas você deve estar se perguntando: será que isso tudo não é muito técnico? Muito específico? Eu só quero encontrar um/a bom/boa analista. Você teria razão em pensar assim. Mas como encontrar um/a desses/dessas?
O que irá divergir será como cada escola e cada clínico, em sua formação e em sua experiência, compreende, significa e trabalha com essas premissas estruturais estabelecidas por Freud. Por isso a formação, para nós, psicanalistas, é tão importante e merece tanto cuidado, desde nossa análise pessoal, passando pelos estudos da teoria, pela supervisão, pelo trabalho entre colegas. Não existe a possibilidade de um/a psicanalista se formar só lendo textos. Será preciso interagir com colegas clínicos mais experientes, professores, e pôr-se à prova constantemente na prática clínica e nos estudos conduzidos com o propósito direto de nutrir essa prática clínica.
Costumamos também dizer que um/a psicanalista precisa estar à altura do espírito de seu tempo, ou seja, estar em conexão com os problemas de sua cultura e sociedade. A psicanálise do campo lacaniano hoje no Brasil conta com muitos profissionais com formações, trajetórias e experiências consistentes, capazes de dirigirem tratamentos com grande competência. Clínicos e pesquisadores que se põem às voltas com o campo da cultura, com as artes, e capazes de tratarem transtornos (sejam aqueles mais aparentemente silenciosos, em que a pessoa se encontra minimamente organizada em sua vida, até aqueles casos em que há uma forte perturbação no viver e no relacionar-se com pessoas e projetos de vida), como você nomeou, até aquilo que chamamos de sofrimento da vida cotidiana, ou seja, as aflições mais pontuais, mas que podem, somadas umas às outras, causar também sofrimento psíquico ou até mesmo físico.
Mas o que mais importa, no fim das contas, honestamente, é que você possa encontrar um/a profissional que, claro, além de bem formado/a, seja alguém com quem você consiga, principalmente, realizar seu percurso de análise! Ou seja, um tratamento em que você, realmente, encontre meios de produzir um saber sobre si. Pois esse é o saber que se quer com um bom tratamento: o saber construído por você, para se haver com quem você é. E isso leva tempo, requer um mergulho, trabalho muito fino e delicado em análise. É uma grande aventura, que não se dá sem algum incômodo, aquela que deriva dos momentos de estranhar-se, entranhar-se. Mas também com um grande contentamento que advém de algo libertador: poder estar no mundo de um modo interessante, singular e ao mesmo tempo em laço com quem e com o que lhe importa.
A psicanálise, como qualquer outra forma de conhecimento e prática humana, se transforma ao longo do tempo, e está influenciada pelos eventos históricos, as práticas culturais, as realidades políticas e económicas do contexto. A psicanálise lacaniana é hoje uma coisa diferente ao que foi, especialmente considerando que o J Lacan não está ativo na área, já que ele faleceu há muitos anos. Em outras palavras, se trata da pessoa do/da psicanalista de cada caso. Tem esse aspecto ou fator "pessoal" da prática, que influencia o estilo, a "especialidade" e até a qualidade ou o grau de interesse no "éxito" do manejo dos casos clínicos.
A psicanálise contemporânea, de modo geral, está numa disjuntiva cultural e histórica, igual acontece com as ciências políticas e econômicas, por exemplo: tem uma prática psicanalítica que problematiza como IMPORTANTE a consciência de classe, de gênero, de interculturalidade, etc., e tem uma prática psicanalítica que não vê a importância ou mesmo RECHAÇA ativamente a diferença imaginária entre as pessoas.
A psicanálise lacaniana vai ter dois tipos de analistas: ora com consciência de igualdade, ora através da exclusão. A metodologia da prática analítica é também um assunto bastante longo e cheio de camadas. Os/As analistas lacanianas costumam "deixar sozinha" à pessoa nas suas "sacações", nos seus insights ou descobertas sobre si mesmas. É, em geral, pouco orientadora sobre o que possa ser interessante repensar ou talvez por quê. Pessoas muito violentadas, enfraquecidas, negligenciadas, isoladas, sem muito jeito de pensar por si sós, em geral, se beneficiam mais de abordagens mais orientativas, digamos assim.
O meu nome fica no ggl disponível para conversar, se você tiver questões mais pessoais para trabalhar.
:)
A psicanálise contemporânea, de modo geral, está numa disjuntiva cultural e histórica, igual acontece com as ciências políticas e econômicas, por exemplo: tem uma prática psicanalítica que problematiza como IMPORTANTE a consciência de classe, de gênero, de interculturalidade, etc., e tem uma prática psicanalítica que não vê a importância ou mesmo RECHAÇA ativamente a diferença imaginária entre as pessoas.
A psicanálise lacaniana vai ter dois tipos de analistas: ora com consciência de igualdade, ora através da exclusão. A metodologia da prática analítica é também um assunto bastante longo e cheio de camadas. Os/As analistas lacanianas costumam "deixar sozinha" à pessoa nas suas "sacações", nos seus insights ou descobertas sobre si mesmas. É, em geral, pouco orientadora sobre o que possa ser interessante repensar ou talvez por quê. Pessoas muito violentadas, enfraquecidas, negligenciadas, isoladas, sem muito jeito de pensar por si sós, em geral, se beneficiam mais de abordagens mais orientativas, digamos assim.
O meu nome fica no ggl disponível para conversar, se você tiver questões mais pessoais para trabalhar.
:)
A psicanálise foi criada por Freud, embora Lacan contribuiu com algumas “atualizações” a base continua a mesma.
Escuta ativa, o analisando rumina seus pensamentos e o analista ouve com atenção e “traduz”. Isso causa a “cura”
Escuta ativa, o analisando rumina seus pensamentos e o analista ouve com atenção e “traduz”. Isso causa a “cura”
O que distingue a "antiga psicanálise" da "psicanálise contemporânea" é a evolução no entendimento do funcionamento da psiquê e as formas de abordagens que se tornaram mais "amigáveis" para o entendimento do paciente. Todos os autores contribuem e contribuíram, para a evolução da psicanálise, por isso, evito considerar um ou outro autor "mais adequado" para tratar as questões de um paciente. Uma vez que a solução não está na teoria ou no autor, mas sim, na capacidade do cliente em conhecer e aplicar o conhecimento na sua própria dinâmica psíquica. Fico à disposição. Abraço.
Não sei o que você entende por "antiga psicanálise" ou "psicanálise contemporânea", mas uma das coisas que Lacan costumava alertar quem buscava seu ensino e queria ser psicanalista, é de que um analista precisa sempre estar atento aos movimentos de seu próprio tempo.
Perceber como a cultura atual se manifesta e de que formas isso reflete e atravessa a vida daqueles que escutamos em análise.
Sobre sua pergunta sobre ser a mais adequada, não existe resposta pra isso! A melhor análise é aquela que é possível a quem a procura.
Isso tem a ver com transferencia - no popular, o "santo tem que bater" entre paciente e psi, pra que a relação aconteça, seja pela simpatia ou não, é preciso sentir algo e querer apostar na relação de trabalho que se estabelece numa análise. (Ah, e isso vale pros dois lados)
Perceber como a cultura atual se manifesta e de que formas isso reflete e atravessa a vida daqueles que escutamos em análise.
Sobre sua pergunta sobre ser a mais adequada, não existe resposta pra isso! A melhor análise é aquela que é possível a quem a procura.
Isso tem a ver com transferencia - no popular, o "santo tem que bater" entre paciente e psi, pra que a relação aconteça, seja pela simpatia ou não, é preciso sentir algo e querer apostar na relação de trabalho que se estabelece numa análise. (Ah, e isso vale pros dois lados)
A "antiga psicanálise" refere-se principalmente às ideias de Sigmund Freud, que desenvolveu a teoria psicanalítica no final do século XIX e início do século XX.
Já a psicanálise contemporânea incorporou novas abordagens e críticas, tornando-se mais flexível e aberta à interdisciplinaridade. Algumas diferenças incluem:
Integração com neurociência, psicologia cognitiva e outros campos: há uma tentativa de alinhar a psicanálise com descobertas científicas modernas sobre o cérebro e a mente.
Maior ênfase nas relações interpessoais e na cultura: autores como Winnicott, Bion e Kohut trouxeram abordagens que destacam o papel do ambiente e das relações na formação psíquica.
Psicanálise aplicada a novos transtornos: a teoria psicanalítica evoluiu para lidar com questões contemporâneas como transtornos do espectro autista, TDAH, transtornos de personalidade, entre outros.
Técnicas menos rígidas e maior adaptabilidade: sessões podem ter frequência variável, e a postura do analista pode ser mais ativa do que na psicanálise tradicional freudiana.
Quanto a Lacan, ele realizou uma releitura de Freud e acrescentou muita coisa, eu particularmente, gosto muito da clinica Lacaniana, porém, a escolha da linha a seguir no tratamento, dependerá do paciente, suas demandas e características individuais.
Já a psicanálise contemporânea incorporou novas abordagens e críticas, tornando-se mais flexível e aberta à interdisciplinaridade. Algumas diferenças incluem:
Integração com neurociência, psicologia cognitiva e outros campos: há uma tentativa de alinhar a psicanálise com descobertas científicas modernas sobre o cérebro e a mente.
Maior ênfase nas relações interpessoais e na cultura: autores como Winnicott, Bion e Kohut trouxeram abordagens que destacam o papel do ambiente e das relações na formação psíquica.
Psicanálise aplicada a novos transtornos: a teoria psicanalítica evoluiu para lidar com questões contemporâneas como transtornos do espectro autista, TDAH, transtornos de personalidade, entre outros.
Técnicas menos rígidas e maior adaptabilidade: sessões podem ter frequência variável, e a postura do analista pode ser mais ativa do que na psicanálise tradicional freudiana.
Quanto a Lacan, ele realizou uma releitura de Freud e acrescentou muita coisa, eu particularmente, gosto muito da clinica Lacaniana, porém, a escolha da linha a seguir no tratamento, dependerá do paciente, suas demandas e características individuais.
Olá,
A diferença hoje é que não necessariamente vc encontrará um divã e o psicanalista ficará atrás de você. Hoje já temos psicanalistas que fazem a analise numa "organização" diferente, digamos, mais próxima do paciente.
Não há nenhum problema em fazer analise com psicanalistas mais tradicionais ou mais modernos, o método de analise e conceitos que será utilizado terá em sua base a teoria Freudiana (pai da psicanalise).
O que importa no final é vc encontrar um profissional ético e que você "goste" e sinta-se seguro para conseguir seguir com a analise.
Todos os psicanalistas, independente de serem Lacanianos, Winnicotianos, Kleineano e etc, estão aptos a te ajudar nesse processo de analise e auto-conhecimento.
Espero ter te ajudado.
abs
Espero ter ajudado um pouquinho.
A diferença hoje é que não necessariamente vc encontrará um divã e o psicanalista ficará atrás de você. Hoje já temos psicanalistas que fazem a analise numa "organização" diferente, digamos, mais próxima do paciente.
Não há nenhum problema em fazer analise com psicanalistas mais tradicionais ou mais modernos, o método de analise e conceitos que será utilizado terá em sua base a teoria Freudiana (pai da psicanalise).
O que importa no final é vc encontrar um profissional ético e que você "goste" e sinta-se seguro para conseguir seguir com a analise.
Todos os psicanalistas, independente de serem Lacanianos, Winnicotianos, Kleineano e etc, estão aptos a te ajudar nesse processo de analise e auto-conhecimento.
Espero ter te ajudado.
abs
Espero ter ajudado um pouquinho.
Olá, um prazer responder a essa pergunta.
A "antiga psicanálise" refere-se às teorias clássicas de Freud, focando no inconsciente e nas experiências infantis. Já a psicanálise contemporânea, incorpora conceitos de diversas áreas, adaptando-se às necessidades atuais.
A psicanálise lacaniana, que enfatiza a linguagem e a subjetividade, é uma abordagem influente, mas sua eficácia depende do contexto e das características do paciente.
O tratamento deve ser personalizado, considerando a individualidade de cada paciente.
Fico a disposição para mais esclarecimentos.
A "antiga psicanálise" refere-se às teorias clássicas de Freud, focando no inconsciente e nas experiências infantis. Já a psicanálise contemporânea, incorpora conceitos de diversas áreas, adaptando-se às necessidades atuais.
A psicanálise lacaniana, que enfatiza a linguagem e a subjetividade, é uma abordagem influente, mas sua eficácia depende do contexto e das características do paciente.
O tratamento deve ser personalizado, considerando a individualidade de cada paciente.
Fico a disposição para mais esclarecimentos.
Oi! A psicanálise evolui com o tempo, mas sua essência permanece: escutar o sujeito e seu inconsciente. A abordagem lacaniana traz contribuições valiosas, mas a escolha do método depende de cada caso. O mais importante é encontrar um espaço onde sua singularidade possa ser acolhida e trabalhada.
A distinção entre a "antiga psicanálise" e a psicanálise contemporânea envolve tanto questões teóricas quanto práticas. No início, com Freud, a psicanálise estava muito ancorada na clínica do recalque, no complexo de Édipo e na primazia do inconsciente estruturado pela repressão. As primeiras abordagens enfatizaram a interpretação simbólica e a rememoração como chaves para a cura.
Com o tempo, especialmente no século XX, a psicanálise se diversificou em várias escolas, incluindo a kleiniana, a winnicottiana, a bioniana e a lacaniana, cada uma trazendo contribuições importantes. A psicanálise contemporânea, de maneira geral, lida com novos sofrimentos psíquicos, como as depressões, os estados-limites, as adições e os transtornos do espectro autista, que muitas vezes não se encaixam na lógica do recalque.
Com o tempo, especialmente no século XX, a psicanálise se diversificou em várias escolas, incluindo a kleiniana, a winnicottiana, a bioniana e a lacaniana, cada uma trazendo contribuições importantes. A psicanálise contemporânea, de maneira geral, lida com novos sofrimentos psíquicos, como as depressões, os estados-limites, as adições e os transtornos do espectro autista, que muitas vezes não se encaixam na lógica do recalque.
Olá, sua pergunta é bastante relevante porque ela diz respeito a diferenças no entendimento tanto conceitual quanto em relação ao manejo clínico. Para os fins deste contexto, considero mais interessante focar na prática clínica. Grosso modo, pode-se dizer que há três vertentes dentro do movimento psicanalítico: o inglês, o americano e o francês. O primeiro tende a centrar as interpretações na relação transferencial estabelecida entre analista e paciente (a premissa é que o inconsciente, os traumas, são atualizados com o analista), sendo o mundo interno do paciente o foco principal. A vertente americana tende a dar um foco maior ao ego, aos mecanismos de defesa, e ao modo pelo qual ele pode ser fortalecido. A vertente francesa, liderada por Lacan, busca trabalhar a relação do sujeito do inconsciente com Outro (universo simbólico que inscreve o sujeito na lei, na cultura, nas relações sociais) a partir de uma perspectiva de continuidade entre ambos. Uma vez que a abordagem estrutural permite compreender as relações não em função da pessoa em si, mas do lugar que desempenha nesta estrutura (função materna e paterna, por exemplo, não implica uma característica biológica ou de gênero), mas atributos simbólicos; a leitura lacaniana possibilita uma visão mais ampla. Focar no sujeito do inconsciente e não nas representações defensivas do ego implica tanto uma postura ética de escuta radical do outro, de seu desejo, daquilo que o torna singular, quanto um compromisso em não fazer da terapia uma espécie de domesticação do paciente ao status quo dominante, do qual o analista algumas vezes se ilude como sendo seu representante. Ao considerar o trânsito pulsional ("energia" que liga as pessoas que amamos, odiamos, tememos), as imagens que fazemos de nós e dos outros e as repetições ("tropeços" geralmente nos mesmos "lugares"), passa a ser possível vislumbrar novas posições, novos tipos de ação. Creio que o aparato conceitual lacaniano consegue ser mais plástico (como a variável x numa equação) e por essa razão permite uma abordagem clínica mais inclusiva.
A diferença entre a psicanálise de ontem e a de hoje não é apenas uma questão de tempo, mas de como se lida com o desejo, a linguagem e a posição do sujeito diante do real. No início, Freud propôs um modelo em que o inconsciente estava estruturado por impulsos reprimidos, algo a ser desvendado como um mistério a ser solucionado. Depois, com Lacan, a ênfase mudou: o inconsciente não é só aquilo que foi reprimido, mas algo que se manifesta na linguagem, nos lapsos, nos equívocos, na própria estrutura do discurso do sujeito.
O que distingue a psicanálise lacaniana hoje é justamente seu olhar para além da ideia de "cura" no sentido tradicional. Não se trata de eliminar sintomas como se fossem meros erros a serem corrigidos, mas de entender como esses sintomas fazem parte da própria organização do desejo de cada um. Isso faz com que a psicanálise lacaniana se diferencie de abordagens mais adaptativas, que buscam encaixar o sujeito em um modelo pré-definido de funcionamento.
Se é a abordagem mais adequada para tratar transtornos? Depende do que se entende por tratamento. Se for aliviar o sofrimento ao custo de reprimir algo essencial ao sujeito, talvez outras práticas mais diretivas sejam preferíveis. Mas se for permitir que o sujeito encontre um lugar próprio diante do seu mal-estar, sem precisar se apagar para isso, então a psicanálise lacaniana segue sendo uma via potente. Afinal, o problema não está só no sintoma em si, mas no que ele diz, no que ele sustenta, e em como ele se inscreve na vida do sujeito.
O que distingue a psicanálise lacaniana hoje é justamente seu olhar para além da ideia de "cura" no sentido tradicional. Não se trata de eliminar sintomas como se fossem meros erros a serem corrigidos, mas de entender como esses sintomas fazem parte da própria organização do desejo de cada um. Isso faz com que a psicanálise lacaniana se diferencie de abordagens mais adaptativas, que buscam encaixar o sujeito em um modelo pré-definido de funcionamento.
Se é a abordagem mais adequada para tratar transtornos? Depende do que se entende por tratamento. Se for aliviar o sofrimento ao custo de reprimir algo essencial ao sujeito, talvez outras práticas mais diretivas sejam preferíveis. Mas se for permitir que o sujeito encontre um lugar próprio diante do seu mal-estar, sem precisar se apagar para isso, então a psicanálise lacaniana segue sendo uma via potente. Afinal, o problema não está só no sintoma em si, mas no que ele diz, no que ele sustenta, e em como ele se inscreve na vida do sujeito.
Como psicanalista lacaniana, entendo que a distinção entre a "antiga psicanálise" e a psicanálise contemporânea não se dá apenas no aspecto temporal, mas principalmente na evolução das teorias e na abordagem clínica.
A psicanálise freudiana clássica estabeleceu os fundamentos da prática, focando na noção de inconsciente estruturado por desejos reprimidos e na importância da transferência na análise. Já a psicanálise contemporânea, especialmente a lacaniana, trouxe uma releitura desses conceitos, enfatizando a linguagem, a estrutura do desejo e a centralidade do sujeito do inconsciente.
Jacques Lacan resgatou e aprofundou aspectos da obra de Freud, introduzindo a ideia de que o inconsciente é estruturado como uma linguagem e que o sujeito é atravessado pelo simbólico, pelo imaginário e pelo real. Sua abordagem também propõe um olhar mais atento às singularidades do sujeito, sem reduzi-lo a diagnósticos fechados ou a classificações rígidas.
Quanto à adequação da psicanálise lacaniana para tratar diversos transtornos, é importante ressaltar que essa abordagem não se baseia em protocolos fixos, mas na escuta do inconsciente e na singularidade de cada caso. Isso a torna uma ferramenta potente para lidar com questões contemporâneas, como angústias ligadas à subjetividade, transtornos de ansiedade, depressão, compulsões e outras formas de sofrimento psíquico.
Assim, a psicanálise lacaniana se destaca por sua capacidade de acompanhar as mudanças sociais e subjetivas, oferecendo um tratamento que vai além da simples busca pela cura de sintomas, focando na reconstrução do desejo e na posição do sujeito diante de sua própria história.
A psicanálise freudiana clássica estabeleceu os fundamentos da prática, focando na noção de inconsciente estruturado por desejos reprimidos e na importância da transferência na análise. Já a psicanálise contemporânea, especialmente a lacaniana, trouxe uma releitura desses conceitos, enfatizando a linguagem, a estrutura do desejo e a centralidade do sujeito do inconsciente.
Jacques Lacan resgatou e aprofundou aspectos da obra de Freud, introduzindo a ideia de que o inconsciente é estruturado como uma linguagem e que o sujeito é atravessado pelo simbólico, pelo imaginário e pelo real. Sua abordagem também propõe um olhar mais atento às singularidades do sujeito, sem reduzi-lo a diagnósticos fechados ou a classificações rígidas.
Quanto à adequação da psicanálise lacaniana para tratar diversos transtornos, é importante ressaltar que essa abordagem não se baseia em protocolos fixos, mas na escuta do inconsciente e na singularidade de cada caso. Isso a torna uma ferramenta potente para lidar com questões contemporâneas, como angústias ligadas à subjetividade, transtornos de ansiedade, depressão, compulsões e outras formas de sofrimento psíquico.
Assim, a psicanálise lacaniana se destaca por sua capacidade de acompanhar as mudanças sociais e subjetivas, oferecendo um tratamento que vai além da simples busca pela cura de sintomas, focando na reconstrução do desejo e na posição do sujeito diante de sua própria história.
Prezado(a),
Primeiro, quero agradecer por trazer essa reflexão tão importante. Sua busca por compreender as nuances da psicanálise mostra um desejo genuíno de encontrar um caminho que faça sentido para você — e isso já é um passo valioso. Vamos esclarecer suas dúvidas com cuidado:
A psicanálise, como qualquer campo do conhecimento, evoluiu com o tempo. A "antiga" psicanálise (freudiana) focava em conceitos como pulsões, complexos e estruturas clássicas da mente. Já a psicanálise contemporânea ampliou esse olhar, incorporando novas compreensões sobre relações humanas, traumas, identidade e até diálogos com outras áreas, como a neurociência. É como se hoje tivéssemos mais ferramentas para entender a complexidade da vida moderna — solidão, pressão por desempenho, crises de sentido — sem perder a profundidade que caracteriza a psicanálise.
Sobre a psicanálise lacaniana, ela traz contribuições únicas, especialmente para quem busca explorar como a linguagem, os desejos não ditos e as estruturas culturais moldam nosso sofrimento. Pode ser muito útil, por exemplo, para quem sente que "não se encaixa" em expectativas sociais ou luta com questões de identidade. Porém, não é uma abordagem "superior" ou única. Assim como um remédio não serve para todos, cada linha psicanalítica ressoa diferentemente em cada pessoa.
A escolha do método ideal depende de:
O que você precisa:
Se busca entender padrões profundos (por que repito certos comportamentos? O que meu sintoma está tentando dizer?), a psicanálise clássica ou lacaniana podem ajudar.
Se quer trabalhar traumas relacionais (ex.: dificuldades em vínculos), abordagens contemporâneas, como a psicanálise relacional, talvez sejam mais eficazes.
Como você se conecta com a terapia:
Alguns pacientes se identificam com a linguagem simbólica de Lacan; outros preferem abordagens mais diretas, como as que integram técnicas práticas de regulação emocional.
A sintonia com o analista:
Não importa a escola: o que mais importa é se você se sente acolhido(a) e desafiado(a) de um modo que promova crescimento, não culpa ou confusão.
Sugestões Práticas:
Experimente: Se possível, converse com analistas de diferentes linhas para sentir qual abordagem "clica" com sua subjetividade.
Observe-se: Durante as sessões, perceba se o processo lhe traz clareza, mesmo que gradual, ou se aumenta sua angústia sem sentido.
Paciente e compassivo(a): Não existe caminho "perfeito". O que importa é seguir um que respeite seu tempo e sua verdade.
Lembre-se: sua dificuldade em encontrar respostas não é uma falha. É sinal de que você leva a sério sua cura e autoconhecimento. Se quiser, podemos explorar juntos como essas diferentes vertentes se relacionam com sua história pessoal.
Estou aqui para apoiá-lo(a) nessa jornada, sem pressa, sempre priorizando o que faz sentido para você.
Com respeito e admiração pela sua coragem,
Primeiro, quero agradecer por trazer essa reflexão tão importante. Sua busca por compreender as nuances da psicanálise mostra um desejo genuíno de encontrar um caminho que faça sentido para você — e isso já é um passo valioso. Vamos esclarecer suas dúvidas com cuidado:
A psicanálise, como qualquer campo do conhecimento, evoluiu com o tempo. A "antiga" psicanálise (freudiana) focava em conceitos como pulsões, complexos e estruturas clássicas da mente. Já a psicanálise contemporânea ampliou esse olhar, incorporando novas compreensões sobre relações humanas, traumas, identidade e até diálogos com outras áreas, como a neurociência. É como se hoje tivéssemos mais ferramentas para entender a complexidade da vida moderna — solidão, pressão por desempenho, crises de sentido — sem perder a profundidade que caracteriza a psicanálise.
Sobre a psicanálise lacaniana, ela traz contribuições únicas, especialmente para quem busca explorar como a linguagem, os desejos não ditos e as estruturas culturais moldam nosso sofrimento. Pode ser muito útil, por exemplo, para quem sente que "não se encaixa" em expectativas sociais ou luta com questões de identidade. Porém, não é uma abordagem "superior" ou única. Assim como um remédio não serve para todos, cada linha psicanalítica ressoa diferentemente em cada pessoa.
A escolha do método ideal depende de:
O que você precisa:
Se busca entender padrões profundos (por que repito certos comportamentos? O que meu sintoma está tentando dizer?), a psicanálise clássica ou lacaniana podem ajudar.
Se quer trabalhar traumas relacionais (ex.: dificuldades em vínculos), abordagens contemporâneas, como a psicanálise relacional, talvez sejam mais eficazes.
Como você se conecta com a terapia:
Alguns pacientes se identificam com a linguagem simbólica de Lacan; outros preferem abordagens mais diretas, como as que integram técnicas práticas de regulação emocional.
A sintonia com o analista:
Não importa a escola: o que mais importa é se você se sente acolhido(a) e desafiado(a) de um modo que promova crescimento, não culpa ou confusão.
Sugestões Práticas:
Experimente: Se possível, converse com analistas de diferentes linhas para sentir qual abordagem "clica" com sua subjetividade.
Observe-se: Durante as sessões, perceba se o processo lhe traz clareza, mesmo que gradual, ou se aumenta sua angústia sem sentido.
Paciente e compassivo(a): Não existe caminho "perfeito". O que importa é seguir um que respeite seu tempo e sua verdade.
Lembre-se: sua dificuldade em encontrar respostas não é uma falha. É sinal de que você leva a sério sua cura e autoconhecimento. Se quiser, podemos explorar juntos como essas diferentes vertentes se relacionam com sua história pessoal.
Estou aqui para apoiá-lo(a) nessa jornada, sem pressa, sempre priorizando o que faz sentido para você.
Com respeito e admiração pela sua coragem,
Olá! A psicanálise, como qualquer outro saber, precisa estar alinhada as novas formas de subjetividade que vão se desenhando, configuradas ao longo do tempo. Com isso, é importante que a clinica não fique cristalizada por um saber primordial, que claro nos orienta mas tbem tem plasticidade para questionamentos e criação de outros possíveis inexistentes na época de Freud.
Respeitando o profissional da área questões estruturais da teoria como por exemplo, inconsciente, trauma, recalque, pulsão...
Portanto, não tem uma linha da psicanalise que atenda mais as questões contemporâneas e sim a atuação ética do analista na escuta das demandas de cada época.
Espero ter ajudado.
Respeitando o profissional da área questões estruturais da teoria como por exemplo, inconsciente, trauma, recalque, pulsão...
Portanto, não tem uma linha da psicanalise que atenda mais as questões contemporâneas e sim a atuação ética do analista na escuta das demandas de cada época.
Espero ter ajudado.
A psicanálise contemporânea, com destaque para a lacaniana, representa uma evolução da psicanálise clássica ao deslocar o foco das pulsões para a linguagem e a estrutura simbólica. Lacan introduz conceitos como o Outro, o simbólico, o imaginário e o real, que permitem uma análise mais profunda da subjetividade e dos transtornos mentais. A psicanálise lacaniana se mostra relevante para tratar diversos transtornos na sociedade contemporânea, pois oferece uma abordagem que considera a complexidade da subjetividade e a singularidade de cada caso.
Nada: psicanálise é psicanálise, sem adjetivos.
Que perguntas preciosas você traz... Vamos com calma.
A "antiga psicanálise" buscava adaptar o sujeito à realidade, enfatizando a consciência e o fortalecimento do ego. Já a psicanálise contemporânea, especialmente a lacaniana, entende o inconsciente como estruturado pela linguagem e aposta na invenção singular do sujeito a partir de seu sintoma.
A psicanálise lacaniana, por não buscar normalizar, mas possibilitar uma nova relação com o próprio sofrimento, é especialmente favorável para tratar a diversidade dos modos de existir hoje.
A "antiga psicanálise" buscava adaptar o sujeito à realidade, enfatizando a consciência e o fortalecimento do ego. Já a psicanálise contemporânea, especialmente a lacaniana, entende o inconsciente como estruturado pela linguagem e aposta na invenção singular do sujeito a partir de seu sintoma.
A psicanálise lacaniana, por não buscar normalizar, mas possibilitar uma nova relação com o próprio sofrimento, é especialmente favorável para tratar a diversidade dos modos de existir hoje.
Olá,
Ao longo destes mais de 100 anos da psicanálise como instrumento para tratamento de transtornos mentais, houveram dissidentes que organizaram outras escolas e houveram seguidores que expandiram o campo psicanalítico, tais como: Melanie Klein, Winnicot, Bion, André Green, somente como exemplo, a lista é maior! Quando a postura não é de ataque, mas de expansão, há colaboração e convívio de aspectos descobertos antes e as descobertas atuais.
A orientação Lacaniana é uma forma de tratar transtornos dentro do campo psicanalítico. É necessário você descobrir se há identificação com este instrumento de trabalho.
Ao longo destes mais de 100 anos da psicanálise como instrumento para tratamento de transtornos mentais, houveram dissidentes que organizaram outras escolas e houveram seguidores que expandiram o campo psicanalítico, tais como: Melanie Klein, Winnicot, Bion, André Green, somente como exemplo, a lista é maior! Quando a postura não é de ataque, mas de expansão, há colaboração e convívio de aspectos descobertos antes e as descobertas atuais.
A orientação Lacaniana é uma forma de tratar transtornos dentro do campo psicanalítico. É necessário você descobrir se há identificação com este instrumento de trabalho.
Olá! A chamada “antiga psicanálise” é geralmente associada aos primeiros desenvolvimentos de Freud, com foco no recalque e nas estruturas clínicas. A psicanálise contemporânea, especialmente a lacaniana, amplia essa escuta, considerando a linguagem, o inconsciente estruturado como uma fala e o lugar do sujeito em sua singularidade. Não se trata de “adequação” por transtorno, mas de um modo de escutar o sofrimento para além dos rótulos. Fico à disposição para te atender e seguir conversando sobre isso no percurso clínico.
Diferença entre antiga e nova psicanálise:
Antiga (Freudiana clássica): foco em sexualidade infantil, inconsciente reprimido, estrutura rígida do aparelho psíquico, analista neutro.
Contemporânea: mais plural e flexível, considera linguagem, cultura, corpo, relações; trabalha com diversos públicos e sintomas atuais (como borderline, autismo, etc.).
A psicanálise lacaniana é a melhor?
Depende. Ela é muito usada hoje, especialmente na América Latina e França. Boa para tratar casos complexos (psicoses, por exemplo), mas:
Pode ser difícil de entender,
Nem sempre funciona bem em todos os contextos (como clínicas públicas ou com crianças),
Outras correntes (como Winnicott, Bion, relacional) também têm ótimos resultados.
Conclusão rápida:
A psicanálise lacaniana é uma das mais influentes hoje, mas não é "a melhor" para todos os casos. A escolha depende do paciente, do problema e da abordagem do analista.
Se quiser, posso te sugerir qual abordagem pode funcionar melhor para um transtorno específico.
Antiga (Freudiana clássica): foco em sexualidade infantil, inconsciente reprimido, estrutura rígida do aparelho psíquico, analista neutro.
Contemporânea: mais plural e flexível, considera linguagem, cultura, corpo, relações; trabalha com diversos públicos e sintomas atuais (como borderline, autismo, etc.).
A psicanálise lacaniana é a melhor?
Depende. Ela é muito usada hoje, especialmente na América Latina e França. Boa para tratar casos complexos (psicoses, por exemplo), mas:
Pode ser difícil de entender,
Nem sempre funciona bem em todos os contextos (como clínicas públicas ou com crianças),
Outras correntes (como Winnicott, Bion, relacional) também têm ótimos resultados.
Conclusão rápida:
A psicanálise lacaniana é uma das mais influentes hoje, mas não é "a melhor" para todos os casos. A escolha depende do paciente, do problema e da abordagem do analista.
Se quiser, posso te sugerir qual abordagem pode funcionar melhor para um transtorno específico.
Ótima pergunta! A distinção entre a "antiga psicanálise" e a psicanálise contemporânea envolve tanto aspectos teóricos quanto práticos, refletindo a evolução do campo desde Freud até os dias atuais.
Antiga psicanálise:
Refere-se principalmente à obra e prática originária de Sigmund Freud e seus primeiros seguidores.
Focava muito na interpretação dos conteúdos inconscientes, nos sonhos, nos complexos edipianos, na sexualidade e nos mecanismos de defesa.
A técnica era geralmente bastante rígida, com sessões frequentes (às vezes diárias) e uma relação analítica mais formal.
Psicanálise contemporânea:
Abrange diversas correntes e atualizações teóricas que incorporam críticas, novas ideias e práticas.
Explora mais amplamente a linguagem, a cultura, a subjetividade e as múltiplas formas de sofrimento psíquico.
Tem flexibilizado aspectos técnicos, como a frequência das sessões, para se adaptar às necessidades dos pacientes.
A psicanálise lacaniana é uma das principais correntes contemporâneas, que enfatiza a linguagem, o desejo e o inconsciente estruturado como uma linguagem, além de conceitos como o "estádio do espelho" e a noção do "Real", "Simbólico" e "Imaginário".
Quanto à eficácia para tratar diversos transtornos, a psicanálise lacaniana é muito valorizada, especialmente para questões profundas da subjetividade, psicoses, neuroses e transtornos de personalidade. Porém, sua adequação depende do caso, do paciente e do terapeuta. Outras abordagens psicanalíticas ou psicoterapias também são eficazes, dependendo do contexto.
Em resumo, a psicanálise contemporânea, incluindo a lacaniana, amplia e atualiza o legado freudiano, adaptando-se às complexidades atuais do sofrimento humano.
Antiga psicanálise:
Refere-se principalmente à obra e prática originária de Sigmund Freud e seus primeiros seguidores.
Focava muito na interpretação dos conteúdos inconscientes, nos sonhos, nos complexos edipianos, na sexualidade e nos mecanismos de defesa.
A técnica era geralmente bastante rígida, com sessões frequentes (às vezes diárias) e uma relação analítica mais formal.
Psicanálise contemporânea:
Abrange diversas correntes e atualizações teóricas que incorporam críticas, novas ideias e práticas.
Explora mais amplamente a linguagem, a cultura, a subjetividade e as múltiplas formas de sofrimento psíquico.
Tem flexibilizado aspectos técnicos, como a frequência das sessões, para se adaptar às necessidades dos pacientes.
A psicanálise lacaniana é uma das principais correntes contemporâneas, que enfatiza a linguagem, o desejo e o inconsciente estruturado como uma linguagem, além de conceitos como o "estádio do espelho" e a noção do "Real", "Simbólico" e "Imaginário".
Quanto à eficácia para tratar diversos transtornos, a psicanálise lacaniana é muito valorizada, especialmente para questões profundas da subjetividade, psicoses, neuroses e transtornos de personalidade. Porém, sua adequação depende do caso, do paciente e do terapeuta. Outras abordagens psicanalíticas ou psicoterapias também são eficazes, dependendo do contexto.
Em resumo, a psicanálise contemporânea, incluindo a lacaniana, amplia e atualiza o legado freudiano, adaptando-se às complexidades atuais do sofrimento humano.
Olá!
A psicanálise lacaniana é uma das vertentes contemporâneas da psicanálise, com um enfoque particular na linguagem, na estrutura simbólica e no modo como o inconsciente se manifesta na fala do sujeito. Ela oferece ferramentas valiosas para compreender conflitos internos, padrões de desejo e formas de sofrimento psíquico, sendo muito útil em diversos contextos clínicos.
No entanto, não existe uma única abordagem “mais adequada” para todos os pacientes ou transtornos. A psicanálise contemporânea, de modo geral, integra diferentes contribuições, como os estudos de Christopher Bollas sobre o self criativo, Thomas Ogden sobre intersubjetividade e André Green sobre estados-limite,que ajudam a compreender os sofrimentos atuais de maneiras variadas.
O que realmente faz a diferença é a relação entre paciente e analista, a qualidade da escuta e o espaço seguro criado para refletir sobre a própria vida psíquica. É essa experiência, mais do que a escola seguida, que torna o processo transformador.
Espero ter te ajudado. Qualquer dúvida entre em contato.
A psicanálise lacaniana é uma das vertentes contemporâneas da psicanálise, com um enfoque particular na linguagem, na estrutura simbólica e no modo como o inconsciente se manifesta na fala do sujeito. Ela oferece ferramentas valiosas para compreender conflitos internos, padrões de desejo e formas de sofrimento psíquico, sendo muito útil em diversos contextos clínicos.
No entanto, não existe uma única abordagem “mais adequada” para todos os pacientes ou transtornos. A psicanálise contemporânea, de modo geral, integra diferentes contribuições, como os estudos de Christopher Bollas sobre o self criativo, Thomas Ogden sobre intersubjetividade e André Green sobre estados-limite,que ajudam a compreender os sofrimentos atuais de maneiras variadas.
O que realmente faz a diferença é a relação entre paciente e analista, a qualidade da escuta e o espaço seguro criado para refletir sobre a própria vida psíquica. É essa experiência, mais do que a escola seguida, que torna o processo transformador.
Espero ter te ajudado. Qualquer dúvida entre em contato.
Psicanálise "Antiga" (Clássica)
A psicanálise desenvolvida inicialmente por Sigmund Freud e seus primeiros seguidores é frequentemente chamada de Psicanálise Clássica. Seu foco principal estava na sexualidade infantil, no Complexo de Édipo e na compreensão do sintoma como algo cifrado, ou seja, que tem um sentido inconsciente escondido a ser desvendado pela interpretação.
O modelo de funcionamento psíquico era predominantemente baseado nas noções de inconsciente, pré-consciente e consciente (modelo topográfico) e nas instâncias do Id, Ego e Superego (modelo estrutural). A técnica era marcada por uma maior rigidez, com o analista assumindo uma postura de estrita neutralidade.
A Psicanálise Contemporânea
A psicanálise contemporânea é o resultado da evolução teórica que se deu a partir de outras vertentes (como a Teoria das Relações Objetais, a Psicologia do Ego, e a Psicanálise Lacaniana, entre outras).
Ela se distingue por uma maior amplitude teórica, abordando com mais profundidade:
Vínculos Iniciais: O foco se expande para as relações precoces (mãe-bebê) e o trauma não-simbolizável.
Novos Sintomas: O campo clínico se adapta para tratar "novos sintomas" da cultura atual (como adições, transtornos alimentares, pânico), que muitas vezes não têm um "sentido" claro para ser interpretado, mas estão ligados a questões de gozo e de falha na simbolização.
Flexibilidade Técnica: Há um reconhecimento maior da importância do afeto e da relação analítica (transferência e contratransferência), levando a uma técnica mais flexível e adaptável à singularidade de cada paciente.
Em resumo, a psicanálise migrou de um foco quase exclusivo no conflito edipiano e na interpretação de sentido para uma visão mais abrangente que incorpora a dimensão relacional, o afeto e a complexidade dos traumas precoces.A diferença entre a "antiga psicanálise" (freudiana clássica) e a contemporânea (incluindo a lacaniana) pode ser simplificada em dois pontos:1. Distinção entre Psicanálise Antiga e ContemporâneaCaracterísticaPsicanálise Antiga (Clássica)Psicanálise ContemporâneaFocoÊnfase no Complexo de Édipo e na sexualidade infantil. O sintoma tem um sentido a ser interpretado.Maior foco nos vínculos precoces, afetos e traumas não-simbolizados. Aborda os "novos sintomas" (como pânico, adições) que nem sempre têm um sentido claro.PráticaMais focada na interpretação e na neutralidade rígida do analista.Maior valorização do vínculo terapêutico e do diálogo entre as várias teorias (Klein, Bion, Lacan, etc.).2. A Psicanálise Lacaniana é a Mais Adequada?A psicanálise lacaniana (de Jacques Lacan) é uma das vertentes mais importantes e influentes da psicanálise contemporânea.Relevância: É considerada muito adequada para tratar diversos transtornos porque estrutura o inconsciente como uma linguagem e oferece uma compreensão aprofundada da estrutura do sujeito (neurose, psicose, perversão).Eficácia: A eficácia do tratamento psicanalítico (incluindo o lacaniano) é comprovada para muitos transtornos. Contudo, não existe uma única abordagem "mais adequada" em termos absolutos.A Escolha: A adequação de qualquer tratamento psicanalítico depende mais da singularidade do paciente, do tipo de transtorno e, crucialmente, da qualidade da formação e da experiência do analista.
A psicanálise desenvolvida inicialmente por Sigmund Freud e seus primeiros seguidores é frequentemente chamada de Psicanálise Clássica. Seu foco principal estava na sexualidade infantil, no Complexo de Édipo e na compreensão do sintoma como algo cifrado, ou seja, que tem um sentido inconsciente escondido a ser desvendado pela interpretação.
O modelo de funcionamento psíquico era predominantemente baseado nas noções de inconsciente, pré-consciente e consciente (modelo topográfico) e nas instâncias do Id, Ego e Superego (modelo estrutural). A técnica era marcada por uma maior rigidez, com o analista assumindo uma postura de estrita neutralidade.
A Psicanálise Contemporânea
A psicanálise contemporânea é o resultado da evolução teórica que se deu a partir de outras vertentes (como a Teoria das Relações Objetais, a Psicologia do Ego, e a Psicanálise Lacaniana, entre outras).
Ela se distingue por uma maior amplitude teórica, abordando com mais profundidade:
Vínculos Iniciais: O foco se expande para as relações precoces (mãe-bebê) e o trauma não-simbolizável.
Novos Sintomas: O campo clínico se adapta para tratar "novos sintomas" da cultura atual (como adições, transtornos alimentares, pânico), que muitas vezes não têm um "sentido" claro para ser interpretado, mas estão ligados a questões de gozo e de falha na simbolização.
Flexibilidade Técnica: Há um reconhecimento maior da importância do afeto e da relação analítica (transferência e contratransferência), levando a uma técnica mais flexível e adaptável à singularidade de cada paciente.
Em resumo, a psicanálise migrou de um foco quase exclusivo no conflito edipiano e na interpretação de sentido para uma visão mais abrangente que incorpora a dimensão relacional, o afeto e a complexidade dos traumas precoces.A diferença entre a "antiga psicanálise" (freudiana clássica) e a contemporânea (incluindo a lacaniana) pode ser simplificada em dois pontos:1. Distinção entre Psicanálise Antiga e ContemporâneaCaracterísticaPsicanálise Antiga (Clássica)Psicanálise ContemporâneaFocoÊnfase no Complexo de Édipo e na sexualidade infantil. O sintoma tem um sentido a ser interpretado.Maior foco nos vínculos precoces, afetos e traumas não-simbolizados. Aborda os "novos sintomas" (como pânico, adições) que nem sempre têm um sentido claro.PráticaMais focada na interpretação e na neutralidade rígida do analista.Maior valorização do vínculo terapêutico e do diálogo entre as várias teorias (Klein, Bion, Lacan, etc.).2. A Psicanálise Lacaniana é a Mais Adequada?A psicanálise lacaniana (de Jacques Lacan) é uma das vertentes mais importantes e influentes da psicanálise contemporânea.Relevância: É considerada muito adequada para tratar diversos transtornos porque estrutura o inconsciente como uma linguagem e oferece uma compreensão aprofundada da estrutura do sujeito (neurose, psicose, perversão).Eficácia: A eficácia do tratamento psicanalítico (incluindo o lacaniano) é comprovada para muitos transtornos. Contudo, não existe uma única abordagem "mais adequada" em termos absolutos.A Escolha: A adequação de qualquer tratamento psicanalítico depende mais da singularidade do paciente, do tipo de transtorno e, crucialmente, da qualidade da formação e da experiência do analista.
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