O que fazer se o conflito escalar para ameaças de autolesão como forma de "punição" ao terapeuta?

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O que fazer se o conflito escalar para ameaças de autolesão como forma de "punição" ao terapeuta?
Quando há ameaça de autolesão no Transtorno de Personalidade Borderline dirigida ao terapeuta como forma de “punição”, é crucial não entrar na lógica de barganha nem responder com retração, mas recolocar o foco no cuidado e na responsabilidade clínica, nomeando com firmeza e sem julgamento algo como “percebo o quanto isso está intenso e que essa ideia aparece, mas não posso sustentar um vínculo baseado em você se machucar”; sustenta-se o enquadre, valida-se a angústia e, ao mesmo tempo, introduz-se um limite claro de que a autolesão não será meio de regular a relação, deslocando a cena da punição para a pergunta sobre o que está em jogo nessa vivência de abandono ou desamparo; em paralelo, é indispensável avaliar risco de forma direta, acionar plano de segurança, ampliar rede de cuidado (familiares, equipe, eventualmente suporte psiquiátrico) e, se necessário, intervir de modo mais ativo para preservação da vida, pois aqui a ética do cuidado se sobrepõe a qualquer manejo transferencial isolado.

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 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

Quando surgem ameaças de autolesão no contexto de um conflito com o terapeuta, especialmente como forma de “punição”, é fundamental compreender que, por trás desse movimento, geralmente existe uma dor emocional muito intensa e uma dificuldade de expressá-la de outra forma. Ainda que pareça direcionado ao terapeuta, na maioria das vezes isso está mais relacionado a um estado interno de desorganização do que a uma intenção consciente de ferir o outro.

Ao mesmo tempo, é importante não reforçar essa dinâmica relacional. O terapeuta precisa manter uma postura firme e cuidadosa, deixando claro que se importa com a segurança do paciente, mas que a relação não será conduzida por ameaças ou pela intensidade do momento. Isso significa acolher a emoção sem validar o comportamento como forma de comunicação eficaz.

Nesses casos, a prioridade passa a ser a segurança. Dependendo da intensidade e do risco, pode ser necessário envolver outros recursos de cuidado, como apoio psiquiátrico ou contatos de emergência previamente combinados. Isso não representa abandono, mas sim responsabilidade clínica. A forma como isso é comunicado faz diferença: o paciente precisa perceber que não está sendo rejeitado, mas cuidado dentro de limites seguros.

Fico pensando… quando essa vontade de se machucar aparece, ela vem mais como uma tentativa de aliviar algo interno ou como uma forma de mostrar o quanto algo doeu? Existe alguma sensação específica que antecede esse impulso? E o que você imagina que aconteceria se essa dor pudesse ser expressa de outra forma, sem precisar chegar a esse ponto?

Esses momentos, apesar de muito difíceis, podem se tornar pontos importantes de trabalho terapêutico. Quando bem manejados, ajudam o paciente a desenvolver outras formas de lidar com a intensidade emocional e a construir relações que não dependam de extremos para se manterem.

Caso precise, estou à disposição.

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