Olá, sou um homem de 23 anos e desde que me entendi como gay coloquei uma condição a mim mesmo que s
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Olá, sou um homem de 23 anos e desde que me entendi como gay coloquei uma condição a mim mesmo que só ia vivenciar essa sexualidade quando conseguisse independência.
Aos 16, passei numa universidade pública e me formei aos 21, logo consegui um trabalho num comércio em Outubro/23 e 2 anos depois, em Dezembro/25, depois de muita luta, consegui atuar na minha área (sou nutricionista). Paralelamente, usei o salário do antigo emprego pra tirar minha CNH, fazer uma pós - que me rendeu o atual trabalho numa indústria - e formar patrimônio, tanto que hoje tenho R$ 27 mil acumulados.
Assim que consegui meu emprego antigo, aos 21, iniciando uma independência financeira, passei a ter encontros casuais com outros homens e nos últimos meses, comecei a frequentar saunas e bares de pegação.
No entanto, o fato de não ser assumido me aflige muito. Resolvi aproveitar o Carnaval da minha cidade (Olinda) pela 1ª vez e ver vários casais gays se beijando livremente me deu uma sensação de que perdi muito tempo na vida e que a minha personalidade foi tão congelada que eu não consigo ser livre pra beijar em público, dançar, cantar e ser mais afetivo, mesmo em espaços seguros. Em um dos dias, fui acompanhado de um carinha que conheci na sauna que queria ficar comigo mas como não quis fazer nada, ele acabou ficando com outro, mas não chegou a me destratar nem nada, foi respeitoso comigo todo o tempo, me levou até pra almoçar com ele na praia (que eu não ia desde os 14), tentando deixar o clima mais leve. Senti sensações muito boas mas algo ali me fazia sentir que eu tava me aventurando demais.
Eu vou seguir no meu plano mas diariamente eu sinto que eu vou surtar comigo mesmo, não aguento mais me sentir sufocado. Caso alguém se disponha, gostaria de algum conselho de como fazer essa angústia diminuir...
Aos 16, passei numa universidade pública e me formei aos 21, logo consegui um trabalho num comércio em Outubro/23 e 2 anos depois, em Dezembro/25, depois de muita luta, consegui atuar na minha área (sou nutricionista). Paralelamente, usei o salário do antigo emprego pra tirar minha CNH, fazer uma pós - que me rendeu o atual trabalho numa indústria - e formar patrimônio, tanto que hoje tenho R$ 27 mil acumulados.
Assim que consegui meu emprego antigo, aos 21, iniciando uma independência financeira, passei a ter encontros casuais com outros homens e nos últimos meses, comecei a frequentar saunas e bares de pegação.
No entanto, o fato de não ser assumido me aflige muito. Resolvi aproveitar o Carnaval da minha cidade (Olinda) pela 1ª vez e ver vários casais gays se beijando livremente me deu uma sensação de que perdi muito tempo na vida e que a minha personalidade foi tão congelada que eu não consigo ser livre pra beijar em público, dançar, cantar e ser mais afetivo, mesmo em espaços seguros. Em um dos dias, fui acompanhado de um carinha que conheci na sauna que queria ficar comigo mas como não quis fazer nada, ele acabou ficando com outro, mas não chegou a me destratar nem nada, foi respeitoso comigo todo o tempo, me levou até pra almoçar com ele na praia (que eu não ia desde os 14), tentando deixar o clima mais leve. Senti sensações muito boas mas algo ali me fazia sentir que eu tava me aventurando demais.
Eu vou seguir no meu plano mas diariamente eu sinto que eu vou surtar comigo mesmo, não aguento mais me sentir sufocado. Caso alguém se disponha, gostaria de algum conselho de como fazer essa angústia diminuir...
Eu quero começar te dizendo o quanto a sua trajetória revela força, disciplina e uma capacidade enorme de se responsabilizar pela própria vida. Você construiu independência, se formou, fez pós-graduação, organizou sua vida financeira, conquistou estabilidade profissional tudo isso muito jovem. Isso não é pouca coisa. Mas enquanto você construía essa base externa, uma parte muito essencial de você ficou em suspensão.
Quando você me conta que colocou como condição só viver sua sexualidade depois de conquistar independência, eu escuto algo muito importante aí: você precisou negociar consigo mesmo para sobreviver emocionalmente. Talvez essa regra tenha sido uma forma de proteção. Como se dissesse: “Primeiro eu me fortaleço, depois eu me permito”. Essa estratégia fez sentido em algum momento. O problema é que, quando a proteção permanece além do necessário, ela começa a sufocar.
O que você sentiu em Olinda, vendo casais gays se beijando livremente, não é apenas sensação de “tempo perdido”. É luto. Luto pela adolescência que talvez você não pôde viver com espontaneidade. Luto pela afetividade que precisou ser contida. E junto com o luto vem a percepção de que agora existe desejo, mas também existe medo. Medo de se expor, medo de perder controle, medo de que algo “desande” dentro de você.
Quando você diz que, mesmo em espaços seguros, não consegue ser livre para beijar, dançar, cantar, isso não é incapacidade é congelamento psíquico. Durante anos, você treinou seu corpo e sua mente para conter. Não se desliga um mecanismo de defesa do dia para a noite. Seu corpo aprendeu que se expor pode ser perigoso. Mesmo que racionalmente você saiba que não é.
E perceba algo muito delicado: você teve uma experiência boa com esse rapaz. Ele foi respeitoso, gentil, te levou para almoçar, houve prazer e leveza. Mas ao mesmo tempo surgiu a sensação de estar “se aventurando demais”. Isso mostra que o conflito não está no outro está na autorização interna. Existe um superego muito exigente aí, que talvez diga que você só pode viver a sexualidade sob certas condições, ou que precisa manter controle absoluto para não “perder a linha”.
A angústia que você descreve essa sensação de que vai surtar consigo mesmo é o choque entre o desejo de viver e a estrutura rígida que você construiu para se proteger. E quanto mais você tenta seguir apenas o “plano”, ignorando o sofrimento, mais essa pressão interna aumenta.
Diminuir essa angústia não significa se assumir amanhã ou mudar radicalmente sua vida. Significa começar a integrar as partes de você que ficaram separadas: o homem disciplinado e o homem desejante. O profissional bem-sucedido e o jovem que quer dançar no Carnaval sem culpa. Você não perdeu tempo. Você se protegeu. Agora talvez esteja na hora de aprender, com cuidado, a se permitir.
Esse processo não precisa ser solitário. Na psicanálise, a gente cria um espaço onde você pode falar sem julgamento, explorar esses medos, entender de onde vêm essas exigências internas e construir uma liberdade que não seja impulsiva, mas sustentada. Uma liberdade que não te faça sentir que está “se aventurando demais”, mas que esteja alinhada com quem você é.
Se você quiser, podemos trabalhar isso juntos em sessões online. Será um espaço seguro para você organizar essa angústia, compreender esse sufocamento e, aos poucos, encontrar uma forma mais respirável de existir na sua própria pele. Você não precisa continuar lidando com isso sozinho.
Quando você me conta que colocou como condição só viver sua sexualidade depois de conquistar independência, eu escuto algo muito importante aí: você precisou negociar consigo mesmo para sobreviver emocionalmente. Talvez essa regra tenha sido uma forma de proteção. Como se dissesse: “Primeiro eu me fortaleço, depois eu me permito”. Essa estratégia fez sentido em algum momento. O problema é que, quando a proteção permanece além do necessário, ela começa a sufocar.
O que você sentiu em Olinda, vendo casais gays se beijando livremente, não é apenas sensação de “tempo perdido”. É luto. Luto pela adolescência que talvez você não pôde viver com espontaneidade. Luto pela afetividade que precisou ser contida. E junto com o luto vem a percepção de que agora existe desejo, mas também existe medo. Medo de se expor, medo de perder controle, medo de que algo “desande” dentro de você.
Quando você diz que, mesmo em espaços seguros, não consegue ser livre para beijar, dançar, cantar, isso não é incapacidade é congelamento psíquico. Durante anos, você treinou seu corpo e sua mente para conter. Não se desliga um mecanismo de defesa do dia para a noite. Seu corpo aprendeu que se expor pode ser perigoso. Mesmo que racionalmente você saiba que não é.
E perceba algo muito delicado: você teve uma experiência boa com esse rapaz. Ele foi respeitoso, gentil, te levou para almoçar, houve prazer e leveza. Mas ao mesmo tempo surgiu a sensação de estar “se aventurando demais”. Isso mostra que o conflito não está no outro está na autorização interna. Existe um superego muito exigente aí, que talvez diga que você só pode viver a sexualidade sob certas condições, ou que precisa manter controle absoluto para não “perder a linha”.
A angústia que você descreve essa sensação de que vai surtar consigo mesmo é o choque entre o desejo de viver e a estrutura rígida que você construiu para se proteger. E quanto mais você tenta seguir apenas o “plano”, ignorando o sofrimento, mais essa pressão interna aumenta.
Diminuir essa angústia não significa se assumir amanhã ou mudar radicalmente sua vida. Significa começar a integrar as partes de você que ficaram separadas: o homem disciplinado e o homem desejante. O profissional bem-sucedido e o jovem que quer dançar no Carnaval sem culpa. Você não perdeu tempo. Você se protegeu. Agora talvez esteja na hora de aprender, com cuidado, a se permitir.
Esse processo não precisa ser solitário. Na psicanálise, a gente cria um espaço onde você pode falar sem julgamento, explorar esses medos, entender de onde vêm essas exigências internas e construir uma liberdade que não seja impulsiva, mas sustentada. Uma liberdade que não te faça sentir que está “se aventurando demais”, mas que esteja alinhada com quem você é.
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ola, boa tarde! Creio que existem muitas situações envolvidas nesta sua questao, e compreendo que muitas vezes ter opções ou querer direcionar para uma escolha pode estar envolvendo muitas bases familiares e de vivencias....acho que voce buscar um acompanhamento para voce buscar seu conforto e felicidade pode ser auxiliado por este apoi! Querendo estarei a sua disposição!
Lendo o que você escreveu, dá para perceber o quanto você se dedicou a construir segurança, estabilidade e independência antes de se permitir viver sua sexualidade, como se tivesse criado algumas condições internas para só então se sentir “autorizado” a viver isso. E, de fato, muitas dessas condições já aconteceram, você se formou, conquistou trabalho na sua área, organizou sua vida financeira, construiu patrimônio, mas mesmo assim a sensação de liberdade plena ainda não veio. Parece que existe uma parte sua que cumpriu todas as metas e outra que continua se sentindo presa, como se sempre houvesse mais um requisito a ser alcançado antes de poder relaxar e simplesmente ser. Quando você viu outros homens vivendo isso com naturalidade no Carnaval, talvez tenha doído não só pelo tempo que sente que perdeu, mas por perceber o quanto ainda se sente congelado por dentro, mesmo estando em espaços teoricamente seguros. Ao mesmo tempo, você também relata sensações boas, encontros respeitosos, experiências novas, o que mostra que existe desejo, curiosidade e vida aí. Essa angústia pode estar muito ligada ao conflito entre a parte que quer se expressar e a parte que aprendeu a se proteger, a controlar e a adiar. Buscar apoio psicológico pode ser muito importante agora, não porque haja algo errado com você, mas para te ajudar a entender o que você realmente quer, quais medos ainda estão te travando e como você quer se apresentar ao mundo, seja em relação à sua sexualidade, seja na sua vida profissional e pessoal. Você já provou que consegue construir muita coisa concreta, talvez agora o desafio seja construir um espaço interno onde você possa existir com menos sufocamento e mais verdade.
Olá, tudo bem? Imagino como deve estar sendo difícil se abrir para algo que você se fechou por tanto tempo. Muito dos problemas psicológicos vem dessa tentativa de controlar, negociar ou racionalizar os sentimentos positivos e negativos. As sensações negativas tendem a se intensificar quando desejamos evitá-las, quando naõ estamos abertos a vive-las. Dessa forma, acredito que você vai se sentir melhor a medida que aceita todas as sensações positivas e negativas das experiências sexuais. Caso sinta que é difícil fazer isso sozinho, é possível contar um acompanhamento psicoterapêutico. Na terapia, você aprenderá a como dar espaço a essas sensações, aprendendo a ouvir o que elas tem a dizer e a viver apesar do que elas dizem. Caso pense em tentar o processo, posso te acompanhar.
Olá, como vai?
Imagino a sua dificuldade em conseguir se relacionar e se assumir publicamente, pois cada pessoa tem seu tempo e isso é o que deve ser respeitado. Entretanto, é possível verificar a sua angústia em não aguentar mais as restrições que te colocaram e que você mesmo colocou, e acredito que o processo psicoterapêutico deva ser investido no motivo dessas restrições terem sido criadas. Atualmente, minha clínica é voltada as pessoas da comunidade LGBTI+, principalmente homens gays. Se quiser, pode agendar um horário comigo para conversamos :)
Você não está sozinho e é possível sim viver com autenticidade e liberdade!
Espero ter ajudado, fico à disposição.
Imagino a sua dificuldade em conseguir se relacionar e se assumir publicamente, pois cada pessoa tem seu tempo e isso é o que deve ser respeitado. Entretanto, é possível verificar a sua angústia em não aguentar mais as restrições que te colocaram e que você mesmo colocou, e acredito que o processo psicoterapêutico deva ser investido no motivo dessas restrições terem sido criadas. Atualmente, minha clínica é voltada as pessoas da comunidade LGBTI+, principalmente homens gays. Se quiser, pode agendar um horário comigo para conversamos :)
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