Pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) têm maior probabilidade de ter dor crônica?

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Pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) têm maior probabilidade de ter dor crônica?
Sabe-se que o transtorno de personalidade borderline (TPB) é caracterizado por um padrão persistente de perturbações no afeto, impulsividade, autoimagem e relacionamentos interpessoais.
Mas há outra área, menos reconhecida, na qual pessoas com TPB comumente vivenciam perturbações é a saúde física, especialmente a experiência de dor física.
Como funciona? O corpo sinaliza, através da dor, ao cérebro que algo está errado, a dor física não se localiza em partes específica, trata-se de uma experiência ubíqua. A desregulação na experiência da dor, seja na direção de pouca ou muita dor, pode ter consequências significativas. O TPB tem sido associado a maior dor crônica e cotidiana e, em contraste, menor sensibilidade à dor aguda. Uma aparente contradição, denominada “paradoxo da dor”

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Sim. Pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) têm maior probabilidade de apresentar dor crônica em comparação à população geral.

De forma objetiva, isso ocorre devido a:

Hipersensibilidade emocional e somática, que amplifica a percepção da dor

Maior prevalência de trauma e estresse crônico, associados à dor persistente

Desregulação do sistema de estresse (eixo HPA)

Alta comorbidade com depressão, ansiedade e somatização

A dor crônica no TPB não é “imaginária”, mas resulta de interação entre fatores neurobiológicos, emocionais e psicossociais.
Sim. Pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline apresentam maior probabilidade de vivenciar dor crônica ou sensações físicas intensificadas, em parte devido à hiperatividade do sistema emocional e à dificuldade em regular o estresse e a ansiedade. Emoções intensas e sofrimento psicológico podem amplificar a percepção de dor, tornando experiências físicas mais difíceis de tolerar. Além disso, comorbidades como depressão, ansiedade e traumas prévios podem aumentar ainda mais a vulnerabilidade à dor crônica. A psicoterapia pode auxiliar nesse contexto ao ensinar estratégias de regulação emocional e manejo do estresse, ajudando a reduzir o impacto da dor e melhorar a qualidade de vida de forma ética e acolhedora.
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

Essa é uma pergunta muito relevante, e a resposta não é tão simples quanto um “sim” ou “não”. O que sabemos hoje é que pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline podem apresentar uma maior associação com queixas físicas, incluindo dor crônica, mas isso não significa que uma condição cause diretamente a outra.

Existe uma conexão importante entre o sistema emocional e o corpo. Quando alguém vive estados emocionais intensos e frequentes, como ocorre no TPB, o organismo pode permanecer mais ativado, como se estivesse em alerta constante. Esse padrão pode influenciar a forma como a dor é percebida, amplificando sensações físicas ou tornando o corpo mais sensível ao desconforto.

Além disso, experiências de vida marcadas por estresse prolongado ou traumas, que muitas vezes estão presentes na história de pessoas com TPB, também podem contribuir para essa relação entre emoção e dor. Não é incomum que o corpo “expresse” aquilo que, em algum nível, ainda não encontrou espaço para ser elaborado emocionalmente.

Talvez seja interessante você observar: essa dor aparece em momentos de maior carga emocional? Existe alguma relação entre situações específicas e o aumento do desconforto? E como você costuma lidar com isso quando acontece?

Olhar para essa conexão de forma integrada costuma ser mais útil do que tentar separar completamente corpo e mente. Em alguns casos, pode ser importante também contar com avaliação médica para investigar a dor física, enquanto o trabalho psicológico ajuda a compreender e regular os fatores emocionais envolvidos. Caso precise, estou à disposição.

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