Por que canhotos podem ter mais chances de desenvolver Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?

3 respostas
Por que canhotos podem ter mais chances de desenvolver Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?
Dr. Amiris Costa
Psicólogo
Rio de Janeiro
Bom dia!

Essa é uma daquelas curiosidades fascinantes da neurociência que nos faz olhar para o cérebro como um quebra-cabeça complexo. Embora ser canhoto não seja uma "causa" do TOC, existe sim uma correlação estatística observada em diversos estudos.

A explicação não é definitiva, mas gira em torno de como o cérebro se organiza. Aqui estão os principais pontos:

1. Lateralização Cerebral e Especialização
Na maioria das pessoas destras, o cérebro tem uma divisão de tarefas muito clara (lateralização). Nos canhotos, essa divisão costuma ser menos rígida ou até invertida.

O Ponto-Chave: Essa "organização atípica" pode estar associada a uma comunicação diferente entre os hemisférios. Algumas pesquisas sugerem que o TOC envolve circuitos hiperativos em áreas específicas, e a forma como o cérebro canhoto processa informações pode torná-lo mais suscetível a esses "loops" de pensamento.

2. O Papel do Hemisfério Direito
Muitos canhotos apresentam uma dominância maior do hemisfério direito. Curiosamente, essa parte do cérebro está frequentemente ligada ao processamento de emoções negativas, medo e vigilância.

Se o "sistema de alerta" (localizado mais à direita) for mais dominante ou sensível, isso pode facilitar o desenvolvimento de rituais e obsessões típicos do transtorno.

3. Fatores de Desenvolvimento (Hipótese Genética e Pré-natal)
A ciência estuda se os mesmos fatores que determinam a lateralidade (como níveis hormonais no útero ou variações genéticas) também influenciam o desenvolvimento do sistema de serotonina e dopamina — neurotransmissores que estão no centro do TOC.

É importante destacar, que a vasta maioria dos canhotos nunca desenvolverá TOC. Ser canhoto é apenas uma característica biológica que, em estudos populacionais, mostra uma leve sobreposição estatística com várias condições neurodivergentes, mas não é um destino selado.

Trabalho com isso há bastante tempo, qualquer coisa continuo à disposição.

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Não há evidência científica consistente de que canhotos tenham mais chances de desenvolver Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC).
Alguns estudos antigos sugeriram possíveis associações entre lateralidade atípica e variações no neurodesenvolvimento, mas isso não estabelece causa nem aumenta risco de forma clínica relevante. O TOC está mais relacionado a fatores genéticos, neurobiológicos e ambientais do que à dominância manual.
A ideia de que canhotos teriam mais chances de desenvolver Transtorno Obsessivo Compulsivo vem de observações pontuais em alguns estudos, mas essa associação é fraca e não permite concluir que a lateralidade aumente de fato o risco de TOC. O que se levanta como hipótese é que pessoas com lateralidade não dominante podem ter uma organização cerebral um pouco diferente, o que em alguns casos se associa a variações no processamento da ansiedade e do controle de comportamentos repetitivos. Isso, porém, está longe de explicar o desenvolvimento do transtorno, que é multifatorial e envolve predisposição genética, funcionamento de circuitos cerebrais ligados à ansiedade e experiências emocionais ao longo da vida. Olhar para isso com cuidado ajuda a evitar rótulos e a lembrar que nenhum traço isolado define quem vai ou não desenvolver um transtorno, e que compreender o próprio funcionamento emocional é um passo importante no caminho do cuidado consigo mesmo.

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