. Existe uma relação científica entre ser canhoto e ter Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?

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Existe alguma investigação científica sobre uma possível associação entre canhotismo e Transtorno Obsessivo Compulsivo, mas essa relação é fraca e não permite afirmar que uma coisa cause a outra. Alguns estudos observaram uma frequência um pouco maior de lateralidade não dominante em pessoas com TOC, o que levanta hipóteses sobre diferenças na organização cerebral, mas isso não explica o transtorno por si só. O TOC é multifatorial e envolve predisposição biológica, funcionamento de circuitos cerebrais ligados à ansiedade e experiências emocionais ao longo da vida. Entender isso ajuda a sair de explicações simplistas e a olhar para a saúde mental com mais cuidado e menos rótulos, lembrando que cada pessoa tem uma história única de sofrimento e de busca por equilíbrio.
 Cirano Araújo
Psicólogo, Psicanalista
Belo Horizonte
Olá, boa noite, como tem passado ?
Te respondendo, do ponto de vista científico, não existe hoje uma relação robusta e estabelecida do tipo “ser canhoto aumenta o risco de TOC” ou “o TOC é mais comum em canhotos”. O que existe são alguns estudos pequenos e hipóteses sobre lateralização cerebral em pessoas com TOC. Por mais que hajam indícios neuropsicológicos e neurobiológicos de alterações de lateralização em alguns pacientes com TOC, isso não equivale a provar uma ligação científica forte entre ser canhoto e ter TOC. Talvez possamos pensar que a hipótese existe, mas a evidência ainda é insuficiente para transformar canhotismo em fator explicativo do TOC.
Sob uma perspectiva psicanalítica, o TOC será compreendido de outras formas, como o papel da dúvida, do controle, da culpa, da necessidade de neutralizar a angústia e de defender-se de conflitos internos. Então, mesmo que a neurociência investigue lateralização e assimetrias cerebrais, isso não substitui a compreensão do sintoma como formação psíquica singular.
Espero ter ajudado e sigo à disposição.

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