"Por que eu deveria fazer Terapia Interpessoal (TIP) se meu Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é

2 respostas
"Por que eu deveria fazer Terapia Interpessoal (TIP) se meu Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é um problema de pensamentos e rituais?"
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?
Sua pergunta é muito pertinente. O TOC realmente se manifesta através de pensamentos intrusivos e rituais que parecem incontroláveis, mas ele não acontece isolado dentro da mente. Ele impacta o jeito como você se relaciona com as pessoas, como organiza sua rotina e até como enxerga a si mesmo. A Terapia Interpessoal (TIP) não tem como foco eliminar diretamente obsessões ou compulsões, mas pode ser útil ao abordar os efeitos que o TOC causa nas suas relações, nas mudanças de papéis sociais e nas situações de estresse que tendem a intensificar os sintomas.

Do ponto de vista da neurociência, sabemos que os circuitos cerebrais envolvidos no TOC ficam em constante hiperativação, como se houvesse um “sinal de alerta” tocando sem parar. Quando o ambiente social e emocional não oferece suporte ou está marcado por conflitos, esse alarme tende a ficar ainda mais sensível. Trabalhar as relações interpessoais pode ajudar a reduzir essa carga de estresse, permitindo que o cérebro tenha mais espaço para se reorganizar e, assim, lidar melhor com os sintomas.

Vale refletir: de que forma o TOC interfere nos seus vínculos mais importantes? Há situações em que as compulsões acabam gerando mal-entendidos ou distanciamentos? Como você imagina que seria conviver com esses sintomas em um ambiente de maior acolhimento e compreensão?

Essas são perguntas que podem abrir caminhos diferentes dentro do processo terapêutico, ampliando sua perspectiva sobre como enfrentar o TOC de forma mais integrada. Caso precise, estou à disposição.

Tire todas as dúvidas durante a consulta online

Se precisar de aconselhamento de um especialista, marque uma consulta online. Você terá todas as respostas sem sair de casa.

Mostrar especialistas Como funciona?
 Maisa Guimarães Andrade
Psicanalista, Psicólogo
Rio de Janeiro
Querido anônimo ou anônima, essa é uma pergunta muito válida e mostra que você já está refletindo sobre sua própria experiência com o TOC, o que por si só já é um movimento importante. O Transtorno Obsessivo-Compulsivo realmente se expressa por meio de pensamentos intrusivos e rituais compulsivos, que muitas vezes causam sofrimento e grande desgaste. No entanto, esses sintomas não existem isoladamente — eles estão inscritos numa história, em relações, em marcas afetivas que se inscreveram no sujeito ao longo da vida.

Embora a Terapia Interpessoal (TIP) não seja um modelo analítico, ela parte do princípio de que os sintomas psíquicos estão fortemente ligados às experiências nas relações mais significativas. Para alguém com TOC, muitas vezes há uma relação conflituosa com temas como controle, culpa, exigência interna e medo de perder algo ou alguém. Esses conteúdos, mesmo que apareçam mascarados em rituais ou pensamentos repetitivos, costumam ter raízes em vínculos interpessoais passados e presentes. A TIP pode ser um caminho de exploração dessas relações e de como elas afetam sua vida hoje.

Na perspectiva da psicanálise, a escuta que se propõe é ainda mais profunda: não se trata de “combater” os pensamentos obsessivos diretamente, mas de criar um espaço em que esses pensamentos possam ser colocados em palavras, investigados, deslocados de sua repetição rígida. O sintoma, na psicanálise, não é visto apenas como algo a ser eliminado, mas como uma formação do inconsciente — algo que tem um sentido, que fala de você, mesmo que de forma enigmática. O processo analítico permite que o sujeito possa se aproximar desse enigma com menos angústia, e com isso, talvez não precise mais se amparar tanto no sintoma para lidar com o que não tem nome.

Tanto na TIP quanto na psicanálise, o que se oferece é um espaço seguro, de escuta qualificada, em que você possa, com o tempo, se apropriar mais da sua história, dos seus afetos, e dos modos singulares com que se relaciona consigo e com o mundo. Você não precisa saber tudo agora, nem ter clareza de onde começar. O primeiro passo pode ser justamente este: ter um lugar em que se possa falar livremente, sem julgamento, e ir construindo esse caminho aos poucos, no seu tempo. Espero ter te ajudado. Um grande abraço!

Especialistas

Michelle Esmeraldo

Michelle Esmeraldo

Psicanalista, Psicólogo

Rio de Janeiro

Alexandre Zatera

Alexandre Zatera

Médico do trabalho, Psiquiatra, Médico perito

Canoinhas

Juan Pablo Roig Albuquerque

Juan Pablo Roig Albuquerque

Psiquiatra

São Paulo

Liézer Cardozo

Liézer Cardozo

Psicólogo

Curitiba

Paloma Santos Lemos

Paloma Santos Lemos

Psicólogo

Belo Horizonte

Renata Camargo

Renata Camargo

Psicólogo

Camaquã

Perguntas relacionadas

Você quer enviar sua pergunta?

Nossos especialistas responderam a 1292 perguntas sobre Transtorno Obsesivo Compulsivo (TOC)
  • A sua pergunta será publicada de forma anônima.
  • Faça uma pergunta de saúde clara, objetiva seja breve.
  • A pergunta será enviada para todos os especialistas que utilizam este site e não para um profissional de saúde específico.
  • Este serviço não substitui uma consulta com um profissional de saúde. Se tiver algum problema ou urgência, dirija-se ao seu médico/especialista ou provedor de saúde da sua região.
  • Não são permitidas perguntas sobre casos específicos, nem pedidos de segunda opinião.
  • Por uma questão de saúde, quantidades e doses de medicamentos não serão publicadas.

Este valor é muito curto. Deveria ter __LIMIT__ caracteres ou mais.


Escolha a especialidade dos profissionais que podem responder sua dúvida
Iremos utilizá-lo para o notificar sobre a resposta, que não será publicada online.
Todos os conteúdos publicados no doctoralia.com.br, principalmente perguntas e respostas na área da medicina, têm caráter meramente informativo e não devem ser, em nenhuma circunstância, considerados como substitutos de aconselhamento médico.