Por que o hiperfoco não é um sintoma principal do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

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Por que o hiperfoco não é um sintoma principal do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
O hiperfoco não é considerado um sintoma principal do Transtorno de Personalidade Borderline porque não faz parte dos critérios diagnósticos do transtorno. No TPB, o foco excessivo em algo ou alguém costuma ser uma consequência da instabilidade emocional e do medo de abandono, e não uma característica central. Ou seja, o hiperfoco pode aparecer em alguns momentos, mas está mais relacionado à forma como a pessoa lida com suas emoções do que ao transtorno em si.

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 Vanessa Oliveira Martins
Psicólogo, Psicanalista
Londrina
No contexto do TPB, o hiperfoco se manifesta como uma concentração intensa e emocionalmente carregada em pessoas, ideias ou situações específicas. Diferente do hiperfoco associado ao autismo ou TDAH, aqui ele é guiado pela necessidade de vínculo e pela busca inconsciente de evitar o abandono. A pessoa pode direcionar toda sua energia a um relacionamento, por exemplo, idealizando o outro e perdendo temporariamente o contato com outras áreas da vida. Esse foco exagerado costuma vir acompanhado de impulsividade, pensamentos obsessivos e dificuldade em se desligar, mesmo quando o vínculo se torna prejudicial. O hiperfoco representa uma tentativa de preencher o vazio interno e estabilizar a identidade por meio da fusão com o outro, o que efetivamente apresenta como um sintoma principal no TPB. Com o tempo, essa dinâmica gera frustração e sofrimento, já que o sujeito se percebe novamente fragmentado quando o objeto idealizado não corresponde às suas expectativas.
O hiperfoco não é considerado um sintoma principal do Transtorno de Personalidade Borderline porque não está incluído nos critérios diagnósticos formais do TPB. Os sintomas centrais do transtorno envolvem instabilidade emocional, medo de abandono, impulsividade, padrões de relacionamento instáveis, identidade instável, sentimentos crônicos de vazio e comportamentos autodestrutivos. Embora pessoas com TPB possam apresentar atenção intensa ou fixação em pessoas, situações ou conflitos emocionais, isso é uma manifestação indireta da instabilidade afetiva e da ruminação, não um traço definidor do transtorno. Ou seja, o foco intenso aparece como consequência da dinâmica emocional e relacional do paciente, mas não é um marcador diagnóstico central como a impulsividade ou a oscilação afetiva.

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