Quais são as intervenções para o Transtorno do Espectro Autista (TEA) feminino?

3 respostas
Quais são as intervenções para o Transtorno do Espectro Autista (TEA) feminino?
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Oi, tudo bem? Essa é uma pergunta muito relevante — especialmente porque o autismo em mulheres costuma ser identificado tardiamente, o que faz com que as intervenções precisem olhar não apenas para o diagnóstico, mas também para o impacto de anos de adaptação silenciosa e exaustiva. Quando falamos de TEA feminino, é importante considerar que muitas mulheres desenvolveram estratégias de camuflagem social para se encaixar, o que pode gerar sobrecarga emocional, ansiedade e até depressão.

As intervenções mais eficazes partem da compreensão do funcionamento individual. Isso significa olhar para como cada mulher percebe o mundo, processa emoções e se relaciona. O foco não é “corrigir” comportamentos, mas fortalecer o senso de identidade, promover autorregulação emocional e desenvolver habilidades sociais de forma respeitosa e funcional. Terapias baseadas em evidências — como a Terapia Cognitivo-Comportamental, a Terapia dos Esquemas, a Terapia Focada nas Emoções e práticas de Mindfulness — podem ser adaptadas para o TEA feminino, levando em conta nuances sensoriais, sobrecarga cognitiva e aspectos da comunicação não verbal.

Sob a ótica da neurociência, sabemos que o cérebro autista tem padrões próprios de conectividade, o que faz com que a previsibilidade e a coerência nas relações sejam elementos centrais para o bem-estar. Ambientes acolhedores, que respeitam o tempo de processamento e a necessidade de pausas, reduzem a hiperativação do sistema nervoso e permitem que novas aprendizagens emocionais se consolidem com mais naturalidade.

Talvez ajude refletir: o que tem te feito sentir sobrecarregada? Quais espaços te permitem ser quem você é, sem precisar mascarar tanto? E se pudesse construir uma rotina com mais leveza sensorial e emocional, o que mudaria? Essas perguntas costumam abrir caminho para um processo terapêutico profundo, de autoconhecimento e libertação.

Se sentir que é o momento, a terapia pode ser um espaço seguro para trabalhar essas questões com cuidado e respeito ao seu ritmo. Caso precise, estou à disposição.

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 Zilnar Freitas
Psicólogo
Mossoró
As intervenções são definidas após um processo de avaliação, que permitem identificar e conhecer como o transtorno afeta a vida da pessoa e quais as terapias necessárias. Algumas das intervenções são na área de psicologia, psiquiatria e terapia ocupacional. Lembrando que as melhores intervenções são as baseadas em evidências científicas.
 Raquel Aroxa Prudente
Psicólogo, Psicopedagogo
Aracaju
As intervenções no Transtorno do Espectro Autista (TEA) no feminino devem ser individualizadas e sensíveis às formas mais sutis de manifestação, frequentemente marcadas por camuflagem social, sofrimento internalizado e sobrecarga emocional. Envolvem psicoeducação para a própria menina/mulher e sua família, psicoterapia focada em consciência emocional, identidade e regulação afetiva, adaptações no contexto escolar e social, estratégias de manejo sensorial, orientação parental e, quando necessário, acompanhamento psiquiátrico para comorbidades como ansiedade e depressão. O foco não é normalizar o comportamento, mas reduzir sofrimento, ampliar autonomia e favorecer um modo de existir mais autêntico e sustentável.

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