Quais sintomas do Transtorno de Personalidade Borderline são mais difíceis de identificar ou reconhe

4 respostas
Quais sintomas do Transtorno de Personalidade Borderline são mais difíceis de identificar ou reconhecer pelo paciente durante o tratamento, especialmente quando ele nega o transtorno?
A negação de si mesmo talvez seja uma dificuldade encontrada por muitas pessoas e não apenas daqueles que são diagnosticados com TPB, na medida em que desde muito cedo aprendemos a fazer comparações entre nossos sentimentos e comportamentos com os de outras pessoas. A identificação dos sintomas por parte da psicóloga se faz com a escuta clínica ou aplicação de testes. O vínculo de confiança entre profissional e paciente é determinante na aderência ao tratamento.

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Oi, tudo bem? Espero que esteja tudo bem por aí.
Ótima pergunta e bastante relevante na clínica.

Cada caso é único e particular. No Transtorno de Personalidade Borderline, os sintomas mais difíceis de reconhecer costumam ser aqueles que a pessoa vivencia como parte de si, e não como um padrão de sofrimento.

Entre eles, destacam-se a instabilidade na autoimagem, o medo de abandono (muitas vezes não nomeado), as oscilações na forma de perceber o outro e o sentimento de vazio.

Quando há negação, também pode haver dificuldade em reconhecer a intensidade das emoções, a impulsividade e os padrões que se repetem nas relações.

Por isso, mais do que focar no rótulo, o trabalho terapêutico ajuda o paciente, gradualmente, a reconhecer seus padrões, dar sentido às suas experiências e ampliar sua consciência emocional.
Alguns sintomas podem ser mais difíceis de identificar, como o sentimento de vazio, a instabilidade emocional e os padrões relacionais. Como fazem parte da vivência da pessoa, muitas vezes são percebidos como algo “normal”, o que dificulta o reconhecimento.
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

Essa é uma pergunta muito relevante, porque, na prática, os sintomas mais difíceis de reconhecer não são necessariamente os mais intensos, mas aqueles que a pessoa já naturalizou ao longo da vida. Quando existe negação do transtorno, isso fica ainda mais evidente, porque o paciente tende a interpretar suas reações como justificadas pelo contexto, e não como parte de um padrão que se repete.

Um dos aspectos mais difíceis de perceber costuma ser a intensidade emocional. Para quem vive isso, aquela reação parece proporcional ao que aconteceu. A pessoa não sente que está reagindo “demais”, mas que a situação realmente exige aquela resposta. Por isso, muitas vezes não há questionamento interno, apenas a sensação de que os outros não estão entendendo.

Outro ponto que costuma passar despercebido é a forma como os relacionamentos são vividos. Movimentos de aproximação muito intensa, medo de afastamento, necessidade de confirmação constante ou mudanças bruscas na forma de ver o outro podem ser entendidos como respostas naturais à relação, e não como um padrão interno. Como isso acontece no vínculo, fica ainda mais difícil de observar com distância.

A impulsividade também costuma ser minimizada. Decisões tomadas no calor do momento, atitudes que depois geram arrependimento ou comportamentos que aliviam a emoção no curto prazo podem ser vistos como inevitáveis ou até necessários, sem que se perceba o ciclo que se repete.

Talvez valha refletir: existem reações suas que, olhando com mais calma, acontecem com frequência em diferentes situações? O que você costuma sentir imediatamente antes de agir de forma impulsiva? E como você interpreta essas reações no momento em que elas acontecem?

Quando esses padrões começam a ser reconhecidos, mesmo que ainda sem um rótulo, já se abre um espaço importante para mudança. Muitas vezes, o primeiro passo não é aceitar o diagnóstico, mas perceber aquilo que antes parecia invisível.

Caso precise, estou à disposição.

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