Qual a importância de aceitar a inflexibilidade como parte do Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?
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Qual a importância de aceitar a inflexibilidade como parte do Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?
Oi, tudo bem? Essa é uma pergunta muito bonita — e profunda. Aceitar a inflexibilidade como parte do autismo não significa se conformar, mas reconhecer que ela é uma forma legítima do cérebro tentar se proteger e se organizar diante de um mundo que, muitas vezes, é excessivamente imprevisível.
Muitas pessoas autistas passam boa parte da vida ouvindo que precisam “ser mais flexíveis”, “se adaptar”, “deixar pra lá”. Só que, sem compreender o que está por trás dessa rigidez, esses pedidos soam como críticas — e não como acolhimento. A inflexibilidade, nesse sentido, é uma resposta emocional e neurológica, não uma escolha consciente. Quando a pessoa começa a aceitá-la, ela deixa de lutar contra si mesma e começa a compreender seus próprios limites, aprendendo a cuidar deles com respeito.
Do ponto de vista neurocientífico, essa aceitação tem um impacto real: quando o cérebro se sente compreendido e validado, os sistemas ligados à defesa (como a amígdala e o eixo do estresse) diminuem a atividade. Isso cria espaço para que áreas associadas à autorregulação e ao raciocínio mais flexível possam atuar. Ou seja, paradoxalmente, é ao aceitar a própria rigidez que o cérebro começa a relaxar — e, com o tempo, a se tornar um pouco mais adaptável.
Talvez valha pensar: o quanto da sua rigidez vem de uma necessidade genuína de segurança e o quanto vem da tentativa de se encaixar nas expectativas dos outros? O que muda em você quando, em vez de se cobrar, tenta se escutar com gentileza? E como seria se a flexibilidade fosse vista não como um dever, mas como um processo que nasce da autocompreensão?
Na terapia, esse é um movimento delicado e transformador. Ao invés de tentar “consertar” o autismo, o foco se torna compreender o funcionamento singular de cada pessoa, ajudando o cérebro a encontrar novas formas de lidar com o desconforto. E é dessa aceitação que nasce, com o tempo, uma flexibilidade mais autêntica e sustentável.
Se quiser conversar mais sobre como construir essa relação mais leve com suas próprias características, estou à disposição.
Muitas pessoas autistas passam boa parte da vida ouvindo que precisam “ser mais flexíveis”, “se adaptar”, “deixar pra lá”. Só que, sem compreender o que está por trás dessa rigidez, esses pedidos soam como críticas — e não como acolhimento. A inflexibilidade, nesse sentido, é uma resposta emocional e neurológica, não uma escolha consciente. Quando a pessoa começa a aceitá-la, ela deixa de lutar contra si mesma e começa a compreender seus próprios limites, aprendendo a cuidar deles com respeito.
Do ponto de vista neurocientífico, essa aceitação tem um impacto real: quando o cérebro se sente compreendido e validado, os sistemas ligados à defesa (como a amígdala e o eixo do estresse) diminuem a atividade. Isso cria espaço para que áreas associadas à autorregulação e ao raciocínio mais flexível possam atuar. Ou seja, paradoxalmente, é ao aceitar a própria rigidez que o cérebro começa a relaxar — e, com o tempo, a se tornar um pouco mais adaptável.
Talvez valha pensar: o quanto da sua rigidez vem de uma necessidade genuína de segurança e o quanto vem da tentativa de se encaixar nas expectativas dos outros? O que muda em você quando, em vez de se cobrar, tenta se escutar com gentileza? E como seria se a flexibilidade fosse vista não como um dever, mas como um processo que nasce da autocompreensão?
Na terapia, esse é um movimento delicado e transformador. Ao invés de tentar “consertar” o autismo, o foco se torna compreender o funcionamento singular de cada pessoa, ajudando o cérebro a encontrar novas formas de lidar com o desconforto. E é dessa aceitação que nasce, com o tempo, uma flexibilidade mais autêntica e sustentável.
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Reconhecer e aceitar a inflexibilidade no autismo é importante fazer o diagnóstico preciso e para o planejamento de intervenções terapêuticas eficazes.
Aceitar a inflexibilidade como parte do Transtorno do Espectro Autista é importante porque permite compreender que certas resistências a mudanças, rotinas rígidas ou dificuldade em lidar com imprevistos não são caprichos, mas estratégias do indivíduo para lidar com sobrecarga sensorial, ansiedade ou insegurança diante do inesperado. Essa aceitação evita julgamentos e frustrações tanto da pessoa quanto de familiares ou educadores, criando um ambiente mais seguro e previsível. Reconhecer a inflexibilidade também orienta intervenções terapêuticas: ao invés de tentar eliminar comportamentos rígidos, busca-se desenvolver habilidades de adaptação gradual, planejamento, autorregulação emocional e flexibilização cognitiva de forma respeitosa e funcional, promovendo autonomia e melhor qualidade de vida.
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