Qual a relação da escoliose e artrose na coluna lombar com a esclerose múltipla? Também sou portad

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Qual a relação da escoliose e artrose na coluna lombar com a esclerose múltipla?
Também sou portadora de hipotireoidismo?
São alterações de naturezas diferentes. Uma não desencadeia a outra e necessitam de orientações específicas. Contudo, todos levam a sensação de mal estar que podem se sobrepor, por vezes dificultando a decisão de qual sistema está mais afetado ou se todos estão desquilibrados. O exame clínico e complementar são fundamentais para a adequada orientação.

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A escoliose e o desgaste na coluna lombar (artrose) são condições comuns que podem causar dor nas costas, especialmente em pessoas mais velhas ou em mulheres após a menopausa. Mesmo quando a escoliose é leve, ela pode acelerar o desgaste das articulações da coluna, principalmente nas regiões mais baixas, como L3-L4 e L5-S1. Isso acontece porque a curvatura da coluna gera sobrecarga em algumas áreas, favorecendo inflamações, formação de “bicos de papagaio” (osteófitos) e até alteração da densidade óssea.

Em adolescentes com escoliose, esse desgaste pode surgir mais cedo e está relacionado com o grau de rotação da coluna, influenciando também a intensidade da dor lombar.

Já no caso da esclerose múltipla, uma doença neurológica autoimune, os estudos mostram que ela não aumenta diretamente o risco de artrose ou de escoliose. No entanto, sintomas como dor, fraqueza ou dificuldades de movimento podem se sobrepor ao desgaste na coluna, o que dificulta o diagnóstico correto da origem da dor.

Por isso, é fundamental uma avaliação precisa e cuidadosa para identificar a verdadeira causa da dor lombar, especialmente em pacientes que têm esclerose múltipla ou alterações na postura da coluna.


Um diagnóstico correto faz toda a diferença no tratamento e na qualidade de vida. Fico à disposição!
Olá,
Não há relação direta entre escoliose e artrose de coluna lombar com esclerose múltipla. A depender da gravidade das alterações estruturais da coluna, pode haver acometimento da medula espinhal, e a medula é um dos segmentos do sistema nervoso central acometido na esclerose múltipla.
Dra. Mariana M. Sant'Ana
Neurologista, Especialista em dor
Cuiabá
Excelente pergunta — e extremamente pertinente, pois embora escoliose, artrose lombar e esclerose múltipla (EM) possam coexistir, elas têm origens e mecanismos completamente diferentes, e a presença de uma não significa necessariamente que seja causa ou consequência direta da outra. No entanto, compreender como essas condições interagem é essencial para o manejo correto da dor, da mobilidade e da qualidade de vida.

A esclerose múltipla é uma doença inflamatória e autoimune do sistema nervoso central, caracterizada pela desmielinização — ou seja, a perda da bainha de mielina que recobre os neurônios no cérebro e na medula espinhal. Isso provoca sintomas neurológicos variáveis, como fadiga, fraqueza, alterações de equilíbrio, rigidez muscular, dormências e alterações de sensibilidade.

Por outro lado:

1⃣ A escoliose é uma deformidade estrutural da coluna vertebral, geralmente de origem ortopédica ou postural, que leva ao desalinhamento do eixo da coluna. Pode ser idiopática (sem causa definida), congênita ou secundária a doenças musculares e neurológicas.

2⃣ A artrose lombar (espondiloartrose) é uma degeneração das articulações da coluna, relacionada ao envelhecimento, sobrecarga mecânica ou má postura, levando a dor lombar crônica e rigidez.

Apesar de não haver uma relação causal direta entre essas condições e a esclerose múltipla, algumas interações clínicas merecem destaque:

1. Alterações motoras e posturais secundárias à EM:
Pacientes com EM podem desenvolver fraqueza muscular assimétrica, espasticidade (rigidez) e alterações de equilíbrio. Esses fatores podem modificar a postura e a marcha, contribuindo para sobrecarga mecânica na coluna lombar e acelerando o desenvolvimento de artrose ou agravamento de uma escoliose já existente.

2. Dor lombar na EM:
A dor lombar em pacientes com esclerose múltipla pode ter duas origens diferentes:

Neuropática: causada pela própria lesão na medula espinhal (sensação de queimação, choque ou formigamento).

Musculoesquelética: decorrente de postura inadequada, contraturas ou alterações da curvatura lombar (como escoliose e artrose).

Em muitos casos, ambos os mecanismos coexistem, o que exige tratamento multidisciplinar com neurologista, fisioterapeuta e ortopedista.

3. Hipotireoidismo e suas repercussões:
O hipotireoidismo não tem relação direta com a esclerose múltipla, mas pode intensificar sintomas de fadiga, rigidez muscular e dores articulares, tornando o quadro global mais desconfortável. Além disso, tanto o hipotireoidismo quanto a EM têm origem autoimune, o que indica uma predisposição imunológica comum, embora sejam doenças distintas.

4. Cuidados integrados:
Quando há EM associada a escoliose e artrose lombar, o foco do tratamento deve ser integrado, envolvendo:

Neurologista: para controle da doença de base e dos sintomas neurológicos.

Ortopedista e fisioterapeuta: para manejo postural, fortalecimento e alívio da dor mecânica.

Endocrinologista: para manter o controle adequado do hipotireoidismo, evitando fadiga e desequilíbrio metabólico.

Reabilitação motora e terapia da dor: essenciais para preservar a autonomia e reduzir desconfortos.

Em resumo: a escoliose e a artrose lombar não são causadas pela esclerose múltipla, mas podem se agravar devido às alterações motoras e posturais decorrentes da doença. O hipotireoidismo, por sua vez, pode contribuir para a sensação de cansaço e rigidez, exigindo controle hormonal rigoroso. Um acompanhamento conjunto entre neurologista, ortopedista e endocrinologista é a melhor estratégia para manter estabilidade clínica e qualidade de vida.

Reforço que esta explicação tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Coloco-me à disposição para ajudar e orientar nesse acompanhamento integrado, com foco em neurologia clínica, doenças desmielinizantes e tratamento da dor.

Dra. Mariana Santana – Neurologista em Cuiabá | Neurologista em São Paulo | Especialista em Medicina do Sono e Tratamento da Dor
CRM: 5732-MT | RQE nº 5835

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