Sobre o tema de efeito paradoxal. Eu tomo certas substâncias que normalmente provocam insônia nas pessoas

3 respostas
Sobre o tema de efeito paradoxal. Eu tomo certas substâncias que normalmente provocam insônia nas pessoas e em mim não provoca efeito algum, pelo contrário. Tomo guaraná em pó e em seguida durmo tranquilamente, Tomo red bull e sinto sono. Tomo café e durmo tranquilo também. É normal isto?
Dr. Igor Bruscky
Neurologista
Recife
Apesar de dormir com substâncias estimulantes do sistema nervoso, é preciso ter cuidado. O sono fica mais superficial. Então, mesmo dormindo, não tem a mesma qualidade de sono que teria sem a ingesta dessas substâncias.

Tire todas as dúvidas durante a consulta online

Se precisar de aconselhamento de um especialista, marque uma consulta online. Você terá todas as respostas sem sair de casa.

Mostrar especialistas Como funciona?
A sensibilidade a algumas substâncias ativadoras de certos sistemas dentro do cérebro é determinada geneticamente, isto é sabido. A pergunta mais importante me parece ser qual é a razão pela qual se ingere essas substâncias. Em casos de indivíduos que padeçam de hipersônias (quadros de sonolência patológica geralmente de origem no sistema nervoso central) muitas vezes a ingestão de substâncias ativadoras reduz a sonolência excessiva anormal e pode dar a impressão de que se dorme um "sono normal".
Dr. Thiago Lopes
Médico clínico geral
São José dos Campos
É possível, sim, que algumas pessoas sintam pouco efeito estimulante ou até sonolência após cafeína e produtos semelhantes. Isso não significa, por si só, doença, mas costuma ter explicações fisiológicas e de hábito.

Em termos gerais, substâncias como café, guaraná e bebidas energéticas têm como principal estimulante a cafeína. Ela tende a aumentar o estado de alerta ao bloquear receptores de adenosina (uma molécula ligada à sensação de “cansaço”). O que varia bastante entre as pessoas é como o organismo absorve, metaboliza e responde a essa cafeína.

Alguns motivos comuns para esse “efeito paradoxal” incluem: tolerância (uso frequente faz o cérebro se adaptar, reduzindo a percepção de estímulo); metabolismo individual (há pessoas que eliminam a cafeína mais rápido ou mais lentamente, por fatores genéticos e também por medicações, tabagismo e condições clínicas); dose e forma de consumo (quantidade real de cafeína muda muito entre café coado, espresso, guaraná em pó e energéticos, além do tamanho da porção); e contexto do cansaço (se a pessoa já está com privação de sono, a cafeína pode “não dar conta” e o sono aparecer mesmo assim). No caso dos energéticos, também é comum haver queda de energia depois de um pico inicial, principalmente se houver açúcar em grande quantidade, o que pode contribuir para sensação de sonolência em algumas pessoas.

Também vale considerar que “sentir sono” não é exatamente o mesmo que “dormir melhor”. Em algumas pessoas, a cafeína pode mascarar o cansaço por um tempo e, horas depois, atrapalhar a qualidade do sono (mais despertares, sono mais superficial), mesmo que a pessoa adormeça facilmente. Ou seja, a percepção imediata pode enganar.

Em geral, tende a ser uma variação normal quando isso acontece sem outros sintomas relevantes. Já é prudente buscar uma avaliação clínica se houver sinais de alerta como sonolência excessiva durante o dia a ponto de cochilar sem querer; ronco alto com pausas na respiração ou engasgos noturnos; despertares frequentes não explicados; necessidade de cafeína em grandes quantidades para “funcionar”; palpitações, tremores, ansiedade importante, dor no peito; ou se houver queda de rendimento, alterações de humor marcantes ou episódios de adormecer em situações de risco.

Como orientação geral, uma forma segura de observar o padrão é reduzir a frequência e evitar cafeína nas 6 a 8 horas antes de dormir (algumas pessoas precisam de mais tempo) e comparar a qualidade do sono ao longo de alguns dias. Se a sonolência após essas bebidas for frequente e atrapalhar sua rotina, vale conversar com um médico (clínico geral ou especialista em sono) para investigar hábitos, qualidade do sono e possíveis fatores associados, sem que isso signifique necessariamente algo grave.

Especialistas

Diego Gafuri Silva

Diego Gafuri Silva

Médico de família

Maringá

Luiz Felipe Rauny de Araújo Ribas

Luiz Felipe Rauny de Araújo Ribas

Médico acupunturista

Manaus

Alexandre Zatera

Alexandre Zatera

Médico do trabalho, Psiquiatra, Médico perito

Canoinhas

Larissa Rios

Larissa Rios

Psiquiatra

Porto Alegre

Juan Pablo Roig Albuquerque

Juan Pablo Roig Albuquerque

Psiquiatra

São Paulo

Renata Camargo

Renata Camargo

Psicólogo

Camaquã

Perguntas relacionadas

Você quer enviar sua pergunta?

Nossos especialistas responderam a 247 perguntas sobre Insônia
  • A sua pergunta será publicada de forma anônima.
  • Faça uma pergunta de saúde clara, objetiva seja breve.
  • A pergunta será enviada para todos os especialistas que utilizam este site e não para um profissional de saúde específico.
  • Este serviço não substitui uma consulta com um profissional de saúde. Se tiver algum problema ou urgência, dirija-se ao seu médico/especialista ou provedor de saúde da sua região.
  • Não são permitidas perguntas sobre casos específicos, nem pedidos de segunda opinião.
  • Por uma questão de saúde, quantidades e doses de medicamentos não serão publicadas.

Este valor é muito curto. Deveria ter __LIMIT__ caracteres ou mais.


Escolha a especialidade dos profissionais que podem responder sua dúvida
Iremos utilizá-lo para o notificar sobre a resposta, que não será publicada online.
Todos os conteúdos publicados no doctoralia.com.br, principalmente perguntas e respostas na área da medicina, têm caráter meramente informativo e não devem ser, em nenhuma circunstância, considerados como substitutos de aconselhamento médico.