Todo mundo hoje diz que tem TDAH ou burnout. A psicanálise acredita nesses diagnósticos ou busca ent

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Todo mundo hoje diz que tem TDAH ou burnout. A psicanálise acredita nesses diagnósticos ou busca entender o que está por trás do sintoma?
 Adriana Soares
Psicanalista
Lagoa Santa
Estamos vivendo um período de muitos diagnósticos de transtornos, mas não necessariamente dos transtornos em si. O psicanalista busca entender o que aquele sintoma comunica sobre o desejo e a história única do sujeito. Por isso cada análise é única e individual.

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 Eduardo Brenner
Psicólogo, Psicanalista
Porto Alegre
Boa tarde! Bárbara tua pergunta! A psicnálise não trabalhará com os diagnósticos nosográficos/psiquiátricos, mas numa tentativa de poder compreender o funcionamento do sujeito, suas repetições e o motivo dos sintomas estarem presentes. Veja bem, isso não significa ignorar e não ouvir o sintoma e o sofrimento, muito pelo contrário. É poder ouvi-lo em sua plenitude, para além das categorizações impostas na psiquiatria. Caso queira conversar mais sobre um processo de análise, fico a disposição!
Psicanalise olha mais do que os rótulos, e sim o que ele representa na história do sujeito.
Pergunta-se: o que esse sofrimento está tentando expressar?
Cada caso é único, mesmo que o diagnóstico seja o mesmo.
Mais do que classificar, a psicanálise busca compreender o sentido do sintoma.
Dra. Jéssica Santana
Psicanalista, Terapeuta complementar
Brasília
A psicanálise não funciona na lógica de acreditar ou desacreditar como se fosse uma disputa com a psiquiatria.
Diagnósticos como TDAH (descritos no DSM-5) ou burnout (reconhecido pela Organização Mundial da Saúde na CID-11) fazem parte de uma classificação médica/psiquiátrica.

A psicanálise não nega que:

existam quadros de desatenção importantes

existam estados reais de esgotamento extremo

medicação possa ser necessária em alguns casos

Mas ela faz outra pergunta.

A pergunta da psicanálise não é “qual é o transtorno?”

É:
“O que esse sintoma está dizendo sobre esse sujeito?”

Porque duas pessoas com “TDAH” podem ter histórias psíquicas completamente diferentes:

Uma pode estar em conflito com exigências de desempenho.

Outra pode estar em posição inconsciente de recusa.

Outra pode ter uma angústia difusa que se manifesta como dispersão.

O sintoma, na psicanálise, não é só um erro do cérebro.
Ele é uma formação de compromisso, uma resposta possível do sujeito a algo que ele não consegue simbolizar.

E sobre burnout?

A sociedade atual exige produtividade constante, comparação infinita e performance 24h.
A psicanálise poderia perguntar:

O que me leva a não conseguir parar?

Por que eu só me sinto valioso quando estou produzindo?

Que desejo está sendo atendido (ou traído) nesse excesso?

Às vezes o “burnout” não é só excesso de trabalho — é uma relação inconsciente com o ideal, com o Outro, com a necessidade de reconhecimento.

Então é contra diagnóstico?

Não.
Mas a psicanálise não se satisfaz com o rótulo.

O diagnóstico organiza, ajuda na conduta clínica, facilita comunicação entre profissionais.
Mas ele pode também:

reduzir a complexidade da pessoa

virar identidade (“eu sou TDAH”)

apagar a história singular

E a psicanálise trabalha justamente na singularidade.
Dr. Rubens Torres
Psicanalista
Hortolândia
O psicanalista não se limita ao diagnóstico. Ele escuta o sujeito.

Mais importante do que saber qual é o nome do sintoma é entender o que esse sintoma quer dizer na história daquela pessoa.

Por que a ansiedade apareceu agora?
O que está sendo exigido de você?
Que conflitos, pressões ou dores estão por trás desse cansaço?

Na psicanálise, o sintoma não é apenas algo a ser eliminado — ele também é uma forma de expressão do inconsciente.

Por isso, mais do que classificar, buscamos compreender.

Porque quando o sujeito começa a entender sua própria história, algo pode finalmente começar a se transformar.
A psicanálise reconhece que existem diagnósticos utilizados na psiquiatria, como TDAH ou burnout, que ajudam a organizar e compreender certos conjuntos de sintomas. No entanto, o foco da psicanálise costuma ir além do rótulo diagnóstico.
O trabalho analítico procura entender o que aquele sintoma representa na história e na vida psíquica de cada pessoa. Duas pessoas podem ter o mesmo diagnóstico, mas por razões muito diferentes. Por isso, a psicanálise busca escutar o sujeito e compreender o que está por trás do sintoma, ajudando a dar sentido ao sofrimento e a encontrar novas formas de lidar com ele.
 Sarah Pereira
Psicanalista
Campina Grande
A questão é que, não só analistas, como psicólogos de maneira geral, devem questionar os efeitos da identificação dos sujeitos com os diagnósticos. Pois a verdade é que eles não podem explicar de maneira total a complexidade humana. No contexto em que vivemos, torna-se comum a redução do sujeito ao diagnóstico, o que é problemático, pois fixa o sujeito em um rótulo e em um modo de funcionamento — como se a vida pudesse ser resumida a uma sigla.

Não se trata de negar a realidade da sintomatologia diagnóstica. A crítica da psicanálise não é aos que sofrem, mas sim ao uso indiscriminado e rasteiro dos diagnósticos como explicação última. Alguém com TDAH severo, diagnosticado por equipe competente, pode se beneficiar de medicação e estratégias específicas — e também de um espaço para entender como esse transtorno se inscreve na sua história singular.

Os diagnósticos podem funcionar como mecanismos de captura do desejo, engessando a dimensão criativa do sujeito em vez de liberá-la.

De uma maneira geral, a psicanálise propõe escutar o sujeito, não o rótulo, e restituir a complexidade: em vez de "tenho TDAH", pensar "tenho dificuldade de concentração em certas situações, mas hiperfoco em outras — o que isso revela sobre meu desejo? " E perguntar: de onde vêm as demandas que me esgotam?

A psicanálise não está preocupada em "acreditar" ou não nos diagnósticos. Ela está preocupada em não reduzir o sujeito a eles, para que o desejo não se perca aí. Um diagnóstico pode ser um ponto de partida útil, mas é insuficiente para dar conta da complexidade de uma vida. Para além do rótulo, há sempre um sujeito que pode se surpreender com sua própria história.
 Pedro Chaves
Psicólogo, Psicanalista
Belo Horizonte
A psicanálise não desacredita a existência do sofrimento nomeado como TDAH ou burnout, mas parte de uma premissa diferente: o sintoma não é um inimigo a ser extirpado, mas uma formação que carrega sentido. Enquanto o discurso médico muitas vezes busca enquadrar o mal-estar em categorias universais para oferecer respostas rápidas, a escuta analítica se pergunta: "o que esse sofrimento diz sobre a história singular deste sujeito?". A dificuldade de concentração pode ser um escape, a exaustão pode ser a linguagem do corpo diante de algo que a psique não pôde suportar. O nome do diagnóstico importa menos do que a trama inconsciente que o sustenta.

Portanto, mais do que "acreditar" ou não nos diagnósticos, a psicanálise busca justamente desconstruir essa necessidade de um rótulo que muitas vezes silencia o sujeito. O risco contemporâneo é transformarmos dores complexas em siglas, perdendo de vista a singularidade de cada história. O importante não é negar o sofrimento, mas abrir espaço para que, na fala, cada um possa descobrir o que verdadeiramente está adoecendo para além dos manuais diagnósticos.
Essa é uma pergunta muito pertinente e aparece com frequência hoje em dia.

Na psicanálise, nós não negamos que existam diagnósticos como TDAH ou burnout. Eles fazem parte da linguagem da medicina e da psiquiatria e, em muitos casos, podem ajudar a organizar um entendimento inicial do sofrimento de uma pessoa.

Mas a psicanálise segue um caminho um pouco diferente.

Em vez de olhar apenas para o rótulo do diagnóstico, nós buscamos compreender o que aquele sintoma significa na história daquela pessoa. Porque dois indivíduos podem receber o mesmo diagnóstico e, ainda assim, terem histórias emocionais completamente diferentes.

Por exemplo:

uma dificuldade de concentração pode estar ligada a ansiedade, excesso de cobrança interna ou conflitos emocionais;

um estado de esgotamento pode estar relacionado não só ao trabalho, mas também a padrões de exigência, necessidade de reconhecimento ou dificuldades em colocar limites.

Ou seja, a pergunta central na psicanálise não é apenas “qual é o diagnóstico?”, mas também:

“O que esse sintoma está tentando comunicar sobre a sua história, suas emoções e sua forma de viver?”

Quando a pessoa começa a compreender isso, muitas vezes o sintoma deixa de ter a mesma força, porque aquilo que estava inconsciente começa a ganhar sentido.

Se você sente que está vivendo algo assim, a análise pode ser um espaço muito importante para olhar com calma para essas questões — sem pressa, sem rótulos apressados e com respeito à sua história.

Se desejar, será um prazer acolher sua escuta e caminhar junto nesse processo.
 Eliel  Almeida
Psicanalista
Manaus
Vou falar minha opinião baseada nos conhecimentos adiquiridos, nem todos tem TDAH ou Burnout, as vezes trata-se de uma histeria, por conta dos sintomas muito similares. Analisando bem cada caso percebemos a individualidade de cada um, complexos e mais...
O TDAH por exemplo nao é adiquirido, é algo que voce ja nasce (hereditario) ou adquido no processo gestacional, diferente do Burnout que provem do stress e do acumulo mental.
Ótima pergunta! Diagnósticos existem para classificar conforme sintomas, na minha opinião, servem apenas para rotular e receitar medicamentos. Note, não sou contra medicamentos, sou contra o rótulo. Como psicanalista, acredito que cada pessoa tem seu universo interno e suas particularidades. Sendo impossível determinar o caminho para o seu desenvolvimento com diagnósticos. Por isso cada um merece ter a possibilidade de experimentar formas de acessar seu potencial e viver melhor. Abs.
Hoje em dia realmente ouvimos muito falar em TDAH, burnout e outros diagnósticos. Eles podem ser úteis em alguns contextos, especialmente na medicina e na psiquiatria, porque ajudam a nomear certos conjuntos de sintomas.

A psicanálise, porém, costuma olhar além do rótulo diagnóstico. O interesse principal é entender o que aquele sintoma significa para aquela pessoa, na sua história, nas suas relações e na forma como ela vive os conflitos internos.
Duas pessoas podem ter o mesmo diagnóstico, mas as razões psíquicas para o sofrimento podem ser completamente diferentes.

Então mais do que apenas enquadrar a experiência em um diagnóstico, a psicanálise busca compreender o que está por trás daquele sofrimento e como ele se formou.
 Felipe Firenze
Psicanalista
Rio de Janeiro
Bom dia! Na psicanálise, os diagnósticos podem ser considerados como referências úteis, mas o foco costuma estar menos no rótulo e mais na compreensão da singularidade de cada pessoa. Quando alguém fala de TDAH ou Burnout, por exemplo, a escuta psicanalítica tende a se interessar pelo que aquele sintoma expressa na história, nos conflitos e na forma como aquela pessoa vive suas experiências. Isso não significa negar os diagnósticos, mas buscar entender o que está por trás deles. Ainda assim, cada caso é único e não é possível afirmar algo com certeza sem uma escuta cuidadosa. Se essas questões fazem sentido para você, sugiro procurar um profissional com quem se sinta identificado. Caso queira conversar mais sobre isso, será um prazer acolher sua mensagem.
 Maria Carolina Passos
Psicanalista
Itapema
Diagnósticos como TDAH fazem parte do campo psiquiátrico e podem ser importantes em determinados contextos.

A psicanálise, porém, se interessa menos em enquadrar a experiência em um rótulo e mais em escutar o que cada sintoma tem a dizer na história singular de quem sofre. Em vez de tomar o diagnóstico como ponto de chegada, o trabalho analítico busca compreender o que está em jogo para aquele sujeito e o que pode estar se expressando por meio do sintoma.
Dra. Ana Sofia Lima
Psicanalista
Rio de Janeiro
A Psicanálise sempre busca entender o sintoma e como ele é vivido pelo paciente na sua individualidade, ninguem é igual a ninguem, cada um vive os sintomas de maneira muito particular.

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