Perguntas do paciente (3)

  • Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estam

    Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estamos juntos há quase 3 anos e, ultimamente, sinto que não tenho mais aquela animação ou aquela sensação gostosa que sentia antes. Isso tem me deixado muito ansiosa, porque eu não quero machucá-lo e também não quero terminar. Ao mesmo tempo, não me sinto desconfortável ou presa ao lado dele. Quando conversamos, muitas vezes é bom e consigo ficar conversando até tarde. Eu reconheço que ele é uma pessoa que me ama, cuida de mim, se preocupa comigo e demonstra isso muito pelas atitudes.

    Tenho me perguntado se ainda o amo ou se estou confundindo amor com carência, rotina ou ansiedade. Quero entender meus sentimentos e, se for possível, quero recuperar o carinho e a conexão que sinto que perdi. Não quero fingir nem obrigar meus sentimentos, só queria entender o que está acontecendo comigo e saber se é possível voltar a sentir amor e entusiasmo pela pessoa que amo.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Ana Luíza de Ávila Ribeiro Simões

    Não existe uma resposta certa ou imediata para saber se você ainda ama alguém. Mas a própria dúvida merece ser escutada, em vez de ser rapidamente resolvida.

    Depois de quase três anos, é natural que a relação não tenha a mesma intensidade do início. O amor também pode mudar de forma quando a novidade, a idealização e a euforia dão lugar à intimidade e à vida cotidiana. Isso não significa necessariamente que o sentimento acabou.

    O que talvez seja importante observar é o que mudou em você e na relação e, principalmente, o que essa diminuição da intensidade passou a significar. Você mesma relata que gosta de estar com ele, consegue conversar por horas, não se sente presa e reconhece o cuidado e o afeto que existe entre vocês. São elementos que também fazem parte de uma relação amorosa, mesmo que não sejam acompanhados constantemente daquela “sensação gostosa” do começo.

    Pela psicanálise, talvez seja interessante não transformar cada sentimento em uma prova para descobrir se você ama ou não. Quanto mais tentamos verificar o que estamos sentindo, mais difícil pode ficar simplesmente viver a relação.

    Em vez de perguntar apenas “como faço para voltar a sentir o que sentia?”, talvez valha investigar: “o que estou sentindo hoje, quando não estou tentando descobrir se isso é amor?”

    É nesse espaço de questionamento, sem uma resposta pronta, que talvez seja possível compreender melhor o que está acontecendo com você e com essa relação.


  • Olá! Eu sou timida e sinto uma certa ansiedade social eu não sei se chega a ser o transtorno. Atualm

    Olá!
    Eu sou timida e sinto uma certa ansiedade social eu não sei se chega a ser o transtorno. Atualmente eu sou operadora de caixa e quando comecei foi bem difícil estava me sentindo muito ansiosa e travada foi muito difícil mesmo, eu cresci sendo muito timida eu quase não enteragia com as pessoas na escola sofria bullying o que me fez me fechar cada vez mais. Hoje depois de 6 meses nesse trabalho eu sei que estou bem melhor mesmo nas interações a ansiedade diminuiu, mas ainda sinto uma cobrança muito grande quando falam que sou séria, quieta e que não falo. Eu acredito que tenho falado o que quero falar, mas esses comentários me fazem duvidar da minha evolução. O que posso fazer para lidar com esses comentários? Eu sentir isso significa que não estou me curando? Me curando da ansiedade social eu vou parar de ouvir esses comentários e de ser quieta ou apenas aprender a conviver com eles?
    Eu também tenho a sensação de não pertencimento
    O que de fato é está se curando?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Ana Luíza de Ávila Ribeiro Simões

    Olá! O que você descreve me parece importante justamente porque mostra uma diferença entre estar mais à vontade nas relações e deixar de ser uma pessoa tímida ou mais reservada.

    Você conta que, há seis meses, começou um trabalho que inicialmente despertava muita ansiedade, sentia-se travada e tinha dificuldade nas interações. Hoje consegue perceber que está melhor, que a ansiedade diminuiu e que consegue falar o que deseja. Isso, por si só, já diz bastante sobre um processo de mudança.

    Talvez seja importante não colocar a sua evolução como uma espécie de “cura” que precisa resultar em uma nova versão sua: alguém extrovertida, falante e que nunca mais se sente desconfortável diante dos outros. Ser quieta, séria ou falar menos não é, por si só, um sintoma. A questão é o quanto isso limita a sua possibilidade de estar com o outro e de sustentar aquilo que você deseja dizer.

    Inclusive, existe algo interessante no que você relata: você diz “eu acredito que tenho falado o que quero falar”, mas, quando alguém comenta que você é séria, quieta ou que não fala, você começa a duvidar da própria percepção. Talvez seja justamente aí que valha a pena olhar com mais cuidado.

    Na psicanálise, podemos pensar que o olhar e a fala do outro têm um peso importante na constituição de como nos percebemos. Depois de uma história marcada por timidez e bullying, talvez determinados comentários atuais encontrem algo de uma experiência anterior: a sensação de que existe uma maneira “correta” de ser para conseguir pertencer, ser aceita ou não ser alvo do outro.

    Então talvez a questão não seja simplesmente “como faço para parar de ser quieta?”, mas também: por que ser percebida como quieta passa a significar, para mim, que há algo errado comigo?

    Você não precisa necessariamente deixar de ouvir esses comentários. Provavelmente eles continuarão existindo — afinal, as pessoas fazem leituras umas das outras o tempo todo. O trabalho pode estar menos em impedir que o outro diga e mais em construir condições para que a fala do outro não determine imediatamente o modo como você se enxerga.

    E isso também pode ajudar a pensar o sentimento de não pertencimento. Pertencer não significa necessariamente conseguir se adaptar perfeitamente ao modo de funcionamento de um grupo. Às vezes, existe uma expectativa de que precisamos nos modificar para caber: falar mais, ser mais espontânea, sorrir mais, participar mais. Mas talvez exista também a possibilidade de pertencer sem precisar abandonar a própria forma de estar no mundo.

    Na perspectiva psicanalítica, eu teria bastante cuidado, portanto, com a ideia de “cura” entendida como eliminação completa da ansiedade ou da timidez. O trabalho analítico não necessariamente transforma alguém em outra pessoa. Ele pode possibilitar que aquilo que antes produzia sofrimento e paralisação possa ser vivido de outra maneira, com mais liberdade.

    Você mesma já aponta uma diferença importante: antes, você se sentia travada e a interação era muito difícil; hoje, a ansiedade diminuiu e você consegue falar o que quer falar. Talvez essa mudança seja mais significativa do que o fato de alguém ainda dizer que você é quieta.

    Talvez se “curar” tenha menos a ver com nunca mais sentir ansiedade ou nunca mais se sentir deslocada e mais com não precisar se violentar para deixar de sentir essas coisas. Poder escolher quando falar, quando permanecer em silêncio, aproximar-se, afastar-se, participar ou não participar, sem que cada escolha seja imediatamente vivida como prova de que há algo errado com você.

    E talvez seja justamente aí que a sua pergunta sobre pertencimento possa ser explorada com mais profundidade em um processo terapêutico: o que significa, para você, pertencer? E de quem você aprendeu que precisava ser de determinada maneira para poder pertencer?


  • Estou passando por um momento muito difícil,tenho depressão e pesquisei muito sobre crises de pânico

    Estou passando por um momento muito difícil,tenho depressão e pesquisei muito sobre crises de pânico e fobia social,não estou conseguindo sair de casa sozinho mais,e não consigo fazer terapia online já comecei a tomar os medicamentos mais as pesquisas sobre os sintomas agravaram meu caso,está muito difícil pra mim,as pesquisas excessivas acabaram com meu psicológico, preciso sair dessa e voltar a ter uma vida normal,como reverter as ideias negativas lidas nas pesquisas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Ana Luíza de Ávila Ribeiro Simões

    Olá. Pelo que você relata, parece que você está vivendo um momento de muita angústia e que as pesquisas, que talvez tenham começado como uma tentativa de entender o que estava acontecendo, acabaram aumentando ainda mais o medo. Quando estamos muito assustados, é comum tentar encontrar explicações e certezas, mas às vezes essa busca acaba nos deixando ainda mais atentos a cada sensação, pensamento ou sintoma.

    Neste momento, talvez você não precise encontrar uma resposta para tudo o que está acontecendo. Pode ser importante primeiro acolher o que você está vivendo e diminuir essa exigência de precisar entender ou controlar tudo imediatamente.

    Na escuta psicológica em situações de crise, especialmente pela perspectiva psicanalítica, não se trata de retirar rapidamente a angústia ou dizer ao paciente o que ele deve fazer, mas de oferecer um espaço em que aquilo que está sendo vivido possa ser colocado em palavras e ganhar algum sentido. A angústia, quando pode ser falada e escutada, pode deixar de ocupar todo o campo da experiência.

    Por isso, talvez seja importante interromper por um tempo as pesquisas sobre sintomas e diagnósticos e conversar sobre isso com um profissional. Como você já iniciou o tratamento medicamentoso, mantenha o acompanhamento com seu psiquiatra e conte a ele como você está se sentindo.

    E você não precisa conseguir sair sozinho de casa imediatamente. Se neste momento isso está muito difícil, procure alguém de confiança para acompanhá-lo na busca por atendimento presencial. Você não precisa atravessar esse momento sozinho.

    O que você está vivendo agora é um momento de sofrimento, não uma definição de quem você é nem uma sentença sobre como será sua vida daqui para frente.


Perguntas frequentes

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