Perguntas do paciente (110)
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Olá, tenho 19 anos e estou com depressão profunda que me dificulta com tarefas básicas e em sair do
Olá, tenho 19 anos e estou com depressão profunda que me dificulta com tarefas básicas e em sair do quarto, moro com a minha mãe, mas me sinto estagnada aqui e
eu queria muito trabalhar, mas deixei oportunidades passar por conta do meu estado, eu passo no caps as vezes e tomo antidepressivo, mas preciso de mais acompanhamento e algo mais efetivo pra sair disso, por isso pensei em internação, mas queria a ajuda de vocês sobre o que posso fazer nessa situação.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá. Imagino o quanto deve estar sendo difícil viver esse momento, especialmente quando até as tarefas mais básicas parecem exigir um esforço enorme. O fato de você ainda desejar trabalhar e buscar uma mudança, apesar de tudo, também diz de algo seu que permanece vivo e procurando uma saída. A internação pode ser uma possibilidade em algumas situações, mas precisa ser avaliada com cuidado, considerando seu estado atual e o tipo de acompanhamento de que você necessita. Talvez seja importante construir, junto a um profissional, um espaço de escuta mais contínuo, onde você possa falar sobre o que tem vivido e sobre esse sentimento de estar estagnada, sem precisar enfrentar tudo sozinha. A psicoterapia junto com interação medicamentosa tem resultado bastante efetivo! Espero ter ajudado. Estou à disposição
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Tenho receio de mostrar certas qualidades minhas por medo da rejeição e por elas serem facilmente b
Tenho receio de mostrar certas qualidades minhas por medo da rejeição e por elas serem facilmente bem invejadas no contexto brasileiro como dedicação ao que me proponho a fazer, inteligência, detalhista, pragmático, direto e me preocupar em vestir bem e cuidar de aparência que é um tabu entre os homens. Como diminuir esse medo de rejeição e zombaria social que pode me acometer?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O medo de rejeição e de zombaria pode fazer com que a pessoa passe a administrar excessivamente aquilo que mostra de si, como se precisasse calcular quais características são “permitidas” socialmente. Do ponto de vista psicanalítico, vale investigar não apenas o medo do outro, mas o que, para você, está em jogo ao ser visto como alguém inteligente, cuidadoso, vaidoso ou muito dedicado. Muitas vezes, o sofrimento não está na qualidade em si, mas no olhar que imaginamos que o outro lançará sobre ela. E, quando tentamos antecipar esse olhar o tempo todo, acabamos nos afastando do próprio desejo para nos proteger de uma rejeição que nem necessariamente acontecerá. Diminuir esse medo não significa tornar-se indiferente à opinião alheia, mas desenvolver maior tolerância ao risco de não ser aprovado por todos. Algumas pessoas podem invejar, ironizar ou rejeitar aspectos seus — e isso não significa que haja algo errado em expressá-los. Talvez a pergunta mais interessante seja: quanto de você está sendo silenciado para evitar uma reação que pertence ao outro? A psicoterapia pode ajudar justamente a compreender essa necessidade de aprovação e construir uma posição mais própria diante do desejo e do olhar alheio. Afinal, não temos controle do discurso dos outros, mas do nosso sim! Vamos conversar mais sobre isso? Estou à disposição
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Como ser uma pessoa interessante e atraente pra mim mesmo e por consequência pros outros?
Como ser uma pessoa interessante e atraente pra mim mesmo e por consequência pros outros?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Talvez a questão não seja exatamente “como ser interessante e atraente”, mas o que acontece quando precisamos nos tornar interessantes para nos sentirmos desejáveis pelo outro. Do ponto de vista psicanalítico, existe uma diferença importante entre construir uma vida que nos desperta desejo e construir uma imagem de nós mesmos que imaginamos que despertará o desejo do outro. Na primeira, há investimento em experiências, interesses, vínculos e projetos que fazem sentido para você. Na segunda, existe uma espécie de vigilância permanente sobre como estamos sendo percebidos. Paradoxalmente, quanto mais alguém precisa convencer o outro de que é interessante, mais pode se afastar da própria espontaneidade. A atração costuma surgir não da perfeição ou de uma performance, mas de uma pessoa viva, implicada com o próprio desejo e capaz de sustentar quem é sem precisar de validação constante. Então, talvez o caminho seja menos “como faço para ser interessante?” e mais: “o que me interessa de verdade quando não estou tentando impressionar ninguém?” É uma pergunta simples, mas pode abrir um trabalho psíquico bastante profundo. Freud já dizia que o EU não é senhor em sua própria morada...
Vamos conversar mais sobre isso? Estou à disposição
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Tenho problemas com ansiedade, mas minha ansiedade parece estar ligada ao meu perfeccionismo (traço
Tenho problemas com ansiedade, mas minha ansiedade parece estar ligada ao meu perfeccionismo (traço de personalidade que tenho desde muito tempo). Geralmente quando não consigo ter certeza absoluta de tudo, sinto desconforto e ansiedade. Mas... como já tenho comportamentos obsessivos por causa do perfeccionismo e percebi que também sou impulsivo em meio a incerteza, gostaria de saber: quando devo começar a suspeitar de TOC?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A suspeita de TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo) não se estabelece apenas pela presença de perfeccionismo, ansiedade, necessidade de certeza ou comportamentos repetitivos. Esses aspectos podem aparecer em diferentes quadros e também fazer parte de traços de personalidade. No TOC, costuma existir um ciclo mais específico: pensamentos, imagens ou dúvidas intrusivas e persistentes, que geram ansiedade ou desconforto, seguidos de comportamentos ou atos mentais realizados para tentar neutralizar essa sensação — como checar, buscar garantias, revisar excessivamente, repetir, comparar ou tentar obter uma certeza absoluta. Muitas vezes, a pessoa reconhece que essas estratégias são excessivas, mas sente uma forte necessidade de realizá-las mesmo assim. Um ponto importante é observar quanto tempo e energia isso ocupa, o quanto interfere na sua vida e se você sente que está perdendo a liberdade de escolher como agir. No seu relato, a relação entre perfeccionismo, intolerância à incerteza, comportamentos obsessivos e impulsividade merece ser compreendida com cuidado, mas não permite, por si só, concluir que se trata de TOC. Na clínica, eu buscaria entender melhor o que acontece antes, durante e depois desses comportamentos: qual é o pensamento ou medo que aparece, o que você sente, o que faz para aliviar o desconforto e por quanto tempo esse alívio dura. Essa avaliação ajuda a diferenciar TOC de ansiedade, traços de personalidade e outros modos de funcionamento psíquico que podem produzir experiências semelhantes. Se isso tem causado sofrimento ou interferido na sua rotina, relacionamentos ou decisões, vale procurar uma avaliação psicológica/psiquiátrica. Mais do que encontrar rapidamente um rótulo, o importante é compreender a função desses comportamentos e o que está sustentando esse ciclo de ansiedade e necessidade de controle.
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É possível mudar qualquer crença central e qualquer crença intermediária disfuncional? E mesmo após
É possível mudar qualquer crença central e qualquer crença intermediária disfuncional? E mesmo após conseguir mudar essas crenças, depois de um tempo elas voltam fazendo com que o paciente tenha recaídas? Se o paciente tem recaídas por conta de que a crença disfuncional antiga voltou, então não é possível mudar crenças disfuncionais para sempre ou por algum tempo?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
É possível modificar crenças centrais e crenças intermediárias disfuncionais, mas eu evitaria pensar nesse processo como uma “substituição definitiva” de uma crença antiga por outra, como se a primeira deixasse de existir completamente. Na prática clínica, algumas crenças podem se tornar muito menos rígidas, menos frequentes e menos determinantes sobre a maneira como a pessoa interpreta a si mesma, os outros e as situações. O objetivo não é necessariamente nunca mais ter um pensamento ou sentir novamente uma antiga insegurança, mas desenvolver uma relação diferente com ela e ampliar as possibilidades de resposta. Por isso, uma pessoa pode, em determinados momentos de estresse, vivenciar novamente pensamentos ou sentimentos associados a uma crença antiga. Isso não significa necessariamente que ela “voltou ao zero” ou que todo o trabalho terapêutico foi perdido. Em situações de maior vulnerabilidade, padrões antigos podem ser reativados. A diferença é que, com o processo terapêutico, a pessoa pode reconhecê-los mais rapidamente, questioná-los e não necessariamente agir de acordo com eles. Também é importante diferenciar reativação de uma crença de recaída clínica. Ter novamente um pensamento ou sentimento antigo não significa, por si só, recaída. A recaída envolve a retomada significativa do padrão disfuncional e de seus prejuízos. Assim, eu não colocaria a questão como “é possível mudar para sempre ou apenas por algum tempo?”. Em muitos casos, a mudança é melhor compreendida como uma transformação na rigidez e no poder que aquela crença exerce sobre a pessoa. O trabalho terapêutico não precisa apagar completamente uma experiência psíquica anterior para produzir uma mudança profunda e duradoura, desde que seja bem feito e traga manejo para o paciente.
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Bom dia, estou tomando venlafaxina a 6 meses , me sentia ótima, tive vontade de viver novamente,
Bom dia, estou tomando venlafaxina a 6 meses , me sentia ótima, tive vontade de viver novamente, mais faz três dias que minhas crises voltaram, a angústia, coração acelerado , a cabeça dói, o entalo , oque fazer ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A retomada de sintomas depois de um período em que você vinha se sentindo bem pode ser bastante angustiante, mas não significa necessariamente que todo o progresso tenha sido perdido. Como esses sintomas surgiram há apenas três dias, é importante conversar com o médico que acompanha o uso da venlafaxina antes de fazer qualquer alteração na medicação. Ele poderá avaliar se há necessidade de algum ajuste ou se existe outro fator contribuindo para esse momento. Ao mesmo tempo, vale olhar para o que pode ter acontecido nesse período: mudanças na rotina, situações que despertaram ansiedade, perdas, conflitos ou mesmo algo que possa ter mobilizado você internamente. Na perspectiva psicanalítica, o sintoma não é apenas algo a ser eliminado, mas também pode ser uma forma pela qual algo que não está podendo ser elaborado encontra expressão. Se essas crises estiverem se repetindo, a psicoterapia pode ser um espaço importante para compreender o que está por trás desse retorno da angústia, para além do controle imediato dos sintomas. E, caso a dor no peito, a aceleração cardíaca ou outros sintomas físicos sejam intensos ou diferentes do habitual, procure também uma avaliação médica para descartar uma causa clínica.
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Olá, boa noite. Eu tenho 18 anos, e ultimamente venho percebendo algumas coisas em mim mesmo que eu
Olá, boa noite.
Eu tenho 18 anos, e ultimamente venho percebendo algumas coisas em mim mesmo que eu não sei se é algo normal.
Por exemplo, depois de momentos felizes, mesmo tendo sido genuínos, eles parecem como se fossem uma espécie de "atuação" pra mim, como se às vezes não tivesse acontecido comigo.
Parece que tem um vazio dentro de mim que não passa, e quando parece que passa, só fica ali disfarçado, e quando volta eu fico sozinho com ele. Eu não fico com vontade de nada, o tempo fica passando e parece ser agonizante pra mim, porque eu não consigo ficar parado nele, e me assusta o que pode acontecer daqui algumas horas, dias ou anos, porque eu não tenho nada planejado e aí os pensamentos de só acabar com tudo aparecem, e o que eu tenho vontade de fazer parece muito distante e eu só aceito que talvez eu nunca realize o que eu quero.
Eu deveria procurar ajuda?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá. Sim, você deveria procurar ajuda, e considero importante que isso aconteça o quanto antes. O que você descreve — essa sensação de vazio, de estranhamento diante de momentos que foram genuinamente felizes, a dificuldade de encontrar sentido no tempo e, principalmente, os pensamentos de “acabar com tudo” — merece ser escutado com cuidado. Não é preciso esperar que esses pensamentos se tornem mais intensos para buscar ajuda. Aos 18 anos, muitas questões sobre quem somos, o que desejamos e o futuro podem estar em processo de construção. Mas o sofrimento que você relata parece estar ultrapassando uma simples dúvida sobre o futuro. Mais do que tentar definir sozinho se isso é “normal” ou não, seria importante ter um espaço em que você possa falar sobre o que está acontecendo e começar a compreender de onde esse vazio e essa angústia estão vindo. Na perspectiva psicanalítica, não se trata apenas de eliminar o sintoma ou encontrar rapidamente uma resposta sobre o que você tem. Trata-se de poder colocar em palavras aquilo que hoje aparece de uma forma tão difícil de suportar e, a partir daí, construir uma relação diferente com o próprio desejo e com a própria história. Mas quero destacar algo: quando você diz que surgem pensamentos de acabar com tudo, isso precisa ser levado a sério. Se esses pensamentos estiverem presentes neste momento, se você sentir que pode fazer algo contra si mesmo ou que não consegue se manter em segurança, não fique sozinho. Procure imediatamente alguém de confiança e um serviço de emergência da sua região. Você não precisa ter a vida planejada aos 18 anos, nem precisa saber agora se conseguirá realizar tudo o que deseja. O fato de hoje parecer distante não significa que seu futuro esteja definido.
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Por que investir em relacionamentos com amigos se a maioria das pessoas com quem tento vínculo e apr
Por que investir em relacionamentos com amigos se a maioria das pessoas com quem tento vínculo e aprofundo vão embora ou por questões profissionais o por namoro? Penso que é melhor ser sozinho, o máximo autossuficiente possível e desapegado do que tentar investir em relacionamento com as pessoas que vem e vão embora das nossas vidas e ter que procurando outros amigos pra preencher lacunas.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Entendo a lógica do seu pensamento, mas talvez seja interessante investigar o que está sustentando essa necessidade de ser autossuficiente e desapegado.
De fato, os vínculos humanos não são permanentes. Pessoas mudam de cidade, de trabalho, iniciam relacionamentos, seguem outros caminhos. Isso faz parte da própria condição de estar em relação. Mas o fato de um vínculo terminar não significa que ele tenha sido inútil ou que tenha deixado apenas uma lacuna a ser preenchida por outra pessoa.
Na perspectiva psicanalítica, talvez a questão não seja escolher entre “ter pessoas” ou “ser autossuficiente”, mas compreender o que significa, para você, depender afetivamente de alguém e o que uma despedida ou afastamento representa. Às vezes, a tentativa de não precisar de ninguém protege justamente daquilo que mais se teme: perder, ser deixado, sentir falta ou descobrir-se dependente do outro.
Ser capaz de estar sozinho é diferente de precisar se tornar autossuficiente para não sofrer. A primeira pode ser uma conquista; a segunda pode acabar se tornando uma defesa.
Talvez valha perguntar: o que dói mais em um vínculo que termina — perder aquela pessoa ou sentir que, mais uma vez, alguém foi embora? Essa diferença pode abrir uma questão importante sobre a sua maneira de construir e sustentar relações. Estou à disposição
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Tenho um relacionamento aberto com meu esposo e vem funcionando bem para ambos por alguns anos, poré
Tenho um relacionamento aberto com meu esposo e vem funcionando bem para ambos por alguns anos, porém por vezes surgem dúvidas e dilemas que nos motivaram a querer fazer terapia de casal.
Estou com receio de marcar com um profissional e não nos sentirmos acolhidos ou compreendidos em nossa dinâmica por sermos abertos.
A pergunta é: em geral, os terapeutas de casal estão preparados pra acolher essa demanda, ou preciso procurar indicações de quem trabalhe especificamente com esse nicho?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A terapia de casal não precisa partir de um modelo prévio de relacionamento para que possa acolher o casal. O mais importante é que o profissional consiga escutar a dinâmica construída por vocês sem transformá-la, de antemão, em problema ou em algo que precise ser corrigido.
Em uma perspectiva psicanalítica, inclusive, mais importante do que a configuração do vínculo é compreender como cada um se posiciona nessa relação, o que sustenta o desejo de cada parceiro e onde surgem os impasses. Um relacionamento aberto pode funcionar muito bem, assim como uma relação monogâmica pode ser atravessada por conflitos importantes.
Vocês não precisam encontrar alguém que tenha vivido a mesma configuração, mas alguém capaz de escutar o que é singular na relação de vocês.
E talvez seja justamente esse o trabalho da terapia: não oferecer um modelo de relacionamento, mas ajudar o casal a construir uma compreensão mais própria sobre aquilo que funciona, aquilo que incomoda e aquilo que, eventualmente, começa a deixar de funcionar.
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Como lidar com país narcisistas que ficam fazendo um jogo psicológico pesado baseado nas minhas cris
Como lidar com país narcisistas que ficam fazendo um jogo psicológico pesado baseado nas minhas crises psicóticas (esquizofrenia em questionamento)?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Pela psicanálise, podemos perguntar o que acontece nessa relação e qual lugar você acaba ocupando quando seus pais recorrem à sua história clínica para invalidá-la. O caminho não é necessariamente convencê-los de que você está certa, mas construir condições para que a sua palavra não dependa da autorização deles para existir.
Limites objetivos, redução das discussões improdutivas e, sobretudo, um espaço terapêutico próprio podem ajudá-la a distinguir o que pertence à sua experiência, o que pertence ao discurso familiar e onde você pode começar a se posicionar de outra maneira.
E, quando existe uma hipótese diagnóstica em questionamento, é especialmente importante que essa investigação seja feita com profissionais que possam acompanhá-la de forma cuidadosa e independente, sem que a família seja a única referência para definir o que é ou não realidade.
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Tenho 23 anos, trabalho a 3 anos, sou introvertido e não tenho habilidade social, não vivi muita coi
Tenho 23 anos, trabalho a 3 anos, sou introvertido e não tenho habilidade social, não vivi muita coisa e não costumo sair de casa. Estou grávida de 4 meses, e por ver que tava horrível pra mim psicologicamente resolvi me mudar pro bem do bebe, ainda em processo de mudança sem dizer a minha mãe. Fiquei desesperada com a gravidez e agora mesmo tentando gostar e ver algo novo na minha vida, minha cabeça está me fazendo pensar que ele é amado e eu não, e que a viva que eu finalmente poderia começar não é minha, mas sim será pro bebe. O que fazer? Como é possível não ter planos e objetivos na vida, e ao mesmo tempo acreditar que um filho a caminho roubará a minha vida?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O que você descreve parece menos uma falta de amor pelo bebê e mais o encontro, bastante angustiante, entre a maternidade e uma vida que você ainda sente que não conseguiu construir para si.
Quando você diz que ele será amado e você não, e que a vida que poderia começar agora passará a ser “do bebê”, aparece uma questão importante: o que significa, para você, ter uma vida que seja sua? Talvez a gravidez esteja tornando muito visível algo que já existia antes dela — a sensação de não ter um lugar próprio, desejos próprios ou projetos nos quais pudesse se reconhecer.
Um filho não precisa ocupar o lugar de um projeto de vida que você ainda não conseguiu construir. E também não é necessário sentir uma felicidade imediata ou idealizada com a gravidez. Ambivalências podem existir na gestação e não fazem de você uma mãe ruim.
Talvez o trabalho, neste momento, não seja encontrar rapidamente planos e objetivos, mas começar a perguntar: o que eu desejo para mim, para além dos papéis que esperam que eu desempenhe? O que dessa vida eu gostaria de experimentar? O que eu gostaria de descobrir sobre mim?
A mudança que você está fazendo pode ser justamente uma tentativa de criar um espaço próprio. Vale cuidar para que ela não seja apenas uma fuga do sofrimento, mas também possa se transformar em uma escolha sua.
Na psicanálise, não se trata de oferecer uma lista de objetivos para preencher uma vida que parece vazia. Trata-se de escutar aquilo que, mesmo no meio da angústia, começa a aparecer como desejo. Talvez seja por aí que uma vida possa começar a ser construída — não contra o bebê, mas sem que você desapareça atrás dele.
Estou à disposição
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Tenho um relacionamento há 5 anos e, às vezes, quando vejo alguém que já foi um paquera antigo, fico
Tenho um relacionamento há 5 anos e, às vezes, quando vejo alguém que já foi um paquera antigo, fico preocupada com a forma como essa pessoa vai me enxergar. Penso que preciso parecer bonita, legal e mostrar que estou bem, e por isso acabo agindo de forma estranha. Não tenho intenção de chamar atenção ou de ficar com essas pessoas, mas sinto culpa por esses pensamentos e atitudes, como se fossem uma forma de traição.
Gostaria de saber se isso pode ser considerado traição ou se pode estar relacionado à ansiedade, ao TOC ou simplesmente à baixa autoestima e à preocupação excessiva com a opinião dos outros.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Resposta
Não me parece que a questão central seja saber se isso é ou não uma traição. O que chama atenção no seu relato é o quanto o olhar de alguém que já foi objeto de interesse ainda parece capaz de produzir em você a necessidade de se apresentar de determinada maneira.
Você não relata desejo de se relacionar com essas pessoas. Relata, sobretudo, uma preocupação em como será vista por elas: bonita, interessante, bem-sucedida, feliz. E talvez seja justamente aí que esteja a questão a ser investigada.
Na perspectiva psicanalítica, pensamentos e sentimentos não são atos. Ter um pensamento não equivale a realizá-lo, assim como sentir-se mobilizada pela presença de alguém não significa desejar uma traição. O sofrimento parece surgir quando você transforma essa experiência em uma espécie de julgamento moral sobre si mesma: “se pensei isso, o que isso diz sobre mim e sobre o meu relacionamento?”
Ansiedade, baixa autoestima e pensamentos obsessivos podem participar desse funcionamento, mas seria precipitado reduzi-lo a qualquer um desses diagnósticos. Mais interessante seria perguntar: o que está em jogo, para você, no desejo de ser reconhecida pelo olhar desse outro? O que você precisa que ele veja quando você aparece diante dele?
São perguntas que podem abrir uma compreensão muito mais profunda do que simplesmente tentar controlar esses pensamentos ou decidir se eles são “certos” ou “errados”.
Estou à disposicao
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como se livrar do vicio em pornografia teleguiada?
como se livrar do vicio em pornografia teleguiada?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Mais do que tentar simplesmente “se livrar” do comportamento, é importante compreender a função que a pornografia passou a ocupar na vida da pessoa. Muitas vezes, ela aparece como uma forma de aliviar angústia, solidão, ansiedade ou conflitos que permanecem sem elaboração.
Na perspectiva psicanalítica, a questão não é apenas controlar o acesso à pornografia, mas investigar o que se busca ali e o que esse ato tenta silenciar ou satisfazer. Quando se compreende a função do sintoma, torna-se possível construir outras formas de lidar com aquilo que o sustenta.
Estou à disposição.
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Contar números mentalmente faz mesmo descer as ondas cerebrais? Como acontece?? Mas aí contar de um
Contar números mentalmente faz mesmo descer as ondas cerebrais? Como acontece?? Mas aí contar de um número bem grande um números que leva vários minutos pra terminar? Isso faz mesmo diminuir ondas Rápidas e descer pra Alfa Profundo???
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Contar mentalmente pode, em algumas pessoas, funcionar como uma forma de desviar a atenção de pensamentos e estímulos que mantêm a mente em estado de alerta, favorecendo relaxamento. Mas não é correto afirmar que contar números, por si só, “baixa as ondas cerebrais” ou que contar por vários minutos necessariamente leva a um “alfa profundo”.
As ondas cerebrais não funcionam como uma espécie de botão que podemos controlar voluntariamente dessa maneira. O relaxamento pode modificar a atividade cerebral, inclusive aumentando a presença de ondas alfa em determinados estados, mas isso depende de vários fatores.
Talvez seja mais interessante compreender o que acontece com sua ansiedade e com seus pensamentos quando você utiliza a contagem como recurso — especialmente se ela funciona como uma tentativa de controlar aquilo que surge mentalmente.
Estou à disposição
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Sertralina pode estar relacionado ao ganho de peso ???? Mesmo fazendo mto exercício e dieta por aqui
Sertralina pode estar relacionado ao ganho de peso ???? Mesmo fazendo mto exercício e dieta por aqui
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim, a sertralina pode estar associada ao ganho de peso em algumas pessoas, embora isso não aconteça com todos. Mesmo com dieta e exercícios, o organismo pode responder de maneira diferente à medicação.
Mais importante do que atribuir imediatamente o ganho à sertralina é observar quando ele começou, como evoluiu e o que mudou nesse período. Se houver uma relação temporal clara, vale conversar com o médico que prescreveu a medicação para avaliar o caso. Não interrompa ou altere a dose por conta própria.
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Como trabalhar com uma criança de 3 anos a morte do pai que nunca conheceu, sendo que a partir dos 2
Como trabalhar com uma criança de 3 anos a morte do pai que nunca conheceu, sendo que a partir dos 2 anos tem como figura paterna o padastro.
Há uma idade adequada para para iniciar o assunto?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Não há uma idade específica para iniciar esse assunto. Aos 3 anos, a criança já pode ser incluída na verdade sobre sua história, desde que isso seja feito de maneira simples, concreta e compatível com sua capacidade de compreensão.
Mais do que explicar a morte, é importante oferecer um espaço para que ela possa construir, pouco a pouco, um lugar para essa ausência em sua história. O padrasto, por sua vez, não precisa ocupar o lugar de quem morreu para exercer uma função paterna significativa. Na infância, os vínculos se constituem sobretudo pela presença, pelo cuidado e pela possibilidade de a criança atribuir sentidos às suas relações.
O mais importante é que a verdade possa ser dita sem transformar a criança em depositária do sofrimento dos adultos.
Estou à disposição
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Tenho fobia social mais vivia normalmente,porém depois de um período em casa,pesquisei muito sobre f
Tenho fobia social mais vivia normalmente,porém depois de um período em casa,pesquisei muito sobre fobia e outros transtornos de ansiedade agora não consigo sair de casa sozinho,o excesso de pesquisa pode atrapalhar uma ansiedade já presente na nossa mente?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim, o excesso de pesquisas pode contribuir para intensificar uma ansiedade que já estava presente. Ao buscar constantemente explicações sobre sintomas e transtornos, podemos transformar a própria experiência em objeto de vigilância permanente, fazendo com que o sujeito passe a se observar e antecipar o perigo o tempo todo.
Pela psicanálise, entretanto, é importante não reduzir essa dificuldade a uma simples “fobia social”. O sintoma também pode estar expressando algo singular para você. A questão seria compreender o que esse medo de sair sozinho passou a significar e o que se modificou em sua relação com o mundo depois desse período em casa. É nesse sentido que a escuta analítica pode ajudar.
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Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estam
Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estamos juntos há quase 3 anos e, ultimamente, sinto que não tenho mais aquela animação ou aquela sensação gostosa que sentia antes. Isso tem me deixado muito ansiosa, porque eu não quero machucá-lo e também não quero terminar. Ao mesmo tempo, não me sinto desconfortável ou presa ao lado dele. Quando conversamos, muitas vezes é bom e consigo ficar conversando até tarde. Eu reconheço que ele é uma pessoa que me ama, cuida de mim, se preocupa comigo e demonstra isso muito pelas atitudes.
Tenho me perguntado se ainda o amo ou se estou confundindo amor com carência, rotina ou ansiedade. Quero entender meus sentimentos e, se for possível, quero recuperar o carinho e a conexão que sinto que perdi. Não quero fingir nem obrigar meus sentimentos, só queria entender o que está acontecendo comigo e saber se é possível voltar a sentir amor e entusiasmo pela pessoa que amo.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A dúvida sobre o amor muitas vezes não significa ausência de amor. Na perspectiva psicanalítica, é importante considerar que o desejo não permanece sempre com a mesma intensidade: a passagem da paixão inicial para uma relação mais estável pode trazer angústias e questionamentos sobre o que, de fato, sustenta o vínculo.
Talvez mais importante do que perguntar imediatamente “ainda o amo?” seja escutar o que essa dúvida está dizendo sobre você, sobre seu desejo e sobre a relação. O fato de ainda existir prazer na conversa, cuidado, proximidade e desejo de compreender o que aconteceu indica que há algo do vínculo que permanece vivo. A análise pode ajudar a diferenciar o que pertence à relação daquilo que pode estar relacionado às suas próprias expectativas, medos e conflitos diante do amor.
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Olá! Eu sou timida e sinto uma certa ansiedade social eu não sei se chega a ser o transtorno. Atualm
Olá!
Eu sou timida e sinto uma certa ansiedade social eu não sei se chega a ser o transtorno. Atualmente eu sou operadora de caixa e quando comecei foi bem difícil estava me sentindo muito ansiosa e travada foi muito difícil mesmo, eu cresci sendo muito timida eu quase não enteragia com as pessoas na escola sofria bullying o que me fez me fechar cada vez mais. Hoje depois de 6 meses nesse trabalho eu sei que estou bem melhor mesmo nas interações a ansiedade diminuiu, mas ainda sinto uma cobrança muito grande quando falam que sou séria, quieta e que não falo. Eu acredito que tenho falado o que quero falar, mas esses comentários me fazem duvidar da minha evolução. O que posso fazer para lidar com esses comentários? Eu sentir isso significa que não estou me curando? Me curando da ansiedade social eu vou parar de ouvir esses comentários e de ser quieta ou apenas aprender a conviver com eles?
Eu também tenho a sensação de não pertencimento
O que de fato é está se curando?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O que você relata mostra algo muito importante: apesar da ansiedade inicial, conseguiu permanecer no trabalho e, aos poucos, construir novas formas de se relacionar. Isso indica um movimento psíquico significativo, independentemente de ainda existirem momentos de desconforto. Pela perspectiva psicanalítica, a questão nem sempre é deixar de ser tímida ou passar a falar mais, mas compreender o lugar que essa timidez ocupa na sua história. Você menciona ter vivido bullying e ter se fechado para se proteger. Muitas vezes, formas de funcionamento que surgem como defesa continuam presentes mesmo quando o contexto já mudou, e é natural que levem tempo para serem ressignificadas. Os comentários de que você é "séria" ou "quieta" parecem tocar algo que vai além da situação atual: eles despertam dúvidas sobre quem você é e sobre o seu valor. Vale a pena perguntar: por que a opinião do outro ganha tanto peso? O que esses comentários fazem você sentir sobre si mesma? Essas questões costumam ser mais relevantes do que os comentários em si. "Curar-se" da ansiedade social não significa necessariamente tornar-se uma pessoa extrovertida ou deixar de receber esse tipo de observação. Também não significa que os outros deixarão de projetar expectativas sobre como alguém "deveria" ser. Em muitos casos, o processo terapêutico leva a uma relação mais livre com essas expectativas, permitindo que você seja mais fiel ao seu próprio modo de existir, sem que isso provoque tanto sofrimento. O sentimento de não pertencimento também merece ser escutado, pois frequentemente está relacionado às experiências precoces de exclusão e às marcas deixadas pelos vínculos importantes da vida. Em análise, esse sentimento pode ser compreendido em sua singularidade, em vez de apenas combatido. Seu relato sugere que houve evolução. O fato de ainda se incomodar com certos comentários não significa que você "não esteja se curando", mas pode indicar que ainda existem aspectos da sua história que pedem elaboração. O objetivo não é apagar quem você é, mas ampliar sua liberdade para viver de acordo com seus próprios desejos, e não apenas em resposta ao olhar do outro.
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Estou passando por um momento muito difícil,tenho depressão e pesquisei muito sobre crises de pânico
Estou passando por um momento muito difícil,tenho depressão e pesquisei muito sobre crises de pânico e fobia social,não estou conseguindo sair de casa sozinho mais,e não consigo fazer terapia online já comecei a tomar os medicamentos mais as pesquisas sobre os sintomas agravaram meu caso,está muito difícil pra mim,as pesquisas excessivas acabaram com meu psicológico, preciso sair dessa e voltar a ter uma vida normal,como reverter as ideias negativas lidas nas pesquisas?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O que você está descrevendo é um sofrimento muito intenso, e é compreensível que, nesse momento, tudo pareça confirmar seus medos. Na psicanálise, entendemos que as pesquisas excessivas sobre sintomas podem funcionar como uma tentativa de encontrar respostas e recuperar uma sensação de controle diante da angústia. No entanto, muitas vezes, quanto mais se busca, mais a angústia se alimenta, e as informações passam a ser interpretadas a partir do medo, reforçando um ciclo difícil de interromper.
As ideias negativas que surgem após essas leituras não são verdades sobre o seu futuro, mas expressam o estado de sofrimento em que você se encontra agora. O tratamento medicamentoso pode ajudar na redução dos sintomas, mas é importante que ele seja acompanhado de um espaço de escuta, onde seja possível compreender o que essa angústia está comunicando, para além dos sintomas.
Mesmo que, neste momento, a terapia online pareça difícil, converse com o profissional que o acompanha sobre essa limitação. Em alguns casos, é possível pensar em estratégias para iniciar o tratamento de forma gradual, respeitando o momento que você está vivendo.
Também pode ser útil reduzir, tanto quanto possível, as pesquisas sobre sintomas, pois elas tendem a manter o foco naquilo que aumenta a ansiedade, em vez de favorecer a elaboração do sofrimento.
Você não está condenado a permanecer assim. Com acompanhamento adequado, paciência e um tratamento contínuo, muitas pessoas conseguem retomar suas atividades e recuperar a qualidade de vida. Não hesite em manter contato com seu psiquiatra, especialmente se perceber uma piora dos sintomas, para que o tratamento possa ser reavaliado quando necessário.
Perguntas frequentes
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roacutan pode ser tomado juntamente com o litio, usado para tratamento da bipolaridade?
A associação entre isotretinoína (Roacutan) e lítio não deve ser feita sem…