Perguntas do paciente (110)

  • Dormir com a mão do t-rex significa algum transtorno? Ou algum problema?

    Dormir com a mão do t-rex significa algum transtorno? Ou algum problema?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Clarice Coelho

    Dormir com as mãos na chamada posição de “T-Rex” não caracteriza, por si só, qualquer transtorno. Na psicanálise, compreendemos que um comportamento isolado não permite estabelecer um diagnóstico. Um sintoma só adquire sentido quando considerado no contexto da história, da subjetividade e do modo de funcionamento de cada pessoa.

    Se essa postura é a única característica observada, não há motivo para concluir que exista um problema. Caso ela venha acompanhada de sofrimento, dificuldades significativas no desenvolvimento, na comunicação, nas relações ou em outras áreas da vida, uma avaliação clínica poderá esclarecer melhor o que está acontecendo, sempre considerando o sujeito em sua singularidade.


  • Tenho depressão e toda vez que estou passando por um momento difícil começo a pesquisar sobre sintom

    Tenho depressão e toda vez que estou passando por um momento difícil começo a pesquisar sobre sintomas de doenças,dessa vez foi sobre fobia social,já tinha dificuldade de ter interações sociais mais depois que comecei a pesquisar começei a dar crises quando saio de casa,daí me isolei, começei a tomar escitalopram mais ainda não deu resultados,ainda tenho medo de ter crises se eu for sair de casa, pesquisar sintomas atrapalha no meu tratamento?
    A terapia pode me ajudar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Clarice Coelho

    É compreensível que, em momentos de maior sofrimento, você tente encontrar uma explicação para o que está sentindo. Pesquisar sintomas pode trazer um alívio momentâneo, mas também pode aumentar a ansiedade, fazer com que você fique mais atento a cada sensação do corpo e fortalecer o medo de que algo grave esteja acontecendo. Assim, em vez de tranquilizar, a busca constante pode acabar mantendo o ciclo de angústia.

    Sob uma perspectiva psicanalítica, mais importante do que encontrar um rótulo para os sintomas é compreender o que eles expressam na sua história e no momento de vida que está atravessando. As crises ao sair de casa e o isolamento podem ser formas pelas quais o sofrimento psíquico se manifesta, e isso merece ser escutado com cuidado, sem reduzir a experiência apenas a um diagnóstico.

    O escitalopram costuma levar algumas semanas para apresentar seus efeitos completos, por isso é importante manter o acompanhamento com o médico que o prescreveu e não interromper o tratamento por conta própria.

    Sim, a psicoterapia pode ajudar muito. Ela oferece um espaço para compreender o significado dos sintomas, elaborar os conflitos que podem estar relacionados a eles e desenvolver novas formas de lidar com a ansiedade e o sofrimento. Frequentemente, a combinação entre acompanhamento médico e psicoterapia proporciona melhores resultados do que qualquer um dos tratamentos isoladamente.

    Se as crises estiverem intensas ou impedindo você de realizar atividades importantes do dia a dia, procure seu médico para reavaliar o tratamento. Com o cuidado adequado, é possível reduzir o sofrimento e recuperar gradualmente a confiança para retomar sua rotina.


  • Tenho muita dificuldade com foco, especialmente depois da pandemia. Até leitura, que era um dos meus

    Tenho muita dificuldade com foco, especialmente depois da pandemia. Até leitura, que era um dos meus maiores prazeres quando mais novo, agora parece mais um fardo do que qualquer outra coisa, mesmo tentando muito. Como lidar com isso? Como não me render a vontade de 'instagramar' e ser mais produtivo? Sinto que tem atrapalhado muito minha vida acadêmica.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Clarice Coelho

    Sua preocupação faz sentido, especialmente quando percebemos que algo que antes era fonte de prazer, como a leitura, passou a exigir tanto esforço. Na psicanálise, mais do que buscar "forçar" o foco, procuramos compreender o que mudou na relação da pessoa com seu desejo, seu tempo e suas exigências internas.
    O excesso de estímulos, como as redes sociais, pode intensificar a dispersão, mas muitas vezes ele também funciona como uma resposta a conflitos ou desconfortos que nem sempre percebemos conscientemente. Por isso, em vez de atribuir tudo à falta de produtividade, é importante investigar o significado desse sofrimento.
    Buscar acompanhamento psicológico pode ajudá-lo a entender essas mudanças e a encontrar formas mais consistentes de recuperar sua capacidade de se concentrar, sem transformar isso em mais uma cobrança sobre si mesmo.


  • A 2 meses eu venho tendo lapsos de memória, não consigo me concentrar nas coisas, não consigo racion

    A 2 meses eu venho tendo lapsos de memória, não consigo me concentrar nas coisas, não consigo racionar direito e tô tendo muita ansiedade, não consigo conversar mais com as pessoas e também não sinto vontade, sinto que as pessoas não me querem por perto e que me odeiam, na escola eu só consigo chorar pelo jeito que eu estou porque tá afetando o meu relacionamento, eu não consigo conversar mais com o meu namorado, sinto que ele vai me deixar a qualquer momento e começo a ter muita ansiedade, e não tô conversando muito com ele mais por causa disso, eu me sinto vazia, não consigo achar graça de memes, entender vídeos, ter opinião própria, eu sinto que só estou vegetando, sinto que me perdi de mim mesma, e coisas que eu sabia antes eu esqueci, não consigo nem fazer contas fáceis de cabeça mais, e só sinto vontade de ficar deitada na minha cama pra sempre, choro o tempo todo, e tô muito sensível também, qualquer coisa que me falam eu choro, e não consigo mais discutir com ninguém, não tenho energia pra isso, só aceito tudo. Quero saber oque eu posso ter, eu posso estar com depressão?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Clarice Coelho

    Você descreve um sofrimento intenso, que merece ser acolhido e levado a sério. Pela psicanálise, mais do que buscar um diagnóstico apenas pelos sintomas, é importante compreender o que esse vazio, a angústia, o choro frequente e o medo de ser abandonada estão expressando da sua história e da sua forma de viver os vínculos.
    Ao mesmo tempo, sintomas como tristeza persistente, perda de interesse, dificuldade de concentração, alterações de memória, falta de energia e vontade de permanecer deitada podem, sim, estar presentes em um quadro de depressão, muitas vezes associado à ansiedade. No entanto, essa avaliação precisa ser feita por um profissional.
    Buscar ajuda psicológica e, se necessário, uma avaliação psiquiátrica é um passo importante. Você não precisa enfrentar tudo isso sozinha. Com um espaço de escuta e um tratamento adequado, é possível compreender o que está acontecendo e encontrar caminhos para recuperar seu bem-estar


  • Tenho 20 anos e meu namorado mora cerca de 40 km de mim. Normalmente só conseguimos nos ver nos fins

    Tenho 20 anos e meu namorado mora cerca de 40 km de mim. Normalmente só conseguimos nos ver nos fins de semana. Nos últimos dias passamos quatro dias seguidos juntos: viajamos, cozinhamos, dormimos juntos e aproveitamos muito a companhia um do outro. Foi uma experiência muito especial, porque pudemos viver um pouco da rotina como casal.

    Hoje precisei voltar para casa e, desde que cheguei, estou com uma sensação de vazio e uma vontade de chorar. Não aconteceu nenhuma briga, não existe nenhum problema entre nós e também não tenho problemas em casa nem estou infeliz com a minha família. Pelo contrário, gosto muito de estar em casa e tenho uma boa convivência com a minha família.

    As despedidas dos fins de semana normalmente já me deixam um pouco tristinha e com saudade, mas a despedida de hoje foi diferente. Depois desses quatro dias juntos, senti uma tristeza muito maior, um vazio que eu não esperava sentir. Não é medo de perder o relacionamento, nem insegurança. É simplesmente uma saudade muito intensa da companhia dele. Sinto falta de dividir a rotina, acordar juntos, cozinhar, conversar e terminar o dia ao lado dele.

    Isso é normal? É comum sentir essa tristeza tão forte depois de passar vários dias tão felizes com a pessoa que amo, mesmo sabendo que nosso relacionamento está bem?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Clarice Coelho

    Sim, isso pode ser uma experiência bastante comum. Pela psicanálise, quando vivemos momentos de grande proximidade com alguém importante, a separação pode despertar um sentimento de falta. Essa tristeza não significa, necessariamente, que exista um problema no relacionamento ou que haja dependência emocional; muitas vezes, ela apenas revela o quanto aquele vínculo é significativo para você.
    Pelo que você descreve, vocês compartilharam uma experiência de convivência muito intensa e prazerosa. Ao retornar para a rotina, é natural que exista um período de adaptação, em que a ausência da presença cotidiana do outro seja sentida com mais força. Essa sensação costuma diminuir conforme você retoma suas atividades e seu ritmo habitual.
    Vale a pena observar apenas se essa tristeza é passageira ou se passa a dominar seus dias, impedindo você de estudar, trabalhar, conviver com outras pessoas ou sentir prazer em outras áreas da vida. Se for algo que persiste ou causa sofrimento importante, conversar com um psicólogo pode ajudar a compreender melhor o significado dessa experiência.

    Sentir saudade de quem amamos não é um sinal de fraqueza; muitas vezes, é justamente a expressão do valor que aquele encontro teve para nós.


  • Olá, tudo bem? Como sei se estou fazendo "transferência" pra minha psicóloga, ou gostando e tenso in

    Olá, tudo bem?
    Como sei se estou fazendo "transferência" pra minha psicóloga, ou gostando e tenso interesse amoroso/sexual por ela mesmo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Clarice Coelho

    Olá! Essa é uma dúvida muito comum e muito importante. Na psicanálise, a transferência é justamente o fenômeno em que sentimentos, expectativas e formas de se relacionar, construídos ao longo da vida, passam a se dirigir ao analista. Isso pode incluir admiração, amor, raiva, desejo, ciúmes ou necessidade de aprovação.
    Por isso, não é possível diferenciar apenas pela intensidade do que você sente se é “transferência” ou um interesse amoroso. Muitas vezes, o próprio interesse amoroso faz parte da transferência e é um material valioso para o processo analítico.
    Em vez de perguntar “o que eu sinto por ela é real?”, pode ser mais útil perguntar: o que esse sentimento revela sobre mim, sobre minha forma de amar, de desejar e de me vincular às pessoas? É justamente esse o trabalho da análise.
    Se você se sente à vontade, vale a pena levar esse tema para a sessão. Um psicólogo está preparado para acolher esse tipo de relato sem julgamento, e falar sobre esses sentimentos costuma enriquecer o processo terapêutico. A forma como eles surgem, se transformam e são compreendidos ao longo da análise costuma ser mais importante do que classificá-los desde o início como “amor” ou “transferência”.


  • Olá, sou jovem e não sei lidar com minha própria cabeça, quando estou com meu namorado estou bem, ma

    Olá, sou jovem e não sei lidar com minha própria cabeça, quando estou com meu namorado estou bem, mas quando tentamos algo mais íntimo, meus traumas tomam conta e eu choro e fico com medo(fui abusada com 5 anos e com 11 anos). Eu não sei o que fazer, sóbria eu fico mal, bêbada eu fico pior, pois eu tenho crises de pânico e vejo meus abusadores e começo a ter memórias dos abusos, não quero que meu namorado tenha uma namorada defeituosa. O que eu faço?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Clarice Coelho

    O que você descreve é uma consequência possível de experiências extremamente dolorosas, e não significa que haja algo de “defeituoso” em você. Situações de abuso podem deixar marcas que se manifestam justamente nos momentos de maior intimidade e confiança.
    A psicoterapia pode ajudá-la a elaborar esses traumas, compreender o que acontece com você e, aos poucos, reduzir esse sofrimento. Também é importante evitar o uso de álcool como tentativa de lidar com essas emoções, pois ele pode intensificar as lembranças e as crises de pânico.
    Você não precisa enfrentar isso sozinha. Buscar ajuda psicológica e, se necessário, também uma avaliação psiquiátrica pode ser um passo importante para que você recupere a sensação de segurança e bem-estar.


  • Bom... Eu sempre senti a necessidade de me conectar a alguém num nível mais íntimo. Eu lembro de sen

    Bom... Eu sempre senti a necessidade de me conectar a alguém num nível mais íntimo. Eu lembro de sentir este desejo já nos meus 11/12 anos de idade. Desde então venho tentando lidar com o fato de nunca ter me relacionado com alguém profundamente e isso me deixa bastante triste às vezes. Não quero soar fútil, mas é algo que tem me trazido angústia genuína e não tenho sabido lidar com isso. Estou ficando preocupado pois tenho 25 e, como adulto, eu já deveria ter a resposta pra isso. Sei que tenho que focar em mim mesmo e me amar antes de qualquer coisa, contudo... Eu me sinto vulnerável e gostaria de estar num relacionamento que me proporcipnasse a experiência de partilha de vida. Eu já vivi alguns um tanto quanto superficiais e, em nenhum deles, senti que era a pessoa certa. Eu ainda estou buscando contruir uma carreira, estabilidade, felicidade... Mas será que eu tenho que esperar que minha vida fique estável para enfim procurar alguém? Eu deveria procurar por uma pessoa? Quando serei feliz? Estas coisas passam pela minha cabeça e eu não sei como lidar com todas elas.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Clarice Coelho

    O desejo de construir um vínculo profundo faz parte da experiência humana e não há nada de fútil nisso. Pela psicanálise, mais do que encontrar respostas prontas sobre “quando” ou “como” isso acontecerá, é importante compreender o lugar que esse desejo ocupa na sua história e quais expectativas o acompanham.

    Não existe uma idade certa para viver um relacionamento significativo, nem é preciso esperar que a vida esteja completamente estável para se permitir conhecer alguém. Ao mesmo tempo, é interessante que a busca por um relacionamento não se transforme na única condição para ser feliz.

    Se essa angústia tem sido frequente, a psicoterapia pode ajudá-lo a compreender melhor seus desejos, a forma como estabelece vínculos e o que tem dificultado que essas relações aconteçam da maneira que você espera. Muitas vezes, entender a si mesmo abre espaço para relações mais autênticas e satisfatórias.


  • Como eu sei que estou rejeitando o bebê na barriga? Ou somente não aceitei a ideia de ter um bebê ?

    Como eu sei que estou rejeitando o bebê na barriga? Ou somente não aceitei a ideia de ter um bebê ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Clarice Coelho

    Essa é uma dúvida compreensível, especialmente porque a gestação costuma despertar sentimentos muito diferentes entre si. Pela psicanálise, nem sempre aceitar a ideia da gravidez acontece de forma imediata. É possível amar um filho e, ao mesmo tempo, sentir medo, ambivalência, insegurança ou até dificuldade em imaginar essa nova realidade.
    Sentir que ainda não conseguiu se conectar com a gravidez não significa, por si só, que você esteja rejeitando o bebê. O vínculo entre mãe e filho pode ser construído aos poucos, respeitando o tempo e a singularidade de cada mulher.
    Se esses sentimentos causam sofrimento ou persistem de forma intensa, conversar com um psicólogo pode oferecer um espaço seguro para compreender o que essa gestação representa para você e elaborar as emoções que ela desperta, sem culpa ou julgamentos.


  • Porque a depressão está sempre na espreita pra nós pegar de novo, após acontecimentos ruins?

    Porque a depressão está sempre na espreita pra nós pegar de novo, após acontecimentos ruins?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Clarice Coelho

    Para quem já viveu um episódio de depressão, acontecimentos difíceis podem despertar o receio de que ela retorne. Isso não significa que a depressão esteja “sempre à espreita”, mas que momentos de perdas, estresse ou mudanças importantes podem reativar formas de sofrimento que já foram vividas.

    Pela psicanálise, cada pessoa atribui um significado próprio às experiências dolorosas, e compreender esses sentidos pode ajudar a elaborar o sofrimento, em vez de apenas temer seu retorno. Também é importante lembrar que tristeza diante de situações difíceis é uma reação humana e não é, necessariamente, uma nova depressão.

    Caso você perceba que os sintomas persistem, se intensificam ou começam a comprometer sua rotina, buscar acompanhamento psicológico e, quando indicado, psiquiátrico é fundamental. Um tratamento adequado pode reduzir significativamente o risco de recaídas e favorecer uma relação mais saudável com os momentos difíceis da vida.


  • Passei um inferno em um antigo trabalho por 3 anos e minha mãe não acreditou no que eu disse dizendo

    Passei um inferno em um antigo trabalho por 3 anos e minha mãe não acreditou no que eu disse dizendo que eu tinha mania de perseguição, que estava exagerando, etc. Fiquei tão mal que no trabalho quase desmaiei e tive problemas de estômago. Saí dele recentemente e ainda tenho sentimento de abandono e traição e concluo com isso que a maioria das pessoas não prestam e são falsas. Como lidar com o sentimento de abandono e traição vindo da mãe?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Clarice Coelho

    O que parece ter sido mais doloroso não foi apenas a experiência vivida no trabalho, mas também a sensação de não ter sido acolhido e acreditado por alguém de quem você esperava compreensão. Quando nos sentimos invalidados por uma figura importante, podem surgir sentimentos profundos de abandono, traição e dificuldade em confiar nas pessoas.

    Pela psicanálise, essas experiências merecem ser compreendidas em sua singularidade, pois a forma como vivenciamos uma decepção pode influenciar nossa maneira de perceber os vínculos atuais. A ideia de que “ninguém presta” pode ser uma tentativa de proteger-se de novas frustrações, embora também possa gerar mais isolamento e sofrimento.

    A psicoterapia pode ajudá-lo a elaborar essa vivência, ressignificar essa ferida e construir relações em que seja possível confiar novamente, sem desconsiderar a dor que você experimentou.


  • Sou muito impulsivo, sou viciado em livro/curso e isso tem atrapalhado meu trabalho pois nao consigo

    Sou muito impulsivo, sou viciado em livro/curso e isso tem atrapalhado meu trabalho pois nao consigo ficar o tempo necessario trsbalhando, sempre me distraio com conteúdos/perfeccionismo. A TCC ou psicoterapia podem me ajudar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Clarice Coelho

    Sim. Tanto a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) quanto a psicoterapia de orientação psicanalítica podem ajudar, embora por caminhos diferentes.

    A TCC costuma focar na identificação e modificação de padrões de pensamento e comportamento que mantêm a procrastinação, o perfeccionismo e a impulsividade. Já a psicanálise busca compreender os significados inconscientes desses comportamentos, investigando por que a necessidade de aprender, acumular conteúdos ou buscar a perfeição pode estar ocupando um lugar tão importante na sua vida.

    Independentemente da abordagem, o fato de esse padrão estar prejudicando seu trabalho indica que vale a pena buscar ajuda. Um processo psicoterapêutico pode favorecer uma relação mais saudável com o conhecimento, reduzir o sofrimento e ajudá-lo a encontrar formas mais equilibradas de lidar com suas demandas e objetivos.


  • Repetir uma pequena frase ou uma palavra por algumas dezenas de minutos tem mesmo efeito relaxamento

    Repetir uma pequena frase ou uma palavra por algumas dezenas de minutos tem mesmo efeito relaxamento e calmante na mente e faz alterar as ondas cerebrais rápidas para as mais lentas?
    Mas pode ser verbalmente? Ou funciona melhor se for Mentalmente



    Muito obrigado psicólogos do Doctoralia tomara que me respondam

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Clarice Coelho

    Repetir uma palavra ou uma frase de forma contínua, como ocorre em algumas práticas meditativas, pode favorecer um estado de maior relaxamento e diminuir a agitação mental em algumas pessoas. Esse efeito parece estar mais relacionado ao foco da atenção e à redução de distrações do que à repetição em si.

    Do ponto de vista psicológico, não há evidências de que repetir uma palavra, verbalmente ou mentalmente, produza necessariamente mudanças específicas nas ondas cerebrais em todas as pessoas. Algumas podem perceber benefícios, enquanto outras não.

    Se o objetivo é reduzir a ansiedade ou o estresse, essa pode ser uma estratégia útil, desde que faça sentido para você. Caso o sofrimento seja frequente ou intenso, a psicoterapia pode ajudá-lo a compreender suas causas e desenvolver formas mais amplas e duradouras de lidar com elas.


  • Tenho muita dificuldade em concentração no trabalho, agitação, pensamento acelerado. O que posso faz

    Tenho muita dificuldade em concentração no trabalho, agitação, pensamento acelerado. O que posso fazer nessa situação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Clarice Coelho

    Dificuldades de concentração, agitação e pensamentos acelerados podem estar relacionadas a diferentes fatores, como estresse, ansiedade, sobrecarga emocional ou outras condições que merecem uma avaliação cuidadosa. Por isso, é importante evitar conclusões precipitadas apenas com esses sintomas.
    Na psicanálise, procuramos compreender o que esses sinais podem estar expressando na história e na experiência singular de cada pessoa. Muitas vezes, aquilo que parece ser apenas um problema de atenção pode estar ligado a conflitos internos, preocupações constantes ou exigências excessivas consigo mesmo.
    Buscar uma avaliação com um profissional de saúde mental é um passo importante para compreender a origem desses sintomas e definir a melhor forma de cuidado. Se eles estiverem causando prejuízos significativos no trabalho ou em outras áreas da vida, não adie essa procura. A psicoterapia pode oferecer um espaço para elaborar essas questões e favorecer uma relação mais saudável com seus pensamentos, emoções e rotina.
    Estou à disposição


  • Tenho 19 anos e, há cerca de 1 mês e meio, comecei a ter episódios diários (cerca de 4–5 vezes por d

    Tenho 19 anos e, há cerca de 1 mês e meio, comecei a ter episódios diários (cerca de 4–5 vezes por dia) em que surgem “flashes” muito rápidos e involuntários de tragédias, acidentes, assassinatos ou mortes envolvendo pessoas ao meu redor ou, às vezes, eu mesmo. Eles aparecem do nada, em qualquer lugar (rua, trabalho, casa), duram apenas alguns segundos e, enquanto acontecem, fico totalmente focado neles, como se estivesse vendo mentalmente a cena. Só percebo que foi um pensamento depois que acaba. Às vezes paro o que estou fazendo e, em algumas situações, acabo conferindo ou fazendo algo simples para evitar que aquilo possa acontecer (por exemplo, trancar a porta antes de dormir), porque fico com a sensação de “e se acontecer?”.

    Além disso, quando eu era criança (menos de 10 anos), tive episódios em que, acordado, via uma “bola gigante”, via espinhos na parede e sentia uma sensação muito estranha de estar preso ou pressionado, como se meu corpo estivesse sem espaço. Às vezes eu levantava desesperado, andava em círculos e chamava minha mãe porque aquilo parecia muito real. Esses episódios desapareceram. Por volta dos 12–14 anos, passei por uma fase em que tinha uma sensação constante de que seria morto ou assassinado a qualquer momento. Isso também passou. Há cerca de 6 meses, a sensação de pressão e a “bola gigante” voltaram 1 a 3 vezes e desapareceram novamente.

    Recentemente também tive um sonho extremamente realista em que levei um tiro na região do pescoço/cabeça, caí no chão, minha visão ficou muito prejudicada (como um clarão), tentei pedir socorro e acordei muito assustado.

    Gostaria de saber que tipo de condição ou investigação poderia explicar esse conjunto de sintomas e qual profissional seria o mais indicado para avaliar esse caso.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Clarice Coelho

    Antes de tudo, é importante dizer que, pelo seu relato, seria inadequado oferecer um diagnóstico apenas por este meio. Os sintomas que você descreve são complexos, tiveram manifestações em diferentes momentos da vida e merecem uma avaliação clínica presencial e cuidadosa.
    Os pensamentos de conteúdo violento e catastrófico que surgem de forma involuntária, o desconforto que provocam e a necessidade de realizar algumas verificações para aliviar a angústia podem estar presentes em diferentes condições psicológicas e psiquiátricas. Da mesma forma, as experiências perceptivas que você relata, tanto na infância quanto em episódios mais recentes, também precisam ser compreendidas dentro do contexto da sua história e, se necessário, investigadas do ponto de vista médico.
    Como psicanalista, considero fundamental compreender não apenas os sintomas, mas o modo como eles se inserem na sua história de vida, nas suas vivências emocionais e nos conflitos que possam estar em jogo. A psicoterapia pode oferecer um espaço seguro para explorar essas experiências, reduzindo o sofrimento e favorecendo uma compreensão mais profunda do que está acontecendo.
    Buscar ajuda agora é um passo importante para que você receba uma avaliação completa e o tratamento mais adequado às suas necessidades
    Estou à disposição


  • Olá. Tenho TOC diagnosticado e uma dúvida que tem me causado muito sofrimento. Há alguns anos comet

    Olá. Tenho TOC diagnosticado e uma dúvida que tem me causado muito sofrimento.

    Há alguns anos cometi uma infidelidade com uma pessoa do meu passado. Meu companheiro me perdoou e seguimos juntos, mas eu nunca consegui me perdoar.

    Recentemente imaginei como minha vida poderia ter sido se eu tivesse ficado com essa pessoa. Foi apenas um pensamento hipotético, e logo pensei que sou feliz no meu relacionamento atual. Mesmo assim, senti uma culpa muito intensa, como se esse pensamento significasse que fiz algo errado novamente.

    Esse tipo de pensamento pode ser uma manifestação do TOC ou pode indicar que ainda tenho algum sentimento por essa pessoa? Como lidar com essa culpa?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Clarice Coelho

    Não é possível concluir, apenas por esse relato, se esse pensamento está relacionado ao TOC ou se expressa algum conflito emocional que mereça ser melhor compreendido. Pensamentos hipotéticos fazem parte da experiência humana e, por si só, não significam um desejo, uma intenção ou uma decisão.
    Do ponto de vista psicanalítico, também é importante considerar que a culpa pela infidelidade passada pode permanecer atuante e fazer com que determinados pensamentos adquiram um significado muito maior do que realmente têm. Mais do que buscar uma resposta definitiva sobre "o que esse pensamento significa", o trabalho terapêutico consiste em compreender por que ele desperta tanta angústia e qual lugar essa culpa ocupa na sua história.
    Se você já faz acompanhamento para o TOC, leve essa questão ao seu terapeuta e, se necessário, ao psiquiatra. Explorar esse tema em um espaço clínico pode ajudá-la a diferenciar um pensamento intrusivo de um desejo genuíno e, principalmente, a construir uma relação menos punitiva consigo mesma. Não é o aparecimento de um pensamento isolado que define seus sentimentos ou o valor do seu relacionamento.
    Estou à disposição


  • Olá, estou em uso de Sertralina 50mg há 22 dias. Neste período já noto melhora significativa na ansi

    Olá, estou em uso de Sertralina 50mg há 22 dias. Neste período já noto melhora significativa na ansiedade, nunca mais tive as crises. Porém, estou me sentindo "muito tranquila", o que me causa até certa estranheza. Comentei com a psiquiatra que acompanha meu tratamento e a mesma afirmou que isso é comum e o organismo tende a acostumar, com o passar das semanas está é a nova sensação que será presente, a de bem-estar. Comentei o mesmo com minha psicóloga e ela aponta que isto é comum e justamente o bjetivo da medicação e que essa nova sensação de tranquilidade deve ser trabalhada em terapia, para que eu aprenda a lidar com ela e finalmente "descansar a cabeça" e que esta estranheza é comum pois vivi muitos anos com TAG e devo me readequar a este novo funcionamento. Ao mesmo tempo, quando paro, acabo me sentindo agoniada, pois parece que "não sou eu" e acabo me sentindo triste com isto.
    Com o andar do tratamento, a tendência é que esta sensação seja comum e "meu novo normal"?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Clarice Coelho

    Você descreve uma experiência que muitas pessoas relatam no início do tratamento para o transtorno de ansiedade generalizada. Após viver por muito tempo em um estado de alerta constante, a redução da ansiedade pode causar uma sensação de estranheza, como se algo estivesse "diferente". Isso, por si só, não significa que você tenha deixado de ser quem é.
    Pelo seu relato, sua psiquiatra e sua psicóloga já ofereceram uma explicação compatível com o que costuma ocorrer nesse período de adaptação. Ainda assim, é importante manter esse acompanhamento, pois a resposta à medicação é individual e precisa ser avaliada ao longo das próximas semanas.
    Do ponto de vista da psicanálise, além dos efeitos da medicação, vale a pena explorar o significado dessa sensação de "não ser eu". Muitas vezes, quando a ansiedade deixa de ocupar um lugar central, a pessoa precisa se familiarizar com uma forma diferente de estar no mundo e consigo mesma. Esse processo pode despertar dúvidas, estranhamento e até tristeza, especialmente quando a ansiedade esteve presente por muitos anos.
    Se essa sensação persistir, aumentar ou vier acompanhada de apatia intensa, perda de prazer ou outros sintomas que lhe causem preocupação, converse novamente com sua psiquiatra. O acompanhamento conjunto entre psicoterapia e psiquiatria é a melhor forma de distinguir uma adaptação esperada de algo que exija ajustes no tratamento. O objetivo não é que você se sinta "outra pessoa", mas que possa viver com menos sofrimento e mais liberdade, reconhecendo essa nova forma de funcionamento como algo que faça sentido para você.


  • Sou mulher, 45 anos e sem experiência sexual com alguém. Recorro a porno eventualmente (fico meses s

    Sou mulher, 45 anos e sem experiência sexual com alguém.
    Recorro a porno eventualmente (fico meses sem acessar, não tenho vontade).
    Em 2015 me deparei com vídeos mais bizarros, como de zoo por exemplo e parei ali mesmo. Mas isso desencadeou uma crise enorme em mim.
    Na época procurei ajuda com um terapeuta sexual, mas depois que relatei o que estou dizendo aqui, a primeira pergunta dele foi: Ninguém nunca quis transar com você?! Não voltei mais.
    Desde 2021 sou acompanhada por uma psiquiatra, diagnosticada com depressão e ansiedade.
    Minha libido é baixa, mas semana passada, por tédio, resolvi ver alguma coisa e me deparei novamente com algo bizarro. Se fiquei 5min foi muito, perdi a vontade na hora e desde então estou muito mal.
    Me sinto culpada, suja, angustiada. Como uma viciada com recaída depois de 11 anos.
    Sei que preciso de terapia, mas podem me dar uma luz, por favor?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Clarice Coelho

    Você descreve um sofrimento intenso e isso merece ser acolhido com respeito. O fato de ter encontrado esse tipo de conteúdo e ter interrompido a visualização porque ele lhe causou repulsa é diferente de sentir desejo ou prazer por esse material. A culpa que você relata parece ser muito maior do que o próprio episódio.
    Pela sua história, é possível que esse acontecimento tenha reativado uma ansiedade importante. Além disso, a experiência negativa que teve ao procurar ajuda anteriormente pode ter dificultado ainda mais a busca por um espaço terapêutico seguro. Nenhum paciente deve ser recebido com julgamento ou comentários que aumentem seu sofrimento.
    Na perspectiva psicanalítica, mais do que o conteúdo específico do vídeo, seria importante compreender por que esse episódio adquiriu um significado tão devastador para você. Sentimentos de culpa, vergonha e medo de que um pensamento ou uma experiência definam quem somos podem estar relacionados a conflitos emocionais que merecem ser elaborados em um processo terapêutico.
    Você já está em acompanhamento psiquiátrico, o que é um aspecto positivo. Considero que a psicoterapia pode ajudá-la a compreender essas vivências e a desenvolver uma relação menos punitiva consigo mesma. Se essa angústia permanecer muito intensa ou vier acompanhada de pensamentos obsessivos, converse também com sua psiquiatra, pois essas informações podem ser importantes para a condução do tratamento.
    O mais importante é que um episódio isolado, que lhe provocou sofrimento e rejeição, não define quem você é nem seus valores. Ele merece ser compreendido dentro da sua história, e não como um rótulo sobre a sua identidade.
    Estou à disposição.


  • Minha filha de 7 anos, tem um panico absurdo mesmo, de ficar travada gritando quando ve um cachorro,

    Minha filha de 7 anos, tem um panico absurdo mesmo, de ficar travada gritando quando ve um cachorro, um pombo, um gato, etc....Qual especialista devo procurar?
    Muito obrigado

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Clarice Coelho

    O medo faz parte do desenvolvimento infantil, mas quando se torna tão intenso a ponto de provocar crises de pânico, paralisar a criança e limitar sua rotina, merece uma avaliação cuidadosa.

    Um psicólogo ou psicanalista com experiência em infância pode ajudar a compreender o que esse medo representa para essa criança. Na psicanálise, mais do que focar apenas no sintoma, busca-se investigar o sentido que ele adquire em sua história e na forma como ela vivencia suas angústias. Muitas vezes, o objeto temido (como cães, gatos ou pombos) é apenas a manifestação visível de um sofrimento que precisa ser simbolizado.

    Também é importante uma avaliação pediátrica para descartar condições clínicas e, se houver suspeita de um transtorno de ansiedade mais amplo ou necessidade de avaliação medicamentosa, um psiquiatra infantil pode ser indicado.

    Quanto mais precocemente a criança for acolhida e compreendida, maiores são as chances de que esse sofrimento seja elaborado, evitando que o medo se expanda para outras situações da vida.


  • Há 4 anos conheci uma garota, não chegamos a namorar, mas nunca esqueci ela, errei com ela, penso ne

    Há 4 anos conheci uma garota, não chegamos a namorar, mas nunca esqueci ela, errei com ela, penso nela todo dia, até cheguei a namorar outra pessoa depois, mas nunca me senti feliz com o meu relacionamento recente

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Clarice Coelho

    O que você descreve pode ser muito doloroso. Às vezes, a dificuldade não está apenas em esquecer uma pessoa, mas em elaborar o que essa relação representou e o que ficou em aberto. Na psicanálise, entendemos que nem sempre permanecemos ligados ao outro pelo que ele foi, mas também pelo que ele passou a representar em nossa vida e pelos sentimentos que essa história despertou.

    O fato de você pensar nela diariamente, mesmo após um novo relacionamento, não significa necessariamente que ela seja “o amor da sua vida”. Pode indicar que existe um luto, uma culpa pelos erros cometidos ou um desejo que não encontrou um fechamento. Quando isso acontece, a lembrança tende a permanecer viva e pode dificultar o investimento em novos vínculos.

    Uma psicoterapia pode ajudá-lo a compreender por que essa relação continua ocupando um lugar tão importante na sua vida e o que impede que essa história seja elaborada. Independentemente de um reencontro ser possível ou não, entender o significado dessa experiência pode permitir que você siga em frente de forma mais livre e construa relações mais satisfatórias.
    Estou à disposição


Perguntas frequentes

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