Perguntas do paciente (522)

  • Fui diagnosticada com crise de ansiedade, e tenho medo de ficar doente/passar mal, e fico nervosa qu

    Fui diagnosticada com crise de ansiedade, e tenho medo de ficar doente/passar mal, e fico nervosa quando falam de alguma doença, achando que posso ter essa condição.
    Este medo esta relacionado com a ansiedade?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    Sim, esse tipo de medo costuma estar bastante relacionado à ansiedade. O que você descreve se aproxima de um padrão em que o foco da ansiedade se volta para a saúde, fazendo com que qualquer informação sobre doenças seja interpretada como uma possível ameaça pessoal. Não é que você realmente esteja doente, mas o seu sistema de alerta fica mais sensível e começa a “procurar sinais”.

    Quando alguém fala de uma doença e você automaticamente pensa “e se eu tiver isso?”, o cérebro entra em um modo de vigilância. Ele pode começar a escanear o corpo em busca de sintomas, aumentar a atenção para qualquer sensação e gerar interpretações mais catastróficas. Isso alimenta o nervosismo e pode até provocar sensações físicas que reforçam ainda mais a preocupação.

    É importante perceber que isso não acontece por falta de lógica ou informação. Muitas vezes, a pessoa sabe racionalmente que a probabilidade é baixa, mas ainda assim sente medo. Isso ocorre porque a ansiedade não responde apenas à razão, mas à forma como o cérebro interpreta risco e perigo.

    Talvez valha observar com curiosidade: quando você escuta sobre uma doença, qual é o primeiro pensamento que surge? Você costuma pesquisar sintomas ou checar o corpo com frequência? E quando você tenta se tranquilizar, esse alívio dura ou a dúvida volta pouco tempo depois?

    Esse tipo de ansiedade tem tratamento e costuma melhorar bastante com acompanhamento psicológico, ajudando a reduzir esse ciclo de medo, checagem e preocupação. Em alguns casos, o suporte psiquiátrico também pode ser considerado.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Eu me sinto suficiente para mim, mas eu SEI que eu não sou o suficiente para outras pessoas próximas

    Eu me sinto suficiente para mim, mas eu SEI que eu não sou o suficiente para outras pessoas próximas (pais e namorado). Como lidar com isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá… o que você trouxe é bem delicado, porque existe uma divisão interna aí: uma parte sua diz “eu sou suficiente para mim”, enquanto outra parece olhar para fora e concluir “para os outros, não”. E viver com essas duas vozes ao mesmo tempo costuma gerar um desgaste silencioso, como se você estivesse sempre se avaliando através de um padrão que não é totalmente seu.

    Fico curioso sobre uma coisa… quando você diz que “sabe” que não é suficiente para seus pais e para o seu namorado, de onde vem essa certeza? É algo que foi dito diretamente, ou é uma interpretação construída a partir de sinais, atitudes, expectativas? Porque, muitas vezes, o cérebro tenta preencher lacunas com conclusões que parecem verdades absolutas, mas que são, na prática, leituras emocionais.

    Também pode existir aqui um padrão mais profundo, ligado à forma como você aprendeu a se perceber nas relações. Em algumas histórias, a sensação de não ser suficiente não nasce na vida adulta — ela vai sendo construída ao longo do tempo, especialmente quando há cobranças, comparações ou falta de validação. E aí, mesmo quando a pessoa desenvolve uma boa relação consigo, essa “lente” continua ativa quando entra em vínculo com alguém importante. Você percebe se essa sensação muda dependendo de quem está com você, ou ela aparece sempre que existe proximidade emocional?

    Tem outro ponto importante: ser “suficiente” para alguém é uma ideia que pode ser muito exigente. Porque suficiente para quê, exatamente? Para nunca errar, para corresponder a todas as expectativas, para manter o outro satisfeito o tempo todo? Quando essa régua é alta demais, ela se torna impossível de alcançar — e a pessoa acaba vivendo em um estado constante de ajuste, como se estivesse sempre um pouco aquém.

    Talvez o caminho não seja provar que você é suficiente, mas questionar esse critério. O que, dentro de você, ainda busca validação externa para se sentir segura? E o quanto essa busca pode estar te afastando daquilo que você já reconhece como verdadeiro — que você é suficiente para si?

    Essas sensações costumam ter raízes mais profundas e, quando exploradas em um processo terapêutico, vão se reorganizando de forma mais consistente. Você não precisa resolver isso só na força do pensamento. Se fizer sentido, podemos aprofundar essa compreensão juntos.


  • Estou em um relacionamento, ele me pediu em namoro diversas vezes, mas eu falei que queria um pedido

    Estou em um relacionamento, ele me pediu em namoro diversas vezes, mas eu falei que queria um pedido especial, com aliança e tal, o pedido que eu mencionei nunca aconteceu, porém eu e ele consideramos que estamos em um namoro, trocamos presente de dia dos namorados, ele é uma pessoa que posta bastante coisa em redes sociais mas nunca postou nada de nós dois, já cobrei ele mas não adiantou, já tentei terminar por causa disso, mas sinto que tenho uma dependencia emocional pois ele me trata muito bem e sinto muita atração fisica com ele, mas tenho receio desse não postar dele, de ele ter algum rolo e não querer que a pessoa saiba, quando eu tentei terminar, ele me implorou pra não terminar e me deu um perfume de presente

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem? O que parece estar te machucando não é apenas o fato dele não postar vocês, mas a sensação de não se sentir plenamente assumida ou validada dentro da relação. E isso faz bastante diferença emocionalmente, principalmente quando a pessoa é ativa nas redes sociais e compartilha outras partes da vida normalmente.

    Uma coisa importante aqui é separar duas perguntas diferentes: “ele necessariamente está escondendo algo?” e “por que isso mexe tanto comigo?”. Porque as duas coisas podem existir separadamente. Existem pessoas que realmente preferem não expor relacionamentos, mas também existem casos em que a ausência de reconhecimento público gera insegurança legítima no parceiro, principalmente quando já houve conversa clara sobre isso e nada muda.

    Também me chama atenção algo: você descreveu um relacionamento que, na prática, funciona como namoro… mas sem aquele marco simbólico que era importante para você. Parece que uma parte sua ainda sente que o relacionamento nunca foi totalmente oficializado do jeito que precisava emocionalmente. E talvez a questão das redes sociais esteja funcionando como continuação dessa sensação de “estamos juntos, mas até que ponto isso está claro de verdade?”.

    Outro ponto delicado é que você parece viver um conflito entre o que sente e o que teme. Você reconhece que ele te trata bem, existe atração, vínculo emocional e dificuldade de terminar. Mas, ao mesmo tempo, existe uma insegurança constante sendo ativada. E quando você tentou terminar, ele respondeu com muito medo da perda e um presente. Isso pode até demonstrar afeto real, mas não necessariamente resolve a questão central que continua te incomodando.

    Talvez a pergunta mais importante não seja apenas “ele está escondendo algo?”, mas: o que exatamente você precisa para se sentir segura e reconhecida dentro de um relacionamento? Porque, às vezes, o problema não é a foto em si — é o significado emocional que ela representa.

    Também vale observar uma coisa: quando a pessoa começa a aceitar repetidamente algo que a machuca porque tem medo de perder a relação, realmente pode surgir uma dinâmica de dependência emocional. Não porque o sentimento seja falso, mas porque o medo da perda começa a pesar mais do que a própria tranquilidade emocional.

    Você não parece confusa apenas sobre redes sociais. Parece estar tentando entender se está em uma relação onde se sente verdadeiramente escolhida e assumida emocionalmente.

    E isso merece ser conversado de forma muito honesta, não apenas resolvido com presentes depois de uma crise.

    Se fizer sentido, podemos explorar isso juntas.


  • Olá. Fui diagnosticado com depressão. Faço tratamento com medicamento, porém não consigo sair de cas

    Olá. Fui diagnosticado com depressão. Faço tratamento com medicamento, porém não consigo sair de casa. Minha dúvida é se a depressão faz a pessoa ficar confinada em casa?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    Sim, a depressão pode, em muitos casos, levar a um isolamento progressivo. Não é simplesmente “falta de vontade de sair”, mas uma combinação de desânimo intenso, perda de energia, redução do prazer nas atividades e, às vezes, ansiedade associada. A pessoa começa a evitar sair porque tudo parece exigir um esforço enorme, e o mundo externo pode parecer pesado demais.

    Além disso, quando o humor está rebaixado por um período prolongado, é comum surgir um ciclo em que a pessoa sai menos, recebe menos estímulo positivo e, consequentemente, sente menos motivação para tentar novamente. O confinamento acaba funcionando como uma tentativa de proteção, mas a longo prazo pode manter ou intensificar os sintomas.

    Como você já está em tratamento medicamentoso, é importante observar se houve alguma melhora parcial ou se os sintomas permanecem muito intensos. Você evita sair por falta de energia, por medo de interagir ou por sensação de não ver sentido nas coisas? Quando pensa em sair, o que passa pela sua cabeça? Existe alguma atividade mínima que ainda consiga fazer, mesmo que com dificuldade?

    Vale conversar abertamente com o psiquiatra sobre essa limitação específica e considerar fortemente o acompanhamento psicológico, se ainda não estiver fazendo. A medicação ajuda a estabilizar o humor, mas o trabalho terapêutico auxilia na reconstrução gradual da rotina e da motivação. A depressão pode levar ao isolamento, mas ele não precisa se tornar definitivo quando há acompanhamento adequado.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Descobri que tenho dependência emocional, e para reverter isso, estou buscando meios de acabar com essa dependência.

    Descobri que tenho dependência emocional, e para reverter isso, estou buscando meios de acabar com essa dependência. Eu coloco lógica, por um momento passa, mas depois volta, só que com uma espécie de dor inconsciente. Para não desgastar meu relacionamento, como lido com essa dor involuntária? E melhor, acabo com essa dependência de uma forma saudável?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Oi, tudo bem? O que você descreve é bem característico de quando a gente tenta resolver algo profundamente emocional apenas pela via da lógica. A parte racional até entende, organiza, coloca limites… e por um momento parece funcionar. Mas existe uma outra camada, mais silenciosa, que não responde a argumentos. Essa “dor inconsciente” que você sente não é falta de esforço — é um sinal de que existe um vínculo emocional que ainda não foi reorganizado.

    Dependência emocional, muitas vezes, não é sobre o outro em si, mas sobre o que o outro representa internamente. Pode ser sensação de segurança, validação, medo de abandono… e quando isso é ativado, o corpo reage como se algo importante estivesse em risco. É como se o seu sistema emocional dissesse “eu preciso disso para ficar bem”, mesmo quando você sabe, racionalmente, que não deveria depender dessa forma. Você consegue perceber em quais momentos essa dor aparece com mais força? É quando há distância, silêncio, dúvida sobre o relacionamento?

    Um ponto importante aqui é que tentar “eliminar” essa dependência de forma direta costuma gerar mais tensão. Porque, no fundo, essa parte sua não quer ser cortada — ela quer ser compreendida. Talvez o caminho seja começar a mudar a relação com essa dor, em vez de lutar contra ela. Quando ela surge, o que você costuma fazer? Tenta afastar, distrair, controlar? E o que acontece se, por alguns instantes, você apenas observa essa sensação, sem agir imediatamente?

    Também vale olhar para o quanto você consegue se sustentar emocionalmente fora da relação. Não no sentido de se afastar do parceiro, mas de reconstruir espaços internos e externos que não dependam exclusivamente dele. Porque a dependência tende a diminuir não quando você “para de sentir”, mas quando seu mundo interno fica mais amplo.

    E tem algo importante: você já está fazendo um movimento consciente de não desgastar o relacionamento. Isso mostra responsabilidade emocional. Mas talvez a pergunta mais profunda seja outra: como você pode cuidar dessa parte sua sem precisar que o outro seja a única fonte de alívio?

    Esse processo não é rápido, mas é possível e costuma trazer uma sensação de liberdade muito maior com o tempo. Se fizer sentido, podemos ir aprofundando isso juntos.


  • Tem como saber o que desencadeia uma crise de ansiedade? E porque ela acontece em momentos de descon

    Tem como saber o que desencadeia uma crise de ansiedade? E porque ela acontece em momentos de descontração, como um passeio? Ou então, ao sair, como passo bastante tempo em home office.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem? Dá uma estranheza grande mesmo quando a ansiedade aparece justamente em momentos que deveriam ser leves, como um passeio. Parece incoerente… mas, olhando com mais cuidado, o corpo nem sempre responde ao que está acontecendo agora — ele responde ao que interpreta como sinal de alerta, mesmo que isso não seja consciente.

    Uma crise de ansiedade costuma ser o resultado de um conjunto de fatores: pensamentos, sensações físicas, contexto e até memória emocional. Nem sempre existe um “gatilho único” claro. Às vezes é uma combinação sutil que o cérebro associa a perigo. E aí entra um ponto importante: quando você sai de um ambiente mais controlado, como o home office, para um ambiente externo, com mais estímulos, menos previsibilidade e mais exposição, o seu sistema pode interpretar isso como algo que precisa ser monitorado. Você percebe se essas crises vêm acompanhadas de pensamentos do tipo “e se eu passar mal aqui?”, “e se eu perder o controle?”?

    Também existe um fenômeno curioso: quando a pessoa passa muito tempo em um ambiente mais previsível, o corpo se acostuma com esse nível de controle. Quando há uma mudança, mesmo que seja para algo agradável, o sistema pode reagir com um certo estranhamento. É como se dissesse “isso está diferente, preciso ficar atento”. E essa vigilância pode evoluir para uma crise.

    Outro ponto é que, em momentos de descontração, a mente tende a relaxar o controle consciente. E, paradoxalmente, é aí que algumas sensações internas ficam mais perceptíveis. O corpo começa a ser sentido com mais intensidade, e se já existe uma sensibilidade à ansiedade, isso pode ser interpretado como algo perigoso. Já aconteceu de você perceber primeiro uma sensação física e depois o pensamento vir em cima dela?

    Talvez o mais importante não seja tentar encontrar um único motivo, mas começar a observar padrões. Em que situações isso aparece, o que você estava pensando antes, como o corpo começou a reagir. Esse tipo de compreensão vai tirando a ansiedade do lugar de “imprevisível” e trazendo mais clareza.

    E tem algo essencial: essas crises não surgem do nada, mas também não significam que há um perigo real acontecendo. São respostas do sistema emocional que podem ser compreendidas e reguladas com o tempo, especialmente em um processo terapêutico.

    Se fizer sentido, podemos explorar isso com mais profundidade.


  • É normal ficar nervoso e ficar com vontade de chorar quando alguém briga ou reclama com você? Ou tam

    É normal ficar nervoso e ficar com vontade de chorar quando alguém briga ou reclama com você? Ou também quando vê uma briga?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Oi, tudo bem? Essa reação que você descreve costuma acontecer com mais pessoas do que parece, especialmente quando o corpo interpreta conflito como algo ameaçador. Não é só “ficar nervoso”… é como se o seu sistema emocional entrasse rapidamente em alerta, e o choro viesse como uma forma de descarga dessa tensão.

    Em muitos casos, isso tem relação com a forma como aprendemos a lidar com conflito ao longo da vida. Para algumas pessoas, uma discussão é apenas um desacordo. Para outras, o cérebro reage como se aquilo pudesse trazer rejeição, humilhação ou perda de vínculo. É como se, por dentro, uma parte sua dissesse “isso não é seguro”. E aí o corpo responde antes mesmo de você conseguir organizar o que está sentindo. Você percebe se essa reação aparece mais quando alguém levanta o tom com você especificamente, ou também quando vê brigas entre outras pessoas?

    O choro, nesse contexto, não é fraqueza. Ele pode estar ligado a uma mistura de emoções, como medo, frustração, sensação de injustiça ou até dificuldade de se posicionar naquele momento. Às vezes, a pessoa quer falar, se defender, se explicar… mas o corpo não acompanha, e a emoção transborda primeiro. E depois vem aquela sensação de “por que eu reagi assim?”. Isso acontece com você?

    Também vale pensar no significado que você dá a essas situações. Quando alguém reclama ou briga, o que passa pela sua cabeça? Surge algo como “eu fiz algo errado”, “vão se afastar de mim”, “não vou dar conta”? Esses pensamentos, muitas vezes automáticos, intensificam a resposta emocional.

    Talvez o ponto não seja eliminar essa reação, mas entender o que ela está tentando proteger dentro de você. Porque, quando você começa a reconhecer isso, aos poucos vai ganhando mais espaço interno para reagir de outras formas, sem precisar se sobrecarregar tanto.

    Se sentir que isso te atrapalha nas relações ou te deixa muito desconfortável, trabalhar isso em terapia pode ajudar bastante. Esses temas merecem cuidado — se quiser, podemos explorar isso com mais profundidade.


  • O que pode ser quando a pessoa é multitarefa e o pensamento não fica parado em nenhum momento (excet

    O que pode ser quando a pessoa é multitarefa e o pensamento não fica parado em nenhum momento (exceto quando estou dormindo)? Por exemplo, eu mal acordo de manhã e já estou pensando em pelo menos umas 3 coisas diferentes contra a minha vontade. Além disso, raramente consigo fazer 1 coisa de cada vez, porque me desconcentro rápido.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Oi, tudo bem? O que você descreve parece menos “multitarefa” no sentido produtivo e mais um estado de mente acelerada, como se vários pensamentos surgissem ao mesmo tempo sem você escolher. Isso costuma dar a sensação de pouca pausa interna, de estar sempre “ligado”, e pode dificultar bastante a concentração em uma coisa de cada vez.

    Em muitos casos, esse padrão está relacionado a ansiedade ou a um funcionamento atencional mais disperso. O cérebro fica tentando acompanhar vários estímulos ao mesmo tempo, como se tudo fosse importante, e acaba não se fixando em nada por muito tempo. É como ter várias abas abertas ao mesmo tempo — nenhuma está completamente em foco. Você percebe se isso vem acompanhado de inquietação, urgência ou sensação de precisar dar conta de tudo?

    Também pode ter relação com a forma como a sua atenção funciona. Algumas pessoas têm mais dificuldade de sustentar o foco em tarefas menos estimulantes, e aí a mente “busca” outras coisas automaticamente. Isso pode lembrar características do TDAH, por exemplo, mas não dá para concluir só por esse relato. O que ajuda a diferenciar é entender desde quando isso acontece e o impacto no seu dia a dia. Sempre foi assim ou isso aumentou em algum período específico?

    Outro ponto importante é o quanto você tenta controlar esses pensamentos. Porque, muitas vezes, quanto mais a gente tenta “parar de pensar”, mais a mente acelera. Já percebe se, quando você tenta focar à força, acaba ficando ainda mais disperso?

    Talvez o mais útil agora não seja encontrar um rótulo imediato, mas entender como esse padrão está te afetando. Isso te impede de finalizar tarefas, te deixa cansado, gera frustração? Porque é a partir desse impacto que o cuidado se direciona.

    Um acompanhamento psicológico pode ajudar bastante a organizar esse funcionamento, e, se houver indicação, uma avaliação mais específica pode ser feita para entender melhor seu perfil atencional. Esses temas têm bastante nuance — se fizer sentido, podemos explorar isso juntos.


  • Minha namorada se sente inferior, como se ela não fosse "boa o suficiente" pra estar comigo. Ela diz

    Minha namorada se sente inferior, como se ela não fosse "boa o suficiente" pra estar comigo. Ela diz que se sente me privando de um relacionamento bom, e que estou acorrentado a ela, que é "doente"
    Já tentei dizer pra ela começar acompanhamento psicológico mas ela diz que isso não vai resolver e que esse pensamento não vai mudar.
    O que eu posso fazer pra resolver essa situação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    O que você descreve nela aponta para um padrão de autocrítica muito intenso, onde a pessoa não só se sente “menos”, mas passa a interpretar o relacionamento como um peso para o outro. Isso não costuma mudar apenas com lógica ou com você dizendo que ela é suficiente, porque o problema não está na falta de informação… está na forma como ela se percebe internamente.

    É importante você entender um limite aqui: você pode apoiar, acolher e mostrar outra perspectiva, mas não consegue “convencê-la” a mudar essa visão sozinha. Quando ela diz que é “doente” ou que está te prendendo, isso pode estar ligado a crenças mais profundas de desvalor, que fazem com que qualquer evidência positiva seja desconsiderada. Por isso, mesmo você demonstrando cuidado, isso não é absorvido da forma esperada.

    Talvez valha observar com mais precisão: quando você valida ela, o que acontece depois, ela aceita por um momento ou rapidamente volta a se desvalorizar? E como você se sente dentro dessa dinâmica, mais próximo ou mais sobrecarregado? Porque, aos poucos, você pode acabar ocupando um lugar de “provar o valor dela”, o que tende a desgastar o relacionamento.

    Sobre a terapia, o que você pode fazer não é forçar, mas mudar a forma como aborda. Em vez de tentar convencê-la de que “vai resolver”, pode ser mais útil trazer como uma forma de entender o que ela sente e aliviar esse sofrimento. Ainda assim, a decisão precisa partir dela. Sem esse movimento, a tendência é que o padrão continue.

    No seu lugar, uma pergunta importante seria: até onde você consegue sustentar essa relação sem que isso comece a te afetar emocionalmente? Porque ajudar alguém não pode significar se perder no processo.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Olá Quase sempre tenho a sensação de que no meu trabalho estão sempre falando de mim, ou quando a

    Olá

    Quase sempre tenho a sensação de que no meu trabalho estão sempre falando de mim, ou quando acontece algo, meu nome vai estar envolvido.
    As vezes tenho sonhos que fui demitido e voltei a trabalhar no meu antigo emprego, ou que fui demitido.
    Como lidar com isso?
    Essa sensação de que sempre é sobre mim ou eu fiz algo de errado.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem? O que você descreve costuma ser muito angustiante, porque não fica só no pensamento — vira uma sensação constante de estar sendo observado, avaliado ou prestes a errar. E aí, mesmo quando não há evidência clara, o corpo reage como se aquilo fosse real. Em termos de funcionamento do cérebro, é como se o sistema de alerta estivesse mais sensível, tentando antecipar possíveis críticas ou problemas.

    Essa ideia de que “sempre estão falando de mim” ou de que algo vai acabar sendo sua responsabilidade pode estar ligada a um padrão de autovigilância muito elevado. A mente começa a buscar sinais que confirmem essa hipótese, e qualquer situação ambígua acaba sendo interpretada nessa direção. Já percebeu se você tende a lembrar mais das situações em que algo deu errado do que das vezes em que tudo ocorreu bem e ninguém comentou nada?

    Os sonhos que você mencionou também entram nessa lógica. Eles parecem refletir uma preocupação interna com desempenho, segurança no trabalho e talvez medo de não corresponder às expectativas. Não significa que isso vá acontecer, mas mostra o quanto esse tema está ativo dentro de você. Quando você acorda desses sonhos, a sensação fica no corpo ao longo do dia?

    Também vale explorar o que essa possibilidade representa emocionalmente. O que significaria para você ser criticado ou demitido? É mais medo de errar, de ser julgado, de decepcionar alguém, ou de perder estabilidade? Porque, muitas vezes, o pensamento “estão falando de mim” é uma forma que a mente encontra de expressar um medo mais profundo.

    Ao mesmo tempo, é importante diferenciar uma preocupação ansiosa de uma certeza. Quando esse tipo de pensamento aparece, você consegue questionar minimamente ou ele vem como algo muito convincente? Se essas ideias estiverem muito frequentes, intensas ou começando a afetar seu bem-estar e funcionamento, pode ser importante olhar com mais cuidado em um acompanhamento psicológico e, se necessário, também com um psiquiatra.

    Talvez o caminho não seja tentar eliminar esses pensamentos de imediato, mas entender o que está sustentando esse estado de alerta constante. Porque, quando isso começa a fazer sentido, o peso tende a diminuir.

    Se fizer sentido, podemos aprofundar isso juntos.


  • Fui diagnosticada con transtorno de ansiedade,fiz hemograma completo e deu tudo ok.mas alguns sintom

    Fui diagnosticada con transtorno de ansiedade,fiz hemograma completo e deu tudo ok.mas alguns sintomas fisicos continuam.fadiga,palidez,nauseas pode ser relamente sintomas ligados a ansiedade

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Oi, tudo bem? O que você está descrevendo pode, sim, estar relacionado à ansiedade. Quando os exames físicos estão normais e ainda assim o corpo apresenta sintomas como fadiga, náusea e sensação de mal-estar, muitas vezes estamos diante de uma resposta do sistema emocional que se manifesta fisicamente.

    A ansiedade não fica só “na mente”. Ela ativa o corpo inteiro. O sistema digestivo pode ficar mais sensível, gerando náuseas; o nível de energia pode oscilar, causando fadiga; e a circulação pode mudar, dando essa sensação de palidez ou fraqueza. É como se o organismo estivesse constantemente em estado de alerta, mesmo sem um perigo real naquele momento. Você percebe se esses sintomas aparecem mais em períodos de preocupação ou tensão?

    Também tem um ponto importante: quando esses sinais físicos surgem, é comum a mente começar a monitorar mais o corpo. E quanto mais atenção você dá, mais intensas as sensações podem parecer. Isso não significa que você está imaginando — o sintoma é real — mas ele pode estar sendo mantido por esse ciclo entre corpo e pensamento.

    Ao mesmo tempo, é sempre válido manter um olhar atento. Se os sintomas mudarem de padrão, aumentarem ou vierem acompanhados de algo novo, vale reavaliar com um médico. Mas, pelo que você trouxe, a ligação com a ansiedade faz bastante sentido.

    Talvez o mais importante agora não seja apenas confirmar a origem, mas entender como você pode ajudar o seu corpo a sair desse estado de alerta constante. Porque, quando isso começa a se regular, os sintomas físicos tendem a diminuir também.

    Esses sinais não surgem do nada — eles estão comunicando algo. Se fizer sentido, podemos explorar isso com mais calma.


  • Sentimento de dependência emocional, não aceitar um término e ter o sentimento de que sem o outro nã

    Sentimento de dependência emocional, não aceitar um término e ter o sentimento de que sem o outro não será feliz, forte crise de ansiedade. Existe tratamento?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Oi, tudo bem? O que você descreve é muito mais comum do que parece, mas isso não diminui o quanto dói. Quando existe dependência emocional, o término não é vivido só como o fim de uma relação, mas como a perda de uma base interna de segurança. É como se uma parte de você ficasse sem referência, e aí vem essa sensação de que “sem o outro não vou ser feliz”.

    Esse tipo de vínculo costuma se formar quando o relacionamento passa a ocupar um lugar muito central na regulação emocional. Aos poucos, o cérebro aprende que é ali que encontra alívio, validação, sentido. E quando isso se rompe, ele reage com ansiedade intensa, quase como um “sistema de abstinência”. Já percebe se, nos momentos de crise, o que mais aparece é saudade da pessoa ou uma sensação de vazio e desamparo?

    Não aceitar o término também faz parte desse processo. A mente tenta encontrar caminhos para reverter, entender, negociar… como se ainda fosse possível restaurar aquilo que dava segurança. Mas, muitas vezes, isso prolonga o sofrimento. Fico pensando… o quanto você sente que precisa do outro especificamente… e o quanto sente falta do que você era quando estava nessa relação?

    Sobre tratamento, sim, existe e costuma ajudar bastante. A terapia trabalha justamente essa reconstrução interna, ajudando você a desenvolver uma base emocional mais estável, que não dependa exclusivamente do outro. Em alguns casos, quando a ansiedade está muito intensa, o acompanhamento psiquiátrico também pode ser um suporte importante no início.

    Talvez o ponto mais importante aqui não seja “deixar de sentir” rapidamente, mas começar a entender o que esse vínculo representava e como você pode, aos poucos, se reconectar consigo mesmo. Porque a sensação de que só o outro pode te fazer feliz é muito poderosa… mas não é definitiva.

    Esse tipo de dor tem caminho de saída, mesmo que agora pareça difícil enxergar. Se fizer sentido, podemos explorar isso juntos.


  • Os energéticos pode piorar ansiedade, síndrome de pânico e ataques de pânico ?

    Os energéticos pode piorar ansiedade, síndrome de pânico e ataques de pânico ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    Sim, os energéticos podem piorar ansiedade, síndrome do pânico e ataques de pânico. Isso acontece principalmente por causa da cafeína e de outros estimulantes presentes nessas bebidas, que aumentam a ativação do sistema nervoso. Na prática, eles aceleram o coração, aumentam a respiração e deixam o corpo em estado de alerta, justamente sensações muito parecidas com as de uma crise de ansiedade.

    O ponto delicado é que o cérebro pode interpretar esses sinais físicos como perigo. Então, o que começa como um efeito do energético pode ser entendido como início de uma crise, o que aumenta ainda mais a ansiedade e pode até desencadear um ataque de pânico. Para quem já tem esse tipo de sensibilidade, o impacto costuma ser mais intenso.

    Outro detalhe importante é que, mesmo quando você não percebe imediatamente, o consumo frequente pode manter o corpo em um nível mais alto de ativação ao longo do dia, dificultando o relaxamento e até o sono, o que também contribui para a manutenção da ansiedade.

    Talvez valha observar: depois de consumir energético, você percebe aumento de palpitação, inquietação ou pensamentos acelerados? Existe relação entre o consumo e momentos de maior ansiedade? E ao reduzir ou evitar, você nota alguma diferença no seu corpo?

    Em muitos casos, apenas diminuir ou evitar esse tipo de bebida já traz uma melhora significativa nos sintomas. Não resolve tudo, mas reduz um fator que pode estar alimentando o ciclo.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Oi! Existe uma quantidade mínima de sessões para o psicólogo(a) entender o problema e começar o trat

    Oi! Existe uma quantidade mínima de sessões para o psicólogo(a) entender o problema e começar o tratamento para caso de ansiedade social ??

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Oi, tudo bem? Essa dúvida é bem comum, principalmente quando a pessoa quer saber “em quanto tempo isso começa a funcionar”. E a resposta mais honesta é que não existe um número mínimo fixo de sessões que sirva para todo mundo, porque cada história chega com uma complexidade diferente.

    Geralmente, nas primeiras sessões, o foco está em compreender o seu funcionamento: como a ansiedade social aparece, em quais situações, o que você pensa nesses momentos, como o seu corpo reage e quais estratégias você já usa para lidar. Esse processo não é só “coleta de informações”… ele já começa a organizar o problema de um jeito que muitas pessoas nunca tinham parado para olhar. Em alguns casos, isso acontece em poucas sessões, em outros leva um pouco mais.

    Em abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental, por exemplo, é comum que o trabalho comece relativamente cedo, mesmo enquanto essa compreensão ainda está sendo construída. Não é preciso esperar um diagnóstico fechado para iniciar mudanças. O tratamento e o entendimento caminham juntos. Mas me conta uma coisa: o que você imagina que seria “começar o tratamento”? É receber orientações práticas, entender melhor o que você sente, ou já se expor a situações sociais de forma diferente?

    Também vale considerar que a ansiedade social não é só o comportamento de evitar situações. Muitas vezes envolve crenças profundas sobre avaliação, medo de julgamento, sensação de inadequação. E acessar isso com cuidado faz diferença para que o processo não seja só superficial. Por isso, a qualidade do vínculo com o profissional costuma ser tão importante quanto a técnica em si.

    Talvez o mais útil não seja pensar em um número exato de sessões, mas observar se, ao longo das primeiras semanas, você começa a se sentir compreendido e se algo dentro de você começa a fazer mais sentido. Isso costuma ser um bom sinal de que o processo está caminhando.

    Esses temas levam um pouco de tempo para se reorganizar, mas quando o trabalho é consistente, os resultados tendem a ser bem sólidos. Se fizer sentido, podemos conversar mais sobre isso.


  • Gostaria de saber se é possível curar traumas ou crenças com a terapia? Estou 1 mês mau por acredita

    Gostaria de saber se é possível curar traumas ou crenças com a terapia? Estou 1 mês mau por acreditar em ideias que eu não sei se são reais, difícil de tirar da mente.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Oi, tudo bem? Dá pra sentir o quanto isso está te consumindo… não é só uma dúvida intelectual, é como se essas ideias tivessem “grudado” na sua mente e voltassem o tempo todo, mesmo quando você tenta afastar. E isso cansa, gera insegurança e até uma sensação de perder o controle sobre os próprios pensamentos.

    Sobre a sua pergunta, sim, a terapia pode ajudar muito nesse tipo de situação. Talvez não no sentido de “apagar” completamente um trauma ou uma crença, como se nunca tivesse existido, mas de transformar a forma como isso vive dentro de você. É como se aquilo deixasse de comandar suas emoções e suas reações. O cérebro, quando aprende algo com carga emocional forte, tende a repetir, revisar, tentar “resolver”… e às vezes entra em um ciclo onde pensar mais não traz alívio, só mantém a dúvida ativa.

    Essas ideias que você mencionou… elas vêm como certezas absolutas ou como dúvidas que você sente que precisa resolver? Porque existe uma diferença importante aí. Em alguns casos, a mente fica tentando buscar uma resposta definitiva para algo que não se resolve apenas com lógica, e isso pode manter o ciclo de sofrimento. Quando você tenta “tirar da mente”, o que acontece? Elas voltam mais fortes?

    Também vale olhar para o que essas ideias despertam em você. É medo, culpa, sensação de perigo, de estar errado? Porque, muitas vezes, o problema não é só o pensamento em si, mas o significado emocional que ele carrega. E a terapia trabalha justamente nisso: não só no conteúdo do pensamento, mas na forma como você se relaciona com ele.

    Um mês pode parecer muito quando você está vivendo isso intensamente, mas, ao mesmo tempo, mostra que ainda está em um processo recente e ativo. Isso costuma responder bem ao acompanhamento adequado. Em alguns casos, dependendo da intensidade, uma avaliação com psiquiatra também pode ser útil para te dar mais estabilidade enquanto você trabalha isso na terapia.

    Talvez o caminho não seja “lutar para tirar essas ideias”, mas começar a entender por que elas estão tão presentes agora e como você pode não ficar refém delas. Esses temas têm bastante profundidade, mas também têm caminho. Se fizer sentido, podemos explorar isso juntos.


  • Olá. Não sinto prazer em fazer absolutamente nada na vida. Nada me causa prazer. Não sinto motivação

    Olá. Não sinto prazer em fazer absolutamente nada na vida. Nada me causa prazer. Não sinto motivação para nada. A melhor parte do meu dia é quando vou dormir (apesar de ter dificuldade de pegar no sono devido a ansiedade) e a pior parte é justamente quando acordo. Isso seria um possível quadro depressivo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    O que você descreve merece atenção cuidadosa. Essa sensação de não sentir prazer em nada, falta de motivação e a ideia de que o melhor momento do dia é quando ele “acaba” ao dormir são sinais que podem estar associados a um quadro depressivo, especialmente quando se mantêm por um período e impactam sua rotina.

    É importante diferenciar que não é apenas tristeza. O que você relata parece mais próximo de um esvaziamento, como se as coisas tivessem perdido o significado ou a capacidade de gerar interesse. Somado à ansiedade e à dificuldade para dormir, isso sugere que o seu sistema emocional pode estar sobrecarregado em mais de uma frente.

    Ao mesmo tempo, não é possível fechar um diagnóstico apenas por esses relatos. O mais importante aqui é reconhecer que isso não precisa ser enfrentado sozinho e que existem caminhos de cuidado. Psicoterapia costuma ajudar bastante a entender o que está por trás dessa perda de prazer e a reconstruir, aos poucos, o contato com experiências que façam sentido novamente. Em alguns casos, a avaliação com psiquiatra também pode ser importante para dar suporte inicial.

    Talvez valha observar com honestidade: isso tem sido constante ou varia ao longo dos dias? Existe alguma atividade, mesmo pequena, que ainda gera um mínimo de interesse? E quando você pensa no futuro, o que mais aparece, vazio, cansaço ou desesperança?

    Esse tipo de estado pode dar a impressão de que nada vai mudar, mas ele costuma responder bem quando é cuidado de forma adequada. O fato de você estar questionando já é um passo importante.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Oii, tenho ansiedade e venho tendo muitos pensamentos intrusivos que me deixam desconfortáveis, como

    Oii, tenho ansiedade e venho tendo muitos pensamentos intrusivos que me deixam desconfortáveis, como eu posso lidar com eles???

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Oi, tudo bem? Esses pensamentos intrusivos costumam assustar bastante mesmo, principalmente porque aparecem sem convite e muitas vezes vão contra o que a pessoa acredita ou deseja. E aí surge aquela sensação de “por que estou pensando isso?” ou até medo de que o pensamento diga algo sobre quem você é. Mas, na prática, esses pensamentos têm muito mais relação com ansiedade do que com intenção.

    Quando o cérebro está mais ansioso, ele entra em um modo de vigilância, como se estivesse tentando antecipar riscos o tempo todo. Nesse estado, ele pode produzir pensamentos estranhos, exagerados ou desconfortáveis. O ponto é que quanto mais você tenta expulsar ou lutar contra esses pensamentos, mais força eles parecem ganhar. Já percebeu isso? Como se quanto mais você diz “não posso pensar nisso”, mais aquilo volta?

    Talvez um caminho diferente seja mudar a relação com o pensamento, e não o conteúdo dele. Em vez de tratar como algo perigoso ou verdadeiro, começar a observar como um evento mental que surgiu. Algo como “minha mente produziu esse pensamento agora”. Parece simples, mas isso ajuda a diminuir o impacto emocional. Porque o problema, muitas vezes, não é o pensamento em si, mas o quanto ele é levado a sério.

    Também vale olhar para o que esses pensamentos despertam em você. É medo, culpa, sensação de perda de controle? Porque isso pode estar alimentando o ciclo. Quando eles aparecem, você tenta neutralizar, se distrair, checar algo? Essas estratégias aliviam na hora, mas podem manter o padrão a longo prazo.

    Esses pensamentos não definem quem você é. Eles dizem mais sobre um sistema ansioso tentando controlar o incontrolável. E isso pode ser trabalhado de forma bem eficaz em terapia, especialmente com abordagens que ajudam a desenvolver mais flexibilidade diante dos próprios pensamentos.

    Talvez o primeiro passo não seja eliminar esses pensamentos, mas perceber que você pode não precisar obedecer a eles. Se fizer sentido, podemos aprofundar isso juntos.


  • o uso excessivo de aparelhos eletrônicos pode causar depressão ou sintomas depressivos?

    o uso excessivo de aparelhos eletrônicos pode causar depressão ou sintomas depressivos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem? Essa é uma dúvida muito pertinente hoje em dia, e a resposta pede um pouco de cuidado. O uso de aparelhos eletrônicos, por si só, não “causa” depressão de forma direta, como se fosse uma relação simples de causa e efeito. Mas ele pode, sim, influenciar bastante o seu estado emocional, dependendo de como, quanto e para que você utiliza esses dispositivos.

    Por exemplo, quando o uso é muito frequente e ocupa grande parte do tempo, pode acabar substituindo atividades que ajudam a regular o humor, como sono de qualidade, interação social mais profunda, movimento corporal e momentos de descanso real. Além disso, conteúdos rápidos e altamente estimulantes podem “treinar” o cérebro a buscar recompensas imediatas, e atividades mais simples do dia a dia passam a parecer menos interessantes. Você percebe se, depois de muito tempo nas telas, as outras coisas ficam mais sem graça?

    Outro ponto importante é o tipo de conteúdo consumido. Redes sociais, por exemplo, podem ativar comparações, sensação de inadequação ou até sobrecarga de informação. Em algumas pessoas, isso vai alimentando um estado mais ansioso ou desanimado. Mas também vale considerar o contrário: às vezes, a pessoa já está mais triste ou desmotivada e passa a usar mais as telas como forma de escape. E aí fica difícil saber o que veio primeiro, porque um acaba reforçando o outro.

    Tem também o impacto no sono, que muitas vezes passa despercebido. A luz e o estímulo mental mantêm o cérebro em estado de alerta, o que pode dificultar o descanso. E um sono ruim, com o tempo, afeta diretamente o humor, a energia e até a forma como você pensa.

    Talvez a pergunta mais útil não seja se a tecnologia causa depressão, mas como ela está se encaixando na sua vida. Ela está te aproximando de algo que te faz bem ou mais te afastando? Você sente que usa por escolha ou quase no automático?

    Essas nuances fazem bastante diferença. Se fizer sentido, podemos olhar juntos para o seu padrão de uso e o impacto que ele tem no seu dia a dia.


  • Bom dia, a ansiedade pode causar sensações de vazio e de desrealização/despersonalização?

    Bom dia, a ansiedade pode causar sensações de vazio e de desrealização/despersonalização?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    Sim, a ansiedade pode causar exatamente esse tipo de sensação. A desrealização e a despersonalização costumam aparecer quando o sistema emocional está muito sobrecarregado, como se o cérebro “diminuísse o volume” da experiência para tentar lidar com o excesso de estímulo. Isso pode gerar essa impressão de vazio, de estar desconectado de si mesmo ou de que o mundo ao redor não parece totalmente real.

    Apesar de ser uma sensação muito estranha e, muitas vezes, assustadora, ela não significa que você esteja perdendo o controle ou que algo grave esteja acontecendo com a sua mente. É mais uma forma de resposta do organismo ao estado de alerta constante. Em muitos casos, aparece junto com ansiedade intensa, estresse prolongado ou após crises mais fortes.

    Um ponto importante é que quanto mais você tenta “testar” ou confirmar se está tudo normal, mais a atenção fica voltada para essa sensação, o que pode mantê-la ativa. Isso não acontece por falta de esforço, mas porque o cérebro entra em um ciclo de monitoramento constante tentando garantir segurança.

    Talvez valha observar: essas sensações surgem em momentos de maior ansiedade ou aparecem mesmo quando você está aparentemente tranquilo? Quando elas vêm, você tenta se concentrar nelas ou se distrair? Existe algum pensamento associado, como medo de enlouquecer ou de perder o controle?

    Esse tipo de experiência tem tratamento e costuma melhorar bastante com acompanhamento psicológico, especialmente quando se trabalha a relação com a ansiedade e com as sensações do corpo. Em alguns casos, o suporte psiquiátrico também pode ajudar.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Estresse pode causar vômito, dor de cabeça e fraqueza no corpo? Tive uma discussão e depois fiquei c

    Estresse pode causar vômito, dor de cabeça e fraqueza no corpo? Tive uma discussão e depois fiquei com esses sintomas.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem? O que você descreve pode, sim, estar relacionado ao estresse. Depois de uma discussão mais intensa, o corpo não reage só emocionalmente — ele entra em um estado físico de alerta. É como se o sistema inteiro fosse ativado para lidar com uma “ameaça”, mesmo que essa ameaça seja uma situação emocional.

    Nesse estado, o organismo libera substâncias que aumentam a tensão muscular, alteram a respiração e afetam o funcionamento do estômago e da cabeça. Por isso, sintomas como dor de cabeça, náusea, vômito e até uma sensação de fraqueza podem aparecer. Já percebeu se esses sintomas surgem mais quando você passa por momentos de tensão ou conflito?

    Também vale observar o que aconteceu internamente durante essa discussão. Foi algo que te deixou muito nervoso, injustiçado, com raiva ou sem conseguir se expressar? Porque, muitas vezes, quando a emoção fica muito intensa ou “presa”, o corpo acaba sendo a via de saída. É como se ele dissesse aquilo que não conseguiu ser organizado em palavras.

    A sensação de fraqueza, por exemplo, pode vir depois de um pico de ativação. O corpo gasta muita energia nesse estado e, quando a situação passa, pode vir uma espécie de queda, um cansaço mais acentuado. Isso costuma dar a impressão de que “algo está errado fisicamente”, quando na verdade é uma resposta ao que foi vivido emocionalmente.

    Ao mesmo tempo, é importante ter atenção: se esses sintomas forem muito frequentes, intensos ou aparecerem mesmo sem situações claras de estresse, pode ser interessante uma avaliação médica para descartar outras causas. Não por alarme, mas por cuidado com o seu corpo.

    Talvez o mais importante aqui seja começar a perceber como o seu corpo reage aos momentos de conflito. O que ele está tentando te mostrar? E o quanto você tem conseguido processar essas situações depois que elas acontecem?

    Se fizer sentido, podemos explorar isso com mais calma — porque o corpo, muitas vezes, está tentando comunicar algo que merece ser escutado.


Perguntas frequentes

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