Perguntas do paciente (416)

  • Com tantas especialidades diferente da psicologia com qual profissional devo consultar? Nunca consul

    Com tantas especialidades diferente da psicologia com qual profissional devo consultar? Nunca consultei mas gostaria de saber se tenho ansiedade ou depressão e etc.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Juliana  da Cruz Barros Neves

    Olá, tudo bem? Essa dúvida é muito comum, principalmente para quem nunca passou por acompanhamento psicológico. E a verdade é que, olhando de fora, parece mesmo que existem muitas abordagens, nomes e especialidades diferentes. Isso pode dar a sensação de que você precisa “acertar perfeitamente” logo de primeira, mas não funciona exatamente assim.

    Se o que você quer neste momento é entender melhor o que está acontecendo emocionalmente — se existe ansiedade, depressão ou outro padrão de sofrimento — um psicólogo já pode ser um ótimo ponto de partida. O mais importante inicialmente não costuma ser a abordagem específica, mas encontrar um profissional com quem você se sinta à vontade para falar e que consiga fazer uma escuta cuidadosa do seu funcionamento emocional.

    Com o tempo, o próprio processo vai mostrando o que faz mais sentido para você. Existem abordagens mais focadas em pensamentos e comportamentos, outras mais voltadas para emoções, padrões de relacionamento ou autoconhecimento. Mas, no início, talvez a pergunta mais importante não seja “qual linha escolher?”, e sim “com quem eu consigo me sentir minimamente seguro para começar?”. Porque vínculo terapêutico faz muita diferença.

    Também vale dizer que, se durante o acompanhamento surgir a necessidade de avaliação medicamentosa ou sintomas mais intensos, o psicólogo pode orientar um encaminhamento para psiquiatra. Não é necessário decidir tudo sozinho antes de começar.

    Uma coisa importante: ansiedade e depressão nem sempre aparecem de forma “clara”. Às vezes a pessoa sente cansaço, vazio, irritação, dificuldade para dormir, medo constante ou falta de motivação sem conseguir dar nome para isso. E tudo bem ainda não entender exatamente.

    Talvez o primeiro passo não seja descobrir imediatamente “o que você tem”, mas começar a olhar para o que você sente com mais profundidade e menos solidão.

    Você não precisa chegar na terapia já sabendo explicar tudo. O processo também serve para construir essa compreensão aos poucos.

    Se fizer sentido, podemos conversar mais sobre isso.


  • Sou depressiva e as vezes me sinto estranha,será que um dia voltarei a ser normal, mal posso sair de

    Sou depressiva e as vezes me sinto estranha,será que um dia voltarei a ser normal, mal posso sair de casa que fico ruim parece que vol desmaia. Sinto meu coração apertando como se eu Foce morrer,mais o médico diz que é ansiedades .já não agüento mais viver com medo me ajudem. Oque posso fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Juliana  da Cruz Barros Neves

    Olá, tudo bem? O que você está vivendo parece muito cansativo… porque não é só tristeza ou medo isolado. É como se o seu corpo inteiro estivesse funcionando em estado de ameaça, e isso faz até coisas simples, como sair de casa, parecerem perigosas.

    Essa sensação de aperto no coração, medo de morrer, sensação de desmaio e mal-estar ao sair são muito comuns em quadros de ansiedade intensa, especialmente quando ela começa a se associar aos lugares e situações do dia a dia. E, quando isso se repete várias vezes, o cérebro passa a antecipar o perigo antes mesmo de você sair. É como se ele dissesse: “preciso te proteger”. O problema é que essa proteção acaba aprisionando.

    Uma coisa importante: o fato de o médico dizer que é ansiedade não significa que você está inventando ou exagerando. O corpo realmente reage. O coração acelera, a respiração muda, a musculatura tensiona, a sensação de fraqueza aparece. Tudo isso é real. Mas o sistema emocional interpreta essas sensações como sinais de risco grave, e aí o medo aumenta ainda mais. Você percebe se começa a monitorar o corpo o tempo todo quando sai de casa?

    Sobre voltar a ser “normal”, talvez seja importante mudar um pouco essa pergunta. Porque, quando a pessoa está sofrendo há muito tempo, começa a acreditar que aquele estado virou definitivo. Mas ansiedade e depressão são condições tratáveis. Muitas pessoas melhoram significativamente, mesmo quando hoje parece impossível imaginar isso.

    O que você está descrevendo merece acompanhamento contínuo. Psicoterapia pode ajudar bastante a reduzir esse ciclo de medo e hipervigilância, e talvez também seja importante conversar novamente com o psiquiatra para avaliar como está seu tratamento atual, principalmente se os sintomas continuam tão intensos.

    Talvez agora seu corpo esteja cansado de viver em alerta o tempo inteiro. E ninguém consegue viver muito tempo assim sem sentir que está “estranho”. Mas isso não significa que você perdeu quem era ou que nunca vai melhorar.

    Você não precisa enfrentar isso sozinha nem exigir de si mesma uma melhora imediata. Às vezes o primeiro passo é apenas parar de lutar sozinha contra o próprio medo.

    Se fizer sentido, podemos conversar mais sobre isso.


  • Olá tenho tenho feito terapia por conta de duas tentativas de suicidio,o que pra mim é algo novo na

    Olá tenho tenho feito terapia por conta de duas tentativas de suicidio,o que pra mim é algo novo na minha vida e tenho focado nisso,porém não estava nos meus planos apaixonar pela minha terapeuta,por conselho e pesquisa sobre o assunto criei coragem e falei para ela,só que se é uma "transferencia" não deveria estar cessando? pq está aumentando ? eu devo trocar de profissional? Não estou sabendo lidar com isso e está dificil! O que devo fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Juliana  da Cruz Barros Neves

    Olá, tudo bem? Primeiro, é importante dizer que o fato de você ter conseguido falar isso para sua terapeuta demonstra coragem e um nível importante de confiança no processo. Muita gente sente vergonha, tenta esconder ou se afasta abruptamente da terapia quando isso acontece.

    E sim, esse tipo de sentimento pode acontecer em terapia, especialmente em momentos de grande vulnerabilidade emocional. Quando alguém passa por sofrimento intenso, sensação de vazio, crises profundas ou experiências de abandono, o vínculo terapêutico pode se tornar emocionalmente muito significativo. Afinal, existe ali alguém que escuta, acolhe, se importa, presta atenção genuína e oferece um espaço seguro. O cérebro naturalmente atribui valor afetivo a isso.

    Sobre sua dúvida: transferência não significa que o sentimento “desaparece rapidamente” assim que é percebido. Às vezes acontece justamente o contrário. Quando o sentimento deixa de ficar escondido e começa a ser reconhecido, ele pode até parecer mais intenso por um período. E isso não significa necessariamente que seja “amor simples” ou “falsidade”. Significa que existe algo emocionalmente muito importante sendo ativado dentro da relação terapêutica.

    A pergunta talvez não seja apenas “isso vai passar?”, mas “o que exatamente esse vínculo representa emocionalmente para mim?”. É sensação de acolhimento? Segurança? Validação? Medo de perder? Desejo de ser escolhido? Porque, muitas vezes, o sentimento pela terapeuta acaba carregando necessidades emocionais profundas que não começaram nela.

    Sobre trocar de profissional: isso depende muito de como o vínculo está sendo manejado. O simples fato de existir transferência não significa automaticamente que a terapia precise acabar. Em muitos casos, trabalhar isso faz parte do próprio processo terapêutico. Mas é importante observar uma coisa: você ainda consegue olhar para a terapia como espaço de cuidado e tratamento… ou sente que o sofrimento ligado a esse vínculo está tomando conta de tudo?

    Também vale lembrar algo importante: após tentativas de suicídio, o vínculo terapêutico frequentemente ganha um peso emocional ainda maior, porque a pessoa pode associar aquele espaço à própria sobrevivência emocional.

    Talvez o mais importante agora seja continuar falando honestamente sobre isso na terapia, sem tentar se punir pelos sentimentos. Porque esconder ou fugir pode transformar algo compreensível em um sofrimento ainda mais confuso.

    Você não parece alguém “errado” por sentir isso. Parece alguém profundamente carente de conexão emocional segura em um momento muito vulnerável da vida.

    E, sinceramente, o fato de você estar conseguindo refletir sobre isso em vez de agir impulsivamente já mostra bastante consciência emocional.

    Esses temas merecem cuidado e delicadeza. Se fizer sentido, podemos continuar conversando sobre isso.


  • Tenho medo de perder e por mais que vigio,cuido e confiro Vivo perdendo as coisas e sofrendo com is

    Tenho medo de perder e por mais que vigio,cuido e confiro
    Vivo perdendo as coisas e sofrendo com isso
    O que posso fazer para melhorar e diminuir esta angústia?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Juliana  da Cruz Barros Neves

    Olá, tudo bem? O que você descreve parece muito angustiante, porque não é apenas “perder coisas”. Existe um medo constante por trás disso, como se sua mente nunca conseguisse relaxar completamente. E quanto mais você vigia, confere e tenta controlar, mais parece que a preocupação aumenta.

    Isso pode acontecer quando o cérebro entra em um estado de hipervigilância. A pessoa tenta prevenir qualquer possibilidade de perda, então começa a conferir repetidamente, monitorar tudo e pensar nisso o tempo inteiro. O problema é que, quanto mais você tenta alcançar certeza absoluta de que nada será perdido, mais a mente fica presa nesse ciclo. Já percebe se o alívio depois de conferir dura pouco tempo?

    Também é importante considerar que a ansiedade alta pode prejudicar atenção e memória no dia a dia. Às vezes a pessoa está tão preocupada em “não perder” que acaba ficando mentalmente sobrecarregada, distraída ou tensionada, e isso aumenta ainda mais a chance de esquecer ou se confundir.

    Uma pergunta importante aqui é: o sofrimento maior vem da perda do objeto em si… ou da sensação de descontrole que isso provoca? Porque, em muitos casos, o medo de perder coisas acaba representando algo emocionalmente maior, como medo de errar, ser irresponsável ou não conseguir confiar em si mesmo.

    Talvez o caminho não seja vigiar mais, mas começar a diminuir essa necessidade de controle constante. Porque hoje parece que sua mente está tentando te proteger da angústia… mas acabou criando ainda mais angústia.

    Um acompanhamento psicológico pode ajudar bastante a entender esse padrão e trabalhar essa relação com medo, controle e necessidade de conferência. Em alguns casos, isso pode estar relacionado a ansiedade intensa ou até traços obsessivos, e isso pode melhorar bastante com tratamento adequado.

    Você não está “desatento porque quer”. Parece mais alguém cansado de viver tentando impedir que algo dê errado o tempo inteiro.

    Se fizer sentido, podemos explorar isso juntos.


  • Minha filha teve uma crise de nervoso, ela tinha um ódio de algo ou alguém , socava o chão, suas mão

    Minha filha teve uma crise de nervoso, ela tinha um ódio de algo ou alguém , socava o chão, suas mãos fecharam. Qual a melhor maneira de se tratar e como lhe dar com isso nessas horas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Juliana  da Cruz Barros Neves

    Olá, tudo bem? O que você descreve parece ter sido uma descarga emocional muito intensa. Quando alguém chega ao ponto de socar o chão, travar as mãos ou perder parcialmente o controle do corpo, geralmente o sistema emocional já estava extremamente sobrecarregado antes da crise acontecer. E, nesses momentos, tentar apenas “mandar se acalmar” costuma não funcionar, porque o cérebro está operando mais no modo de sobrevivência do que de reflexão.

    A primeira coisa importante é olhar para a segurança física dela e das pessoas ao redor, mas sem entrar em confronto direto ou aumentar o tom emocional. Quanto mais a pessoa se sente pressionada ou invalidada naquele estado, mais intensa a crise pode ficar. Às vezes, a presença calma de alguém, falando pouco e de forma firme, ajuda mais do que muitas perguntas naquele momento.

    Depois que a crise passa, aí sim vale tentar compreender o que estava acontecendo antes dela explodir. Isso foi algo isolado ou ela já vem acumulando irritação, tristeza, ansiedade ou sensação de injustiça há algum tempo? Porque, muitas vezes, essas explosões não surgem “do nada”. Elas são o ponto final de emoções que foram ficando represadas.

    Também chama atenção esse “ódio” que você mencionou. Seria importante entender se ela consegue falar sobre o que sente ou se costuma guardar tudo até explodir. Algumas pessoas têm muita dificuldade de reconhecer e regular emoções intensas, e o corpo acaba expressando isso de forma impulsiva.

    Sobre tratamento, um acompanhamento psicológico pode ajudar bastante, principalmente para trabalhar regulação emocional, manejo da raiva e compreensão do que está acontecendo internamente. Dependendo da frequência e intensidade dessas crises, também pode ser importante uma avaliação psiquiátrica para entender se existe algum quadro emocional associado.

    Talvez o mais importante agora não seja olhar apenas para a explosão em si, mas para o sofrimento que provavelmente existe por trás dela. Porque, muitas vezes, a agressividade é uma emoção secundária cobrindo dor, frustração ou sensação de impotência.

    Você não precisa resolver isso sozinho nem esperar outra crise acontecer para buscar ajuda. Quanto mais cedo ela aprender a entender e regular essas emoções, maiores costumam ser as chances de melhora.

    Se fizer sentido, podemos conversar mais sobre isso.


  • O que devo fazer pra cura essa Tricotilomania? Tem algum remédio que alivia esse sintomas e qual med

    O que devo fazer pra cura essa Tricotilomania? Tem algum remédio que alivia esse sintomas e qual medico especializado?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Juliana  da Cruz Barros Neves

    Olá, tudo bem? A tricotilomania pode ser muito angustiante, principalmente porque muitas pessoas sentem que “sabem que não querem fazer”, mas mesmo assim o impulso acontece quase automático. E isso costuma vir acompanhado de culpa, vergonha ou sensação de perda de controle.

    A tricotilomania é um transtorno relacionado ao impulso de arrancar os próprios cabelos ou pelos, geralmente funcionando como uma forma de aliviar tensão emocional, ansiedade, inquietação ou até um vazio interno momentâneo. Algumas pessoas percebem claramente o impulso antes de arrancar; outras só percebem depois que já fizeram. Você sente que isso acontece mais em momentos de ansiedade, distração, tédio ou sobrecarga emocional?

    Sobre “cura”, muita gente melhora bastante com tratamento adequado. O objetivo normalmente é reduzir os impulsos, entender os gatilhos emocionais e desenvolver novas formas de regulação emocional e comportamental. O tratamento psicológico costuma ser muito importante, especialmente abordagens focadas em compulsões e regulação de hábitos automáticos.

    Também existem casos em que medicações ajudam, principalmente quando há ansiedade, compulsão ou sofrimento emocional associado. Por isso, o psiquiatra costuma ser o médico mais indicado para avaliar necessidade de medicação. E o acompanhamento psicológico ajuda a trabalhar o comportamento em si e os fatores emocionais envolvidos.

    Uma coisa importante é não interpretar a tricotilomania apenas como “falta de controle” ou “mania”. Muitas vezes o comportamento está funcionando como uma tentativa do cérebro aliviar tensão emocional rapidamente, mesmo que depois traga sofrimento.

    Talvez o mais importante agora não seja lutar contra si mesmo com culpa, mas entender o que seu corpo e sua mente estão tentando regular através desse comportamento.

    Você não está sozinho nisso, e esse quadro pode melhorar bastante com acompanhamento adequado e consistente.

    Se fizer sentido, podemos conversar mais sobre isso.


  • Boa Tarde, a minha duvida e, estou de luto a quatro anos e dois meses.Estou tomando Rivotril 2mg e t

    Boa Tarde, a minha duvida e, estou de luto a quatro anos e dois meses.Estou tomando Rivotril 2mg e tomei Citalopram, depois mudei para o Exodus. agora parei com tudo uns 5 dias.Tenho Sindrome do Panico a muitos anos, com a morte da minha irma fiquei com depressao severa.Os medicamentos nao ajudam muito.Nem Terapia.Me isolei de todos, penso na minha irma toda hora, nao posso falar sobre o assunto com ninguem desde o falecimento dela.Nem com minha familia.Ninguem fala sobre a morte dela.Sei que meu pai esta tao mal quanto eu.Mas o resto , vida que segue.Eu nao consigo seguir minha vida, talvez por isso.Fiz tratamento com uma psicologa que nao ajudou nada.Agora sem medicaçao parece que foi ontem que aconteceu tudo.Lembro da minha irma ali sendo velada.Minha querida e amada irma.Choro muito.Dificil de acreditar.Ela estava me ajudando a superar minhas crises, de repente ela fica doente e morre.Nao moramos no mesmo Estado.Minha familia toda mora em Curitiba .Eu e meu filho em Santa Catarina, Bombinhas.Eramos muito unidas sempre. Agora me sinto perdida e sem rumo.Nao posso falar da minha dor.Remedios apenas aliviam no momento.O que faço?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Juliana  da Cruz Barros Neves

    Olá, boa tarde. O que você escreveu carrega uma dor muito profunda… e talvez uma das partes mais difíceis disso tudo seja justamente o silêncio. Não parece que você perdeu apenas sua irmã. Parece que perdeu também a pessoa que ajudava você a se manter emocionalmente de pé diante do pânico e da vida. E, quando alguém tão importante parte de forma tão marcante, às vezes o mundo inteiro perde referência.

    Uma coisa que me chamou muita atenção é que você disse que não pode falar da sua dor com ninguém. Isso costuma deixar o luto ainda mais congelado. É como se uma parte sua tivesse ficado parada naquele velório, naquela despedida, enquanto o resto do mundo foi seguindo. E, quando a família evita falar sobre quem morreu, muitas vezes não é porque não dói — às vezes dói tanto que cada um tenta sobreviver do jeito que consegue. Mas, para quem precisa falar, lembrar e elaborar, esse silêncio pode virar uma prisão emocional.

    Também é importante olhar com cuidado para a interrupção das medicações há apenas cinco dias. A retirada abrupta de medicamentos como Rivotril e antidepressivos pode intensificar ansiedade, sensibilidade emocional, choro, sensação de desespero e até fazer tudo parecer mais intenso novamente. Isso não significa que “você regrediu”, mas que seu sistema emocional pode estar extremamente sensibilizado agora. Seria muito importante conversar com o psiquiatra antes de interromper ou modificar medicações sozinha.

    Outra coisa importante: o fato de uma terapia não ter ajudado não significa que nenhuma ajuda possa funcionar. O vínculo terapêutico faz muita diferença, principalmente em dores tão profundas como luto, pânico e depressão. Às vezes a pessoa encontra um profissional tecnicamente correto, mas não encontra um espaço onde realmente consegue se sentir emocionalmente alcançada. E aí surge a sensação de “nada ajuda”.

    Você perguntou “o que faço?”. Talvez, neste momento, o primeiro passo não seja tentar “superar” sua irmã. Porque, honestamente, vínculos assim não são superados no sentido de apagar a dor. O trabalho do luto costuma ser aprender, aos poucos, a continuar vivendo sem abandonar internamente quem foi tão importante. Mas, para isso acontecer, a dor precisa encontrar espaço para existir e ser compartilhada.

    Você parece emocionalmente muito sozinha carregando algo grande demais para sustentar em silêncio. E talvez seja justamente isso que esteja mantendo o sofrimento tão vivo e tão preso no momento da perda.

    Seu sofrimento merece acolhimento especializado e contínuo. Um psicólogo com experiência em luto e transtornos de ansiedade pode ajudar bastante, e o acompanhamento psiquiátrico também continua sendo importante, principalmente diante da intensidade dos sintomas e da suspensão recente das medicações.

    Você não está fraca porque ainda chora depois de quatro anos. Parece alguém que amou profundamente e que nunca conseguiu elaborar essa despedida de forma segura e acompanhada.

    Essas dores não precisam ser carregadas completamente sozinha. Se fizer sentido, podemos continuar conversando sobre isso.


  • Tive uma crise de ansiedade em novembro e procurei um psiquiatra que desde então me passou Sertralin

    Tive uma crise de ansiedade em novembro e procurei um psiquiatra que desde então me passou Sertralina pela manha e Rivotril à noite. Me dei bem logo de início, sem efeitos colaterais. Mas, em dezembro a minha mãe tentou suicídio e eu consegui evitar. Lidei bem com a situação até duas semanas atrás. De duas semanas para cá, não tenho ânimo para fazer nada, estou muito para baixo e confusa. Voltei ao Psiquiatra e ele me indicou fazer terapia...confesso que não tenho vontade alguma. Não tive experiências boas com terapeutas passados...então, não sei o que fazer, porque a medicação não está me ajudando mais...

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Juliana  da Cruz Barros Neves

    Olá, tudo bem?

    O que você passou em dezembro foi uma situação muito intensa, e o fato de você ter conseguido agir naquele momento não significa que o impacto emocional desapareceria automaticamente. Às vezes, o cérebro “segura” enquanto precisa funcionar, e depois começa a processar tudo com mais força. Essa queda de ânimo e essa sensação de estar para baixo agora podem ter relação com esse acúmulo, mais do que com a medicação simplesmente “parar de funcionar”.

    Sobre os remédios, é importante ajustar uma expectativa: eles ajudam bastante na regulação dos sintomas, mas não conseguem, sozinhos, organizar experiências emocionais tão marcantes como essa. Por isso seu psiquiatra sugeriu a terapia. Não como algo obrigatório, mas como um espaço para dar sentido ao que você viveu e ao que está sentindo agora.

    Agora, sobre a sua resistência, ela faz sentido. Ter tido experiências ruins anteriores pode fazer o cérebro concluir que “isso não funciona para mim”. Mas talvez a questão não seja a terapia em si, e sim o encaixe com o profissional, o momento e o tipo de abordagem. Nem toda experiência terapêutica é igual, assim como nem todo médico, professor ou qualquer outro profissional atua da mesma forma.

    Talvez valha você se perguntar com sinceridade: o que exatamente não funcionou nas experiências anteriores? Você se sentiu não compreendida, julgada, sem direção? E hoje, o que você acha que precisaria acontecer em uma terapia para fazer sentido para você? Também pode ser importante observar: você não tem vontade porque não acredita ou porque está sem energia para qualquer coisa neste momento?

    Você não precisa decidir tudo de uma vez, mas talvez considerar a terapia como um teste, com critérios claros para você, pode ser um caminho mais leve do que encarar como algo definitivo. E, ao mesmo tempo, manter o acompanhamento com o psiquiatra é importante, inclusive para avaliar se são necessários ajustes no tratamento.

    Caso precise, estou à disposição.


  • fui casada por 5 vezes e este meu último relacionamento entre idas e vindas está a 6 anos só que sep

    fui casada por 5 vezes e este meu último relacionamento entre idas e vindas está a 6 anos só que separamos e voltamos por varias vezes, quando estou com ele quero estar longe se estou longe quero ele. agora decidimos voltar e recomeçar do zero, tenho medo de dar errado novamente. Não consigo me entender. Que me aconselham?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Juliana  da Cruz Barros Neves

    Olá, tudo bem?

    O que você descreve não é incomum, mas aponta para um padrão importante: essa oscilação entre querer proximidade e, ao mesmo tempo, sentir necessidade de se afastar. Muitas vezes isso não é sobre a pessoa em si, mas sobre como você se sente dentro da relação. Quando está perto, algo pode gerar incômodo, sufocamento ou dúvida; quando está longe, aparece a falta, o apego ou o medo de perder. Esse movimento de “aproxima e afasta” costuma ter raízes mais profundas, ligadas à forma como você aprendeu a se vincular emocionalmente.

    O ponto principal aqui é que voltar “do zero” pode ser uma boa intenção, mas, na prática, o histórico continua existindo. Se o padrão não for compreendido, a tendência é que ele se repita, mesmo com novas tentativas. Não é uma questão de força de vontade, mas de funcionamento emocional que precisa ser olhado com mais cuidado.

    Talvez valha você se perguntar com bastante honestidade: o que exatamente te incomoda quando está com ele? É algo nele, na dinâmica entre vocês ou em como você se sente consigo mesma dentro da relação? Quando você sente vontade de se afastar, o que está tentando evitar? E quando sente falta, o que exatamente está buscando?

    Esse tipo de padrão costuma ser bem trabalhado em psicoterapia, porque permite entender essas oscilações sem julgamento e com mais clareza. Isso ajuda você a tomar decisões menos impulsivas e mais alinhadas com o que realmente faz sentido para você, em vez de repetir ciclos que acabam gerando sofrimento.

    Recomeçar pode ser possível, mas geralmente exige mais do que vontade: exige compreensão do que levou às rupturas anteriores e construção de algo diferente a partir disso.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Há uns meses comecei a sentir falta de ar,que se alterna. Ora sinto pra não.Como se a respiração tiv

    Há uns meses comecei a sentir falta de ar,que se alterna. Ora sinto pra não.Como se a respiração tivesse limitada. Fiz exames coração pulmão hemograma e todos deram normais. Será algo psicológico?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Juliana  da Cruz Barros Neves

    Olá, tudo bem? Sim, isso pode ter relação psicológica, especialmente quando os exames cardíacos, pulmonares e laboratoriais estão normais. E o fato da sensação oscilar — às vezes aparecer forte, às vezes quase desaparecer — também é algo muito comum em quadros ligados à ansiedade e ao estado de alerta do corpo.

    Muitas pessoas descrevem exatamente isso: como se a respiração estivesse “limitada”, insuficiente ou difícil de completar. O curioso é que, em muitos casos, o oxigênio está normal. O problema não é a capacidade pulmonar, mas a forma como o cérebro está monitorando a respiração. É como se o sistema emocional ficasse hipervigilante, prestando atenção em algo que normalmente aconteceria automaticamente.

    Quando isso acontece, a pessoa começa a tentar controlar a respiração conscientemente, puxando o ar mais fundo, verificando se está conseguindo respirar direito… e isso pode aumentar ainda mais a sensação de desconforto. Você percebe se a sensação piora quando começa a pensar nela ou monitorar sua respiração?

    Outro ponto importante é que ansiedade nem sempre aparece como “nervosismo evidente”. Às vezes ela se manifesta principalmente no corpo: tensão, aperto, falta de ar, palpitações, sensação de sufoco. E, quando os exames vêm normais, muitas pessoas ficam confusas, porque o sintoma é muito real. Mas psicológico não significa imaginário. O corpo realmente reage.

    Talvez o mais importante agora seja entender o contexto em que isso começou. Houve algum período de estresse, preocupação, perda ou sobrecarga emocional antes desses sintomas aparecerem? Porque o corpo frequentemente começa a falar quando a mente já está cansada demais.

    O fato dos exames estarem normais é um dado tranquilizador, mas isso não significa que você precise simplesmente “aguentar”. Um acompanhamento psicológico pode ajudar bastante a entender esse ciclo e reduzir essa hipervigilância corporal. E, se a ansiedade estiver muito intensa, um psiquiatra também pode complementar esse cuidado.

    Seu corpo não parece estar falhando. Parece mais um organismo cansado de viver em alerta tentando garantir que tudo esteja seguro o tempo inteiro.

    Se fizer sentido, podemos explorar isso juntos.


  • Como superar os pensamentos intrusivos? Chegaram desde a gravidez e não sei oque fazer!

    Como superar os pensamentos intrusivos?
    Chegaram desde a gravidez e não sei oque fazer!

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Juliana  da Cruz Barros Neves

    Olá, tudo bem?

    Pensamentos intrusivos podem aparecer com mais força em períodos de maior sensibilidade emocional, como a gravidez. Nesse momento, o cérebro tende a ficar mais vigilante, especialmente em relação à segurança, e acaba produzindo pensamentos indesejados que geram medo ou desconforto. Um ponto importante: ter esses pensamentos não significa que você queira que eles aconteçam ou que diga algo sobre quem você é.

    Muitas pessoas tentam lidar com isso tentando afastar ou controlar os pensamentos, mas isso costuma aumentar a frequência deles. É como se o cérebro entendesse que aquilo é importante e precisasse voltar ao tema. O caminho mais eficaz geralmente envolve mudar a relação com esses pensamentos, reconhecendo que eles são eventos mentais e não ameaças reais.

    Talvez ajude você observar: o que você costuma fazer quando o pensamento aparece? Você tenta neutralizar, evitar ou buscar certeza de que aquilo não vai acontecer? E quanto mais você tenta controlar, mais ele volta? Também vale notar se esses pensamentos estão ligados a algo que é muito importante para você, como cuidado, proteção ou responsabilidade.

    Esse tipo de experiência tem tratamento e pode melhorar bastante com acompanhamento psicológico, especialmente com abordagens que trabalham a relação com os pensamentos e a regulação emocional. Se estiver muito intenso, também pode ser válido conversar com um psiquiatra para avaliar suporte adicional, considerando o momento que você está vivendo.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Meu namorado disse que há um tempo atrás foi diagnosticado com transtorno bipolar,mais lendo a respe

    Meu namorado disse que há um tempo atrás foi diagnosticado com transtorno bipolar,mais lendo a respeito vi que os bipolares são frios,ele é totalmente o contrário,muito carinhoso...há possibilidade dele não ter esse tal transtorno bipolar?ou o bipolar tbm pode ser amoroso?Grata...

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Juliana  da Cruz Barros Neves

    Olá, tudo bem? Existe uma confusão muito comum sobre transtorno bipolar, principalmente por causa de conteúdos simplificados da internet e de estereótipos. Pessoas com bipolaridade não são necessariamente frias, sem afeto ou incapazes de amar. O transtorno bipolar está relacionado principalmente a oscilações de humor, energia, impulsividade e funcionamento emocional, e não a ausência de carinho ou empatia.

    Uma pessoa bipolar pode ser extremamente amorosa, cuidadosa, afetuosa e vinculada emocionalmente. O diagnóstico não apaga personalidade, valores, forma de amar ou capacidade de construir relações. Às vezes o que acontece é que, em períodos de crise, algumas pessoas podem ficar mais irritadas, impulsivas, distantes ou emocionalmente instáveis, mas isso não define quem elas são o tempo inteiro.

    Também existe outro ponto importante: bipolaridade possui diferentes apresentações e intensidades. Nem todo mundo terá crises muito evidentes ou comportamentos extremos. Por isso, olhar apenas descrições genéricas da internet pode acabar criando uma imagem muito distorcida.

    Ao mesmo tempo, o fato de ele ser carinhoso não confirma nem invalida o diagnóstico. O que define bipolaridade não é o nível de afeto demonstrado, mas a presença de episódios específicos de alteração de humor e funcionamento emocional ao longo da vida. Você chegou a perceber nele períodos de energia muito aumentada, impulsividade, necessidade reduzida de sono, irritabilidade intensa ou fases de tristeza profunda?

    Talvez a questão mais importante não seja “ele parece bipolar ou não?”, mas como ele cuida da própria saúde emocional e como isso impacta a relação de vocês. Porque muitas pessoas com bipolaridade conseguem ter relacionamentos saudáveis, especialmente quando existe tratamento, consciência do quadro e acompanhamento adequado.

    Uma coisa importante é tentar não reduzir a pessoa ao diagnóstico. Seu namorado é muito maior do que um rótulo clínico.

    Se fizer sentido, podemos conversar mais sobre isso.


  • Como posso melhorar da depressão, existe cura? sou bipolar há 20 anos.

    Como posso melhorar da depressão, existe cura? sou bipolar há 20 anos.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Juliana  da Cruz Barros Neves

    Olá, tudo bem?

    A sua pergunta é muito importante, principalmente considerando o histórico de transtorno bipolar. Quando falamos de depressão dentro desse contexto, o foco costuma ser menos em “cura” no sentido de desaparecer para sempre, e mais em manejo e estabilidade ao longo do tempo. Muitas pessoas com transtorno bipolar conseguem viver com qualidade, com períodos longos de estabilidade, desde que o tratamento esteja bem ajustado.

    No seu caso, existe um ponto essencial: o acompanhamento psiquiátrico contínuo costuma ser a base do cuidado, já que o humor pode oscilar e a medicação ajuda a regular esse funcionamento. A psicoterapia entra como um complemento muito importante, ajudando a identificar padrões, sinais precoces de mudança de humor e formas de lidar com pensamentos e emoções que aparecem nas fases depressivas.

    Do ponto de vista do funcionamento do cérebro, o transtorno bipolar envolve uma sensibilidade maior nos sistemas de regulação do humor. Isso faz com que, em alguns momentos, a energia e o interesse caiam bastante, e em outros possam aumentar. O objetivo do tratamento é justamente reduzir essas oscilações e aumentar sua previsibilidade emocional.

    Talvez valha você observar com mais atenção: como têm sido seus episódios depressivos ao longo do tempo? Você consegue identificar sinais de que eles estão começando? O tratamento atual tem ajudado ou você sente que precisa de ajustes? E como está sua rotina de sono, que costuma ter um impacto direto na estabilidade do humor?

    Com o acompanhamento adequado e ajustes quando necessário, é possível melhorar bastante a qualidade de vida e reduzir o impacto desses episódios. Não é um caminho de “tudo ou nada”, mas de construção contínua de estabilidade.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Eu sempre tento ajudar todo mundo, então estou escutando uma menina da minha escola, mais nova que e

    Eu sempre tento ajudar todo mundo, então estou escutando uma menina da minha escola, mais nova que eu, que é diagnosticada com depressão
    Tudo isso de escutar todo mundo está me deixando para baixo e eu acabo me sentindo confusa e choro muito ou me sentindo triste quase o tempo todo
    O que eu faço? Devo parar de ajudá-la?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Juliana  da Cruz Barros Neves

    Olá, tudo bem?

    O que você está vivendo faz bastante sentido. Quando a gente se envolve emocionalmente ajudando alguém que está sofrendo, especialmente com algo como a depressão, é natural que isso comece a afetar o nosso próprio estado emocional. Não é falta de força ou de empatia, é um limite do próprio funcionamento emocional - como se você estivesse tentando carregar um peso que, na verdade, não é só seu.

    Tem um ponto importante aqui: ajudar não pode significar se machucar no processo. Quando você começa a ficar triste com frequência, confusa e chorando, isso já é um sinal de que essa situação está ultrapassando o que você consegue sustentar. E não é porque você não se importa, é justamente porque se importa que isso está te impactando tanto.

    Talvez valha você se perguntar com sinceridade: você sente que precisa “dar conta” dessa pessoa? Você consegue ajudar sem se sentir responsável por como ela fica depois? E o que acontece com você emocionalmente depois dessas conversas? Essas respostas ajudam a perceber o quanto essa relação está equilibrada ou não.

    Você não precisa abandonar essa menina, mas pode ajustar a forma como está se envolvendo. Às vezes, ajudar também significa reconhecer que ela precisa de um suporte que vai além de você, como um acompanhamento profissional ou o apoio de adultos responsáveis. E, no seu caso, sendo mais nova, é ainda mais importante que você não carregue isso sozinha. Conversar com seus pais, responsáveis ou alguém de confiança na escola pode ser um passo importante.

    Cuidar do outro é valioso, mas cuidar de você é essencial. Caso precise, estou à disposição.


  • Tenho TOC, tenho um ritual que é difícil de fazer, tem várias regras nele e acabo quebrando as regra

    Tenho TOC, tenho um ritual que é difícil de fazer, tem várias regras nele e acabo quebrando as regras sem querer, minha mente diz que tenho que refazer esse ritual, já que não fiz corretamente, há problema em deixar de fazer esse ritual sem refazê-lo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Juliana  da Cruz Barros Neves

    Olá, tudo bem?

    O que você descreve é bastante característico do TOC: existe uma regra interna rígida, você tenta seguir, algo “sai errado” e vem a sensação de que precisa refazer para aliviar o desconforto. Esse impulso de repetir não acontece porque o ritual é realmente necessário, mas porque ele reduz a ansiedade naquele momento. O problema é que, quanto mais você repete, mais o cérebro aprende que aquilo é “importante” e mantém o ciclo ativo.

    Respondendo de forma direta: não há problema em não refazer o ritual, mesmo com a sensação de que está “incompleto”. Na verdade, dentro do tratamento do TOC, esse costuma ser um passo importante. Claro que isso não significa que seja fácil, porque a ansiedade tende a aumentar no início, como se algo estivesse fora do lugar. Mas esse aumento é temporário, e com o tempo o cérebro aprende que nada de ruim acontece quando você não segue a regra.

    Talvez seja útil você observar: o que sua mente diz que pode acontecer se você não refizer o ritual? Você sente necessidade de ter certeza absoluta de que “fez certo”? E quando você refaz, o alívio vem, mas depois o ciclo recomeça? Essas perguntas ajudam a perceber como o TOC funciona mais como um sistema de dúvida e necessidade de controle do que como uma necessidade real.

    Esse tipo de padrão costuma ser trabalhado de forma estruturada em psicoterapia, especialmente com técnicas específicas para TOC, que ajudam você a lidar com a ansiedade sem precisar obedecer ao ritual. Em alguns casos, uma avaliação com psiquiatra também pode ser importante como apoio no processo.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Tenho um histórico de relacionamentos abusivos. Depois do último, fiquei com receio de me relacionar

    Tenho um histórico de relacionamentos abusivos. Depois do último, fiquei com receio de me relacionar pessoalmente com outros homens. Me fechei para outras relações e sinto falta dos dois últimos abusadores. Sei que isso não é normal. Qual especialista devo procurar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Juliana  da Cruz Barros Neves

    Olá, tudo bem? O que você está sentindo pode parecer confuso e até gerar culpa, mas faz muito sentido dentro do contexto que você viveu. Depois de relacionamentos abusivos, é comum o sistema emocional ficar desorganizado: ao mesmo tempo em que existe medo de se aproximar novamente, também pode existir saudade ou apego justamente de quem machucou. Isso não significa que você “gosta de sofrer” ou que haja algo errado com você.

    Em relações abusivas, muitas vezes se cria um vínculo emocional muito intenso, alternando momentos de afeto, tensão, medo, esperança e alívio. O cérebro acaba ficando preso nesse ciclo, e a ausência da pessoa pode ser sentida quase como abstinência emocional. É como se uma parte sua soubesse racionalmente que aquilo fazia mal, enquanto outra ainda buscasse a sensação de conexão que existia ali. Você percebe se sente falta da pessoa em si… ou da intensidade emocional que a relação provocava?

    O fato de você ter se fechado para novos relacionamentos também é compreensível. Depois de experiências repetidas de abuso, o cérebro começa a associar intimidade com risco. E aí surge essa necessidade de proteção, de evitar se expor novamente. O problema é que, com o tempo, isso pode gerar solidão e aumentar ainda mais a confusão emocional.

    Sobre qual especialista procurar, um psicólogo com experiência em trauma, vínculos abusivos e dependência emocional pode ajudar bastante. O objetivo não seria apenas “fazer você esquecer” essas relações, mas entender por que esse tipo de vínculo se tornou tão forte emocionalmente e como reconstruir uma sensação de segurança interna.

    Talvez o mais importante aqui seja perceber que sua reação não é “anormal”. Parece mais um sistema emocional tentando se reorganizar depois de experiências que misturaram afeto e sofrimento por muito tempo.

    Você não precisa resolver isso sozinha nem se culpar por sentir essa ambivalência. Esses padrões podem ser compreendidos e transformados com cuidado.

    Se fizer sentido, podemos explorar isso juntas.


Perguntas frequentes

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