Perguntas do paciente (52)

  • Tenho ansiedade intensa e faço uso de fluoxetina 40mg. Ultimamente, venho enfrentando uma autoestima

    Tenho ansiedade intensa e faço uso de fluoxetina 40mg. Ultimamente, venho enfrentando uma autoestima muito baixa e constante, que me causa sofrimento e interfere no meu dia a dia. Me cobro e me comparo o tempo todo, o que aumenta minha ansiedade e tristeza.

    Tenho pensamentos muito negativos e recorrentes, principalmente em relação a mim mesma, com uma sensação frequente de inutilidade. Quase tudo me deixa mal, cansada emocionalmente, triste e desconfortável. Em alguns momentos, esses pensamentos se tornam impulsivos e difíceis de controlar, o que intensifica meu desânimo.

    Apesar disso, ainda consigo realizar algumas atividades, mas existem dias em que me sinto completamente paralisada emocionalmente. Nesses períodos mais intensos de ansiedade e tristeza, acontece algo que me preocupa, ou mesmo não acontecendo nada perco a vontade de tomar o antidepressivo, como se eu não tivesse energia ou desejo de melhorar naquele momento.

    Gostaria de saber se esses sinais podem estar relacionados a um quadro depressivo associado à ansiedade, poderiam me dizer ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Juliane Callegaro Borsa

    Os sinais que você descreve são compatíveis, sim, com um quadro em que ansiedade e depressão coexistem, algo bastante frequente na prática clínica. Na perspectiva da Terapia Cognitivo-Comportamental, a ansiedade intensa tende a manter um estado de hipervigilância e autocrítica, enquanto a depressão se manifesta por pensamentos centrais de desvalor, inutilidade e desesperança, acompanhados de exaustão emocional e redução da motivação. Uma condição frequentemente retroalimenta a outra.
    A autoestima baixa persistente, a comparação constante e os pensamentos negativos recorrentes sobre si mesma indicam a ativação de crenças centrais disfuncionais (por exemplo: “não sou suficiente”, “há algo errado comigo”). Esses pensamentos não surgem porque são verdadeiros, mas porque o sistema cognitivo, sob estresse emocional, passa a operar em modo automático e rígido. Isso ajuda a explicar por que quase tudo te afeta emocionalmente e por que há momentos de paralisia psíquica, mesmo quando você ainda consegue manter algumas atividades.
    O comportamento de perder a vontade de tomar o antidepressivo nos períodos de maior sofrimento também é compreensível do ponto de vista da TCC. Não costuma ser “falta de vontade de melhorar”, mas um fenômeno ligado à anedonia, desesperança e esquiva experiencial (quando o próprio ato de se cuidar parece inútil ou pesado demais). Ainda assim, é importante reforçar que qualquer alteração no uso da medicação deve ser discutida com o médico, pois interrupções podem intensificar os sintomas.

    Em termos de psicoeducação e manejo, alguns pontos são centrais:
    - pensamentos não são fatos, especialmente quando vêm carregados de emoção intensa;
    - observar e nomear esses pensamentos automáticos já reduz seu impacto;
    - trabalhar reestruturação cognitiva (questionar evidências, buscar interpretações mais funcionais) e ativação comportamental gradual costuma ser fundamental nesses quadros;
    - ansiedade + depressão não significam fraqueza, mas um sistema emocional sobrecarregado.

    O que você relata merece, sim, uma avaliação clínica cuidadosa e acompanhamento adequado. O sofrimento que você descreve é real, tratável e não define quem você é — define apenas o estado emocional em que você se encontra agora.


  • Saí do meu primeiro relacionamento tem quase 1 mês, durou 8 meses. Eu tenho 29 anos, estou com um ce

    Saí do meu primeiro relacionamento tem quase 1 mês, durou 8 meses. Eu tenho 29 anos, estou com um certo medo de não encontrar um novo amor ou a pessoa certa nunca aparecer. Esse medo é normal depois de um término? Ao mesmo tempo vejo que finalmente superei a minha ex. Sou muito caseiro e introvertido, como posso mudar isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Juliane Callegaro Borsa

    Após um término, especialmente quando se trata do primeiro relacionamento significativo, é muito comum que surjam pensamentos automáticos ligados a medo, escassez e catastrofização, como a ideia de que “talvez eu não encontre mais alguém” ou “a pessoa certa nunca vai aparecer”. Do ponto de vista da Terapia Cognitivo-Comportamental, isso não indica uma verdade sobre o futuro, mas uma resposta previsível do sistema cognitivo à quebra de vínculo e à perda do projeto relacional que estava em curso. O término ativa esquemas relacionados a abandono, rejeição ou desvalor, mesmo quando a relação já foi emocionalmente elaborada.
    É importante diferenciar o fato de ter superado a ex-parceira do medo antecipatório em relação ao futuro. São processos distintos. Superar alguém diz respeito ao passado; o medo diz respeito à intolerância à incerteza. A TCC compreende esse medo como uma tentativa de controle cognitivo diante de algo que, por definição, não pode ser totalmente previsto. Psicoeducação aqui é fundamental: pensamentos não são fatos, e emoções desconfortáveis após um término não são sinal de que algo está errado com você, mas de que o cérebro está se reajustando à ausência de um vínculo significativo.
    Uma estratégia inicial é aprender a identificar esses pensamentos automáticos e questioná-los com perguntas mais funcionais: quais evidências reais sustentam a ideia de que você “não encontrará ninguém”? Esse pensamento é uma previsão baseada em dados concretos ou uma resposta emocional ao término? O objetivo não é substituir por pensamentos excessivamente positivos, mas por interpretações mais realistas e equilibradas.
    Quanto ao fato de você se perceber como caseiro e introvertido, a TCC não trabalha com a lógica de “mudar quem você é”, mas de avaliar se determinados comportamentos estão alinhados com seus objetivos de vida. Introversão é um traço, não um problema clínico. O ponto de atenção é quando o comportamento de evitação reduz oportunidades de experiência, conexão e reforço positivo. Nesse caso, estratégias de ativação comportamental podem ajudar: pequenas exposições graduais a contextos sociais que façam sentido para você, sem a pressão de desempenho ou de “precisar conhecer alguém”. O foco é ampliar repertório, não forçar uma transformação identitária.
    Outro eixo importante de psicoeducação é compreender que relacionamentos saudáveis costumam surgir como consequência de uma vida minimamente ativa e coerente com valores pessoais, não como resposta a um medo. Trabalhar tolerância à incerteza, flexibilidade cognitiva e exposição gradual ao novo tende a reduzir a ansiedade e aumentar a sensação de agência.
    Em resumo, o que você está vivendo é compatível com um processo de adaptação emocional após o término, não com um indicativo de fracasso relacional futuro. O trabalho terapêutico, nessa fase, costuma se concentrar menos em “encontrar alguém” e mais em fortalecer recursos cognitivos e comportamentais para que, quando novos vínculos surgirem, eles não sejam mediados pelo medo, mas pela escolha.


  • Como diferenciar tristeza passageira de um quadro de depressão que precisa de acompanhamento especia

    Como diferenciar tristeza passageira de um quadro de depressão que precisa de acompanhamento especializado?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Juliane Callegaro Borsa

    A diferenciação entre tristeza passageira e um quadro depressivo não está na intensidade isolada da dor emocional, mas na duração, na rigidez e no impacto funcional que esse estado produz. Na Terapia Cognitivo-Comportamental, a tristeza é uma emoção básica, esperada diante de perdas, frustrações ou mudanças, e tende a oscilar conforme o contexto, permitindo ainda momentos de alívio, interesse ou conexão. Já a depressão se caracteriza quando o humor deprimido deixa de ser reativo às circunstâncias e passa a organizar a forma como a pessoa pensa, sente e age de maneira persistente.
    Um ponto central é observar seu padrão cognitivo. Na tristeza passageira, os pensamentos negativos costumam estar ligados a um evento específico e mantêm certa flexibilidade. A pessoa consegue reconhecer que aquilo vai passar, mesmo sofrendo. Na depressão, surgem pensamentos automáticos recorrentes e globalizantes sobre si, o mundo e o futuro, frequentemente marcados por desvalor, culpa excessiva, desesperança e sensação de inutilidade. Esses pensamentos passam a ser vividos como verdades absolutas, não como estados transitórios.
    Outro critério importante é o comportamento. Na tristeza, apesar do sofrimento, a pessoa geralmente consegue manter alguma iniciativa, prazer parcial ou engajamento. No quadro depressivo, há redução significativa de energia, motivação e interesse, com tendência ao isolamento, esquiva e dificuldade de realizar atividades básicas ou antes significativas. Mesmo quando a pessoa “funciona”, isso costuma ocorrer com alto custo emocional e sensação de esgotamento constante.
    A dimensão temporal também é fundamental. Tristeza tende a variar ao longo dos dias e semanas. A depressão se mantém por um período prolongado, geralmente por semanas ou meses, com pouca variação espontânea, e frequentemente vem acompanhada de alterações no sono, apetite, concentração e sensação de peso emocional contínuo. Quando o sofrimento passa a interferir de forma consistente no trabalho, nos estudos, nos relacionamentos ou no autocuidado, isso é um sinal claro de alerta.
    Do ponto de vista da psicoeducação, é importante compreender que procurar acompanhamento especializado não exige estar “no pior estado possível”. A TCC entende a depressão como um padrão aprendido e mantido por ciclos de pensamento, emoção e comportamento, e quanto mais cedo esses ciclos são identificados, mais eficaz tende a ser o tratamento. Em resumo, tristeza é uma resposta emocional ao que aconteceu; depressão é quando o sofrimento passa a definir o funcionamento psíquico da pessoa. Quando há persistência, rigidez cognitiva, prejuízo funcional e sofrimento significativo, o acompanhamento profissional passa a ser cuidado necessário.


  • A ansiedade social me deixa muito irritada na rua, e em meio de pessoas, como enfrentar com calma?

    A ansiedade social me deixa muito irritada na rua, e em meio de pessoas, como enfrentar com calma?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Juliane Callegaro Borsa

    Na TCC, essa irritação em contextos sociais é entendida como um subproduto da ansiedade e não como traço de personalidade nem “falta de paciência”. Quando você está na rua ou entre pessoas, seu sistema de ameaça entra em modo de hipervigilância. O cérebro passa a interpretar estímulos neutros (barulho, proximidade, olhares, lentidão alheia) como invasivos. A irritação surge como uma resposta defensiva: é o corpo tentando afastar o desconforto.
    Alguns pontos de psicoeducação ajudam a enfrentar isso com mais calma:

    Nomear muda o circuito:
    Quando perceber a irritação, identifique mentalmente: “isso é ansiedade social ativada”. Não é fraqueza nem raiva “real”. Nomear reduz a fusão entre emoção e comportamento.

    Pare de lutar para “ficar calma”:
    Forçar calma costuma aumentar a tensão. O objetivo é tolerar o desconforto sem agir a partir dele. A irritação pode estar presente sem que você precise obedecê-la.

    Atenção externa deliberada:
    A ansiedade social puxa o foco para dentro (como estou sendo vista? como estou reagindo?). Treine deslocar a atenção para fora: cores, sons, temperatura, passos. Isso reduz o auto-monitoramento que alimenta a irritação.

    Exposição gradual e funcional:
    Evitar pessoas reforça o problema. A estratégia é exposição planejada e progressiva, começando por contextos menos carregados e com tempo limitado, sem a meta de “se sentir bem”, mas de permanecer apesar do desconforto.

    Questione o pensamento implícito:
    Geralmente há uma regra silenciosa por trás da irritação: “não deveria estar aqui”, “isso é demais para mim”, “preciso sair agora”. Não confronte com positividade, mas com realismo: “é desagradável, mas suportável”.

    Com o tempo, quando o cérebro aprende que esses contextos não exigem defesa, a irritação diminui, porque o sistema deixou de interpretar o ambiente como ameaça.


  • Como saber se o que eu sinto é amor ou somente apego aos momentos bons que o relacionamento tinha ?

    Como saber se o que eu sinto é amor ou somente apego aos momentos bons que o relacionamento tinha ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Juliane Callegaro Borsa

    Amor e apego compartilham emoções, memórias e sensação de conexão, por isso a confusão é esperada. A diferença não está na intensidade do sentimento, mas no que sustenta esse sentimento.
    Um ponto central de psicoeducação é entender que o apego é mantido, sobretudo, por reforço intermitente: lembranças dos momentos bons, sensação de pertencimento, alívio emocional que a relação proporcionava. O cérebro tende a selecionar essas memórias porque elas reduzem o desconforto da perda. Já o amor, do ponto de vista cognitivo-comportamental, envolve uma avaliação mais ampla e integrada da relação, incluindo limites, conflitos, valores e impacto no funcionamento emocional.
    Na TCC, também observamos o comportamento. O amor tende a coexistir com aceitação da realidade, mesmo quando há dor. O apego costuma vir acompanhado de ruminação, idealização seletiva e dificuldade de soltar, porque está menos ligado à pessoa real e mais à função emocional que ela cumpria.
    Isso não significa que um invalide o outro. Muitas vezes, o que se sente após um término é apego ao que foi bom, não necessariamente ao vínculo como ele existia de fato. E isso não diminui a importância da experiência, mas ajuda a compreender por que dói.
    Uma estratégia prática é observar como o sentimento evolui quando você interrompe a ruminação e retoma atividades que geram sentido fora da relação. Se o sofrimento diminui à medida que a vida se expande, é provável que o núcleo fosse apego. Se o sentimento permanece, mas de forma mais serena e menos urgente, pode haver amor.


  • Sou diagnosticada com ansiedade a algum tempo, nunca tratei devidamente e recentemente vendo tendo u

    Sou diagnosticada com ansiedade a algum tempo, nunca tratei devidamente e recentemente vendo tendo um quadro de que como se o mundo não fosse real e nem eu. Não é como minhas crises anteriores onde eu tinha sintomas físicos muito fortes como: falta de ar, visão escurecendo, palpitações fortes e tontura, hoje eu não sinto nada disso apenas uma leve sensação de que o corpo está pesado e dormente mas não chega a estar. Eu tenho medo da morte súbita e isso vem afetando minha percepção das coisas, eu tento me confortar com meus exames que estão normais e minha idade que não se adequa a maioria dos casos de morte súbita, mas mesmo minha mente sossegando um pouco ainda fico com a impressão no fundo de que vou morrer amanhã ou daqui a pouco. Estou me cuidando apesar de tudo, comendo, dormindo, andando mesmo que pareça estranho fazer tudo isso e passando no psicólogo e logo no psiquiatra para fazer acompanhamento com medicação.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Juliane Callegaro Borsa

    O que você descreve é muito consistente com um quadro de ansiedade crônica com sintomas dissociativos, especialmente desrealização e despersonalização. Na TCC, entendemos isso como uma resposta do sistema nervoso a um estado prolongado de hiperativação: quando o corpo não consegue mais sustentar o pico de ansiedade “clássico” (taquicardia, falta de ar, tontura), ele migra para um modo de entorpecimento e distanciamento perceptivo. A sensação de que o mundo ou você mesma não são reais é assustadora, mas não é sinal de psicose, dano cerebral ou risco iminente de morte.
    O medo persistente de morte súbita funciona aqui como um pensamento catastrófico central, mantido pela intolerância à incerteza. Mesmo diante de exames normais e de argumentos racionais (idade, ausência de fatores de risco), a ansiedade continua produzindo a impressão subjetiva de ameaça. Isso acontece porque a ansiedade não se regula pela lógica, mas pela interpretação de perigo. A mente pode até “sossegar”, mas o corpo segue em alerta e esse desalinhamento gera exatamente essa sensação residual de que “algo ruim vai acontecer”.

    É importante psicoeducar alguns pontos-chave:
    desrealização/despersonalização são sintomas de ansiedade, não de morte iminente;
    sensação de corpo pesado ou levemente dormente é comum em estados de hiperarousal prolongado;
    pensamentos do tipo “vou morrer amanhã” não são previsões, são produtos automáticos da ansiedade;
    checar exames e buscar garantias alivia momentaneamente, mas pode manter o ciclo ansioso no longo prazo.

    Do ponto de vista terapêutico, o foco não é “provar que você não vai morrer”, mas reduzir a vigilância constante sobre o corpo e os pensamentos, trabalhar reinterpretação das sensações e aumentar tolerância ao desconforto sem luta. O fato de você estar mantendo alimentação, sono, movimento e buscando acompanhamento psicológico e psiquiátrico é extremamente relevante: isso é funcionamento preservado apesar do sofrimento, não negligência consigo mesma.
    Esse quadro é tratável e costuma responder bem à combinação de psicoterapia estruturada (como a TCC) e, quando indicado, medicação. O que você está vivendo não é sinal de que está “piorando”, mas de que a ansiedade mudou de forma. E isso, embora desconfortável, não é perigoso.


  • Quais são os fatores que influenciam a neuroplasticidade?

    Quais são os fatores que influenciam a neuroplasticidade?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Juliane Callegaro Borsa

    A neuroplasticidade, ou plasticidade neural, é a capacidade do cérebro de se adaptar e modificar suas estruturas e funções em resposta a estímulos e experiências. Esse processo é influenciado por diversos fatores, como idade, ambiente, experiências, estilo de vida, nutrição e condição física. Na infância, a neuroplasticidade é mais pronunciada, mas permanece presente ao longo da vida, ainda que a capacidade de mudança tenda a diminuir com o envelhecimento. Ambientes ricos em estímulos, aprendizado constante, interações sociais e desafios mentais contribuem para a plasticidade neural, enquanto hábitos de vida saudáveis, como a prática regular de exercícios, sono adequado e alimentação equilibrada, fortalecem as conexões cerebrais e favorecem a consolidação da memória. Uma dieta rica em ômega-3, antioxidantes e nutrientes essenciais também desempenha papel importante nesse processo, assim como o bom condicionamento físico, que pode auxiliar na reabilitação e recuperação após lesões. Por outro lado, fatores como o consumo de álcool, tabaco, drogas e a presença de psicopatologias podem prejudicar a capacidade adaptativa do cérebro. Em resumo, a neuroplasticidade é um fenômeno complexo e dinâmico, moldado por múltiplos aspectos que determinam a forma como o cérebro se adapta e se transforma ao longo da vida.


  • Como praticar atenção plena para lidar com a rejeição?

    Como praticar atenção plena para lidar com a rejeição?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Juliane Callegaro Borsa

    Para lidar com a rejeição através da atenção plena, é importante praticar a aceitação dos sentimentos, observando-os sem julgamento e mantendo o foco no momento presente, utilizando a respiração como âncora. Permitir-se sentir a dor da rejeição, reconhecendo emoções como tristeza, raiva ou frustração, ajuda a não suprimi-las nem julgá-las. Ao mesmo tempo, observar os pensamentos que surgem, especialmente os autocríticos e negativos, sem se apegar a eles, favorece a compreensão de que são apenas eventos mentais que passam, como nuvens no céu.
    A respiração, por sua vez, funciona como um ponto de ancoragem: sempre que a mente divagar, é possível trazê-la de volta à sensação do ar entrando e saindo. Nesse processo, a autocompaixão é essencial, permitindo que a pessoa se trate com a mesma bondade que ofereceria a um amigo, reconhecendo que a rejeição é parte da vida, mas não define quem se é. Manter-se no momento presente, em vez de se perder em lembranças do passado ou preocupações com o futuro, ajuda a reduzir a intensidade da dor e a ansiedade.
    Compartilhar sentimentos com pessoas de confiança, como amigos, familiares ou profissionais de saúde mental, também pode aliviar o peso da rejeição e trazer novas perspectivas. Com o tempo, esse conjunto de práticas fortalece a resiliência, ou seja, a capacidade de se recuperar de situações difíceis.
    Além da atenção plena, é possível reformular a experiência de rejeição, buscando compreendê-la sob um novo olhar, identificando aprendizados e oportunidades de crescimento. Fortalecer a autoestima, valorizando qualidades, habilidades e conquistas, bem como investir em atividades que tragam satisfação, contribui para esse processo. Da mesma forma, cultivar relacionamentos saudáveis que promovam bem-estar e crescimento pessoal é fundamental. Caso a rejeição esteja gerando sofrimento intenso, buscar apoio psicológico é uma opção valiosa. Assim, por meio da atenção plena e de estratégias complementares, torna-se possível lidar com a rejeição de forma mais saudável e transformadora, convertendo a dor em oportunidade de autoconhecimento e crescimento pessoal.


  • Como lidar com.filha de 4 anos que nao entende que eu e o pai estamos separados?ele nos fez mal e me

    Como lidar com.filha de 4 anos que nao entende que eu e o pai estamos separados?ele nos fez mal e mesmo assim ela chora muito ao vim embora da casa dele(ela presenciou violência dele comigo 2x)

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Juliane Callegaro Borsa

    Aos 4 anos, a criança ainda não tem estrutura cognitiva para compreender separação conjugal, violência ou ambivalência moral. Ela não consegue integrar a ideia de que alguém que ama também pode ter sido fonte de medo ou dano. Para ela, o pai continua sendo pai, independentemente do que aconteceu entre vocês, e o choro ao ir embora não significa que ela esteja negando a violência ou escolhendo o pai, mas expressando angústia de separação, dificuldade de transição e medo de perda. Crianças pequenas vivem o “ir embora” como algo muito definitivo, quase como se aquele vínculo pudesse desaparecer ao atravessar a porta.
    O que mais regula o sofrimento dela não é explicação racional, porque ela ainda não opera nesse nível, mas previsibilidade, repetição e segurança emocional. Tentar fazê-la entender por que vocês se separaram, ou explicar que o pai fez mal, tende a gerar mais confusão e ansiedade, porque ela não tem recursos para elaborar isso sem se sentir dividida internamente. O que ela precisa ouvir, muitas vezes, é sempre a mesma mensagem simples, concreta e estável: que ela tem um pai e uma mãe, que vocês não moram juntos, que ela continuará vendo o pai e que você está ali com ela naquele momento. Não é necessário convencer, apenas repetir com calma, porque a repetição cria segurança.
    É fundamental validar o sentimento sem validar a fantasia. Você pode reconhecer que é difícil ir embora e que ela pode ficar triste, sem alimentar a ideia de que a separação é injusta ou de que algo poderia ser diferente se você agisse de outra forma. Quando o choro acontece, o foco não deve ser explicar, mas regular. A criança pede emprestado o sistema nervoso do adulto, então sua presença calma, seu tom de voz estável e a manutenção da rotina após a transição ajudam muito mais do que qualquer argumento. O choro, nesse contexto, não é algo a ser eliminado, mas atravessado com contenção.
    O fato de ela ter presenciado episódios de violência é relevante e não deve ser minimizado, mesmo que tenham sido poucas vezes. Para uma criança pequena, qualquer cena de agressão entre figuras de apego pode ser vivida como ameaça intensa, e isso pode aumentar a sensibilidade emocional, a ansiedade de separação e a dificuldade de organizar sentimentos ambivalentes. Por isso, é altamente recomendável que ela tenha acompanhamento psicológico infantil, não para “convencer” a criança de algo, mas para ajudá-la a elaborar simbolicamente o que viu, reforçar sensação de segurança e ampliar recursos de expressão emocional.
    Para você, é importante nomear algo que costuma pesar muito: o sofrimento dela não invalida a separação nem significa que você errou ao se proteger. Crianças sofrem com separações mesmo quando elas são necessárias, e isso não é sinal de dano irreversível. O que causa prejuízo maior não é o choro na despedida, mas a exposição repetida à violência ou à instabilidade. Sustentar essa decisão, mesmo vendo sua filha chorar, é emocionalmente exaustivo, mas é uma forma de cuidado. Com previsibilidade, repetição e suporte adequado, esse sofrimento tende a diminuir. O vínculo dela com você se fortalece não porque você evita a dor, mas porque você permanece presente enquanto ela aprende a atravessá-la.


  • Qual a dose de escitalopram que faz mal?, as vezes eu penso que tomei e esqueço e tenho medo de toma

    Qual a dose de escitalopram que faz mal?, as vezes eu penso que tomei e esqueço e tenho medo de tomar dois comprimidos e passar mal

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Juliane Callegaro Borsa

    Para garantir a eficácia do tratamento, recomenda-se tomar a medicação sempre no mesmo horário, pois isso ajuda a manter níveis estáveis do medicamento no sangue, condição essencial para que o efeito seja consistente. Esquecer a medicação de maneira eventual não costuma comprometer significativamente o tratamento, mas quando os esquecimentos se tornam frequentes, o efeito do escitalopram pode ser reduzido, prejudicando a melhora dos sintomas. Por isso, manter uma rotina organizada e estratégias que facilitem a lembrança da dose diária é fundamental para a boa evolução terapêutica. Recomendo que você converse com seu psiquiatra para que ele possa lhe prestar mais detalhes e lhe orientar direitinho sobre como proceder.


  • Doenças autoimunes são causadas pela mente de uma pessoa?

    Doenças autoimunes são causadas pela mente de uma pessoa?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Juliane Callegaro Borsa

    Não!
    Doenças autoimunes não são causadas pela mente de uma pessoa. Elas acontecem quando o sistema imunológico, que normalmente protege o corpo contra vírus e bactérias, passa a atacar tecidos e órgãos saudáveis por engano.
    As causas exatas variam, mas envolvem fatores genéticos, alterações no funcionamento do sistema imunológico e influências do ambiente, como infecções, exposição a determinadas substâncias e até mudanças hormonais.
    O que a ciência mostra é que o estresse emocional e problemas de saúde mental não criam a doença, mas podem influenciar na intensidade dos sintomas ou na frequência das crises, porque afetam o equilíbrio geral do organismo. Por isso, cuidar da saúde emocional, dormir bem e manejar o estresse é importante, não para “curar” a doença, mas para ajudar o corpo a lidar melhor com ela.
    Espero ter ajudado a sanar sua dúvida.

    Um abraço,
    Juliane
    Psicóloga CRP 07/13425
    Terapeuta Cognitivo-Comportamental de Mulheres
    Doutora em Psicologia UFRGS


  • Quais são as técnicas utilizadas na terapia cognitivo-comportamental (TCC) para doenças autoimunes?

    Quais são as técnicas utilizadas na terapia cognitivo-comportamental (TCC) para doenças autoimunes?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Juliane Callegaro Borsa

    Olá!
    Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), o tratamento de pessoas com doenças autoimunes, como o lúpus, foca em ajudar a lidar melhor com o impacto emocional e prático da condição, já que ela costuma envolver sintomas imprevisíveis, dores, limitações físicas e preocupações sobre o futuro. Um dos primeiros passos é a psicoeducação, em que o paciente aprende sobre a relação entre corpo, mente e estresse, entendendo como fatores emocionais podem influenciar o bem-estar físico e vice-versa. Depois, trabalha-se a reestruturação cognitiva, que ajuda a identificar e modificar pensamentos negativos ou catastróficos, como “nunca mais vou ter qualidade de vida” ou “meu corpo está me traindo”, substituindo-os por interpretações mais realistas e menos paralisantes. Técnicas de manejo do estresse, como respiração diafragmática, relaxamento muscular e mindfulness, ajudam a reduzir a tensão física e emocional que pode agravar sintomas. A TCC também utiliza o planejamento de atividades graduais, para que a pessoa possa manter ou retomar, de forma segura, tarefas e momentos de prazer, mesmo durante períodos de fadiga ou dor. Além disso, há o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento para lidar com crises e flutuações da doença, incluindo como se comunicar com familiares, médicos e colegas de trabalho sobre as necessidades e limitações. No caso do lúpus, por exemplo, a TCC pode ajudar a pessoa a aprender a equilibrar descanso e atividade, lidar com a ansiedade em dias de exames e reduzir a autocobrança por não conseguir fazer tudo como antes, promovendo mais qualidade de vida apesar da doença.
    Espero ter conseguido ajudar no esclarecimento da sua dúvida.

    Um abraço,
    Juliane
    Psicóloga CRP 07/13425
    Terapeuta Cognitivo-Comportamental de Mulheres
    Doutora em Psicologia UFRGS


  • Como a psicoterapia positiva se diferencia da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) ?

    Como a psicoterapia positiva se diferencia da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Juliane Callegaro Borsa

    Olá, ambas tem focos distintos, embora possam utilizar técnicas semelhantes.
    A TCC é estruturada, de tempo limitado e baseada em evidências. Trabalha na identificação e mudança de pensamentos e comportamentos disfuncionais que mantêm o sofrimento. O objetivo é reduzir sintomas e resolver problemas, para que a pessoa volte ao funcionamento saudável.
    Já a Psicoterapia Positiva nasce da Psicologia Positiva. Seu foco é menos na redução do que está “errado” e mais na ampliação do que está “certo”. Ela trabalha forças pessoais, emoções positivas, sentido de vida e engajamento, partindo da ideia de que cultivar bem-estar e propósito é tão importante quanto aliviar sintomas.
    Espero ter conseguido esclarecer sua dúvida.
    Um abraço!

    Juliane
    Psicóloga CRP 07/13425
    Terapeuta Cognitivo-Comportamental de Mulheres
    Doutora em Psicologia UFRGS


  • Como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) aborda a Hipervigilância Somática ?

    Como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) aborda a Hipervigilância Somática ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Juliane Callegaro Borsa

    A hipervigilância somática é comum em condições como transtorno de ansiedade generalizada, transtorno de pânico e hipocondria/transtorno de ansiedade de doença.
    Na Terapia Cognitivo-Comportamental, a hipervigilância somática é tratada ajudando a você a entender como essa atenção constante aumenta a ansiedade e faz o corpo parecer “gritar” mais. O tratamento envolve aprender a identificar e questionar pensamentos catastróficos, treinar o foco para se voltar menos ao corpo e mais ao que está acontecendo ao redor, praticar exercícios de calma e enfrentar gradualmente as sensações temidas para perceber que elas são normais e seguras. O objetivo é quebrar o ciclo de preocupação e permitir que o corpo e a mente fiquem mais tranquilos.
    Espero ter ajudado a esclarecer sua dúvida.
    Um abraço!
    Juliane


  • Tenho crises de ansiedade constantes, mas, durante elas, não sinto falta de ar nem taquicardia, para

    Tenho crises de ansiedade constantes, mas, durante elas, não sinto falta de ar nem taquicardia, para mim, os sintomas são mais emocionais: sinto uma angústia muito intensa e tenho crises frequentes de choro, junto com muitas preocupações, medos e uma sensação de agonia no corpo, também fico com uma grande confusão mental, isso seria também uma crise de ansiedade sem sintomas físicos, e mais relacionada emocional? Ou as crises de ansiedade tem que envolver os sintomas físicos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Juliane Callegaro Borsa

    Olá! O que você descreve pode ser uma crise de ansiedade, mesmo sem sintomas físicos intensos como falta de ar ou taquicardia. A ansiedade não se manifesta de forma igual para todo mundo: em algumas pessoas, os sinais são mais corporais; em outras, predominam os sintomas emocionais e mentais. No seu caso, a angústia intensa, o choro frequente, as preocupações constantes, o medo, a sensação de agonia no corpo e a confusão mental são manifestações legítimas de ansiedade. Isso acontece porque a ansiedade envolve tanto o corpo quanto as emoções e os pensamentos, e cada pessoa sente esse “pacote” de forma diferente.
    Não é preciso ter todos os sintomas clássicos para que seja considerado um episódio ansioso. O que importa é como isso está afetando o seu bem-estar e sua rotina, e nesses casos, buscar apoio profissional pode ajudar muito a entender e aprender a lidar com essas crises.

    Espero ter ajudado a sanar sua dúvida.

    Um abraço,
    Juliane
    Psicóloga CRP 07/13425
    Terapeuta Cognitivo-Comportamental de Mulheres
    Doutora em Psicologia UFRGS


  • Quais fatores influenciam o Desenvolvimento Cognitivo Infantil?

    Quais fatores influenciam o Desenvolvimento Cognitivo Infantil?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Juliane Callegaro Borsa

    O desenvolvimento cognitivo infantil é resultado de uma interação dinâmica entre fatores biológicos, ambientais, sociais e emocionais. Desde os primeiros momentos da vida, aspectos genéticos desempenham um papel importante, influenciando o potencial da criança para desenvolver habilidades como memória, linguagem e atenção. Ainda na gestação, a saúde da mãe pode afetar diretamente o cérebro em formação; exposição a substâncias tóxicas, desnutrição ou infecções pode comprometer esse processo. Após o nascimento, a nutrição continua sendo essencial, pois deficiências de nutrientes como ferro, iodo e ácidos graxos impactam o funcionamento cerebral. Além disso, doenças neurológicas ou transtornos genéticos também podem alterar o ritmo do desenvolvimento cognitivo.

    O ambiente em que a criança cresce exerce uma influência igualmente poderosa. Interações sociais com cuidadores atentos, a exposição a linguagem desde cedo, brincadeiras, livros e estímulos sensoriais diversos contribuem significativamente para a construção do pensamento e da linguagem. Crianças que convivem com adultos que conversam, leem histórias e estimulam a curiosidade tendem a desenvolver habilidades cognitivas de forma mais robusta. Nesse sentido, o contexto familiar e socioeconômico também se mostra determinante. Famílias com maior escolaridade e acesso a recursos geralmente oferecem mais oportunidades de aprendizagem. Por outro lado, situações de vulnerabilidade podem limitar o acesso a estímulos e aumentar os níveis de estresse no ambiente doméstico, o que afeta negativamente o desenvolvimento.

    O papel da escola e da educação formal também não pode ser subestimado. Ambientes escolares que respeitam o ritmo da infância, valorizam o brincar e promovem relações afetivas positivas favorecem o crescimento cognitivo. As interações com professores e colegas ampliam o repertório social e estimulam o pensamento crítico e as funções executivas, como atenção, planejamento e controle inibitório. Por fim, o aspecto emocional é um elemento central em todo esse processo. Crianças que estabelecem vínculos seguros com adultos de referência tendem a se sentir mais confiantes para explorar o mundo e aprender. Em contrapartida, experiências prolongadas de estresse, negligência ou violência podem prejudicar a arquitetura cerebral em formação.

    Por fim, o contexto cultural em que a criança está inserida também influencia o que ela aprende, como aprende e o que é valorizado como conhecimento. Crianças que têm acesso à diversidade de experiências e vivências desenvolvem maior flexibilidade cognitiva e senso crítico. Assim, o desenvolvimento cognitivo infantil não depende de um único fator isolado, mas do entrelaçamento de múltiplas dimensões que, em conjunto, moldam a forma como a criança pensa, aprende e se relaciona com o mundo.


  • Qual a diferença entre idade cronológica, biológica e psicológica?

    Qual a diferença entre idade cronológica, biológica e psicológica?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Juliane Callegaro Borsa

    A diferença entre idade cronológica, biológica e psicológica está na forma como cada uma mede o tempo e o envelhecimento humano, refletindo aspectos distintos da experiência e do funcionamento individual.

    Idade cronológica é a mais conhecida e objetiva: corresponde ao número de anos vividos desde o nascimento. É usada em documentos oficiais, na definição de faixas etárias e em critérios legais, como a maioridade ou a aposentadoria. No entanto, ela nem sempre representa com precisão o estado de saúde, maturidade ou funcionalidade de uma pessoa.

    Idade biológica, por sua vez, refere-se ao estado físico e funcional do corpo, considerando o desgaste dos órgãos, a vitalidade celular, a genética, o estilo de vida e a presença ou ausência de doenças. Duas pessoas com a mesma idade cronológica podem ter idades biológicas muito diferentes, dependendo, por exemplo, da alimentação, prática de exercícios, sono, exposição a estresse e cuidados com a saúde ao longo da vida. Alguém pode ter 50 anos cronológicos, mas corpo e saúde semelhantes aos de uma pessoa de 40 — ou de 60.

    Idade psicológica está relacionada à forma como o indivíduo se percebe e se comporta em termos emocionais, cognitivos e sociais. Envolve aspectos como maturidade emocional, capacidade de adaptação, autonomia, visão de futuro, motivação, criatividade e forma de lidar com desafios. Uma criança pode ter uma idade psicológica mais avançada do que a cronológica, demonstrando maior responsabilidade ou empatia. Já um adulto pode manter traços imaturos e impulsivos, revelando uma idade psicológica inferior à cronológica.

    Essas três idades nem sempre andam juntas. Uma pessoa pode ter 30 anos de idade cronológica, corpo de 25 e emocionalidade de 18 (ou o contrário).


  • Qual a diferença entre neurotípico e neurodivergente?

    Qual a diferença entre neurotípico e neurodivergente?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Juliane Callegaro Borsa

    A diferença entre neurotípico e neurodivergente está relacionada à forma como o cérebro de uma pessoa funciona em comparação com o que é considerado o padrão predominante na sociedade.

    Neurotípico é o termo usado para descrever pessoas cujo funcionamento neurológico e comportamental está dentro do que é socialmente e clinicamente considerado "típico" ou "esperado". Essas pessoas geralmente se desenvolvem dentro dos padrões de linguagem, cognição, interação social e regulação emocional sem grandes desvios ou desafios significativos. Em outras palavras, são aquelas que não possuem condições como autismo, TDAH, dislexia, entre outras.

    Neurodivergente, por outro lado, é o termo que descreve indivíduos cujas funções neurológicas diferem da norma considerada padrão. Isso inclui uma variedade de condições do neurodesenvolvimento e da cognição, como autismo, TDAH, dislexia, discalculia, síndrome de Tourette, entre outras. A ideia de neurodivergência não implica necessariamente um "déficit" ou "doença", mas sim uma diferença na forma de pensar, sentir e processar o mundo.

    A origem do termo está ligada ao movimento da neurodiversidade, que propõe que essas diferenças neurológicas são variações naturais da espécie humana, e não necessariamente algo que precisa ser "consertado". Em vez de tratar essas condições apenas como transtornos, a perspectiva da neurodiversidade busca promover inclusão, respeito e valorização das diferentes formas de ser e pensar.


  • gostaria de fazer terapia ou algo assim, mas sem que minha familia saiba. Existe

    gostaria de fazer terapia ou algo assim, mas sem que minha familia saiba. Existe essa possibilidade ou o profissional vai ter que contata-la? Sou maior de idade.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Juliane Callegaro Borsa

    Olá! Sim, é absolutamente possível fazer terapia sem que sua família saiba, especialmente se você for maior de idade.
    Psicólogos e terapeutas são obrigados por lei e por seus códigos de ética a manter o sigilo sobre tudo o que é dito em sessão. Eles não podem entrar em contato com sua família nem repassar informações a terceiros sem o seu consentimento, a menos que exista risco iminente à sua vida ou à vida de terceiros (e mesmo assim, só em casos extremos).
    A terapia online é uma opção prática e discreta. Você pode fazer a sessão do seu quarto ou outro lugar privado, com fone de ouvido.


  • O TDAH pode surgir em adultos, mesmo quando estes não apresentam sintomas durante a infância?

    O TDAH pode surgir em adultos, mesmo quando estes não apresentam sintomas durante a infância?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Juliane Callegaro Borsa

    O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é considerado, segundo os critérios diagnósticos atuais, um transtorno do neurodesenvolvimento, o que significa que seus sintomas devem estar presentes desde a infância, mesmo que não tenham sido identificados ou diagnosticados na época. Portanto, tecnicamente, o TDAH não “surge” apenas na vida adulta. No entanto, é possível que os sintomas só se tornem perceptíveis ou passem a causar prejuízos mais evidentes na fase adulta, quando as demandas por organização, atenção sustentada e controle emocional aumentam significativamente — como no trabalho, nos estudos ou na vida familiar. Em alguns casos, os sintomas na infância podem ter sido sutis, mascarados por estratégias compensatórias ou por um ambiente que exigia menos da pessoa. Há ainda discussões em andamento na comunidade científica sobre a existência de um “TDAH de início tardio”, mas essa hipótese ainda é controversa. É importante, portanto, que o diagnóstico em adultos seja feito com cautela, por profissionais especializados, considerando a possibilidade de outros fatores (como ansiedade, depressão ou estresse crônico) estarem por trás dos sintomas semelhantes aos do TDAH.


Perguntas frequentes

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